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Ontem comecei aqui a analisar os sambas-enredo do Grupo Especial do Rio de Janeiro para o Carnaval de 2017. Falei sobre as seis obras que passarão pela Sapucaí no desfile de domingo, de modo que hoje falarei sobre os sambas do desfile de segunda-feira. Lembro mais uma vez que o meu padrão é a gravação do CD oficial.

Se você não leu o texto de ontem, fica aqui a explicação para o modo como faço essas análises. Adoto aqui os padrões adotados pela Liesa em seu Manual do Julgador: as notas vão de 9,0 a 10,0, fracionadas em décimos (9,0, 9,1, 9,2, 9,3, etc), sendo divididas em dois subquesitos: letra do samba e melodia, sendo ambos com notas de 4,5 a 5,0. Em letra do samba, avalia-se a adequação ao enredo, a riqueza poética, ou seja, a beleza e o bom gosto, e também a adaptação à melodia. Nesta, por sua vez, são levados em conta o ritmo do samba, a beleza e o bom gosto dos desenhos musicais e a capacidade de adaptação ao canto do componente.

Obviamente, não tenho a pretensão de ser jurado, nem tampouco de antecipar o julgamento oficial, uma vez que na Avenida algumas virtudes ocultas aparecem e outros defeitos que passaram batidos se tornam explícitos. Acho apenas que esse é o método mais justo de fazer uma análise já que, noves fora a relevância cultural e artística do samba-enredo, ele é feito a partir desses critérios estabelecidos pelo julgamento oficial.

União da Ilha do Governador: “Nzara Ndembu – Glória ao Senhor Tempo”

Compositores: Marinho, Lobo Júnior, Felipe Mussili, Beto Mascarenhas, Dr. Robson, Rony Sena, Marcelão da Ilha, M.M. e Gusttavo Clarão.

Intérprete: Ito Melodia.

Pela primeira vez desde 1998 a União da Ilha veste a camisa dos enredos afro. E um enredo afro bastante ousado, uma vez que não tem origens iorubas, como é habitual no Carnaval, mas sim bantu. O resultado foi uma sinopse até certo ponto assustadora, confusa, bastante pesada, mas que, ainda assim, gerou um dos três melhores sambas do disco. Com uma melodia espetacular, que incorpora a famigerada “pegada” afro, o samba cativa. Por outro lado, termos como “Nzambi”, “Nzara Ndembu”, “Nzumbarandá” e “Nzazi” dificultam muito o entendimento completo da letra. Não tinha como fugir, afinal é esse o enredo, mas é algo que compromete um pouco a obra (-0,1 em letra).

O refrão principal é dos mais explosivos do ano. Apesar de ter uma estrutura totalmente diferente, está no nível da Grande Rio no quesito “potencial para sacudir a Sapucaí”. A melodia vai em uma crescente, começando de maneira mais lenta em “Êh, é no girê, é no girê”, acelerando em em “Macurá dilê no girá”, voltando a diminuir o ritmo em “É tempo de fé, União” e dando um gás final em “O tambor da Ilha a ecoar”. A construção é irretocável e contagia. A saber: “girê” é um instrumento musical bantu; “macurá dilê” é um termo que tem tudo a ver com o enredo, uma vez que significa um tempo que tem início mas não tem fim. Ou seja: além da melodia contagiante, a letra dessa estrofe apresenta com muita competência o enredo.

Essa característica, o didatismo, está presente também na primeira estrofe. Claro que não dá para ser muito didático com um enredo praticamente bilíngue, mas, dentro do possível, a missão é cumprida com louvor. Nesse ponto, destaco passagens como “Dos bantos Nzambi, o criador”, “Pra dar sentido à vida, transformar / Uma odisseia rasga o céu alcança a terra / Sagrada é a raiz Nzumbarandá / Katendê, segredos preserva”. Está tudo ali: Nzambi cria o mundo; Kitembo, o rei, convoca Nzara Ndembu para criar o tempo. Simples assim. A melodia, a exemplo do refrão, vai ganhando força progressivamente até atingir o seu pico no próprio verso “Katendê, segredos preserva”.

