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“…em Paquetá tem flores, ilha dos meus amores…” São versos do samba enredo “Rio, Samba, Amor e Tradição”, o último composto pela dupla João Nogueira e Paulo César Nogueira para o Condor do Campinho, já no Grupo 1, em 1989.

Quase trinta anos depois e… a capital do samba voltou a ser Madureira. Exceção feita à própria Tradição, que bateu na trave no Grupo B. Portela e Império, juntos, comemorando em êxtase pelas ruas do bairro. Em iniciativa tão inédita quanto generosa, o presidente da Azul e Branco, Luis Carlos Magalhães, convidou alguns integrantes da vizinha e antiga rival para desfilar na Sapucaí com o contingente portelense no sábado das Campeãs (que, infelizmente, alijou a vencedora do Acesso faz alguns anos).

Foi um desfecho lindo para um ano trágico. Que deixa – ou deveria deixar – muitas lições.

A começar pela urgente necessidade de repensar alguns aspectos da festa. Notadamente as dimensões e a importância dadas às alegorias. Muitos de nós, amantes das escolas de samba, já opinamos há muito tempo que o quesito Alegorias e Adereços ganhou peso excessivo. E a culpa é geral. Jurados não premiam agremiações com carros bem acabados mas pequenos (aconteceu com a Rosa na São Clemente). Preferem trambolhos enormes, ainda que semi-prontos. A mídia valoriza demais o gigantismo ao, muitas vezes, chamar mais atenção para alegorias que para bateria ou samba-enredo. A Liesa, ao não punir as escolas que, claramente, tiveram erros de concepção e projeto, passa a mão na cabeça de quem só se preocupou com o aspecto visual em detrimento do humano.

Num brilhante artigo, o Migão também explorou outro bom debate, a localização e infraestrutura do sambódromo. Particularmente, tenho ressalvas a tirar o espetáculo de seu berço, o Centro, a Praça Onze. Para onde levaríamos a festa? Para que região da cidade? Sambódromo na Barra, Campo Grande, Baixada, Vargem Grande. Não cola pra mim. Para mudar, tem que ser ali pela mesma área. Mas, onde?

Agora, em relação à infraestrutura, ao acesso do público, às condições de concentração e dispersão há muita defasagem e amadorismo. O mesmo se aplica aos procedimentos de confecção dos carros alegóricos. O que as escolas recebem de subvenção, aplicam no que vai em cima. Nas esculturas, decoração, iluminação, destaques. Quem, de fato, se preocupa com freios, embreagem, ferragem, óleo, solda, eixos, rodas, parafusos? Além do que, tudo isso custa bem caro. Que tal diminuirmos um pouco o tamanho dessas alegorias? Será que o prejuízo visual seria tão impactante? Que tal se não fosse apenas um engenheiro a assinar liberação de vistoria para nove escolas do Especial e uma da Série A? Nada mais brasileiro que arranjar um cadeado para um portão que já foi arrombado…

Esperamos que, já para o ano que vem, providências tenham sido tomadas.

Enfim, o lado bom… um julgamento quase sem contestações. Digo quase porque o não rebaixamento foi condenável. E segue o peso da bandeira em muitas outras notas também. De qualquer maneira, as seis que voltaram para as Campeãs refletem bem o que se viu na pista. Ainda acho que a Imperatriz poderia beliscar a vaga que ficou com Grande Rio ou Beija-Flor. Porém, ficou em sétimo e não considero absurdo. A União da Ilha brigaria por uma vaga não fossem os problemas com… a entrada de uma alegoria… sempre elas.

Ao meu ver a Mangueira fez o melhor desfile do ano. Só não poderia vencer com tamanho problema de evolução. O Salgueiro não aconteceu, ainda que belíssimo. A Mocidade deu enorme salto de qualidade e quase repetiu a Manga, que pulou da décima posição para o título. Foi vice com um belo desfile. Achei justas as notas de enredo, que determinaram a derrota com gosto de vitória. Sobrou Alá e faltou Xangô no desenvolvimento. E a Portela foi técnica e emoção em doses equilibradas. Nem acho que foi o melhor conjunto alegórico, a comissão de frente deixou um pouco a desejar e a própria escola fez, na minha opinião, desfile mais arrebatador em 2016. E daí?

