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Diário Olímpico, Um Ano Depois (Parte I)

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Nestes dias de agosto, estamos recapitulando o primeiro ano da realização dos Jogos Olímpicos na cidade do Rio de Janeiro. Jogos que transcorreram sem problemas graves e que deixaram uma boa imagem da cidade perante o mundo naquela ocasião.

O colunista Rafael Rafic escreveu segunda e hoje dois artigos sobre o legado olímpico e a atual situação. Não tenho muito a acrescentar; talvez apenas assinalar que o golpe parlamentar ocorrido pouco antes dos Jogos teve um impacto a meu ver perceptível sobre o que ocorreria depois.

A ideia desta série de textos é outra. A partir de conversas com os integrantes do grupo de leitores olímpicos deste blog – este sim um legado positivo – irei recapitular, dia a dia, como foram os meus Jogos. Nada muito detalhado: apenas as principais lembranças um ano depois. Hoje, amanhã e quinta-feira.

Aproveito para colocar algumas fotos que não disponibilizei à época e resgatar os “vídeos-resumo” que postei neste blog durante as competições. Sugiro aos leitores colocarem suas lembranças na área de comentários.

Antes da Rio 2016, participei de uma série de eventos teste. Saltos ornamentais, nado sincronizado, ginástica olímpica (dois dias), ginástica rítmica, atletismo, basquete (arena 2) e vôlei (arena 1). Todos alvos de artigos à época.

Dos 19 dias de competições, participei de eventos em 18, divididos entre Parque Olímpico de Jacarepaguá, região do Maracanã, Engenhão e Copacabana. Acabei não indo a Deodoro devido à eliminação prematura da nossa seleção de basquete feminino.

O dia com mais sessões assistidas foi 8 de agosto, com seis. No dia 15 assisti a apenas uma – deveriam ter sido duas, mas não acordei a tempo do atletismo pela manhã. Além do futebol pré-abertura e da cerimônia em si.

Sem mais delongas, vamos lá:

Dia “-2”: 3 de agosto

Local: Engenhão

Sessão: 1

Esporte: Futebol feminino

Não sabia se conseguiria ir a esta sessão, pois não estaria ainda de férias. Com o feriado decretado para o dia seguinte, consegui trabalhar somente pela manhã – com o bônus de levar minhas filhas para conhecerem meu local de trabalho.

África do Sul e Suécia, Brasil e China. Começava tudo – e com vitória da nossa seleção. Escrevi à época.

Curiosidade: ver vendedores ambulantes na porta do Engenhão com produtos não licenciados, ao contrário do que o sempre cioso COI prega…

Dia “-1”: 4 de agosto

Local: Engenhão

Sessão: 1

Esporte: Futebol masculino

Com o feriado decretado, pude ir às duas partidas da programação, embora tenha chegado com o primeiro tempo de Honduras e Argélia já em andamento. O dia em que o Engenhão virou português na partida de fundo, na partida contra a Argentina.

Duas partidas bem disputadas, decididas pelas péssimas tardes dos goleiros argelino e argentino – que levou um frango que, se é na pelada da pracinha perto de casa, entrava na porrada… Também escrevi sobre esse dia.

Curiosidade: camisas da seleção de Portugal sem padrão: umas tinham o nome do jogador nas costas, outras não. Destaque também para o árbitro brasileiro Sandro Meira Ricci, que apitou o primeiro jogo e foi bastante, digamos, “homenageado” pelo público.

Dia 0: 5 de agosto

Local: Maracanã

Sessão: 1

Esporte: Cerimônia de Abertura

Começava o sonho “à vera”. A Cerimônia de Abertura entregou exatamente o que se propunha desde o início: até simples em termos estéticos, mas com alma e calor humano. Tirando o sufoco para tirar o carro no Nova América já fechado após o término, tudo extremamente tranquilo e, ao mesmo tempo, emocionante.

Destaque absoluto para Paulino da Viola entoando o Hino Nacional. Daqueles momentos dos quais jamais nos olvidaremos.

Curiosidade: a bateria da “super escola de samba” que desfilou ao final era em playback. A acústica do Maracanã simplesmente não permite que se faça nada ao vivo.

Dia 1: 6 de agosto

Local: Parque Olímpico

Sessões: 4

Esporte: Natação (eliminatórias), judô, basquete masculino e natação (finais)

Um dia de caos. Acordamos tarde, saímos atrasados, esqueci minha carteira (o Samsung Pay me salvou aquele sábado), calor absurdo, revista zero nos acessos, quase zero possibilidade de comprar alimentos e bebidas para crianças famintas e sedentas, erro na logística e mega caminhada.

Tudo que tinha de dar errado deu. Dia foi tão confuso que eu simplesmente não me lembro das finais da natação aquela noite. Sei que estive lá, as fotos mostram isso, mas não me lembro de nada.

Para completar, entrei na Arena Carioca 2 exatamente no momento em que o judoca brasileiro era eliminado na repescagem. Dia valeu pelo momento histórico de assistir à primeira medalha de ouro individual da Argentina desde 1948 (Paula Pareto, no judô), pelo recorde olímpico quebrado nas eliminatórias da natação e pela estreia da seleção americana de basquete, ainda que um tanto burocrática – e em um lugar que, apesar de ser Categoria A, era bem ruim.