No trecho final da estrofe, de maneira muito bem costurada, há uma mudança ousada e os desenhos musicais ficam mais acelerados em “Avermelhou, Kiamboté nos fez caminhar”. Por outro lado, acho que, melodicamente, o verso “Na luta entre o bem e o mal, forjou Kiuá” ficou “sobrando” e quebrou um pouco a unidade da música (-0,1 em melodia). No trecho mais espinhoso do enredo (a criação do tempo propriamente dita), a estrofe conta a história com começo e meio, destacando a luta entre o bem e o mal e a fartura. Os personagens principais são Katendê (o senhor das florestas), Kiamboté (um sábio), Kiuá (o Senhor da forja) e Nzumbarandá (a nkisi – escala abaixo de Nzambi na hierarquia bantu – mais antiga). Há ainda a citação à Kukuana, uma festa para celebrar a fartura.

O final dessa história fica para o espetacular falso refrão do meio. A melodia ganha um prolongamento perfeito em “Dandalunda a me banhar (me banhar)”. Dandalunda, aliás, é a ínquice (o equivalente bantu aos orixás) da fertilidade – repare como tudo faz sentido nessa construção da letra. Mais uma vez, a melodia vai subindo em “Seiva que brota do chão” e atinge o ápice em “Em rituais de purificação”. Depois, um novo prolongamento em “E no balanço da maré (da maré)” e, de novo, subida gradual em “Samba Kalunga nos trás” para a explosão em “Rara beleza e peixes abissais”. Samba Kalunga, no caso, é o ínquice do oceano. É nesse ponto que se encerra a primeira metade do desfie, com o fim da criação do tempo.

Na segunda estrofe, os termos complicados diminuem. Afinal de contas, o enredo passa a abordar a criação dos quatro elementos, terreno mais seguro para os compositores. A melodia também começa mais calma em “A chama ardente é fogo” e assim segue segue até “Na força de um trovão” – no meio do caminho há uma citação ao “autor” do trovão, o nkisi da justiça Nzazi. Depois, há uma variação muito interessante em “Que dita as leis do universo” e uma passagem mais melodiosa em “Quando o sol beijou a lua / Viu no céu inspiração”. Há nesse trecho um verso importante para o entendimento do enredo: “E nos ensina a lição”, uma referência à necessidade de preservação da natureza. Nos versos finais, há uma espécie de “renascimento” com a conscientização dos seres humanos através de um sopro de Matamba, a nkisi do fogo e da paixão. O último verso, que novamente é o pico de um desenho musical crescente, que introduz perfeitamente ao refrão principal, é uma bela síntese do enredo que versa sobre a relação entre o homem e a natureza: “A árvore da vida é a vida que dá”.

Dono da segunda melhor interpretação do CD, Ito Melodia deu nova vida ao samba com seu talento cada vez mais impressionante. Me desagradou apenas a opção por fazer a primeira passada sem o acompanhamento da Bateria de Mestre Ciça. O samba fica muito mais agradável na segunda passagem.

Letra: 4,9. Melodia: 4,9. Nota: 9,8.

São Clemente: “Onisuáquimalipanse”

Compositores: Toninho Nascimento, Luiz Carlos Máximo, Anderson Paz, Gustavo Albuquerque, Marcelão da Ilha e Camilo Jorge.

Intérprete: Leozinho Nunes.

Confessadamente incomodada com o nível dos seus sambas nos últimos anos, a São Clemente resolveu mudar. Apostou em um estilo diferente, mais clássico, diferente do que se vê não só na sua discografia recente como no Carnaval dos últimos anos. O resultado, apesar da tentativa louvável, foi um desastre em minha opinião. A parceria comandada pela genial dupla Luiz Carlos Máximo e Toninho Nascimento imprimiu ao samba o estilo que a consagrou na Portela: letra curta, mais despojada, com uma melodia “reta” e mais rápida. No entanto, é preciso pontuar que não estamos aqui falando de um enredo sobre a Bahia ou sobre Madureira, mas sim sobre uma história da França Medieval. Dessa forma, o casamento entre letra e melodia não foi dos melhores e o samba acabou se tornando o pior do CD depois da inexplicável decisão da escola de jogar o andamento lá pra trás – justamente o contrário do que pede o estilo dos compositores.

O “samba do rei absolutista doido” começa a mostrar os seus problemas já no refrão principal. A escola joga o andamento pra trás, mas o samba é pra frente. Resultado: melodia atropelada pela letra em “A coroa do sol, vem me coroar” (-0,1 em melodia). Também me desagrada o verso “Alumiou, deixa alumiar”, que parece estar ali simplesmente para “tapar buraco” (-0,1 em letra). Outra das alterações promovidas pela escola que prejudicaram a estrofe foi a subida de tom em “Que hoje o rei sou eu” (-0,1 em melodia). Aliás, falando de letra, esse é um verso ótimo, assim como “Brilhando com a ginga que o samba me deu” (esse sim com casamento perfeito com a melodia).

