A fase pré-carnavalesca de 2014 foi marcada por mudanças políticas em três das mais tradicionais agremiações do Rio de Janeiro. A Portela, depois de um longo período presidida pelo contestado Nilo Figueiredo, teve a chapa de Sérgio Procópio sufragada. Já na Estação Primeira de Mangueira, Ivo Meirelles não disputou a reeleição e o novo presidente passou a ser o deputado Francisco de Carvalho, o Chiquinho da Mangueira. Já a Mocidade Independente de Padre Miguel, a 20 dias do carnaval, teve a destituição do presidente Paulo Vianna por supostas irregularidades em sua administração – assumiu o vice Wandyr Trindade, o Macumba, embora o comando na prática tenha ficado com o patrono Rogério de Andrade, sobrinho de Castor.

Fato é que a crise política na Mocidade se refletiu no barracão: com o enredo “Pernambucópolis”, a escola prometia homenagear Fernando Pinto e o estado natal do falecido carnavalesco, mas o atraso na preparação e a falta de recursos eram evidentes e, após a mudança na diretoria, até integrantes da Portela foram ajudar, já que a confecção do enredo sobre o porto do Rio estava pronta com antecedência. Já a Verde e Rosa, que tinha como outra novidade a carnavalesca Rosa Magalhães, teria como enredo as festas brasileiras.

Outra escola que vivia uma grande crise política e financeira era a campeã Unidos de Vila Isabel. Houve um severo atraso na entrega de fantasias e confecção de alegorias, e a finalização de alguns figurinos era uma incógnita a poucos dias do desfile. O carnavalesco Cid Carvalho chegou a deixar a escola no meio da preparação e foi substituído por uma comissão, mas voltou aos trabalhos pouco antes do Carnaval.

A vice-campeã Beija-Flor não vivia nenhuma crise, mas foi bastante criticada pela escolha do enredo, no caso uma homenagem ao ex-diretor de operações da TV Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, associada à história da comunicação. O samba-enredo também recebeu pesadas críticas e a escola, em um ato inédito na história do Carnaval, emitiu um comunicado de imprensa para explicar a letra.

Por outro lado, foram recebidas com muito entusiasmo as escolhas de enredo da Unidos da Tijuca e Imperatriz Leopoldinense. Afinal, ambas decidiram prestar homenagens a dois dos grandes ídolos do esporte brasileiro: Ayrton Senna, no vigésimo aniversário de seu falecimento, e Zico, que completaria 61 anos de idade justamente no dia em que a escola de Ramos entraria na avenida, 3 de março.

Já o Salgueiro teria um forte enredo sobre a criação do universo sob a ótica da lenda africana de Olorum. A Acadêmicos do Grande Rio escolheu como tema a cidade fluminense de Maricá e faria uma lembrança da cantora Maysa, que escolheu o local como refúgio nos seus últimos anos de vida. Quem prometia um desfile leve, com a sua cara, era a União da Ilha, sobre os brinquedos e brincadeiras. Completavam o desfile a São Clemente, com um enredo sobre as favelas que seria confeccionado pelo experiente carnavalesco Max Lopes, e o Império da Tijuca, que levaria para a avenida a história do batuque, desde os rituais africanos até os dias de hoje.

OS DESFILES

O Império da Tijuca abriu os desfiles com uma apresentação agradável com o enredo “Batuk”, do carnavalesco Júnior Pernambucano. O samba-enredo funcionou bem, principalmente no refrão principal. A bateria começou o desfile muito acelerada, mas aos poucos atingiu um andamento mais aceitável, principalmente pela ótima atuação do intérprete Pixulé.

Em alegorias, o Imperinho teve um bom conjunto, com destaque para o carro do folguedo do Maracatu. Já o carro “Batuque Místico”, que tinha uma enorme escultura de preto velho, sofreu para entrar na pista, mas conseguiram manobrar a alegoria a tempo antes que se criasse uma cratera depois da linha de início de desfile. Gostei da maioria das fantasias, mas do meio para o fim havia um excesso de peso. Na ala “Sacopé” houve problemas, pois havia atabaques como adereços e diversos componentes não os levaram, o que descaracterizou o conjunto. O carnavalesco utilizou diversos tripés e adereços de mão, o que rendeu bom efeito.

Gostei da divisão cromática que pendia para as cores da escola no começo e foi ficando com tons mais diferentes do meio para o fim, quando o desfile ficou menos místico e mais profano, como no colorido carro “Manguetown” (que representava a diversidade de batuques em Pernambuco) e na alegoria “Batucada Imperial”, que homenageava a escola com a coroa (toda em verde) e esculturas de formigas, lembrando o Morro da Formiga. No entanto, em determinados momentos houve falhas de acabamento.

Não foi uma apresentação tecnicamente perfeita em evolução e harmonia, já que o abre-alas demorou a sair da pista e isso gerou um descompasso. Além disso, se as primeiras alas cantaram o samba a plenos pulmões, houve uma irregularidade no canto nas últimas, sobretudo na ala “Dança do Fogo”, em que alguns integrantes passavam praticamente mudos pela pista, enquanto outros cantavam. Mas foi um bonito desfile, que deixou a impressão de que a escola ao menos poderia se manter na elite.

granderiodesfile2014Mesmo com um samba limitado, a Acadêmicos do Grande Rio agradou com o enredo “Verdes olhos de Maysa sobre o mar, no caminho: Maricá”. A comissão de frente era formada por um gigantesco elemento alegórico representando um navio com um canhão que disparava um homem bala fantasiado de pirata rumo a uma rede que amortecia sua queda – o homem-bala foi o chileno Chachi Valencia, que trabalha nos Estados Unidos e Europa e foi descoberto pela escola em um show em Las Vegas. Havia muito mais do que os 15 integrantes regulamentares, mas enquanto uns (piratas) ficavam escondidos, outros (caranguejos) faziam evoluções dentro do elemento. Mas, para o meu gosto, embora com bom efeito, o “tripé” foi um exagero, até porque parecia mais um carro alegórico.

O abre-alas era muito bonito, grande e em branco, mas com iluminação colorida e muitos teclados e pianos, representando a chegada de Maysa à cidade onde resolveu ficar – havia ainda trechos de músicas da cantora com a caligrafia dela. A alegoria jogava muita água para cima e isso acabou deixando a pista molhada e perigosa para quem vinha evoluindo atrás. Gostei muito da alegoria que mostrava os jesuítas catequizando os índios da região. O vazado carro da estufa de Darwin, com muito verde e pessoas fantasiadas de borboletas, e a alegoria com uma locomotiva que simbolizava o progresso de Maricá também causaram ótima impressão. Agradou também o conjunto de fantasias, que estava luxuosíssimo e de excelente gosto, principalmente os figurinos da ala das baianas.
granderio

O samba-enredo como se esperava não empolgou o público e a harmonia da escola esteve irregular, com algumas alas cantando mais e outras passando de forma mais fria. Já a bateria de Mestre Ciça voltou a ousar com diversas paradinhas, e teve uma atuação melhor em relação a 2013 – a rainha de bateria Christiane Torloni chegou em cima da hora à concentração, mas conseguiu desfilar desde o início e fez par de dança com Ciça em determinados momentos do desfile.

No entanto, apesar da ótima concepção do conjunto visual por parte do carnavalesco Fábio Ricardo, a Grande Rio teve problemas de evolução, já que o enorme elemento da comissão de frente teve dificuldades para sair da pista por ter sido retirado pelo lado errado. A escola chegou a parar por mais de cinco minutos e depois correu, deixando a avenida com 81 minutos. De qualquer forma, a Grande Rio fez no conjunto um desfile bem superior a 2013, sobretudo nos quesitos plásticos. Porém, a volta no sábado das campeãs se mostrava difícil.

saoclementeabrealasJá a São Clemente, apesar de alguns bons momentos com o enredo “Favela”, teve uma apresentação irregular, sobretudo pela forma até tímida como muitas alas evoluíram e a falta de um samba mais contagiante. A comissão de frente foi interessante, com dois momentos distintos representando as transformações das favelas. Num deles, personagens antigos das comunidades, com roupas antigas maltrapilhas, e depois os personagens modernos como a periguete, o mototaxista e o grafiteiro, que pichava num pano amarelo a palavra favela. Como no caso da Grande Rio, houve um grande tripé, com paredes dos barracos que abriam e fechavam de acordo com os momentos da apresentação. Num deles, uma mulata sobre um queijo sambava à frente de um painel que simbolizava o M da Apoteose.

