Categorizado | Pedro Migão

A (falta de) estrutura do Sambódromo

20170203_173605

No último dia 26 o presidente de honra da Beija Flor Anisio Abraão David deu entrevista ao jornalista de celebridades Leo Dias, do jornal O Dia. Entre declarações até engraçadas, como por exemplo que não usa celular, o dirigente disse palavras bastante interessantes a respeito do Sambódromo:

“Seria viável mudar o sambódromo para a Barra da Tijuca. Só que vai ter que ter uma nova Cidade do Samba agarrada ao sambódromo. É viável, vai dar vida lá. Hoje me dia para chegar ao sambódromo é difícil. Para chegar com as alegorias é dificílimo. Tem que desmontar tudo, levar no caminhão e montar na hora e tamos pouco tempo para isso.” Ele ressaltou ainda, a sua avaliação para o atual espaço na Sapucaí: “Nunca dei nota 10 para o sambódromo. eu daria 7 ou 6. Falta muita coisa: iluminação é ruim, o som é ruim, não é adequado e nem moderno.”

Resumindo o parágrafo anterior, o dirigente disse que a estrutura do Sambódromo está longe do ideal e que consideraria uma mudança para a Barra da Tijuca, desde que os barracões da Cidade do Samba fossem junto.

O Sambódromo, quando foi construído em 1983, até pelo tempo exíguo para sua finalização (110 dias), deixou pendentes diversos aspectos necessários. A grande reforma de 2011, que colocou arquibancadas nos setores pares, manteve a concepção original, que já era inadequada em 1983.

Além disso, houve preocupação em erguer o Sambódromo propriamente dito, mas o entorno da instalação não sofreu praticamente nenhuma intervenção. Nem em 1983, nem em 2011.

Oscar Niemeyer, quando projetou o Sambódromo, disse que nunca tinha visto um desfile de escolas de samba na vida. Muitos sambistas e sambeiros (eu incluído) costumam dizer que tem certeza disso a cada vez que estão na Passarela do Samba.

Arquibancadas de cimento, sem cobertura – algo que existia em alguns setores no tempo do monta e desmonta de arquibancadas tubulares, banheiros acanhados, estrutura zero para desfilantes. Além disso, as condições para a preparação das escolas na concentração possuem uma série de fatores limitantes – o maior deles o viaduto praticamente no início do desfile para as escolas que se concentram do lado da Central do Brasil.

Some-se a isso, como o leitor pode ver nas fotos deste artigo – tiradas na última sexta feira – o Sambódromo hoje é um mar de estruturas temporárias e “puxadinhos”. Frisas – não existentes no projeto oficial – colocadas, camarotes montados entre os setores, arquibancadas “populares” colocadas na área de armação das escolas, grades, grades e mais grades, estruturas de televisão.

Não é exagero dizer que o Sambódromo hoje é algo como 60% permanente e 40% provisório, na base do “monta e desmonta”. Exatamente o mote pelo qual o Sambódromo originalmente foi construído: acabar com estas estruturas provisórias.

Além disso, o entorno da construção é bastante complicado. Ruas estreitas, muitas vezes escuras, com alto índice de criminalidade. Do lado par o Metrô ainda deixa perto, do ímpar se faz necessária uma caminhada considerável – em uma região onde ocorrem muitos furtos. Além disso, o Sambódromo talvez seja o único espaço de entretenimento do mundo que não possui uma única vaga de estacionamento.

E, acredite o leitor, os dias de carnaval são onde a região desfruta de seu maior índice de segurança e estrutura. Trabalho a 500 metros do Sambódromo e o que se vê durante o ano todo são condições bem piores tanto de segurança como de estrutura na região.

Ou seja, os problemas apontados pelo dirigente da Liesa e da Beija Flor não são os únicos a serem considerados. Um bom exemplo é o que escrevo todo ano no “Guia Prático da Sapucaí” (versão 2017 sai semana que vem), sobre a necessidade de se ficar apenas de roupas íntimas na frente de todo mundo ao se trocar de roupa para desfilar. Não há um vestiário preparado para esta função.

Para as escolas, além dos problemas no traslado entre a Cidade do Samba e o Sambódromo, muitas coisas precisam ser finalizadas na avenida devido às limitações de altura e mesmo de largura neste trâmite. O que pode acabar estourando dentro do desfile da escola, em muitas ocasiões.