O verso “Contam… Que o governante de um país” é outra bela síntese do enredo. A ideia é sensacional. Começa melodioso, dá uma acelerada, mas permanece suave. Ótimo. Mas, no entanto, pela subida de tom no finalzinho, chega inacreditavelmente às raias do trash (-0,1 em melodia). Muito bom, por outro lado, é o trecho “Dançava as noites tão feliz / E brincava mascarado / No zum zum do Carnaval”, que mistura bem a temática francesa com o carnaval brasileiro. O grande mérito desse samba, aliás, é a bela descrição do enredo. A história é contada com começo, meio e fim e com muita clareza, fazendo relações interessantes com o Carnaval.

Até aqui, estamos falando do começo da história. Em “Ao final da cena / Houve aclamação geral”, Luis XIV sobe ao trono. Pena que, de novo, esse “cena” ficou muito comprometido pela subida de tom (-0,1 em melodia). A “briga” entre o samba que quer acelerar e a escola quer jogar o andamento para trás se manifesta de maneira explícita também no primeiro refrão. Na época da disputa, gostava muito do trecho “O sol… A partir desse tal dia / Ganhou a honraria de símbolo real”. No CD, ficou arrastado e cansativo (-0,1 em melodia).

O samba tem bons momentos na sequência, sobretudo quando passa pelo momento em que Luis XIV chama Fouquet para controlar as finanças da França. O clima da festa dada pelo próprio Fouquet em seu suntuoso palácio é muito bem transmitido em versos como “O soberano encantou-se nos jardins / Com a beleza se mirando nas águas de um chafariz”. Um pouco antes, o samba já direciona o público a desconfiar de que tem coisa errada nessa história através dos versos “Daí então o ministro do tesouro / Ergueu a peso de ouro / Um palacete e convidou”. A letra só dá uma leve derrapada no fim da estrofe, quando Luis XIV fica irritado e manda prender Fouquet por malversação do dinheiro público: “Foi assim que descobriu nessa festança / Que havia comilança em sua Pátria Mãe Gentil”, é uma boa sacada. Mas, ora, se o grande mote da sinopse é negar qualquer semelhança com a realidade brasileira, por que usar o “Pátria Mãe Gentil”? É como se o samba tirasse a graça do enredo (-0,1 em letra).

O segundo refrão não se destaca, mas também não incomoda, exceto por um muito deslocado “Palavra de rei não volta atrás”, onde a concordância foi comprometida (-0,1 em letra). O melhor momento do samba é a última estrofe antes do refrão. Na contramão do que aconteceu em todo o resto da obra, foi a escola quem acertou uma melodia que se encerrava de maneira muito abrupta, quase espantosa. Agora, está muito correta, descrevendo muito bem a criação do Palácio de Versalhes. Acredito que os compositores poderiam ter explorado melhor a ironia de se construir um palácio ainda mais luxuoso depois da prisão de Fouquet, mas talvez seja algo pertinente ao projeto carnavalesco da escola.

Leozinho Nunes foi muito atrapalhado pelo andamento do samba e não fez boa gravação.

Letra: 4,7. Melodia: 4,5. Nota: 9,2.

Mocidade Independente de Padre Miguel: “As mil e uma noites de uma “Mocidade” pra lá de Marrakech”

Compositores: Altay Veloso, Paulo César Feital, Zé Glória, J. Giovanni, Dadinho, Zé Paulo Sierra, Fábio Borges, André Baiacu, Gustavo Soares e Thiago Meiners.

Intérprete: Wander Pires.

Como o Carnaval de vez em quando gosta de subverter a lógica, veio de um dos enredos mais contestados do ano um dos melhores sambas do CD do Grupo Especial. O complicado enredo sobre Marrocos rendeu uma obra de poesia ímpar. Certamente é a melhor letra do ano, sobretudo porque os compositores tiveram que se desdobrar para encontrar um caminho que descrevesse o tema sem se amarrar à sinopse engessada e de qualidade duvidosa. E conseguiram encontrar esse caminho com maestria a partir de uma letra que traça ótimos e criativos paralelos entre o Brasil e o Marrocos.

