Categorizado | Pedro Migão

Diário Olímpico, Um Ano Depois (Final)

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Nesta parte derradeira, a última semana da Rio-2016, onde fiz diversos ajustes na programação à medida em que os dias iam passando. Nos últimos três dias fui obrigado a diminuir o ritmo porque peguei uma gripe fortíssima – tratada a cerveja…

Fases decisivas dos esportes coletivos e novos esportes a serem acompanhados deram o tom destes dias finais. Além de acompanhar “in loco” alguns momentos históricos.

Dia 10: 15 de agosto

Local: Engenhão

Sessões: 1

Esportes: atletismo

Originalmente iria também à sessão do atletismo pela manhã, mas após chegar quase uma da manhã em casa na véspera, simplesmente não acordei a tempo de chegar às 9 no Engenhão. Paciência.

Entretanto, seria recompensado à noite. BRT lotado, trem mais vazio, duas crianças achando um barato o percurso. Chegamos cedo, demos a primeira sorte da noite: a chuva nos pegou já dentro do estádio.

Era originalmente a sessão noturna mais sem atrativos do atletismo. Ainda teve as eliminatórias dos 200 metros – que contariam com Bolt – retiradas da programação. Só comprei porque era a única que cabia na minha agenda.

Ainda parou por conta da chuva, mais de uma hora. Algumas eliminatórias, final dos 400 metros feminino e dos 800 masculino. E o salto com vara masculino.

Foi a competição que mais atrasou. Minhas filhas queriam ir embora, mas logo o brasileiro Thiago Braz começou a se destacar na disputa e pedi que elas esperassem. Um a um, seus competidores foram caindo, até sobrar somente ele e o chiliquento francês.

O resto é História. Vimos a primeira medalha de ouro brasileira in loco. Thiago saltando para a glória.

Curiosidade: no transbordo do BRT para o trem, minha filha Ana Luisa me perguntou se algum brasileiro poderia medalhar naquela noite. Falei que Thiago poderia ser bronze. Ainda bem que errei….

Dia 11: 16 de agosto

Local: Parque Olímpico/Maracanãzinho

Sessões: 4

Esportes: handebol e vôlei

Como diz aquele ditado, “dia de muito, véspera de nada”. Bingo…

Foi o único dia onde fui de uma instalação à outra: vi as quartas de final do handebol no Parque Olímpico e saí para ver as três restantes do vôlei no Maracanãzinho. Via BRT e Linha 4 do Metrô, que estabeleceu um traslado tranquilo, mas demorado.

Comecei o dia vendo o favorito Brasil ser eliminado pela Holanda no handebol feminino, em jogo onde, ainda que tenha ido mal, foi muito prejudicado pela arbitragem. Saí correndo e cheguei ao Maracanãzinho para ver EUA e Japão, não sem antes enfrentar uma fila gigantesca para entrar.

Com o Brasil jogando ao mesmo tempo a semifinal do futebol feminino, o esquema de acesso “pulmão” ao Maracanãzinho via Maracanã não pôde ser utilizado, o que gerou imenso tumulto. Só consegui entrar ao final do primeiro set.

Pausa, almoço – vendo a eliminação brasileira nos pênaltis pela tv – e então o primeiro “Massacre da Sérvia Elétrica” da semana, sobre a Rússia.

E veio o jogo contra a China. Primeiro set tranquilo, mas depois o pesadelo começou a se concretizar. Com a seleção contagiada pela apatia das arquibancadas, 13/15 no tie break e fim do sonho do tricampeonato olímpico. Ainda assim, pessoas saindo do ginásio aos risos…

Fiquei tão puto que revendi todos os ingressos de vôlei que tinha dali até o final. Só fiquei com as duas finais.

Meu dia de pé frio…

Curiosidade: nunca mais tirei do armário a camisa que usei naquele dia…

Dia 12: 17 de agosto

Local: Parque Olímpico

Sessões: 5

Esportes: basquete (3 jogos), handebol e taekwondo

Originalmente não iria ao taekwondo e sairia correndo de EUA e Argentina para ver o Brasil nas quartas de final do vôlei. Mas, cansado e chateado, optei por acompanhar junto a meu pai o dia inteiro no Parque Olímpico.

Apenas repassei Sérvia e Croácia para um croata devido ao cansaço, do que me arrependo… Foi o único jogo equilibrado daquelas quartas de final do basquete masculino.