Colocados os problemas, hora de analisar a solução proposta por Anísio David. Uma mudança para a Barra da Tijuca poderia trazer os benefícios de colocar em um mesmo lugar os barracões e a pista de desfile, o que facilitaria bastante  a preparação das escolas.

Também traria a possibilidade de se ter uma passarela de desfiles com maior estrutura tanto para quem vai assistir como os desfilantes. No mínimo arquibancadas com alguma forma de cobertura, cadeiras em todos os setores e estruturas de alimentação melhores e banheiros idem.

Para desfilantes, algum lugar para se trocar, banheiros definitivos e facilidade maior para chegar e sair. A Barra da Tijuca ainda tem terrenos suficientemente grandes para abrigar uma estrutura deste tamanho composta por barracões dos Grupos Especial e Acesso e a passarela de desfiles propriamente dita.

Como ponto positivo ainda resolveria a questão existente hoje dos barracões extremamente precários das escolas do Grupo de Acesso A. Há promessas reiteradas de uma “Cidade do Samba 2” para estas escolas, mas até hoje estas agremiações sofrem em espaços improvisados e insalubres.

Os pontos negativos seriam basicamente dois: o primeiro é a questão do transporte – somente BRT e ônibus atenderiam – e o segundo é a questão de que o Sambódromo atual está nas proximidades da Praça XI, onde ocorreram os primeiros desfiles das escolas de samba.

Vale lembrar que na Barra da Tijuca um eventual Sambódromo poderia contar com um espaço de estacionamento, inexistente hoje. O atual conta com Metrô e trem, mas para chegar perto mesmo dos acessos, somente nos táxis especiais, que cobram uma fortuna. O BRT mais eventuais carros poderia atender até melhor uma estrutura na Barra da Tijuca que a atual.

Também teria a vantagem de estar menos influenciado pelo trânsito de saída do Rio para o feriado de carnaval, especialmente na sexta e no sábado. Hoje as primeiras escolas de sexta sofrem com esta questão, porque a chegada à Sapucaí se torna extremamente complicada para as primeiras duas ou três escolas de sexta feira.

Ou seja, uma eventual mudança de lugar do Sambódromo, em tese, poderia resolver muitos dos problemas existentes atualmente. Porque o atual, em minha opinião, só poderia ter seus problemas resolvidos sendo derrubado e se fazendo um novo – e combinado com extensas intervenções no entorno a fim de melhorar os problemas de infraestrutura atual.

Mas, na real, a chance de isso acontecer hoje é abaixo de zero, ainda mais se levando em conta o atual comando da Prefeitura carioca. O Sambódromo atual não deve receber quaisquer tipos de melhorias e tende a ter suas condições deterioradas nos próximos anos. Vai piorar.

As escolas de samba e o carnaval não são prioridades para o poder público atual e pensar em um novo espaço ou mesmo em melhorias no atual é absolutamente delirante. Para as escolas do Acesso, também não há perspectiva nenhuma de estarem em barracões dignos nos próximos anos.

Ou seja, temos todos nós de nos conformar com as condições atuais, longe do ideal.

Imagens: Ouro de Tolo

70 Respostas para “A (falta de) estrutura do Sambódromo”

  1. Rafael Rafic disse:

    Deixo aqui a minha discordância quanto a opinião do Migão nesta coluna. Hoje, não há condições de se ter um Sambódromo na Barra da Tijuca justamente por causa da questão de transportes.

    É delirante pensar que o BRT em conjunto com um estacionamento para carros dê uma estrutura melhor que o metrô e o trem.

    Quantos desfilantes e espectadores teriam carro próprio para se locomover para regiões distantes da cidade? Vamos supor que sejam 10mil, um número que já acredito que seja super estimado. Onde se achará um terreno que comporte 10mil vagas, mais sambódromo mais cidade do samba? Nem na Barra.

    Ainda sim, supondo que se ache o terreno. Quantas pessoas precisarão usar o BRT para chegar a Sapucaí? Algo, próximo a marca dos 70 mil.

    De onde tirei esse número? A capacidade atual do Sambodromo é de 72mil pessoas e cada dia de desfiles tem 6 escolas com, em média 3000 componentes. 72 + 6 x 3 = 90. Como sabemos que há pessoas que desfilam em mais de uma escola e outras muitas também são espectadoras, tiremos 10 mil pessoas desse cálculo para retirar as redundâncias. 90 menos os 10 da redundância menos os 10 de carro dão ainda 70 mil pessoas. Não é pouco para um mero sistema de BRT.

