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Situação do Legado da Rio 2016: Parte II

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Terminando a coluna começada ontem, hoje serão abordadas todas as estruturas da Rio 2016 que não ficam na chamada “Zona Barra”.

Na “Zona Copacabana”, apenas duas instalações não eram temporárias: a Marina da Glória e o Estádio de Remo da Lagoa. A Marina está indo muito bem sob a concessão da BR Marinas, recebendo eventos náuticos e comerciais em seus galpões, com boa parte de seu deque aberto ao público; conforme o projeto original do Aterro do Flamengo e nunca posto em prática antes, com estabelecimentos comerciais nele para estimular a movimentação.

Já no Estadio de Remo da Lagoa, a Federação de Remo do Rio de Janeiro criou um centro de treinamento de alto rendimento muito necessário para um esporte relativamente popular no Rio sair da letargia que se encontra há 30 anos. Porém o local pertence ao estado e a qualquer momento poderá ser engolfado na letargia e caos que impera no governo estadual.

Já na região do Maracanã, está a maior prova do prejuízo social e esportivo da inércia e da incompetência do atual governo estadual. O maior elefante branco da Rio 2016 atual é justamente a única estrutura que todos tinham a total certeza que teria muita demanda após a Rio 2016: o histórico e lendário Estádio Mario Filho, o Maracanã.

De um lado, temos uma concessionária, a Odebrecht, que não quer continuar administrando o Maracanã e faz de tudo para atrapalhar quem quer alugar o Maracanã. Isso ocorre inclusive para os 4 grandes clubes de futebol da cidade, especialmente cobrando preços irreais de aluguel, tendo ainda o inquilino que arcar com todas as despesas de organização.

O estado sabe dessa situação desde 2015, ou seja, bem antes da Rio 2016 e tinha duas opções: ou aceitava a mudança de concessionaria que fora acertada pela Odebrecht ou cancela o contrato e faz uma nova licitação. Só que passados dois anos, o governo Pezão protela e nada decide, nem para um lado nem para o outro.

Enquanto isso, a Odebrecht apenas continua administrando o Maracanã por obrigação judicial e não faz a manutenção devida. As fotos tiradas por quem foi a jogo de futebol no estádio, ainda em junho, são assustadoras. Nesse ritmo, todas as obras efetuadas para a Copa do Mundo serão perdidas rapidamente e o Maracanã voltará a ser o local insalubre que era antes.

Se o Maracanã está assim, nem preciso explicar o total abandono em que se encontra o Maracanãzinho, envolvido no mesmo problema. Lá é ainda pior, pois sequer houve um evento após os Jogos Olímpicos por total falta de estrutura.

O Engenhão está sendo bem administrado pelo Botafogo, que está usando o estádio como sua casa, em outro exemplo positivo de legado. Apenas não tenho informações de como está a manutenção da pista de aquecimento do atletismo, que para quem não sabe também é uma pista oficial homologada pela federação internacional.

Em Deodoro, o Parque Radical, que engloba os locais de competição do BMX, do mountain bike e da canoagem slalom está fechado desde dezembro. A nova prefeitura prometeu a reabertura do parque para fevereiro. Depois adiou para março, depois adiou para junho e chegamos em agosto com ele ainda fechado.

O centro de canoagem slalom é um local de difícil transformação em legado, mas Paes havia transformado o local em um grande piscinão público e o local, de baixa renda, lotava todo final de semana. Porém, uma piscina pública grátis custa bastante para ser mantida e nesse ponto voltamos a falta de espaço para novas despesas no orçamento. Resultado: o local está completamente fechado e abandonado.

Há até relatos de ex-funcionários que teriam visto um jacaré no piscinão da canoagem, o que não deixa de ser estranho, porque o local do parque não é muito propício para a vivência desses répteis.

Por mais que eu reconheça a dificuldade de se reabrir o local da canoagem slalom, não consigo conceber o que impede a abertura da pista de BMX, a única oficial de competição no país, e a área da antiga pista de mountain bike. A manutenção desses locais não é cara e seria uma ótima opção de lazer para a sofrida população da região. De qualquer forma, não há como acreditar em qualquer previsão que seja dada neste momento para sua reabertura.

As outras instalações da região de Deodoro estão sob uso das Forças Armadas, mesmo aquelas que estão sob administração da AGLO. O Centro de Hipismo continua sendo o principal centro equestre do Exército e a Arena da Juventude usada para projetos sociais com apoio do exército e competições militares.

As arenas de pentatlo e hóquei na grama são apenas campos cercados com pequena arquibancada e baixo custo de manutenção.

A única instalação que exige maiores recursos e cuidados é o centro de tiro, que atualmente está sendo usado para competições e treinamentos de competições de tiro esportivo, seja militares ou civis. Porém é outra instalação de difícil lucratividade financeira e continuará bastante dependente do dinheiro do Ministério do Esporte e do Exército para ser mantido.

Finalizado, pelo menos as obras de transporte estão sendo extremamente úteis para a cidade. A Transolímpica já foi aberta ao público e hoje nenhum carioca sequer consegue pensar como seria a cidade sem a Transcarioca, a Transolímpica ou o túnel Marcello Alencar, todos bastante usados pelos cariocas todos os dias.

A linha 4 do metrô está funcionando a contento e com quantidade bastante considerável de passageiros, assim como a linha 1 do VLT ajudou bastante a incluir o Aeroporto Santos Dumont e a Rodoviária Novo Rio na malha dos transportes de massa. A linha 2 do VLT, inaugurada meses depois dos Jogos Olímpicos é que ainda não conta com uma quantidade considerável de passageiros, talvez por dividir boa parte de seu percurso com a linha 1 do metrô.

Fazendo uma conclusão muito breve deste longo relatório, a exceção do absurdo do complexo Maracanã/Maracananzinho, para 1 ano após os Jogos Olímpicos, a transformação em modo legado está onde mais ou menos se imaginava que estaria, com a situação um pouco agravada por causa da crise econômica e uma mudança muito complicada de administração na prefeitura do Rio de Janeiro. Esse problema é mais evidenciado no Parque Radical e, agora, no Velódromo. De resto, realmente acredito que o panorama do relatório do ano que vem será bastante satisfatório.

Apenas como comparação, Londres só terminou seu ajuste para o modo legado no fim de 2015, três anos e meio após o fim das competições na capital inglesa.

Imagens: Arquivo Ouro de Tolo

Uma resposta para “Situação do Legado da Rio 2016: Parte II”

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  1. […] colunista Rafael Rafic escreveu segunda e hoje dois artigos sobre o legado olímpico e a atual situação. Não tenho muito a acrescentar; talvez […]


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