Curiosidade: são duas. A primeira é o “cachorro quente Lego” vendido naquela ocasião (foto acima). A segunda é a galhofa da torcida brasileira gritando “vamos virar China” com os EUA 50 pontos à frente…

Dia 2: 7 de agosto

Local: Maracanãzinho

Sessões: 2

Esporte: vôlei masculino

Hoje eu não teria escolhido estas sessões, mas com crianças e o tumulto do dia anterior, acabou sendo bom. Conseguimos almoçar em um restaurante próximo no intervalo entre as sessões e, estando isolado, foi mais fácil a questão de alimentação e bebidas.

Vi na primeira sessão a Itália espancar a França e o Brasil ter muita dificuldade para vencer o fraquíssimo México, sentado no fundo da quadra – aparecendo várias vezes na transmissão oficial, aliás.

Na segunda, protocolar vitória da Polônia sobre o Egito e o Canadá aprontar a zebra sobre os EUA fazendo um partidaço. Aliás, eu só voltaria a ver o vôlei masculino ao vivo na finalíssima.

Curiosidade: uma das bolas de Itália e França, autografada pelo capitão italiano, está na minha estante de casa.

Dia 3: 8 de agosto

Local: Parque Olímpico

Sessões: 6

Esportes: judô, natação, basquete, handebol, basquete e natação

Que maratona! Cheguei às 10 da manhã no Parque Olímpico e só saí de lá meia noite, em dia onde fui sozinho.

Comecei o dia no judô vendo as lutas da Rafaela Silva até as quartas de final. Acompanhei uma eliminatória da natação que, apesar de curta, só tinha nadadores de altíssimo nível: Phelps, Ledecki, Pellegrini, Hosszu (batendo recorde olímpico), Le Clos, Missy Franklin (decepção destes jogos), Maya Dirado e Kenderesi. Além da brasileira Joanna Maranhão.

Vi a Austrália vencer a Sérvia no basquete masculino (segunda partida de uma série de 16 partidas desse esporte a que assisti), o Brasil a Romênia no handebol feminino, os EUA terem mais trabalho que o imaginado contra o raçudo time da Venezuela no basquete masculino (ao menos no início) e Katinka Hosszu conquistar uma de suas medalhas de ouro nas finais da natação – além de Phelps em uma semifinal.

Dia de muitas adições à coleção de copos de cerveja olímpicos…

Curiosidade: São duas. Primeiro dei entrevista à Tv Bandeirantes quando chegava ao Parque Olímpico. A segunda é que assisti aos dois Austrália e Sérvia ocorridos na competição de basquete masculino.

Amanhã, no segundo artigo da série, o diário dos dias 9 a 14 de agosto. Até lá!

Imagens: Ouro de Tolo

15 Respostas para “Diário Olímpico, Um Ano Depois (Parte I)”

  1. Eduardo disse:

    Como dá saudades relembrar disso tudo. Seguindo tua cronologia, pra mim tudo começou na cerimônia de abertura que foi linda e bem acima das minhas expectativas. Foi mágico presenciar um momento que será reprisado pra sempre na história olímpica com o Vanderlei acendendo a pira olímpica. Acho que todos os números musicais foram playback, eles prefere não correr o risco de uma falha num evento desse porte.
    Dia 6 pra mim foi judô-tênis-judô- EUA x China no basquete – finais da natação. Cheguei cedo no Parque e consegui entrar sem maiores problemas. Ainda não me conformo com a derrota da Sarah pra cubana nas quartas… AInda consegui ver Cilic x Dimitrov na Quadra 1 antes de voltar pras finais de judô….Depois um Dream Team com mt pouca magia e encerrando a natação vendo a Katinka ganhar 1 ouro.
    Dia 7 teve judô de manhã, seguido de Brasil x Lituânia no basquete e depois tênis o resto do dia. Dia muito especial pra mim por ter assistido Djokovic x Del Potro.
    E no dia 8 deu pra ver que a Rafaela estava muito inspirada e que ia conseguir alguma medalha, depois um pouco de tênis vendo o Murray, final por equipes da ginástica artística masculina ( senti falta de comentarista explicando cada movimento e identificando erros), depois mais tênis com o Belucci na Central e pra encerrar o grande clássico França x China no basquete que eu só vi o primeiro tempo pq , convenhamos, assistir tudo ia ser demais.

  2. Vanessa Lages disse:

    Como bom relembrar desses momentos. Que saudade! Meu dia 8 tb teve eliminatórias de natação. E q baita eliminatória! E pensar q consegui esse ingresso às vésperas dos jogos. Foi uma das melhores recordações q tive dos jogos. Tb estive no Brasil x Romênia no handebol feminino. A Arena do Futuro foi minha casa nos jogos e, diferentemente do vôlei, com uma torcida participativa e não “coxinha”. Agradeço muito ao OT por ter sido um grande meio de informação, isso ajudou muito a aproveitar da melhor forma esse evento espetacular.