    Hoje com direito a metrô e trem, sistemas de capacidade bem maior, os dois já ficam cheios no período dos desfiles, imagina apenas com BRTs.

    Ainda tem um outro detalhe que o Migão não está levando em consideração, muitas dessas pessoas que se deslocarão terão que levar sacos gigantescos de fantasia que ocupam um espaço enorme nos transportes públicos.

    NO metrô e no trem, entre as portas e cadeiras das laterais, há um enorme vão central vazio que ajudam as pessoas a se ajeitarem com esses sacos. Alias, tanto o metrô como o trem não ficam tão cheio de pessoas durante o carnaval, o que lota o vagão mesmo são os espaços ocupados por esses sacos enormes de fantasia.

    Já no BRT, o espaço entre as cadeiras da lateral mal cabem duas pessoas sem bolsa, quanto mais um “saco de papai noel” com fantasia. Agora, imaginem 10 sacos de fantasia no mesmo ônibus? simplesmente ninguém mais consegue circular no ônibus. Invarialmente, isso reduzirá bastante a capacidade de transporte de pessoas por cada um desses ônibus, talvez em patamares próximos a 50%. Ou seja, não adianta usar o “padrão olímpico” ou o padrão “Rock in Rio” dos BRTs para o carnaval porque as demandas são completamente diferentes. No carnaval há uma carga extra não-humana, que esses outros dois eventos nem imaginam considerar.

    Isso sem contar que o sacolejar e as curvas bruscas do BRT aumentam consideravelmente o risco de quebra de fantasia, especialmente para aquelas que ficarem perto do ponto de articulação do ônibus.

    Agora imaginem uma escola perdendo ponto porque as fantasias quebraram no BRT vindo para o samdódromo na Barra…

    Por fim, devo ressaltar que NENHUMA escola do Especial chega sequer a ficar perto da Barra da Tijuca. As mais próximas são a Portela e a Mocidade, distante uns 25km.

    E nem falo das escolas de Niterói, distantes 50km da Barra da Tijuca e sem contar com o trem que a Mocidade, distante “apenas” 40km do atual Sambódromo, possui hoje.

  2. Eu discordo. Como alguém (no caso, eu) vai se deslocar de São Gonçalo para ir num Sambódromo na Barra da Tijuca? Não há logística suficiente, além do transporte ser ineficiente e caro. Me sinto satisfeito com o que temos, apesar das falhas.

    • Pedro Migão disse:

      Rafic e Carlos,

      Utilizei a Barra da Tijuca como um exemplo porque foi o citado pelo presidente de honra da Beija Flor, mas poderia ser outro semelhante. Pessoalmente prefiro ter só essa questão de transporte pra resolver que as inúmeras improvisações e jeitinhos que temos hoje.

      Mas, como afirmei no texto, um novo Sambódromo hoje não passa de exercício teórico. Abraços

  3. Marcos Monteiro disse:

    uma vez num grupo de discussão falei sobre a necessidade de sentar em cadeiras ao invés de cimento e me chamaram de elitista.

  4. Se o desfile de escolas de samba for para a Barra da Tijuca, adeus carnaval carioca. Pronto… podem me apedrejar!

  5. Ladislau Almeida disse:

    Prezados amigos do blog. Conheci este blog no final de 2015 e de lá sempre acompanho boas matérias e opiniões. Gostei muito desse artigo Migão, parabéns.

    Nunca tive a honra (ainda) de assistir um desfile na Sapucaí, mas já visitei em meio de ano e pude ver que de fato, ela foi construída sem o “pensamento futuro”, de como estaria o entorno e a grandeza do carnaval depois de décadas.

    Sinceramente eu até imaginava que a estrutura era melhor. Mas me parece que um bom paralelo para a passarela do samba é um aeroporto (como Congonhas ou Santos Dumont) no meio de uma cidade. Cidade essa que cresceu, evoluiu e inchou ao redor e o sambódromo não.