As primeiras alas simbolizavam a Guerra de Canudos, de onde saíram sertanejos que fundaram a primeira comunidade do Rio, o Morro da Providência. A alegoria que se seguia era grande, com ótima iluminação e quase todo em espuma, com uma escultura grande e bem realizada de Antônio Conselheiro e outras de cactos e sertanejos. A alegoria que representou o Morro da Providência e sua construção foi bem realizada. O outro destaque em alegorias foi o elemento “Universo da Miséria”, que representava as favelas da Índia, com uma grande escultura de Madre Teresa de Calcutá. Os demais elementos não causaram grande impacto e tiveram problemas de acabamento.

Gostei das alas que homenagearam escolas como Salgueiro e Mangueira e as fantasias no geral foram adequadas. Mas houve irregularidade em outros quesitos, principalmente em harmonia, com algumas alas sem ânimo, o que vai de encontro à tradição irreverente da escola. O samba não era mesmo dos melhores, o ótimo intérprete Igor Sorriso estava rouco e, para piorar, a evolução foi bastante lenta devido à dificuldade de manobras das alegorias. Pareceu ainda que houve uma certa indecisão para a entrada da bateria no recuo. O último carro passou muito rapidamente pela pista e a escola apressou o passo para cumprir sua apresentação abaixo dos 82 minutos regulamentares. Havia risco de rebaixamento, pois o Império da Tijuca havia sido superior.

mangueira2Quarta a entrar na pista, a Estação Primeira de Mangueira teve um desfile de altos e baixos. O enredo “A festança brasileira cai no samba da Mangueira” foi bem dividido pela carnavalesca Rosa Magalhães, mas ainda assim houve problemas. A comissão de frente chamada “A Diversidade das Festas Brasileiras” era muito interessante, com a festa do encontro dos índios com os portugueses quando do descobrimento. Uma oca muito bem acabada se transformava em diversas saias e roupas para as mulheres (que trocavam de roupa na pista) e simbolizavam as transformações das festas brasileiras. Mais um grande trabalho do coreógrafo Carlinhos de Jesus na volta à escola que defendeu de 1998 a 2008.

De cara, deu para perceber o estilo de Rosa Magalhães na concepção de alegorias e fantasias. A ala de baianas esteve espetacular, com figurinos representando o mar com direito aos crustáceos. Outra ala extraordinária foi a que simbolizou as oferendas a Iemanjá e a própria ala destinada a ela. A alegoria de Iemanjá era brilhantemente concebida, com iluminação impecável e tinha a velha guarda, além de uma discreta Rosa Magalhães como destaque, vestida de mãe de santo. Outra ala muito bem vestida era sobre a quadrilha de São João, com bela coreografia. A esperada alegoria sobre a parada gay não teve concepção tão feliz e houve problemas de acabamento em outros elementos.

mangueira3A bateria de Mestre Ailton esteve em grande noite, com a firmeza característica e belas convenções, como por exemplo no momento em que o naipe de tamborins (que tinham uma iluminação em led verde e rosa) fez a marcação com os surdos um. Além disso, a rainha de bateria Evelyn era içada por uma grua e ficava acima dos componentes, num belo efeito. Não houve as exageradas paradonas de outros anos, o que ajudou a sustentar o ritmo e evitar problemas de harmonia.

No entanto, apesar da excelente atuação do cantor Luizito, o samba-enredo não rendeu o que esperava, com um canto muito tímido de diversas alas. O público também assistiu ao desfile com frieza, exceto nos setores pelos quais passava a extraordinária bateria. Houve ainda problemas sérios de evolução na parte final, já que o bonito carro com o pajé não passou pela torre por problemas na grua e teve a cabeça quebrada para vencer o obstáculo e deixar a pista. Algo absolutamente inadmissível depois dos problemas de 2013 com o carro da libélula. Com isso, os componentes apertaram muito o passo para passar abaixo dos 82 minutos e conseguiram. Um desfile que prometia mas foi desperdiçado por falhas bobas.

salgueirodesfile2014bO Salgueiro fez uma apresentação muito bonita mas irregular com o enredo “Gaia, a vida em nossas mãos”, que contou a relação do homem com a Terra e a história da criação do mundo por intermédio dos elementos terra, água, fogo e ar. Renato Lage e sua esposa Márcia mais uma vez brilharam na concepção da maioria de alegorias e fantasias, mas o desfile também foi problemático.

O bonito e extenso carro abre-alas (47 metros e acoplado) apresentou problemas na embreagem e, além de soltar muita fumaça, causou um buraco na evolução de cara. Além disso, a iluminação do lado esquerdo teve falhas, uma pena pela beleza do elemento, no qual componentes fizeram belas coreografias. Um deles era o grande Djalma Sabiá, único fundador da escola ainda vivo. O ótimo tripé da comissão de frente tinha um belo efeito com uma componente levitando.

As fantasias estavam impecáveis, com o uso de materiais diferenciados como palha, sobretudo nos primeiros quadros do enredo, e uma divisão cromática voltada para os tons de marrom. Depois, as cores penderam para o verde e amarelo da natureza, especialmente no extraordinário carro “Terra”. Em seguida, entrou em cena o elemento água, com um incrível carro com o dragão chinês com o poder de conter a fúria das águas, e uma lindíssima iluminação em azul a ponto de a pista ficar com luzes.

Depois houve mais problemas de iluminação no carro que simbolizava o elemento fogo. Depois de o carro percorrer boa parte da avenida apagado, as luzes só voltaram quando a alegoria passava pelo recuo da bateria. Mas logo em seguida, as luzes se apagaram novamente. No fim, numa alegoria que não me agradou e quebrou o conjunto, o Salgueiro falou sobre as formas alternativas de energia, como a solar e eólica. O desfecho deixou uma mensagem de preocupação com o futuro do planeta, com uma bela alegoria de uma enorme caveira sobre um globo.

salgueirodesfile2014Além dos problemas com alegorias, o samba-enredo, apesar de bonito, arrastou-se do meio para o fim do desfile. Com isso, o Salgueiro foi outra escola a apresentar harmonia irregular. Para piorar, o abre-alas voltou a apresentar problemas perto da torre e a evolução foi lentíssima. Para se ter uma ideia, a bateria só chegou ao recuo com mais de uma hora de desfile. Por outro lado, os ritmistas de Mestre Marcão, que estavam vestidos representando o fogo, tiveram mais uma grande atuação, com bossas e paradinhas precisas.

Mas infelizmente os problemas já mencionados atrapalharam o desfile do Salgueiro e a escola teve de correr absurdamente para não estourar os 82 minutos regulamentares. Conseguiu a duras penas e a luta salgueirense foi aplaudida pelo público na Apoteose, que finalmente cantou o samba com os componentes puxando grito de “campeão”. Mas, se foi um desfile muito bonito, dos mais belos do ano, os problemas em evolução e harmonia poderiam atrapalhar a briga pelo título.

beijaflor1A Beija-Flor não ligou para as vaias vindas dos setores 2 e 3 após cantar o samba jingle da TV Globo em seu esquenta e, mesmo sem ter empolgado o público, fez uma apresentação apenas correta na maioria dos quesitos com o enredo “O astro iluminado da comunicação brasileira”. A escola fez um passeio pela história da comunicação para culminar com a exaltação a Boni.

A comissão de frente foi bastante diferente do habitual e teve um tripé em forma de cenário com beija-flores simbolizando a comunicação, e um tabuleiro de xadrez cujas peças eram os componentes simbolizando o jogo de xadrez no planejamento para a comunicação. A novidade ficou por conta da apresentação de Selminha Sorriso e Claudinho dentro da comissão, cercada pelos integrantes. Mas havia o risco de perda de pontos no quesito Mestre-Sala e Porta-Bandeira pela apresentação em conjunto com a comissão, embora isso pudesse ajudar em evolução. Na teoria era uma boa ideia e até elogiei no dia do desfile, mas depois cheguei à conclusão que era confuso mesmo e, de fato, a escola seria bastante punida pelo júri.

A escola começou a contar a saga da comunicação desde a Mesopotâmia, passando pela China, onde foi inventado o papel, e Grécia, onde a oratória se consolidou. Gostei da maioria das alegorias, em especial a da imprensa. O carro em homenagem a Boni não me agradou tanto em concepção e foi recheado de globais que pagaram tributo ao empresário. Interessantes também as imagens de Boni retratadas em telas de led, tudo funcionando impecavelmente.

