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Diário Olímpico, Um Ano Depois (Parte II)

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Retomando a série iniciada ontem, seguimos com nosso “Diário Olímpico”. Hoje com as reminiscências dos dias 9 a 14 de agosto, antes da última semana de competições – que será o tema do terceiro e último artigo desta série.

É interessante como, com o passar do tempo, retemos mais em nossas retina e memória aquilo que foi realmente marcante, inesquecível.

Revendo os vídeos que gravei à época para este blog, espanta como certos detalhes que registrei naquela ocasião tinham sido simplesmente apagados em minhas memórias.

Dia 4: 9 de agosto

Local: Parque Olímpico

Sessões: 4

Esportes: judô, basquete, handebol e basquete

Outro dia longo, embora sem “Sessão Corujão” porque estava com minhas filhas. Mais um dia de judô pela manhã (minha única final era a do primeiro dia), com os brasileiros caindo rápido.

Saímos um pouco antes, comemos algo – havia melhorado bastante esta questão – e entramos cedo na Arena Carioca 1 para ver Brasil e Espanha, jogo que eu estava “pilhado” desde o dia anterior.

Não adiantou porra nenhuma no vexame que o basquete brasileiro fez, mas esta vitória no último lance foi um dos momentos mais emocionantes que vivi nestes dias. Ver minhas filhas vibrando também foi sensacional.

Handebol masculino e a derrota do Brasil para a Eslovênia – se tivéssemos um goleiro pouco melhor, poderíamos ter vencido. O dia fechou com outra partida de basquete, com a Lituânia deslanchando no último quarto para vencer a Nigéria – partida que vi sossegadamente apoiado na grade da quadra, como podem ver.

Curiosidade: eu achando que tinha perdido meu celular ao final de Brasil e Espanha e ele… dentro do bolso da minha bermuda. Foi uma catarse aquela tarde. Minhas filhas queriam me levar ao Posto Médico achando que eu iria enfartar…

Dia 5: 10 de agosto

Local: Parque Olímpico

Sessões: 2

Esportes: basquete

Deveriam ser três sessões, mas o trânsito infernal daquela quarta feira chuvosa fez com que eu perdesse as eliminatórias da natação. Chuva, frio, o idiota aqui saiu sem casaco e capa e na megastore não tinha nada de agasalho no meu tamanho que não fosse a um preço extorsivo…

750 reais, Nike? Tá de sacanagem, né?

Era um dia onde fiz várias programações e comprei/revendi diversas sessões, mas acabei ficando com a programação meio “quebrada”.

Vi a França vencer a Sérvia por 1 ponto após dominar 90% do jogo – em um ginásio com meia lotação, embora muita gente tenha reclamado que tentou comprar ingressos e estava “esgotado” – e vi os EUA, bastante burocráticos, tomar um baita sufoco da Austrália, só liquidando a fatura da metade do último quarto em diante. Foi a sessão onde entrei com maior antecedência no ginásio, porque estava com um frio desgraçado…

Curiosidade: foi nesse jogo que me recusei a tirar foto com o Márcio Araújo, que viu a partida a umas cinco cadeiras de onde estávamos. Por outro lado, tirei uma foto com um dos medalhistas italianos da esgrima que me tornou um herói para as seguidoras no Twitter. Teve gente querendo que eu pedisse o telefone do cara…

Dia 6: 11 de agosto

Local: Parque Olímpico

Sessões: 5

Esportes: judô, basquete, ciclismo, basquete e natação

Outro dia bastante cheio, mas com uma sessão a menos – não consegui encaixar as eliminatórias da natação. Pela manhã acompanhei as lutas da Mayra Aguiar – que levaria o bronze à tarde – enquanto o outro brasileiro era eliminado.

Vi o Brasil se complicar no basquete perdendo para a Croácia – onde, uma vez mais, só acordou no final – e com direito a levar carteirada e ameaça de prisão de juiz que queria que eu ficasse quieto sem torcer. No vídeo acima explico melhor.

Acompanhei a abertura oficial do Velódromo, quente e abafado lá dentro, em um lugar de 540 reais que me deixava com pontos cegos na visão da pista. Ainda assim, é um esporte bem legal de se ver ao vivo.

Saio correndo do ciclismo para o basquete, atrasado, e encontro o acesso ao ginásio fechado: uma mochila esquecida no banheiro foi explodida à guisa de bomba. Entrei já ao final do primeiro quarto. Nesse dia eu emendei sem intervalos os dois jogos de basquete e o ciclismo, algo que não recomendo.

Terminei a noite vendo Michael Phelps ganhar mais uma medalha de ouro olímpica. Nada mal.

Curiosidade: em um lugar de “Categoria B” melhor que muita Categoria A que peguei, fiquei abaixo da área de reportagens da imprensa brasileira, podendo acompanhar os bastidores do trabalho.