No comparativo, ficou em boas mãos o campeonato. Com o conjunto que teve excelente bateria, lindo samba, enredo que, mesmo autorreferente como quase sempre, passou o recado, harmonia e evolução impecáveis. E, além de tudo, uma vitória que representou um desafogo, o retorno de uma gigante. Mangueira e Portela campeãs em sequência. É algo para ser muito comemorado por quem ama o samba.

Na Série A, a fatalidade se abateu sobre a Unidos de Padre Miguel. Mesmo com muita pena pelo que aconteceu com a Jéssica, a minha opinião é a mesma em relação àquela que dei sobre a Mangueira. Não poderia vencer com tamanho impacto em dois quesitos (pelo menos), o de Mestre-Sala e Porta-Bandeira e Evolução. A escola de Padre Miguel ficou bastante tempo parada na avenida à espera da chegada da Cínthia, a segunda condutora do pavilhão.

Das escolas que poderiam faturar venceu a que teve mais equilíbrio nos quesitos. O Império Serrano gabaritou bateria, samba, enredo e harmonia. As baterias de Estácio e Viradouro foram muito bem. Ambas as escolas também passaram cantando o tempo todo. No entanto, os sambas não estavam à altura do hino imperiano. E no desenvolvimento dos enredos, a meu ver, houve alguns pecados. O infantil da Viradouro pela falta de elementos inovadores. O de Gonzaguinha numa parte um tanto confusa ao relacionar o pai, Gonzagão, com a ditadura militar.

As duas Vermelho e Branco também foram penalizadas em evolução. Não vi nada desabonador no quesito. Só tive uma leve impressão de que a turma de Niterói deu uma acelerada. O rebaixamento da Curicica foi inquestionável. O sexto lugar da Rocinha, um belo presente para a escola que mais cresceu de um ano pro outro. Poderia até ter ficado em quinto. Inocentes poderia subir um ou dois degraus. E a Sossego descer um ou dois, assim como o Cubango. No mais, nenhum absurdo. No ano de tantos outros absurdos, melhor assim.

10 Replies to “E a capital do samba ainda é Madureira…”

  1. O Grande absurdo desse carnaval,foram as notas dadas para Unidos da Tijuca,uma completa desmoralização do juri.Não ter rebaixamento ,foi a grande sacada da Liesa,que já sabia ,que a Tijuca não seria rebaixada,mesmo com pelo menos 5 quesitos,totalmente comprometidos.Se tivesse rebaixamento,isso iria ferir mais a todos,mais como não teve,já caiu no esquecimento,e o pior de tudo,que tem pessoas da imprensa,elogiando a notas dadas para essa escola.

    1. 9.9 com um carro desabado em Alegorias foi puxado. Pra dar 9.5 precisa o quê, um atentado das Torres Gêmeas em um dos carros?

  2. Eu colocaria a São Clemente nas campeãs, em quinto. No mais achei que a Mangueira seria vice.

    De qualquer forma, ver a Portela campeã foi sensacional, até pra mim, torcedor da Mocidade!!!

  3. Deixem que eu me corrija em dois pontos. Cássia – e não Cinthia – é a segunda porta-bandeira da UPM. E o Império teve um 9,9 em samba enredo. Gabaritou no sentido de levar os 30 pontos válidos. Sobre as notas dadas à Tijuca, concordo. E por isso falei em peso da bandeira. Uma jurada de evolução deu 9,9 a uma escola que ficou meia hora parada na pista. Realmente…Sobre a São Clemente eu não acho que merecesse voltar no Sábado das Campeãs. Não este ano. Desfile voltou a ser de uma escola satisfeita com a permanência. E só. Ao meu ver, ficou em posição correta. No geral, só foi melhor mesmo que Vila, Tijuca e Tuiuti.

  4. Um adendo regulamentando os tamanhos dos carros alegóricos poderia ser a solução.
    Tal qual nos carros de fórmula 1.

  5. Super Escolas SA.
    Império já avisara sobre tudo isso lá em 1982. Muito gigantismo. Muito luxo. Esconderam o sambista. Que covardia.

    “Super Escolas de Samba S/A
    Super-alegorias
    Escondendo gente bamba
    Que covardia!”

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