Este desfilou fantasiado de Chaplin à frente da bateria, que tinha a mesma fantasia. Boni se arriscou ao tocar tamborim e foi cortejado pela exuberante rainha de bateria Raíssa. A bateria da Beija-Flor passou praticamente “reta”, sem muitas ousadias, mas teve a melhor cadência da noite sem sombra de dúvidas e foi de extrema firmeza.

Isso permitiu que o limitado samba fosse bem cantado pelos componentes, já que Neguinho conseguia pronunciar as palavras sem atropelamentos. Houve um pequeno descompasso de evolução na parte final do desfile, mas, com o dia amanhecendo, a Beija-Flor terminou seu desfile como a escola de domingo que teve menos problemas, mesmo com as críticas ao desenvolvimento do enredo e ao samba. Foi um desfile para a escola até chegar ao sábado, mas sem a força que se espera dela para título.

mocidade2Depois da enorme crise na fase pré-carnavalesca, a Mocidade fez sua exibição com muita emoção e garra para defender o enredo “Pernambucópolis”. Mas logo que a escola se armou na concentração, algo chamou a atenção: os diretores de harmonia vestiam camisas do Sport com o número 87. À época, circulou na Sapucaí que o carnavalesco Paulo Menezes era vascaíno e teria resolvido provocar o Flamengo pela polêmica do título brasileiro de 1987. Mas o próprio Paulo esclareceu ao Ouro de Tolo que não foi sua ideia, e que ele é torcedor do Fluminense. Para piorar, houve princípio de confusão entre os diretores de harmonia e seguranças da Liesa.

A criativa comissão de frente tinha uma nave como elemento de apoio lembrando o desfile de 1985 Ziriguidum 2001 e, como novidade, espectadores das frisas eram convidados a interagir na pista, com autorização da Liesa segundo a escola. Infelizmente como se esperava, as dificuldades da preparação atrasada e inadequada resultaram num conjunto alegórico modesto. O abre-alas chamava-se “Vim das estrelas com meu ziriguidum”, relembrando o título de 1985, e tinha Monique Evans, rainha da bateria 29 anos antes, como destaque. O carro tinha vários balões simbolizando planetas mas claramente a concepção foi simples.

Mas, diante das circunstâncias adversas, o enredo foi desenvolvido com muita clareza pelo carnavalesco, principalmente nas fantasias, que tinham acabamento mais adequado mesmo sem luxo. Já as alegorias, apesar de serem de fácil leitura, eram mais pobres. Os adereços de mão e outros elementos estavam corretos, como na ala dos grandes bonecos de Olinda, com direito a um deles lembrando o antigo patrono Castor de Andrade.

Já a alegoria “Tem batucada no meu São João” misturava o típico forró pernambucano e uma boate, chamada “Carnaval Disco Club”. Uma das esculturas tinha um beijo gay e componentes fizeram um beijaço na pista. Já o carro “Pernambucópolis”, todo em verde, fazia uma associação com a Tupinicópolis idealizada por Fernando Pinto e uma possível Pernambuco dos sonhos se o carnavalesco estivesse vivo, com muitos prédios inclinados.

O feliz samba-enredo rendeu maravilhosamente, com os componentes cantando a plenos pulmões e o público esteve junto com a escola o tempo todo. Mas o destaque absoluto foi a extraordinária bateria de Mestre Odilon, que teve deliciosa cadência e fez belíssimas paradinhas, uma delas com batida de frevo, com direito a sanfona. Aliás, os ritmistas estavam com fantasias que lembravam os figurinos dos astronautas de 1985, em dourado.

A evolução teve problemas por volta dos 50 minutos de desfile nas proximidades do módulo 1, com um buraco de 50 metros formado. Por outro lado, a escola não precisou correr para passar abaixo dos 82 minutos regulamentares. Foi uma apresentação simpaticíssima, com uma comovente garra dos componentes – alguns chegaram chorando à Apoteose. Restava saber o quanto os jurados iriam “canetar” nos quesitos plásticos para ver se a Verde e Branco correria algum risco de rebaixamento. Pelos quesitos de pista, não.

uniaodailhadesfile2014A União da Ilha teve uma linda apresentação com o enredo “É brinquedo, é brincadeira – A Ilha vai levantar poeira”, que levou a mensagem de que os antigos brinquedos despertam vocações às crianças enquanto os modernos tornam os jovens muito introspectivos. O carnavalesco Alex de Souza fez um trabalho impecável tanto em concepção como em acabamento de alegorias e fantasias. Mas houve problemas que comprometeram o conjunto.

A criativa comissão de frente tinha componentes mulheres fantasiadas de borboletas e homens como palhaços. Elas pulavam corda ou amarelinha, lembrando duas brincadeiras antigas. Logo depois havia dois velhinhos à frente de um grande baú da memória que se transformava num cenário azul escuro simbolizando o céu com estrelas e uma bailarina e um soldadinho de chumbo “voando” presos a uma haste. Simplesmente deslumbrante e arrebatador.

A seguir, uma linda ala representando um jogo de dominó e um belíssimo tripé representando um bebê engatinhando. Outra ala criativa tinha fantasias representando bonecos de vários países e todos usavam patins, o que deu um efeito extraordinário. Todas as demais alas também estavam supercriativas e extremamente bem fantasiadas, representando vários jogos, como quebra-cabeça (esta ala tinha uma espécie de mosaico formando o símbolo da escola), jogo de varetas e ludo. Uma ala chamada “Come-Come” representava o Pac Man.uniaodailhadesfile2014b

O primeiro carro alegórico, representando a fábrica da alegria, veio apenas depois, com diversos soldadinhos de chumbo, duendes e um belo globo iluminado em neon com a palavra Brincadeiras – além do nome da escola com a tipologia dos estúdios Disney. A iluminação em amarelo era maravilhosa, dando brilho ao elemento. A presença de antigos representantes da escola engrandeceu ainda mais o carro. Outra linda alegoria chamava-se “A Loja de Brinquedos” e tinha Letícia Spiller vestida como bailarina e dançando com elegância em cima de um queijo. Havia ainda várias portas, das quais saíam componentes simbolizando diferentes brinquedos. Grandes esculturas de bebês se movimentando deram ótimo efeito ao elemento.

Adorei o carro alegórico que tinha dezenas de cubos formando os tradicionais jogos com letras e quadrados. Painéis de led muito bem iluminados simbolizavam os movimentos desses jogos de cubos. Simplesmente maravilhoso. Em ano de Copa do Mundo, o totó não foi esquecido e foi representado por um carro alegórico. Precedendo esse elemento, a ala de baianas tinha a saia em formato e pintura de bola de futebol, o que rendia um efeito incrível quando as senhoras giravam.

uniaodailha2Mas infelizmente houve alguns sérios problemas. As alegorias demoraram a ser manobradas para entrarem na pista, o que causou problemas de evolução, apressada a partir dos 50 minutos. Além disso, um dos tripés passou apagado pela pista, e o sexto alegórico teve problemas de concepção e também passou com as luzes apagadas. Pena!

Mas o problema mais grave ocorreu no carro que mostrava a tecnologia nos brinquedos. Antes mesmo do segundo recuo da bateria, o telão de led ficou torto e um dos queijos pendeu para a frente, o que deixou o destaque tenso e implorando por ajuda. Por sorte, a alegoria resistiu até o fim da pista e o destaque foi retirado sem ferimentos na dispersão. Este problema, além da dificuldade para a retirada do carro do totó causaram mais problemas de evolução.

A bateria comandada pelo estreante Thiago Diogo esteve firme, com boas bossas e paradinhas. Já o carro de som, como sempre bem conduzido por Ito Melodia, tinha soldadinhos com liras dando um molho a mais ao samba, que, no entanto, não foi bem cantado por algumas alas. A escola encerrou seu desfile ainda com boas chances de voltar no sábado das campeãs, pois teve um conjunto visual e enredo excelentes. Restava ver o quão os problemas citados iriam influir na apuração.

vilaCampeã de 2013, a Vila Isabel defendeu o enredo “Retratos de um Brasil plural”, que tentou mostrar as diversidades do nosso país, baseado no trabalho de Chico Mendes e Câmara Cascudo. Infelizmente a Vila foi um desastre absoluto nos quesitos plásticos. O atraso no barracão causado por um patrocínio frustrado e brigas políticas internas resultou num conjunto alegórico com acabamento ainda pior do que o da Mocidade e inúmeras alas chegaram à Sapucaí com figurinos incompletos. Uma tristeza…

Para se ter uma ideia, a fantasia da rainha de bateria Sabrina Sato chegou à Sapucaí levada por um mototáxi a instantes do início do desfile. Outros figurinos chegaram quando os cronômetros marcavam quase meia hora. Houve tensão na concentração e revolta dos desfilantes – o intérprete Tinga, que havia deixado a escola rumo à Unidos da Tijuca, chorou na concentração ao ver o péssimo conjunto visual da Vila.