Dia 7: 12 de agosto

Local: Arena de Copacabana

Sessões: 2

Esportes: vôlei de praia

Após quatro dias seguidos no Parque Olímpico de Jacarepaguá, iniciava uma série de (a princípio) cinco dias de Rio 2016 longe dele. Na sexta feira assisti a quatro jogos das oitavas de final do vôlei de praia, envolvendo duas duplas brasileiras femininas nestas partidas.

Saí de casa com chuva e paramentado com capa/casaco. Obviamente, não choveu um único minuto, abrindo um sol maravilhoso na parte da tarde…

Vitórias das duplas brasileiras, e nos outros jogos a dupla russa venceu a “catariana” (com dois naturalizados), enquanto que os cubanos venceram os austríacos. Mas nenhum dos jogos exatamente equilibrados.

Valeu por conhecer a arena do vôlei de praia, que impressiona pela imponência e pela altura – e que tinha uma estrutura bastante satisfatória para uma arena temporária. Por almoçar à beira mar, algo que não fazia há anos.

E por chegar em casa cedo, apesar do sufoco do Metrô na hora do rush com duas crianças…

Curiosidade: jogo dos cubanos, ao nosso lado uma senhora paulista, típica “coxinha”, com a filha, ambas reclamando deles. Comecei a gritar “Vai Fidel!” a cada saque cubano. Acho que se a dona pudesse me daria uma porrada…

Dia 8: 13 de agosto

Local: day off

Sessões: 0

Esportes: nenhum

Iria a Deodoro nesse dia, mas o basquete feminino brasileiro foi eliminado antes desta rodada e não ia atravessar a cidade somente para isso. Meu pessoal optou por ir ao Boulevard Olimpico na região do Porto, o que se revelou uma roubada: estava superlotado.

Era outra mudança que faria: teria ido dia 6 para Deodoro, deixando o dia 13 para realizar alguma programação no Parque Olímpico ou mesmo acompanhar a rodada do vôlei masculino – saindo do dia 7.

Pelo menos valeu para realizar um sonho antigo: ver de perto o quadro “Abaporu”, de Tarsila do Amaral.

Curiosidade: foi um dos únicos dias em que vi bastante televisão durante os Jogos Olímpicos

Dia 9: 14 de agosto

Local: Maracanãzinho

Sessões: 2

Esportes: vôlei feminino

Dia dos Pais, finalmente apareceu o vôlei feminino em minha programação. Com meu pai e minhas filhas (dia perfeito), vi quatro jogos.

Itália venceu Porto Rico, ambas eliminadas. O time centro americano perderia para um “catadão” de leitoras aqui do blog, comigo de técnico.

Os Estados Unidos passaram o carro na China e empurraram o time asiático para a quarta colocação. O Japão venceu a Argentina em duelo direto pela última vaga do outro grupo.

Na última partida da fase de grupos, a dúvida era se Zé Roberto Guimarães repetiria Bernardinho anos antes e perderia de propósito para fugir da China nas quartas de final. Mas a seleção jogou sério e venceu categoricamente por 3 a 0.

Saí do Maracanãzinho tendo certeza que Brasil e EUA repetiriam a final de Londres. Os dias seguintes me desmentiriam…

Curiosidade: aumentava nesse dia a minha irritação com o péssimo (des)animador de torcida do Maracanãzinho. Merecia um gulag.

Amanhã, o terceiro e último capítulo, com os dias derradeiros.

Imagens: Ouro de Tolo

10 Respostas para “Diário Olímpico, Um Ano Depois (Parte II)”

  1. Cleber Caldas disse:

    Esse Brasil x Espanha, apesar de não ter adiantado nada com relação a medalha ou classificação, valeu pela competição inteira de basquete! Sensacional!

  2. Luis Fernando disse:

    Nesses dias vi vôlei de praia dias 9 e 13, vôlei masculino dia 10 (derrota para os Eua) e esse jogo do vôlei feminino (que esqueci a adversária).

    Me diverti bastante nesses dois jogos, pois o local mais barato era no ponto mais alto do Maracanãzinho, mas muito bem localizado, como se fosse um balcão, no meio da quadra, e de frente para as equipes de transmissão da Globo, Sportv, Bandsports e Fox Sports (altas fotos!). O interessante é que era o mesmo local do Pan, e naquela ocasião era o segundo ingresso mais caro…

    No retorno desses dois jogos, minha vontade era de esganar alguém do Metrô Rio por ter de ir até a estação São Francisco Xavier, com as estações Maracanã e São Cristóvão fechadas desnecessariamente…

  3. Dudu disse:

    Eu vi o Brasil x Espanha no basquete. Único bom momento do basquete brasileiro inteiro.

    E sobre o vôlei, deixar a China pra quarto foi péssimo negócio rs

  4. Vanessa disse:

    Minha primeira semana foi de muita correria. Até aprender como chegar nos lugares. Mas valeu cada minuto.

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