    Mas se me permitem relatar, esse problema não é exclusividade do Rio de Janeiro. Moro em São Paulo e hoje sou Diretor de Harmonia da Unidos de Vila Maria. Aqui vejo a precariedade do Anhembi, apesar de ter uma oferta maior de estacionamento. Se bem que a Liga nos ensaios técnicos disponibilizou a área da dispersão e isso causa um tumulto, com componente acabando o ensaio e carros querendo sair. Nos dias de ensaio técnicos a confusão para acessar este estacionamento ou de um hotel ao lado, é imensa.

    No último sabado (04/02) tive alguns componentes de alas que não conseguiram entrar na concentração a tempo por conta de atraso na hora de estacionar. A oferta de ônibus é insuficiente e até temos metro próximo (fica no famoso Terminal Tietê).

    Nem vou citar a estrutura de banheiros, local para se arrumar e outros equipamentos. Infelizmente o que vejo é que essa festa tão popular e que movimenta altas cifras, ainda são geridas com amadorismo e descaso. Torço para o dia que ambas as passarelas (e de todo o Brasil) recebam apenas elogios e que sejam lugares que possamos frequentar com tranquilidade e facilidades.

    Valeu amigos,

    Abraços!

    • Pedro Migão disse:

      O curioso é que a visão que a gente tem aqui no Rio é de que o Anhembi tem mais estrutura, em especial para as concentrações das escolas. Pelo visto não é assim.

      • Ladislau Almeida disse:

        Migão, a situação aqui pode até em alguns aspectos ser um pouquinho melhor, mas não são as ideais ao meu ver.

        A concentração aqui tem aproximadamente 11.500 m² (o campo do Maracanã tem 7.140 m²) e lá fica cada uma das cinco alegorias, tripés, quadripés das sete escolas que desfilam no dia (com a primeira ficando mais próximo da faixa amarela, a segunda do outro lado e assim vai), mais ainda os componentes da escola que vai entrar. Existe a pré-concentração numa área anterior do complexo, onde a escola é montada ali e caminha para a concentração.

        • Pedro Migão disse:

          Pelo seu relato, as condições para armação/concentração das escolas (não conheço o Anhembi) são bem superiores ao Sambódromo aqui do Rio. Só de não ter de montar alegoria na entrada da pista por conta de viaduto…

          • Ladislau Almeida disse:

            Migão, em relação a armação/concentração as condições devem ser melhores, pois não tem viaduto/ponte para passar e as sete escolas da primeira noite já conseguem montar na própria concentração. As outras sete ficam em um terreno ao lado e no sabado vão para a concentração (as escolas da sexta ao desfilarem ocupam este terreno).

            Na dispersão, os componentes vão para o lado esquerdo (Marginal Tietê) onde os ônibus que trouxeram eles estão parados, eles entram e voltam para a quadra. As alegorias vão para o lado direito, atravessa a Avenida Olavo Fontoura e acessam o terreno citado acima.

          • Pedro Migão disse:

            Quem tem ingresso consegue voltar por dentro do Sambódromo depois de desfilar?

          • Ladislau Almeida disse:

            Migão,

            Voce que queria ver a logistica da ida da Fábrica do Samba para o Anhembi. Não é da minha Unidos de Vila Maria e sim da Dragões da Real que também está na Fábrica.

            Perceba mais no fim do vídeo a chegada no Anhembi e o manejamento no terreno ao lado.

            https://www.youtube.com/watch?v=UiKaEJtdcsE

          • Pedro Migão disse:

            Valeu pela dica. Aqui o YT é bloqueado mas verei em casa

        • Luis Fernando disse:

          Também não sabia desses problemas estruturais do Anhembi Ladislau, como o Pedro disse, a impressão que temos aqui do Rio é de que é bem mais adequado do que o Sambódromo. Adoro o “estacionamento” que as escolas têm na concentração e na dispersão para as alegorias, acho que deve facilitar muito a vida delas essa facilidade, pena ficarem expostos a chuva na concentração durante pelo menos uns dois dias…

          • Pedro Migão disse:

            Não sei se já está pronta, mas estava em construção a Cidade do Samba paulista ao lado do Anhembi

          • Ladislau Almeida disse:

            Luis Fernando, esses “estacionamento” de fato ajuda nos retoques finais, mas as alegorias ficam expostas mesmo.