Diversas alas apareceram sem chapéus e no carro abre-alas, por exemplo, componentes tinham apenas a parte de cima da fantasia e desfilaram com cuecas ou shorts. Uma ala em azul tinha apenas um colant azul e nada mais. Sobre as alegorias, pouco a acrescentar, já que o acabamento lamentavelmente foi pobre e falho.

A comissão de frente até que foi criativa, retratando os costumes e cultura do povo do sertão nordestino por intermédio da xilogravura. Infelizmente já houve problemas de acabamento nos elementos que formavam a comissão, mas os componentes evoluíram bem e fizeram interessante coreografia. A harmonia da escola esteve irregular, com algumas alas, principalmente as primeiras, cantando o samba com força, e outras passando mudas.

O belo samba-enredo dizia o verso “Tem que respeitar” e por isso mesmo fecho os comentários elogiando o bom desempenho da bateria, que fez boas paradinhas e imprimiu andamento adequadíssimo. Mas, de forma triste, a Vila encerrou se desfile com risco sério de rebaixamento pelas gravíssimas falhas visuais.

imperatrizl2014Na homenagem a Zico, a Imperatriz Leopoldinense fez uma bela apresentação, embora com erros nos quesitos de pista. O carnavalesco Cahê Rodrigues foi feliz na apresentação do enredo e na confecção de fantasias e alegorias. A comissão de frente trazia o sonho dos meninos pelo futebol e era seguido pelo tripé “Bem-vindos ao mundo da bola” com o destaque fazendo embaixadas e chutando bolas para os setores de arquibancada. No total, a Imperatriz distribuiu 500 bolas ao público com autógrafos de Zico estilizados.

Gostei da ala com os escudos representando botões de vários clubes, mas havia vários times que Zico jamais enfrentou como Audax e São Caetano… O bonito primeiro carro era parecido com o da União da Ilha representando um jogo de totó cercado pelos deuses do futebol, com lindas estátuas douradas. Grandes craques como Roberto Rivellino e Paulo Cesar Caju desfilaram na alegoria. Mas este elemento era acoplado e causou problemas à evolução da escola.

A alegoria que mostrava o então menino dormindo sobre bolas de futebol e sonhando também era muito bonita e tinha os familiares do craque e vários galos. O carro “Tesouros do Rei” simbolizou os troféus conquistados por Zico e era extraordinário, todo em azul e dourado, além de ter como destaques jogadores do Flamengo campeão mundial de 1981. O carro “Templo sagrado” representava o Maracanã e os 333 gols do maior artilheiro do estádio. Havia referências a adversários como Botafogo, Vasco e Fluminense e os ex-jogadores Gonçalves, Roberto Dinamite e Arturzinho. Na parte traseira da alegoria, havia componentes vestidos de gladiadores fazendo coreografias numa parede que retratava um campo de futebol.

imperatrizl2014bO carro “Deus do Sol Nascente”, sobre o Japão, foi um dos melhores do desfile, com diversos elementos do país como bonecos, leques e gueixas, além da reprodução da estátua de Zico no estádio do Kashima Antlers. A iluminação era excelente, em vermelho e azul, o que valorizou o elemento. O carro do Flamengo tinha uma foto de Dida, ídolo de infância do Galinho e um grande urubu – vários rubro-negros desfilaram neste carro, como o ex-jogador e técnico Jayme de Almeida. O grande homenageado desfilou no último carro, que tinha a coroa da Imperatriz oferecida a ele. Zico cantou o samba com alegria e reverenciou o público.

O samba-enredo, por sinal, rendeu mais na segunda metade do desfile, apesar de o cantor Wander Pires estar com dificuldades com a voz – aliás, Wander discutiu com o compositor do samba-enredo Elymar Santos na concentração e o teria tirado do carro de som. A bateria começou acelerada demais pro meu gosto, mas aos poucos encontrou o melhor ritmo e foi ousada nas paradinhas e convenções.

O único grande pecado da Imperatriz foi no quesito Evolução, já que houve dificuldades para as alegorias entrarem na avenida pela grandiosidade dos elementos. Houve vários buracos durante o desfile e no fim a escola teve de apertar o passo para não estourar os 82 minutos regulamentares. A Imperatriz saiu da avenida sob aplausos do público e também se colocou com força na briga pelo menos por uma vaga no Desfile das Campeãs.

porteladesfile2014Penúltima a entrar na avenida, a Portela fez uma apresentação absolutamente arrebatadora e brilhante com o enredo “Um Rio de Mar a Mar: do Valongo à Glória de São Sebastião”, que contou a história do centro do Rio. De volta à escola em que surgiu, o carnavalesco Alexandre Louzada fez um trabalho perfeito na concepção e acabamento das sete alegorias e dois tripés – seriam três, mas um deles, sobre a Rádio Nacional, teve dois pneus furados e a barra de direção quebrada, e a Harmonia da escola optou por não colocá-lo na avenida. De cara uma surpresa: uma águia montada num drone e controlada por controle remoto sobrevoou a avenida toda apresentando a escola.

A comissão de frente teve a lindíssima águia como elemento cenográfico. As asas vinham fechadas e se abriam mostrando o cenário do Rio de Janeiro visto do porto, com o Pão de Açúcar ao fundo, e casais saindo do elemento para interagir com outros componentes que tinham estandartes da coroa de Portugal. Todos estavam maravilhosamente vestidos. A seguir passaram a porta-bandeira Danielle Nascimento e o mestre-sala Diogo, também com figurinos brilhantes.

O abre alas se chamou “Um Mar de Portela” e representou as forças da natureza, no caso o mar e a Águia portelense. Águia não, águias, pois além da principal, que estava maravilhosa, havia mais 21 águias representando os títulos da escola. A iluminação estava extraordinária e o acabamento de cair o queixo. Os componentes da alegoria estavam maravilhosamente vestidos com capas representando asas de águias e os movimentos davam efeito como ondas do mar. Para mim, a melhor alegoria entre todos os desfiles de 2014.

Em seguida, uma maravilhosa ala coreografada simbolizando o jongo e o carro “O cais do Valongo”, também de grandiosa concepção. O navio foi maravilhosamente iluminado e tinha lindas esculturas de negras. Em seguida a essa alegoria, desfilou a grande madrinha da comunidade portelense Dodô e a velha guarda passou logo antes de mais uma deslumbrante alegoria, sobre o demolido teatro Monroe.porteladesfile2014b

Outra alegoria deslumbrante foi a que representou o Theatro Municipal do Rio, com esculturas maravilhosas, principalmente a de Carlos Gomes, e iluminação em rosa. O carro sobre o Carnaval de rua também agradou, com a retratação da antiga decoração de rua criada por Fernando Pamplona. A seguir, o carro “Cinelândia Dia e Noite” tinha uma sala de cinema com plateia coreografada vendo um telão. Aliás, as fantasias não ficaram devendo em nada em relação às alegorias e contaram o enredo com muita clareza, além de estarem criativas e muito bem acabadas.

Os anos de chumbo da ditadura foram bem retratados em alas como a das Diretas já e um tripé com um tanque de guerra. Por fim, um elemento alegórico representando “O despertar do gigante” simbolizou as manifestações de 2013. O elemento era altíssimo e, tal como os demais elementos, tinha impacto e era muito bem acabado, com as cores do Brasil – o pessoal de Parintins foi o responsável pelos movimentos do gigante, que foi rebaixado para passar pela torre de TV. Por fim, a alegoria “O Mar que traz a fé” mostrou uma imagem estilizada de São Sebastião (padroeiro do Rio), sincretizando com o orixá Oxossi e deixou uma mensagem otimista para o Rio, também com perfeita concepção e acabamento.