    • Pedro Migão disse:

      Isso é verdade, a torcida do handebol nem se comparava à tragédia que foi o comportamento no vôlei. Fiquei uns dois meses sem nem querer ver coxinha pela frente…

    • Rafael Rafic disse:

      Migão e Vanessa,

      Permitam-me fazer uma diferenciação de acordo com o que acompanhei nos 3 jogos da seleção brasileira feminina de volei, entre eles o fatídico Brasil x China, e nos 4 jogos da seleção masculina, entre eles Brasil x França, Brasil x Argentina e o Brasil x Itália da final, em que estive.

      A torcida “coxinha” do volei se limitava aos jogos do feminino, porque, especialmente nos 4 jogos decisivos do masculino, o Maracananzinho se tornou sim aquele caldeirão que esperávamos.

      Agora, por que essa diferença? Essa é a pergunta que precisa ser respondida.

      Não tenho respostas fechadas para ela, mas acredito que a própria apatia que a seleção feminina mostrava em quadra, mesmo nos melhores momentos dela, acabou esfriando a própria torcida.

      Faltou na seleção feminina uma “Lipe de saias” que ganhasse o ponto, saísse pulando e abanando os braços para a torcida.

      • Pedro Migão disse:

        Rafic, das dez sessões de vôlei a que assisti (contando as oitavas do vôlei de praia), a única diferente foi a final masculina, onde a organização distribuiu bastonetes justamente para tentar criar um clima. Apatia e “coxinhice” totais. Quem estava no mata mata do masculino (quartas e semifinais) relatou realmente um pouco de diferença, mas aí a tranca já tinha sido arrombada, né?

        Sem contar o desgraçado do animador de torcida do Maracanãzinho.

      • Vanessa Lages disse:

        Eu só fui à uma sessão de vôlei que teve os jogos de EUA e Holanda no feminino, então não tenho como comparar com o masculino. O Maracanãzinho estava lotado, maioria de brasileiros, o q tvz explique a apatia. Eu sentei perto de “alguns torcedores” q tava mais preocupados com outras coisas q não era assistir ao jogo. Foi a única arena q me senti deslocada, e olha q já fui duas vezes ao Maracanãzinho em jogos da superliga feminina de vôlei. (Não fui mais pq sou de MG). O q salvou nesse dia foi a torcida da Holanda, que mesmo pequena, fizeram barulho. Já a minha experiência na Arena do Futuro foi maior já q assistir a 5 sessões, sendo 4 jogos do Brasil (3 no feminino e 1 no masculino). E foi maravilhoso! O jogo entre Brasil x Alemanha boa masculino parecia q estava num estádio de futebol. A torcida insana fez o time vencer aquela partida.

        • Pedro Migão disse:

          Nem se compara a torcida do vôlei com a do handebol. Mesmo na eliminação do feminino para a Holanda a torcida foi bem mais participativa que o vôlei. A horrorosa arbitragem que o diga…

  3. Rafael Rafic disse:

    Migao,

    Na verdade você viu o jogo de vôlei que embaralhou de vez o grupo que já era o da morte. Se os EUA confirmassem o favoritismo contra o Canadá, o Brasil x França da última rodada seria um insosso jogo para definir o 3º e o 4º colocados do grupo enquanto o Canadá já estaria eliminado.

    Alias, esse jogo talvez tenha mudado a história do vôlei nos Jogos Olímpicos porque, se o Canadá já estivesse eliminado, esse Brasil x França tinha tudo para ser um “jogo da vergonha” com ambos os times querendo perder para enfrentar a Argentina.

  4. Luis Fernando disse:

    Saudade desses jogos, o Rio viveu duas semanas de sonho… Também assisti Honduras x Argélia e Portugal x Argentina no Engenhão, sendo este divertidíssimo com o duelo dos argentinos e seu “siete, siete”, contra os brasileiros com o “pentacampeão” e a ótima mil gols… Repeti a dose de futebol dia 2, dessa vez com os hermanitos tirando um pouco mais de onda. Depois de ver aquela maravilhosa cerimônia de abertura pela tv, foi inesquecível a sensação de logo na manhã de sábado ver uma competição olímpica “de verdade”, no caso, o vôlei de praia. Emoção igual ao entrar no Parque Olímpico pela primeira vez para também assistir a jornada de Rafaela Silva até as quartas-de-final. Concordo com o comentário mais acima, dava pra perceber no ar que nossa judoca estava num dia especial. Muita saudade desses momentos que guardarei para sempre…

  5. Carlos Wanderley disse:

    Ver como foram os jogos pra outras pessoas fazem lembrar como foi pra mim também! A diferença entre quem viu os jogos pela TV e quem acompanhou de perto são essas inúmeras histórias e perrengues que na época podem ter estressado, mas que não saem da memória, coisas que não aconteceriam no sofá de casa. Por essas e várias outras histórias, tenho certeza de que quem viveu os jogos olímpicos não se arrependeu de ter ido ao Rio prestigiar o evento. Muito bom!!!

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