            Migão, a Fábrica do Samba foi “inaugurada” no ano passado (depois de anos de atraso). Ela fica a 1.3 km do Sambódromo (aproximadamente 20 minutos levando a alegoria até lá) e o único “obstáculo” é que as escolas tem apenas que atravessar uma ponte sobre o Rio Tietê.

            Hoje apenas Dragões da Real, Tom Maior, Gaviões da Fiel, Acadêmicos do Tatuapé, Acadêmicos do Tucuruvi, Nenê de Vila Matilde e Unidos de Vila Maria ocupam o espaço. Foi acordado entre todas as 14 escolas que elas, como tinham infraestrutura pior dentre todas, começariam a usar. A previsão é liberar tudo este ano.

          • Pedro Migão disse:

            Peraí… as alegorias tem que atravessar uma ponte? Queria até ver imagens, porque deve ser um desafio e tanto de logística

  6. Carlos disse:

    Quem e de Sâo Gonçalo e Niteroi que fique por la´.

  7. Luis Fernando disse:

    Concordo com os pontos citados em seu texto Pedro, o sambódromo e seu entorno precisam de melhorias pra ontem. Como é Carnaval, e amamos muito esse negócio de desfile de escolas de samba, acabamos relevando, mas é tudo muito complicado. A chegada não é tão ruim (vou sempre de setor par), mas a saída é bastante tumultuada, pois a estação Praça Onze não tem estrutura para receber tanta gente ao mesmo tempo. As condições na arquibancada então, são péssimas, São Januário, por exemplo, estádio com quase 90 anos, e bem humilde em vários pontos, tem uma arquibancada um pouco melhor. Apertada demais, sem cobertura, sem espaço para a passagem (ir ao banheiro é um esforço digno de prova do BBB) e suja, muito suja. Isso pq ainda tenho a impressão, pelo menos na segunda-feira do último Carnaval, de que não é vendida a quantidade exata de ingressos, ou muita gente entra no jeitinho, sei lá, mas notei que a arquibancada estava lotada, vários turistas indo embora depois da terceira, quarta escola, e vários outros chegando! E se esse povo todo estivesse lá ao mesmo tempo?

    Porém, discordo completamente da mudança para a Barra, aí concordo com os amigos que seria o início do fim, e a questão do transporte também seria delicadíssima, sem contar o peso histórico. O ideal nunca acontecerá, que é botar abaixo e fazer outro sambódromo, com várias mudanças também no entorno.

    Uma ideia que achei interessante é de se tentar construir um novo ali na região portuária, perto da Cidade do Samba, além de ser uma região histórica e recentemente “redescoberta” pelas pessoas, facilitaria a logística das escolas e a questão do transporte seria mais simples de ser resolvida do que na Barra. Posso estar falando besteira, Pedro, por não conhecer mais a fundo a região, mas de início parece razoável sim… Mas concordo que no final vai ficar tudo assim mesmo, pelo menos nos próximos quatro anos…

    • Pedro Migão disse:

      Problema da Região Portuária é que com as obras para as Olimpíadas aquela região se valorizou muito.

      Você ainda chamou a atenção para outro ponto, que é a superlotação de alguns setores de arquibancadas. Chega a ser quase um milagre nunca ter havido um tumulto com empurra empurra e gente pisoteada e até morta. Lembrando que são duas saídas apenas dos setores – e estreitas.

      • Luis Fernando disse:

        Sim, temo bastante que isso aconteça um dia. Não sei se procede a informação de briga no setor 8 durante os ensaios técnicos de domingo, mas imagina algo assim, com uma proporção um pouco maior, num dia de desfile? Seria uma tragédia. Impressionante como o poder público e a Liesa dão de ombros para isso.

        • Pedro Migão disse:

          À época da tragédia na Boate Kiss escrevi artigo onde abordei estas questões: http://www.pedromigao.com.br/ourodetolo/2013/01/o-incendio-em-santa-maria-e-algumas-licoes-a-se-aprender/

        • Ladislau Almeida disse:

          Desculpem a pergunta parecer “estúpida” e de fato pode ser…Mas como entra mais gente do que a capacidade? Sei que rola o tal jeitinho, mas a Liesa ou Riotur nunca se atentaram que isso pode causar um sério problema.

          • Pedro Migão disse:

            Esse é um grande mistério. Oficialmente são 2,9 mil ingressos à venda para as arquibancadas dos setores ímpares e um pouco menos nos pares. Há uns dois anos colocaram cordas para que as pessoas não ficassem em áreas de passagem, mas ano passado não havia isso.