Nos quesitos de pista, a Portela também esteve perfeita, com harmonia e evolução impecáveis. A Tabajara do Samba imprimiu excelente cadência ao ótimo samba-enredo, que foi defendido com segurança pelo estreante Wantuir. Ao contrário das outras escolas, que erraram em algum momento, a Portela esteve impecável nos quesitos e deixou a avenida candidatíssima ao título.

utijuca2014A Unidos da Tijuca encerrou o Carnaval de 2014 com uma apresentação irreverente e agradável na homenagem a Ayrton Senna tendo como pano de fundo a velocidade. Goste-se ou não da misturada que o carnavalesco Paulo Barros fez com personagens de desenhos animados e aspectos da velocidade, a escola passou muito bem o que se propôs a fazer, com alegorias e fantasias bem criativas, embora com pequenos problemas de acabamento em alguns elementos.

A comissão de frente tinha personagens como Dick Vigarista, Ligeirinho, Papa Léguas e até o velocista Usain Bolt disputando uma corrida com Ayrton Senna. Um enorme elemento alegórico em formato de boxes escondia um carro de corrida com a pintura da McLaren de Senna e este superava os adversários. Num belo efeito, o carro de Fórmula 1 puxava um pano branco de uma mesa sem que os troféus fossem derrubados.

A escola passeou por diversos itens ligados à velocidade na visão de Paulo Barros. Teve até floresta com os mais velozes animais silvestres. Gostei muito de uma ala simbolizando os remadores, com uma enorme lona azul simbolizando a água e um barco por cima, num belo efeito. Outro destaque foi a alegoria “Chegada”, que tinha uma pista oval e um kart de verdade, cercado por um painel de fotos de Senna e pessoas escondidas dando bandeiradas.

utijuca2014cAs alas referentes aos personagens de desenhos animados já citados renderam boa comunicação com o público. No fim do desfile, a ala das crianças representou o personagem Senninha e outra, o Instituto Ayrton Senna. A última alegoria representava o pódio e tinha uma grande coreografia dos componentes, que tinham macacões vermelhos. Havia dezenas de troféus dourados e o elemento soltava água simbolizando a chuva tão marcante nas vitórias do tricampeão.

Não gostei do samba, mas foi bem cantado pelos animados componentes. A bateria deixou o box (sem trocadilho…) com um extasiado Paulo Barros dançando à sua frente. Foi um belo e alegre desfile, apenas inferior no conjunto em relação à Portela, já que a evolução da Azul e Amarelo também foi coesa e sem sobressaltos. Gostei do arrastão da alegria que se formou atrás da escola.

REPERCUSSÃO E APURAÇÃO

Depois de um carnaval marcado pela irregularidade na maioria dos desfiles, a expectativa do público e da crítica foi a de que Portela, Tijuca e Salgueiro brigariam pelo campeonato décimo a décimo, embora na minha opinião o Salgueiro tenha tido problemas principalmente no quesito Evolução, o que pelo menos na teoria deveria ter tirado a escola dessa disputa. Se eu tivesse opção de escolha, apontaria a Portela como campeã pela excelência em praticamente todos os quesitos.

Mas no fim das contas a apuração foi absolutamente complicada – escrevi aqui no Ouro de Tolo. Para começar, a Beija-Flor ter ficado na sétima colocação foi um exagero, já que, apesar de alguns problemas no enredo, foi correta em boa parte dos quesitos. A Tijuca, embora tenha feito um desfile muito bom, foi julgada com benevolência no quesito Alegorias e Adereços e, não fosse isso, poderia ter perdido o campeonato.

Já o Salgueiro, da mesma forma, foi menos despontuado do que deveria em Evolução, o que deu a ele e o vice, e a quarta colocada União da Ilha não foi julgada como deveria em Alegorias e Adereços devido aos problemas já citados, embora tenha sido prejudicada em Samba-Enredo. Mas a escola mais prejudicada foi sem dúvida o Império da Tijuca, que deveria ter permanecido no Grupo Especial, mas foi vergonhosamente rebaixado em último lugar.

Porém, entre tantas barbaridades na apuração, nada foi mais gritante do que o julgamento da Vila Isabel. Pasmem os senhores, a escola chegou a receber um 10 em Alegorias e Adereços e teve pontuação semelhante ou superior a Salgueiro, Mangueira e Beija-Flor. Em fantasias, a Vila perdeu apenas 0,5 em quatro jurados, mesmo com destaques vestidos de cuecas.

Enfim, um julgamento absolutamente lamentável, que colocou em xeque a credibilidade de alguns jurados, que acabaram defendidos pelo presidente da Liesa, Jorge Castanheira: 

“Acho que o processo de iluminação da avenida esse ano, que foi um projeto da Liga e que diminuiu um pouco a intensidade da luz, pode ter atrapalhado a visão de alas. Mas coisas desse tipo a gente tem de analisar e corrigir o que for necessário, para um futuro melhor no Carnaval 2015. O corpo de julgadores já vem há anos fazendo um grande trabalho.” 

RESULTADO FINAL

POS. ESCOLA PONTOS
Unidos da Tijuca 299,4
Acadêmicos do Salgueiro 299,3
Portela 299
União da Ilha do Governador 298,4
Imperatriz Leopoldinense 297,6
Acadêmicos do Grande Rio 297,2
Beija-Flor de Nilópolis 296,4
Estação Primeira de Mangueira 296,2
Mocidade Independente de Padre Miguel 296
10º Unidos de Vila Isabel 295,9
11º São Clemente 294,3
12º Império da Tijuca 291,6 (rebaixada)

viradouro1Em seu segundo ano sob nova organização em dois dias de desfiles, o Acesso A teve dois dias bastante desnivelados de desfile, com um sábado bastante superior à sexta-feira. Unidos do Viradouro, Estácio de Sá, Unidos de Padre Miguel (apesar de muito atrapalhada pela evolução lenta e posterior correria) e Acadêmicos do Cubango fizeram não somente os melhores desfiles de sábado como os melhores no geral, ocupando pela ordem quatro das cinco primeiras posições – com a Porto da Pedra, que desfilou na sexta feira, “intrusa” no quarto lugar.

O título ficou de forma justa com a Viradouro, apesar da torrente de notas 10 a nosso juízo exagerada. Foram rebaixadas a Rocinha, a Tradição (ambas com desfiles abaixo da crítica) e a União de Jacarepaguá, que teve problemas em seu desfile. Com isso, a Em Cima da Hora, que viera do Grupo B e que reeditou “Os Sertões”, manteve-se no grupo – apesar do péssimo julgamento do quesito samba enredo, alvo inclusive de post à época.

A preparação deste desfile foi muito prejudicada pelas condições precárias dos barracões de diversas escolas, afetados pelas obras de revitalização da área portuária do Rio de Janeiro. Houve a promessa de uma “Cidade do Samba 2” para abrigar os barracões deste grupo, mas até agora nada saiu do papel.

A se ressaltar também, infelizmente, a crise vivida pelo Império Serrano, que fez um desfile abaixo da crítica – a ponto de muitos analistas acharem o sexto lugar injusto. Na época, o Império estava imerso em grave briga política, com guerra de liminares e eleições suspensas pela Justiça.

A Unidos de Bangu venceu o Grupo B na Intendente Magalhães. A escola havia “enrolado a bandeira” e ressurgiu há dois quatro graças ao trabalho de alguns abnegados como o Presidente Rafael Marçal e outros. Conseguiu dois acessos consecutivos nesta nova fase e subiu para a Série A em 2015.

CURIOSIDADES

– Fátima Bernardes voltou às transmissões dos desfiles do Grupo Especial pela TV Globo depois de duas décadas. E outro que se juntou a Luis Roberto na narração foi Tiago Leifert, que no começo estava mais contido, mas depois se soltou e começou a fazer piadas.

– Pouco antes do desfile da Beija-Flor, chegou à concentração a informação de que o patrono Aniz Abraão David, o Anísio, teria falecido. Mas, apesar de ele ter sofrido problemas de saúde pouco antes do Carnaval, era um boato.

– Aliás, a ausência da Beija-Flor do Desfile das Campeãs irritou Boni, que acusou os jurados de armarem contra a agremiação. O diretor de Carnaval Laíla também não conteve a revolta e colocou no ar a possibilidade de a escola não desfilar no Rio em 2015.

– Depois do Carnaval, o intérprete Wander Pires foi demitido pela Imperatriz Leopoldinense por ter se apresentado rouco e por ter brigado com Elymar Santos na concentração.