Austrália e Espanha massacraram Lituânia e França, respectivamente. No handebol, a Dinamarca (que seria campeã) passou bem pela Eslovênia, talvez naquela (junto com as semifinais do basquete feminino) que foi a sessão mais vazia de esportes coletivos a que assisti.

E vi, apesar da derrota, a torcida argentina fazer uma linda festa para saudar a despedida da seleção de Manu Ginobili, seu grande ídolo. Só contrastou com a vergonha da véspera… E em um lugar que, apesar de categoria A, não tinha visão total da quadra.

Sobre o taekwondo, valeu por assistir um esporte que nunca tinha visto ao vivo, com disputa de medalhas. Ainda conheci a Arena Carioca 3, na qual não tinha estado ainda – e descendo para um lugar melhor, haja visto o pequeno público presente.

Curiosidade: a cara de incrédulo do torcedor argentino para o qual revendi o ingresso que tinha sobrando, quando disse que era pelo preço de face…

Dia 13: 18 de agosto

Local: Parque Olímpico

Sessões: 4

Esportes: basquete (2 jogos), polo aquático e luta olímpica

Originalmente iria encaixar a semifinal do handebol no meio disso tudo, mas com o Brasil fora optei por assistir à luta olímpica entre os dois jogos de basquete feminino.

Comecei com o polo aquático, com o Brasil tomando 7 a 1 da Hungria na disputa do 5º lugar e depois um Croácia e Montenegro na semifinal onde ocorreram diversas “tentativas de homicídio” dentro da piscina. Mais um esporte novo para a conta.

Os jogos de basquete foram bem díspares: se na primeira semifinal Espanha e Sérvia fizeram uma partida de baixo nível técnico, no segundo jogo o time americano mostrou porque é considerado ainda mais dominante que o masculino. Timaço, valeu muito a pena ver.

Na luta olímpica, em um ginásio lotado de japoneses vi um momento histórico: a lutadora Saori Yoshida perdendo sua primeira luta em 16 anos e subindo ao pódio aos prantos para receber sua medalha de prata. Detalhe que só tive noção disso ao ser alertado do fato via redes sociais, em tempo real.

Curiosidade: “momento Leo Dias”. Havia atrás de mim no polo aquático quatro amigas, das quais duas eram namoradas, peguetes ou coisa que o valha. Após descerem duas vezes um tempão, a mais velha do grupo virou às duas e disse “vão pra casa fazer o que estão querendo, esquece o jogo”. Foi prontamente atendida…

Dia 14: 19 de agosto

Local: Parque Olímpico

Sessões: 3

Esportes: basquete (2 jogos) e ginástica rítmica

Originalmente sairia para ver a semifinal do vôlei masculino, mas optei por repassar meus ingressos para não sair correndo com crianças de um lugar para outro. Hoje teria visto, embora já estivesse bastante gripado. Último dia de Parque Olímpico.

Além disso, comprei categoria C para a semifinal da tarde e A para a noite, confiando que os EUA jogariam, como sempre, às 19 horas. Obviamente, inverteram…

Comecei o dia atendendo o desejo das meninas e vendo uma das eliminatórias da ginástica rítmica. E entendi o que ocorre com um turista que cai de paraquedas no Sambódromo nos nossos desfiles de escola de samba. Olhar uma competição como leigo e sem entender as notas como dadas não é exatamente algo auspicioso…

A “super semifinal” entre EUA e Espanha no basquete masculino foi bem chata. O placar de 82-76 não reflete o que foi o jogo, com o time americano controlando de forma burocrática o placar desde o início. Em momento nenhum foi ameaçado.

No jogo noturno, com bastante lugares vazios apesar de tudo vendido, presenciamos o segundo “Massacre da Sérvia Elétrica” da semana. Ao contrário do jogo da primeira fase, a camisa sérvia pesou e o time ganhou com muita facilidade, se gabaritando à prata.

A Austrália acabaria ficando sem medalha apesar da ótima campanha (tirando a semifinal, jogou o que nunca jogou na vida naqueles dias) ao ser assaltada pela arbitragem na disputa do bronze.

Dia derradeiro no Parque Olímpico e a tristeza começando a bater…

Dia 15: 20 de agosto

Local: Maracanã/Maracanãzinho

Sessões: 2

Esportes: futebol e vôlei

E saiu a medalha de ouro tão esperada desde os tempos em que Dondon jogava no Andaraí! Iria ao bronze do vôlei, mas muito gripado e com a chuva, ficou impossível.

Meu lugar era longe do campo, o sofrimento foi grande – o Brasil deveria ter perdido no tempo normal – mas Neymar e Weverton nos libertaram nos pênaltis. Privilégio estar lá.