          • Luis Fernando disse:

            Não sei se vendem acima da capacidade, se é no jeitinho, ou a famosa carteirada, mas que excede a capacidade, excede. Provavelmente eles têm noção do que pode acontecer, mas como nunca aconteceu, vão empurrando com a barriga. E Pedro, realmente no setor em que fiquei não tinham cordas, a área para achar a saída estava totalmente ocupada. Notei as cordas no setor 5, em frente, mas já no Salgueiro eram mero enfeite, ninguém respeitava.Além de, graças a Deus, nunca ter tido nenhuma confusão, o que também ajuda é o fato dos turistas estrangeiros quase nunca chegarem na primeira escola e irem embora cedo, fazendo com que haja um “revezamento”. Na superlotada segunda-feira, a grande maioria chegou durante o Salgueiro e saiu depois da Portela, só ficou até o final do desfile da Mangueira os que chegaram durante a Portela, alguns só chegaram no desfile da Imperatriz!

          • Pedro Migão disse:

            Teve gente chegando só no desfile da Imperatriz? Que coisa

            Uma coisa que me irrita muito, aproveitando o ensejo, é gente pagar uma fortuna em frisa fila A e não estar nem aí pro desfile. E ainda ficar atrapalhando as fotos de quem está nas filas B e C.

          • Luis Fernando disse:

            Deve ser irritante mesmo Pedro, também não consigo entender. Claro que o valor pago numa arquibancada não se equivale ao de uma frisa, ainda assim, está longe de ser barato, e o que mais vejo, além desses que chegam tarde e/ou vão embora bem cedo, são os de comportamento parecido com o citado por você. No último Carnaval, num grupo de adolescentes aparentemente daqui do Rio mesmo, que pouco se importavam com os desfiles, até marijuana rolou…

          • Pedro Migão disse:

            Ano passado um grupo comprou uma frisa perto de onde a gente estava só pra colocar os comes e bebes que tinham levado. Vinho branco importado, champagne francesa e tudo rs

  8. Laura disse:

    Migão, fugindo um pouco do tema, ano passado estive pela primeira vez no desfile das escolas de samba do Rio (super utilizei seu guia prático rsrs)e esse ano estarei aí novamente torcendo pela nossa Portela. O fato é fiquei no setor 10 e de lá não foi possível ouvir o samba exaltação, que cá pra nós é um dos momentos de maior emoção do desfile na minha opnião. É assim mesmo? O som só é transmitido para todos os setores quando o relógio começa a contar? Não entendi e confesso que isso me frustrou um pouquinho.

    • Pedro Migão disse:

      Teoricamente o sistema de som da Sapucaí deveria estar ligado para toda a passarela cinco minutos para o disparo do cronômetro, mas na prática à exceção da Beija Flor (não sei o porquê) só quando o cronômetro zera. Aliás, este é um dos motivos pelos quais eu “moro” no Setor 3 durante o carnaval.

      Aliás, a versão 2017 do guia sai semana que vem.

      • Laura disse:

        Obrigada pela informação, mas puxa vida hein! Pra gente que é de fora do Rio já é uma luta conseguir comprar o ingresso pelo call center da Liesa, quando finalmente somos atendidos já acabaram os ingressos dos melhores setores (que são mais caros por sinal). Pode ter certeza que semana que vem estarei tirando mais um monte de dúvidas com você, já tô fazendo minha listinha rsrs.

        • Pedro Migão disse:

          Pode já colocar aqui algumas dúvidas que, tendo a resposta, já incorporo no artigo

          • Aliás, Migão, uma sugestão: deixe a seção do “procedimentos para o desfile! em uma seção fixa no site, de preferência com link na capa!!

            Pode até fazer com uma lista dos hotéis, pousadas e pensões em volta; telefones úteis… se quiser ajuda para isso, estou disponível, seja com arte gráfica, desenhos…

            E o Dahi (ou o Malta) poderiam fazer um guia sobre São Paulo. Seria interessante!!!

          • Pedro Migão disse:

            É algo que podemos pensar para 2018

  9. Fábio Freitas disse:

    Sou contra a ida do desfile para a Barra por ser muito distante de cidades da Baixada e do outro lado da ponte. Mas a estrutura do Sambódromo é realmente muito ruim.