– A grande notícia que circulava antes do Carnaval era a da transferência de Paulo Barros para a Mocidade Independente de Padre Miguel. Apesar de o carnavalesco ter dito que ficaria na Unidos da Tijuca, semanas depois dos desfiles, ele de fato mudou de escola.

– Revoltado após a apuração, o presidente do Império da Tijuca, Antonio Carlos Teles, não poupou críticas aos jurados, principalmente os dos quesitos plásticos, e afirmou: “Vou fazer um enredo de cueca. Não precisa mais de fantasia”.

CANTINHO DO EDITOR – por Pedro Migão

Apesar de ter encontrado um quadro de “terra arrasada”, a nova diretoria da Portela conseguiu fazer um grande trabalho neste primeiro ano, levando a escola a, depois de muito tempo, fazer finalmente um desfile merecedor do campeonato. O título não veio por detalhes, mas o caminho era aquele – e continua sendo.

Desfilei na Portela e na Renascer de Jacarepaguá, assistindo aos desfiles do Acesso no Setor 3 e o Especial no Setor 2, ambos em frisas. Pela primeira vez assisti ao Desfile das Campeãs, em uma frisa-camarote do Setor 7.

O Desfile das Campeãs, aliás, se iniciou com atraso de aproximadamente uma hora devido à forte chuva que caiu sobre o Rio de Janeiro na noite de sábado e que gerou muitos transtornos no trânsito da cidade. Grande Rio e Imperatriz desfilaram sob chuva, as demais, não.

A Portela voltou a esquentar com “Foi Um Rio que Passou em Minha Vida” após 16 anos. O samba foi cantado por Monarco e Paulinho da Viola no desfile oficial e pelo Presidente Serginho Procópio e o puxador Wantuir no Desfile das Campeãs. A Imperatriz Leopoldinense esquentou com o hino do Flamengo no desfile oficial.

Vale ressaltar os esquentas também da Em Cima da Hora (com o samba sobre o trem de 1984), Rocinha (1992), Caprichosos de Pilares (1985) e Unidos de Padre Miguel, que esquentou com um samba de 1981 da extinta escola paulista Cabeções de Vila Prudente.

Sérgio Procópio, aliás, era o único presidente negro de uma escola de samba do Grupo Especial em 2014.

O samba da Beija Flor foi bastante mexido após a disputa. Um refrão foi extirpado da letra e os versos anteriores viraram o refrão final. Pelas notas, os jurados não parecem ter gostado muito da obra.

Por outro lado, a dupla Luiz Carlos Máximo e Toninho Nascimento conseguiu um feito inédito neste formato de julgamento: três anos seguidos com apenas notas 10, mesmo considerando-se as descartadas por força do regulamento. Na apuração a Portela vinha em sexto até este quesito, quando voltou à disputa pelo título – até Comissão de Frente, penúltimo quesito.

Outra disputa considerada polêmica foi a do Império da Tijuca, na qual o considerado favorito samba da parceria do compositor Samir Trindade foi derrotado pela composição do diretor de carnaval da União da Ilha Márcio André.

Durante o desfile da Cubango, no refrão do meio (adaptado de um ponto de umbanda) praticamente toda a escola fazia movimentos de dança como as encontradas nos terreiros religiosos. Boa parte do público também – inclusive este escriba…

Uma das alas do Porto da Pedra trazia estandartes com fotos de mestre salas e porta bandeiras importantes na história do carnaval. Porém, curiosamente um dos estandartes trazia a estampa do cantor americano George Michael.

Como os próprios diretores da escola reconheceriam depois, se a Harmonia da Vila Isabel cumprisse seu papel de não deixar desfilar quem estivesse com a fantasia incompleta, metade dos componentes da escola não participaria do desfile.

Império Serrano e Império da Tijuca trouxeram “filhos” da famosa escultura do Preto Velho, que desfilou em 1992 no Salgueiro e depois teria uma longa carreira em outras agremiações.

O festival de música retratado no enredo da Grande Rio aconteceu na realidade em Saquarema, não em Maricá.

Nésio Nascimento, presidente da Tradição, veio à frente da escola escondendo o braço em uma tentativa de imitar o seu pai, o histórico Natal da Portela. Cheguei a escrever em tempo real que, se fosse Natal, desceria do céu para dar uns cascudos no filho.

O destaque do abre alas da Viradouro fazia a saudação integralista na passagem do samba que dizia “Anauê”.

No “grito de guerra” da Vila Isabel, o então presidente Wilsinho pediu que os jurados julgassem a escola não pelo que elas veriam, mas sim pela história da escola. Ao que parece, o pedido foi atendido…

Das frisas se notava visivelmente que a rainha de bateria da Grande Rio, Christiane Torloni, não estava exatamente sóbria…

Links

Trecho da comissão de frente da Unidos da Tijuca

A bela apresentação do Salgueiro

A grande exibição da Portela

A União da Ilha na avenida em 2014

A Em cima da Hora com a reedição de Os Sertões

Fotos: O Globo, G1, O Dia e Estadão

17 Replies to “2014: Tijuca acelera com Ayrton Senna e recebe bandeirada à frente das favoritas”

  1. E está acabando o vício do Histórias do Sambódromo! Desde já de luto! Isto posto, vamos ao desfiles.

    O título da Tijuca não acho que foi controverso, o desfile até foi interessante, porém, Portela e Ilha fizeram um desfile que as colocaram pelo menos dois degraus acima do Borel.

    Aliás, a Portela Verdade chegou chegando! E a Ilha, parecia que ia se firmar na elite, parecia…

    Em 93 a Estácio esquentou com o “Lá vou eu, lá vou eu, hoje a festa é na avenida” e em seguida falhou o som. Em 14 a Beija fez o mesmo e tomou vaia – com direito a gritos de “Brizola”. Puxar o saco da Globo no esquenta dá um azar monstruoso.

    Aliás, em dado momento a Beija-Flor chegou a estar em 10° lugar (!!!) na Apuração. Eu ainda acho que ela deveria ficar em 6°.

    O que fizeram com o Império da Tijuca foi uma sacanagem! Repito: SACANAGEM! Era para o Imperinho ter caído em 2015, e não em 14! O desfile lamentável da Vila era digno de rebaixamento, mas…

    O CD de 2014 está justamente esquecido na minha prateleira. A ideia de colocar explanações de carnavalescos antes dos sambas foi de um amadorismo idiota. O Louzada não parava de falar e a Rosa parecia estar calibrada.

    Migão deve discordar, mas o “Canta Viradouro” foi o último grande sacode do Acesso! Depois do desfile eu tive a certeza que o título vinha.

    Tradição estava pedindo pra desfilar em casa, e conseguiu!

    Horas antes da Apuração da Série A, este escriba aqui fiz uma promessa maluca “Se a Viradouro for campeã, eu desfilo no ano que vem”. O resultado? No próximo texto…

    Que venha 2015!

  2. Boa tarde!

    Prezado Fred Sabino:

    Acredite se quiser, em 2014 eu mudei de lugar novamente no sambódromo, mas foi um “ajuste”.
    A minha família gostou de ficar na metade final da pista, mas no Setor 11 víamos muitos itens de costas. Então mudamos para o Setor 10, e valeu!

    Mais um ano indo a sampa ver o Grupo Especial paulistano ao vivo no Anhembi.
    Infelizmente não pude ver os desfiles da Intendente Magalhães na terça-feira, pois caíram no dia 4 de Março, que é o aniversário do meu pai.

    GRUPO ESPECIAL

    – O Império da Tijuca “tremeu”! Lamentável o rebaixamento.

    – A São Clemente praticamente passou morta por onde eu estava.

    – O trocadilho de que a “Mangueira ‘perdeu a cabeça'” foi instantâneo ao acidente.

    – O Salgueiro apresentou, a meu ver, o mais lindo conjunto alegórico do ano. Excetuando-se os carros do ar (Referência à Índia) e (Mais uma vez) o carro do patrocinador. Este último, com árvores feitas de copinhos plásticos, mesma técnica consagrada por Renato na Unidos da Tijuca em 1981 e na Mocidade 1999. Aliás, boa parte das esculturas móveis foi montada pela equipe de Jair Mendes. Só não sei dizer se foi o Pai ou o Filho. Cabe uma curiosidade aqui, que Jair Mendes (Pai) foi quem desenvolveu os movimentos e o gigantismo das esculturas no Festival de Parintins há muitas décadas. De coração encarnado, atualmente trabalha no Caprichoso, mas seu filho continua no Garantido!