A final marcou a reconciliação do torcedor carioca com a seleção – e deixou claro o crime que foi afastar o Brasil do Maracanã durante a Copa do Mundo de 2014.

Confesso que teria vendido na hora meus ingressos para a final do vôlei feminino se aparecesse um chinês pagando ao menos o que eu havia pago, mas acabou sendo bem divertido estar no caldeirão chinês. Ainda que torcendo pela Sérvia, pelo fato de minha filha mais nova ser fã do país – aqui a explicação.

Me senti o Lewis Hamilton ou o Sebastian Vettel nessa noite: toda hora levando uma bandeirada de um chinês…

Curiosidade: mesmo com a invasão chinesa, final não tinha todos os seus lugares ocupados. Desconfio que gente imaginando a chegada do Brasil morreu com ingressos na mão.

Dia 16: 21 de agosto

Local: Maracanã/Maracanãzinho

Sessões: 2

Esportes: vôlei e Cerimônia de Encerramento

Não posso me queixar, né? Vi as duas medalhas de ouro mais desejadas pelo Brasil, e ambas em ingressos que não me deram tanto trabalho assim para obter. Tinha de ser.

Meu lugar, embora longe de ser dos mais caros, permitia ótima visão da quadra. Cheguei a receber propostas de compra com o triplo do valor nominal, mas optei por ir. Preferia o feminino campeão – quem me conhece sabe que não morro de amores pelo treinador Bernardinho – mas foi bem legal.

A chuva marcava o choro dos céus com o fim da Rio 2016. E as águas de Oxum apagaram a pira olímpica, em momento de grande simbolismo. A cerimônia de encerramento marcando o final de duas semanas e meia inesquecíveis.

Para a turma do samba enredo, como eu, a cerimônia surpreendeu ao resgatar sambas enredo que fogem dos chamados “blackbusters” em seus variados momentos.

Como saí direto do vôlei para a cerimônia – paramos apenas rapidamente para lanchar – acabamos escapando da chuva inclemente. E nossos lugares mais baratos não pegavam chuva, ao contrário dos caríssimos à beira do gramado. Vingança dos oprimidos…

Curiosidade: os sambas enredos tocados em CD no final da cerimônia não estavam previstos originalmente. Foi um pedido do então prefeito Eduardo Paes à organização.

The End.

Imagens: Ouro de Tolo

4 Respostas para “Diário Olímpico, Um Ano Depois (Final)”

  1. Luis Fernando disse:

    Nessa última semana só assisti dia 15 o jogo de Basquete Masculino entre Lituânia x Croácia, pq não consegui compradores para os ingressos. Bom jogo, bela arena, torcidas animadinhas, mas muito tarde… No dia seguinte fui assistir as eliminatórias do Atletismo pela manhã acabadão, só fui para realizar o sonho de ver o Bolt correr, portanto, não me arrependi. Nos outros dias, só pela TV. Mas valeu muito a pena ter tido a oportunidade de vivenciar esses dias inesquecíveis. Acho que jamais teremos a cidade como estava na Copa e nessas duas semanas mágicas de Olimpíada, o que é uma pena…

    Engraçado que retornei ao Parque Olímpico duas vezes nas Paralimpíadas, onde confesso que apenas queria aproveitar e explorar mais o local, logicamente, assistindo o evento para o qual tinha ingresso, e me diverti bastante, a lamentar a escassez dos Copos Olímpicos…

    Obs: Não sabia que os sambas tinham sido sugestão do Paes. Fiquei bastante emocionado pela Menina de Oyá ter sido cantada para o mundo inteiro. Engraçado que depois chegaram a tocar “Tambor”, mas ficou só no refrão, se arrependeram desse rs. Ainda bem que a cidade ainda não estava nas mãos do bispo, senão nem quero pensar em quais seriam os pedidos musicais dele…

    • Pedro Migão disse:

      Voltaria ao Parque Olímpico na Paralimpíada, mas sei lá, foi diferente… Sobre os sambas do final, não era o que queriam tocar, era o que tinha (risos)

  2. Vanessa disse:

    Foi uma semana de muitas medalhas do Brasil, mas de algumas decepções. Especialmente nos esportes coletivos femininos, com a eliminação no handebol, futebol e vôlei feminino.

    • Pedro Migão disse:

      Nem acho o futebol feminino tão decepcionante assim. A projeção desde o início era mais ou menos essa e pegou uma chave mais fraca até a semifinal.

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