  10. Jader disse:

    Migão, sei que você já esclareceu que Barra foi apenas um exemplo. Mas vou me juntar ao coro só para ficar registrado que o protesto é geral (rs): Barra não!
    Pela questão do transporte e porque o sambódromo ser no coração da cidade é muito potente, a gente não pode abrir mão disso. Temos que brigar para melhoria geral ali, acho até razoável a ideia de erguer uma nova estrutura na zona portuária (que também está no centro da cidade e próximo aos locais históricos do samba e da negritude), mas sem abrir mão de todas as facilidades (de transporte sobretudo) e toda carga simbólica de estamos ali.

    • Pedro Migão disse:

      Aí é que está, Jader: eu não acho tão fácil assim a questão do transporte, especialmente para quem se dirige aos setores ímpares. Pode melhorar muito

      • Jader disse:

        Eu acho que hoje não existe lugar melhor que o centro da cidade para essa questão do transporte. Não estou falando do trajeto, especificamente, entre a saída do metrô e a entrada do setor 11, por exemplo. Mas o entorno do sambódromo tem todos os modais, transporte de alta capacidade etc. Falta é ajustar o caminho.

  11. Ladislau Almeida disse:

    Migão, apesar da demora, respondendo suas perguntas:

    “Quem tem ingresso consegue voltar por dentro do Sambódromo depois de desfilar?”

    Consegue, mas não consegue por dentro. A passarela segue paralela com a Marginal Tietê e Av. Olavo Fontoura e existe arquibancadas em cada um dos lados. Ele sai e volta por uma das avenidas e acessa o portão respectivo.

    “Peraí… as alegorias tem que atravessar uma ponte? Queria até ver imagens, porque deve ser um desafio e tanto de logística.”

    Como diretor de harmonia terei que acompanhar a ida até o Anhembi e posso tirar fotos. A “ponte” que eu falei na verdade é um viaduto que tem 18 m de largura (a largura da passarela é de 12m) e passa tranquilo. E as escolas até possuem “know-how” devido a anos de deslocamento…rsrs

    Aproveitando o ensejo, se possível gostaria de divulgar um mapa que fiz com a localização de todas as escolas de São Paulo:

    https://www.google.com/maps/d/edit?hl=pt-BR&authuser=0&mid=1cexUcRFDvt3anJtZn2RVQMTPcfo&ll=-23.49633001176678%2C-46.70996593493351&z=12

    Tenho também do Rio de Janeiro, Porto Alegre e Florianópolis.

    Abraços!

    • Pedro Migão disse:

      Ou seja, a volta do desfilante ao seu lugar nas arquibancadas e cadeiras deve demorar bem mais que aqui no Rio.

      Sobre alegorias, viadutos e pontes, qualquer hora conto aqui a história hilária do transporte das alegorias da Portela pra Sapucaí em 2014.

      • Ladislau Almeida disse:

        Demora um pouco. Mas ai se o cara desfilar no primeiro setor da escola e comprar ingresso na arquibancada que fica ali no final da passarela, ele volta e até consegue pegar o inicio da escola seguinte…agora se vier no ultimo setor e arquibancada na concentração, aí perde pelo menos uma.

        Fiquei curioso dessa história da Portela…rsrs

  12. Discussão fantástica. Tanto no Rio quanto em São Paulo (sim, o Anhembi é um desperdício de espaço tremendo).

    Já que é pra gente “viajar” um pouco e tratar de locais mais apropriados (e não levando-se em conta que o terreno era pra ter o autódromo até hoje), o que acham de Jacarepaguá??

    Creio ter espaço para barracões do Especial, A e B, estacionamentos-prédios para 15 mil pessoas e espaço mais que suficientes para construir arquibancadas decentes, banheiros decentes, vestiários decentes e as escolas armarem um esquema que não faça o desfilante ter que levar a fantasia pra casa antes do desfile: retira na hora. Afinal, como o Sambódromo ficaria do lado, sem problemas.

    Sim, é só uma viagem. Mas se é pra bolar uma solução… até porque, como dito acima, para modernizar a Sapucaí, haja dinheiro para desapropriações.