    – Adoro pensar como teria sido o desfile da Mocidade com recursos. O samba valeu por tudo o que passou na pista!

    – Os acrobatas da Comissão de frente da Ilha eram do Cirque du Soleil. Reza a lenda que foi a primeira vez que executaram esta técnica em movimento, e o know-how foi levado para o Filme “Mad Max – Estrada da fúria”.

    – A jurada que deu 10 à Vila Isabel em Alegorias e Adereços é Helenise Guimarães, professora da Escola de Belas Artes da UFRJ, estudiosa do carnaval, e que em 2015 publicou um precioso estudo sobre as antigas decorações de rua do Rio de Janeiro, chamado “Batalha das ornamentações – A Escola de Belas Artes e o carnaval carioca” (http://www.riobooks.com.br/batalha-das-ornamentacoes-a). Aí eu me pergunto: o que acontece com estes mapas de notas…? Bem, ela foi cortada na “degola” encabeçada pela Beija-Flor para substituição de jurados.

    – Portela campeã! Sem mais.

    – Sobrou lona para fazer banner plotado depois do desfile da Tijuca?

    Que venha 2015, e um dos piores carnavais que já tive…

    Atenciosamente
    Fellipe Barroso

      1. Lamentavelmente eles insistem nisso até os dias de hoje.
        O carro da colheitadeira em 2016 foi desnecessariamente “impresso”.

  3. Mais um excelente texto Fred, parabéns! Já dá saudade saber que só faltam mais dois para acabar a série…

    Na minha visão, a Portela fez realmente o melhor desfile no conjunto, merecendo o título. Porém, não dá pra achar absurdo o título da Tijuca, também foi um belo desfile! Só a coloco um passo atrás da Portela pelo samba (justamente canetado pelos jurados) e os problemas de acabamento citados no texto (injustamente não canetados). Talvez tenha ocorrido um “disfarce” desses problemas por parte dos jurados pela emoção causada pelo enredo, afinal, Senna é Senna! (desculpe por esse desnecessário momento de sennista assumido, não consegui me conter…)

    Achei o desfile do Salgueiro superestimado, o belo samba realmente não rendeu bem, a meu ver mais por falhas na harmonia do que pela qualidade da obra. E a evolução foi complicada, as últimas alegorias passaram voando pelo setor 4, a última (linda!) então, se tivesse pardal era multada tranquilamente. Colocaria a Academia do Samba em 5º lugar, atrás de Grande Rio (muito prejudicada pelo horário de desfile) e União da Ilha (que não fossem os problemas apontados no texto, disputaria título com Portela e Tijuca).

    Imperatriz me surpreendeu de novo, não foi um desfile nada óbvio, pelo contrário, Cahê foi muito criativo no enredo! Infelizmente, a evolução foi problemática mesmo pelos problemas nas alegorias, a alegoria do homenageado ficou um bom tempo para entrar, abrindo um grande buraco bem na minha frente… Mesmo sendo vascaíno, achei muito legal a saudação de todos ao Zico, impressionante o respeito e admiração que a figura dele desperta, aplaudi bastante. Mas confesso que me emocionei mesmo com o Rivelino, também bastante aplaudido. Colocaria a escola completando as campeãs em 6º lugar.

    Obviamente, como já preenchi minhas campeãs, considero o 7º lugar da Beija-Flor adequado ao que a escola apresentou. Achei o visual da escola apenas grandioso, mas sem conteúdo, sem aquele “toque genial” do artista, eram alegorias ricas e grandes e pronto, sem beleza, sem sentido, nada… Aliás, em alguns anos mais, e em outros menos, essa tem sido a tônica da escola desde a saída do Alexandre Louzada. Nas fantasias também dá pra notar essa irregularidade na escola. Completando, um enredo claramente forçado com um samba fraco, apesar de muitíssimo bem cantado, com uma mal executada apresentação conjunta da Comissão de Frente com o casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Ainda estou esperando as máquinas que o Boni mandou trazer do exterior que iriam entrar para a história das apresentações de Comissão de Frente. Eram aqueles bonecões no tabuleiro? Sério?

    O desfile da Mangueira começou correspondendo as expectativas, quente, com a garra de Luizito e a ótima Comissão de Frente (Estandarte de Ouro), mas depois foi murchando, murchando… O samba não rendeu o esperado, a escola não cantou, e a evolução se complicou muito a partir do inacreditável problema da alegoria do índio, com a escola se enrolando com a torre de tv pela 5481ª vez. Apesar da ótima exibição da bateria, o 8º lugar ficou de bom tamanho, não sendo nenhum absurdo se ficasse em 9º, atrás da Mocidade! Que garra, que canto! Achava o terceiro melhor samba, mas sem dúvida foi o que mais rendeu na avenida, e certamente o mais cantado, pelo menos no setor 4. Ali vi que a Mocidade tinha voltado, infelizmente, só até 2016…

    Absurdo é pouco para definir o rebaixamento do Império da Tijuca! Palavras mais fortes vêm a minha cabeça, mas por respeito ao site, melhor deixar para lá. Porém, apesar do desastre estético, não acho que a Vila Isabel merecia ter caído, muito pelo belo samba, pela garra dos integrantes e a boa exibição da bateria. Para mim, cairia a São Clemente, desfile mais desanimado do Grupo Especial, com um visual a exceção do Abre-Alas, apenas razoável.

    No Acesso, vitória justíssima da Viradouro, após a passagem da escola, já não tinha dúvidas que o título era dela, apesar da bela exibição da Estácio, bastante superior até da que lhe daria o título no ano seguinte. Unidos de Padre Miguel também muito forte, apesar dos problemas, e Cubango muito bonita, prejudicada pelo horário de desfile, com vários clarões já na arquibancada. Achei também que a Inocentes continuou sendo um pouco mais canetada do que as outras ainda por causa de 2012 (e seria novamente em 2015). Quanto ao desfile do Império, uma pena que a gestão do Mestre Átila, que poderia, e deveria, ter levado e consolidado a escola no Grupo Especial, tenha terminado desse jeito. Novamente, fica difícil não pensar em como seriam as coisas caso o resultado de 2012 tivesse refletido o que aconteceu na pista…

  4. Unidos da Tijuca apelou com essa do Senna. Nada me tira que os jurados se orientaram pela emoção nesse caso, já que o finado e ídolo nacional.

    Eu acreditei que desse Portela ou Salgueiro. Enfim, é uma pena que não tenha sido uma das duas.

    O que aconteceu com a Beija-Flor talvez tenha sido uma punição pelo mau gosto do enredo. Dizia-se na época que as demais nem precisariam desfilar, pois ela ganharia. Talvez os jurados tenham sido orientados a mostrar serviço. O mesmo não se pode dizer do desfile da Vila Isabel.

    Foi o certo a troca dos jurados após esse Carnaval. Mas depois disseram que foi certo só até a página 2, dado ao que viria a ocorrer em 2015.

    Eu sou obrigado a discordar de algumas pessoas na internet que disseram que o rebaixamento da Império da Tijuca é justificável, apesar de ser discutível. Não há justificativa para isso. Vila Isabel deveria ter caído, como praticamente sempre ocorre com escolas que se apresentam sem todas as fantasias. Fora os demais quesitos, tirando bateria, que apresentaram falhas graves.

    E quando Pixulé entoou “Vai Tremer! O chão vai tremer!” eu tive a impressão de que o chão realmente estava tremendo. As alas pareciam estar marchando e fazendo o chão rachar.

    Mocidade deu um lampejo de esperança. Mas, foi uma doce ilusão.

    Ansioso pelo polêmico 2015.