  13. Cauã disse:

    Acompanho o blog há um tempo, sou um apaixonado por carnaval e ao ler esse texto me surpreendi ao ver o quanto a falta de estrutura e logística afeta essa grande festa. Moro em Macapá e aqui também há desfile de escolas de samba. Há alguns anos foi inaugurado uma cidade do samba aqui também para abrigar as 10 escolas que desfilam no carnaval daqui (estas divididas entre grupo especial e grupo de acesso). Como primeira parte do projeto foram entregues cinco barracões para ser ocupado por duas escolas, e a garantia é de que que logo os outros cinco sejam entregues para cada escola ter o seu próprio barracão. A cidade do samba fica localizada bem próxima ao sambódromo, na mesma rua e os carros precisam apenas manobrar as alegorias e colocar na pista até já se preparando para entrar pro desfile. O sambódromo hoje conta com um estacionamento que apesar de não tão grande comporta uma boa quantidade de veículos e em termos de estruturas montadas apenas arquibancadas na concentração e ao longo da passarela, mas nada que vá atrapalhar a evolução e preparação das escolas. Desfilei por dois anos em uma escola daqui e na noite do desfile o próprio barracão da escola nos foi oferecido para que pudéssemos nos preparar. Creio que se isso ocorresse também no Rio seria um grande avanço e abrilhantaria mais esta festa. Claro que não é fácil e dificilmente um novo sambódromo que desse melhor espaço para ocorrer a festa não é algo fácil e seja um sonho distante. Mas não custa sonhar, né? Apenas quis compartilhar um pouco da pequena experiência que tenho com o carnaval do meu Estado.

  14. Marcus disse:

    Conhecendo os dois sambódromos posso dizer que a estrutura do Anhembi, ainda que mal utilizada, é realmente melhor do que a da Sapucaí. Como citado pelo Ladislau, há a “pré-concentração” que na verdade é o Pavilhão de Exposições que acaba virando estacionamento e vestiário para os desfilantes. Mas faltam coisas básicas como um guarda-volume, por exemplo. Quem quer desfilar e retornar à arquibancada com seus pertences tem que fazer um planejamento olímpico. O fato de poder retornar por dentro na Sapucaí é uma grande vantagem não só para o desfilante mas também para o público em geral que pode acessar vários serviços. No Anhembi para passar de um setor para o outro só comprando outro ingresso.

  15. Fernanda disse:

    Diante da atual situação econômica do estado, acho meio surrueal a proposta de transferência da estrutura do carnaval para a Barra da Tijuca. Proposta que pra mim só beneficiaria as grandes empreiteiras e não aqueles que fazem ou curtem o carnaval. Penso que o que poderia ser feito de fato é: melhorar a iluminação e o policiamento; trocar aquela passarela temporária e insegura que fica entre a Central do Brasil e o Balança mais não cai por uma construção permanente; aumentar o número de banheiros e melhorá-los; construir um novo espaço para acomodar a imprensa (que ficou prejudicada por conta da expansão do número de ingressos); ampliar a área de dispersão da Frei Caneca, utilizando aquela área que hoje é ocupada por barracões de escolas e bares, transferindo-as para a cidade do samba 2, construída ali mesmo na área portuária. No mais, é normatizar e fiscalizar a construção dos carros alegóricos, impondo limites de altura e normas de segurança para os carros. Se não, daqui a pouco, terão que derrubar até o viaduto Trinta e um de março e os arcos da Apoteosoe pra elas passarem…

Trackbacks/Pingbacks

  1. […] ser ponderados: o primeiro é a dificuldade de acesso e manobra à pista em um problema como esse, dada a falta de estrutura da instalação. Talvez facilitasse o socorro aos […]

  2. […] Num brilhante artigo, o Migão também explorou outro bom debate, a localização e infraestrutura d…. Particularmente, tenho ressalvas a tirar o espetáculo de seu berço, o Centro, a Praça Onze. Para onde levaríamos a festa? Para que região da cidade? Sambódromo na Barra, Campo Grande, Baixada, Vargem Grande. Não cola pra mim. Para mudar, tem que ser ali pela mesma área. Mas, onde? […]

  3. […] Escrevi artigo no pré carnaval, bastante comentado inclusive, elencando os problemas de estrutura do Sambódromo e apontando algumas sugestões de mudanças a fim de que houvesse melhoria da estrutura no existente ou, ainda, soluções como a derrubada ou a troca para outra localização. […]


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Visitas

Facebook