  5. Sou tijucano mas considero o desfile da Portela melhor, oq não quer dizer que eu deixei de comemorar a vitória kkkk
    Acho que esse ano, a vitória da Tijuca foi 90% comunidade e 10% Paulo Barros, pra mim foi a maior harmonia da Tijuca, a escola cantou demais
    O samba era fraco mas passou bem no desfile, mas ainda não me conformo do samba do Júlio Alves não ter ganho pq era o melhor disparado e a parte final tinha uma melodia parecida com “tema da vitória”, o que seria bastante emocionante na hora do desfile
    E ao contrário do Fred, acho justíssimo o sétimo lugar da beija flor, algumas notas foram exageradas, mas as 6 que ficaram na frente fizeram desfiles melhores e mesmo se não fizesse não justifica esse choro absurdo da escola ( idem 2016 ), que fez a liga trocar os excelentes jurados de samba enredo. Aliás esse é o maior defeito da beija flor, ignorar a opinião pública e achar que todo ano ela faz desfiles espetaculares…
    Ilha veio pra disputar o título mas acabou salgueirando…
    Salgueiro por sinal, que pra mim tinha o melhor samba do ano, também errou pra cacete e por pouco não foi campeã
    O desfile da Portela foi incrível, mas a melhor parte foi o esquenta, a Portela tem que cantar Foi um Rio que passou na minha vida todo ano assim como o samba exaltação, mas infelizmente ninguém chega na liga e sugere dar 5 minutos pra fazer um esquenta, pelo amor de Deus, no final só vai terminar meia hora a mais e olha que nem toda escola termina exatamente com 1 hora e 22 minutos
    Grande Rio fez seu único desfile bom desde 2011
    Achei a provocação normal da mocidade com a camisa do Sport, é carnaval, brincadeira, zoação, a caprichosos em 85 veio com um bolo homenageando o jejum de títulos do Botafogo po kk
    Ao contrário da maioria não acho que a Vila fez um desfile de rebaixamento, as fantasias e alegorias mereciam sim notas mais pesadas mas nos outros quesitos a escola veio muito bem, a comunidade segurou a escola no especial
    Pra mim a rebaixada era são Clemente, desfile chato, escola não cantava, quase nada se salvou ali mas aí acabaram sacaneando a imperinho de forma absurda, ela merecia um nono ou oitavo lugar no mínimo, rebaixamento esse que fez mal demais a escola que agora nem disputa direito o título do acesso
    Falando em acesso, oq foi aquele shopping da Rocinha? Rapaz, parecia trabalho de criança no jardim 3
    E a minha querida tradição? É Nésio que final de mandato deprimente esse hein… Espero que a Rafaela consiga trazer a escola de volta à Sapucaí, coisa que quase aconteceu esse ano…

    1. Verdade Evandro, o samba do Júlio Alves sobrava na safra, que era muito fraca. Bem depois, também passei a gostar do samba do Sérgio Alan. Apesar de ter funcionado na avenida, graças ao excelente trabalho da direção de harmonia, acho o samba escolhido muito fraco…

  6. Reproduzo aqui o que eu escrevi em meu blog, após os desfiles:

    1- É quase unânime que a Unidos da Tijuca não fez um desfile à altura do que o homenageado, Ayrton Senna, merecia. Mas, em meio a tantos desfiles que pouco empolgaram, pelo menos venceu uma que usou e abusou da criatividade – eu elogio muito mais quem é criativo do que quem é somente luxuoso. Na minha opinião, Portela e Salgueiro foram melhores – a azul e branco deveria ser a campeã. Mas não lamento. O peso da homenagem justifica o caneco. E diferente do Migão, eu gosto do samba; existem piores na história da própria escola.

    2- Aliás, diga-se de passagem: a comissão de frente foi, de longe, a mais criativa e a mais bem-bolada. Muitos dirão também dos palitinhos e da amarelinha da União da Ilha. Concordo plenamente. Chega de achar que os desfiles devem vir com aquele monte de fantasia gigante e pesada, com aquele luxo desnecessário. Carnaval tem que ser criativo. A Unidos da Tijuca está de parabéns pelo desfile.

    3- Parabéns, Portela. Após 19 anos sem brigar, de fato, pelo título, a Águia mostrou que está mais viva do que nunca. Um desfile que, se não levantou a arquibancada como em 2012, fez relembrar os melhores dias da maior campeã dos desfiles cariocas. A campeã moral de 2014 está de volta ao seu lugar de direito. Repito: seria a minha campeã.

    4- Beija-Flor e Vila Isabel decepcionaram. Já era previsto. Em especial a primeira, que prometeu o enredo sobre Boni, mas que na avenida, falou da história da comunicação e só puxou o saco da emissora oficial dos desfiles, usando o ex-diretor apenas como ilustração do enredo. Fora algumas incoerências de fantasias e alegorias com a sinopse, o casal de MS e PB junto da Comissão de Frente… o sétimo lugar foi merecido, discordando educadamente de novo do Fred – deveria ser pior. Foi a primeira vez, desde 1992 – ano que a escola ficou na mesma posição por causa de uma penalização devido a uma genitália desnuda – que a escola não voltou no sábado das campeãs. Já a campeã de 2013 enfrentou diversos problemas políticos. Aliás, isso acontece todo ano no Morro dos Macacos, e desta vez eles mereciam o rebaixamento, sem sombra de dúvidas. Foi a primeira vez na história que campeã e vice de um ano não estiveram no Desfile das Campeãs do ano seguinte. Depois disso, a Vila Isabel voltou a agradar. Já a Beija-Flor aumentou seu repertório de “chororô”, forçou a barra para mudar os jurados que a julgaram corretamente e ganhou em 2015 – cadê aqueles dois nilopolitanos CHATOS PARA CA… que xingavam o Fred e o Migão aqui???

    5- Depois de 15 anos, voltei a me emocionar – sim, chorei copiosamente – com o show que a minha escola de coração, a Mocidade Independente, realizou na abertura do segundo dia de desfiles. Sim, um show, levando-se em consideração que a escola estava super atrasada faltando um mês para os desfiles e era tida por todos como rebaixada. Passamos longe do buraco com um samba LINDO e, com o nono lugar, nos demos ao direito de protestar contra algumas notas, como o fato da bateria, que TRUCIDOU A CONCORRÊNCIA e foi a melhor do ano com léguas de distância, ter levado apenas uma nota 10. Não faz mal. A Mocidade mostrou porque é uma pentacampeã, mesmo com a atual direção mais preocupada com o marketing…

    6- Sacanearam a Império da Tijuca de todas as formas possíveis. A escola do Morro da Formiga jamais merecia a queda e, ainda mais COM UMA ÚNICA NOTA DEZ. Um absurdo gigante. Mesmo assim, o primeiro império do samba sai de cabeça erguida, reforçando ainda mais o pedido: PASSOU DA HORA DE RECOLOCAR DEZESSEIS ESCOLAS NO GRUPO ESPECIAL!!

    7- Merecido o caneco da Viradouro. Após o desastre da gestão Marco Lira que rebaixou a escola em 2010, o atual presidente Gusttavo Clarão colocou a escola nos trilhos novamente. A campeã de 1997 voltou ao seu lugar – até a bisonhice de 2015 e o samba de meio de ano na avenida. Foi um passeio nos desfiles da Série A e o título foi mais que merecido. Mas a boa notícia foi a manutenção da Em Cima da Hora no grupo, mesmo com o ABSURDO de se tirar pontos do samba-enredo mais perfeito de todos os tempos. A nota triste foi para a saída da Tradição da Marquês de Sapucaí após 30 anos.

    1. Rodrigo, assino em baixo quanto o Imperinho. O único 10 deles foi dado por ninguém menos que Carlos Pousa. 16 no Especial é um número até bom, mas inchado em termos de televisão. Quanto ao samba de meio de ano da Viradouro no ano seguinte, sou obrigado a discordar – não porque sou torcedor da escola, mas por motivos que vou relatar no texto de amanhã

      1. Carlos Pousa, o super-rigoroso. Isso só mostra o quanto foi absurdo tudo aquilo.

        E quanto a Helenise, o que será que justifica alguém tão entendida sobre o meio fazer aquilo?

  7. Ninguém lembra que a Portela deixou de apresentar o tripé das cantoras do rádio né? Que ficou jogado ao lado do mangue e por isso perdeu ponto em enredo, alegorias e adereços… Bom saber da pouca memória de vocês! Abraços!

    1. O tripé foi corretamente despontuado no quesito Enredo e de forma incorreta no quesito Alegorias e Adereços – cujos critérios de julgamento proíbem se despontuar falta de carros. Só se pode julgar o que se vê.

  8. Tudo já foi dito pelos amigos. A Portela arrebentou. Achei a melhor escola, melhor samba, melhor enredo… Enfim arrebatadora. Uma das.aberturas mais bonitas que já ví com todo aquele azul. Achei o Enredo do Salgueiro bem confuso e a Tijuca, sempre correta nos quesitos de pista, pouco punida em alegorias. Chorei como nunca no desfile da Mocidade. Pena a falta de recursos pois tinha enredo e samba pra ir bem mais longe do que foi.

Comments are closed.