Logo no começo, no refrão principal, temos um bom exemplo: “Brilha o Cruzeiro do Sul no Oriente de Alah / Céu de Sherazade”. Ou seja, no Brasil brilha o Cruzeiro do Sul e no Marrocos o céu de Sherazade. A melodia densa valoriza a letra e ganha um contorno mais suave na excelente passagem “Vem pro Marrocos, meu bem / Vem, minha Vila Vintém”. O final da estrofe é o melhor possível, pois é um convite para que a escola acredite em si mesma. Acredito que o “Sonha, Mocidade” faça um bem muito maior aos Independentes que uma exaltação desmedida à “tradição” da escola. Ao invés de tentar recordar um passado de glórias cada vez mais distante, o samba convida o componente a escrever um futuro tão glorioso quanto.

A melodia decorre ao longo do samba de maneira irrepreensível. Sem atropelos, com clareza e com ótimas variações. A letra faz a já citada brincadeira de relacionar os dois países. E de maneira ousada e inteligente: “Fui ao deserto roncar meu tambor / Pra Alah conhecer meu Xangô”. Em tempos onde tanto se discute a intolerância religiosa, convenhamos que dizer que Alah, o Deus islâmico, foi conhecer Xangô, o orixá da justiça na umbanda, é bem corajoso. E uma coragem muito bem-vinda, diga-se. O passeio pelos encantos do Marrocos se destaca pelas variações melódicas em versos como “Eu fui pra lá de Marrakech”. Acho muito bonita também a referência à Zona Oeste como “És minha “El Jadida”, meu teatro de ilusão”. É realmente um samba diferente, que usa expressões incomuns no gênero como “tanto assim”. Outra variação melódica que me agrada bastante é a do verso “Dama das areias de Iemanjá”. Embora fosse mais interessante na época da disputa, a passagem “Teu deserto, meu sertão / Teu oásis, meu rincão… “Vadeia” / Mistura alaúde com ganzá” também merece destaque e fortalece a mistura entre Brasil e Marrocos.

O refrão do meio é maravilhoso. Gosto da brincadeira do “Abre-te sésamo que o samba ordenou” e acho a subida de tom em “Mil e uma noites de amor” ótima. Mas o grande destaque mesmo é o “truque” de mudar a letra na repetição. Primeiro canta-se “Põe Alladin no agogô / Tantã nas mãos de Simbad / Meu ouvido é de mercador” (aliás, e sensacional pensar nos personagens de desenhos animados, Alladin e Simbad, tocando instrumentos de uma bateria de escola de samba). Depois, na repetição, canta-se “É o Saara de lá com o SAARA de cá / Minha Mocidade chegou…”. No caso, o trocadilho é com o Saara (em caixa baixa) famoso mundialmente, ou seja, o deserto do Saara, com o SAARA (em caps lock), o centro comercial que é reduto de imigrantes árabes no Rio de Janeiro.

Outro momento brilhante do samba é justamente esse “Minha Mocidade chegou…” que puxa uma passagem de linda melodia: “Chegou… Chegou… De Padre Miguel a candeia”, ou seja, a chama. Com o retorno da “caravana” da escola para a Zona Oeste, a Mocidade encerra o seu samba com uma linda mensagem: “Ó, meu Brasil, abrace a humanidade / És a Pátria-Mãe Gentil da amizade”. De fato, somos, embora não estejamos nos lembrando disso. Que o samba ajude a relembrar. Enfim, vale o destaque também, nesses versos, para uma melodia que permite que a Bateria Não Existe Mais Quente faça suas bossas e convenções que levam ao refrão principal.

De volta à escola que o revelou, Wander Pires tem desempenho fantástico. É, para mim, a melhor atuação de um intérprete em todo o CD.

Letra: 5,0. Melodia: 5,0. Nota: 10,0.

Unidos da Tijuca: “Música na alma, inspiração de uma Nação”

Compositores: Totonho, Josemar Manfredini, Dudu e Sérgio Alan.

Intérprete: Tinga.

Não vou cair no lugar-comum de dizer que o samba da Unidos da Tijuca é “funcional”. Afinal de contas, sambas antológicos são funcionais. Sambas medianos podem ser funcionais. Até mesmo sambas ruins de vez em quando são funcionais. Prefiro dizer que o samba da Tijuca, e isso é um elogio, é despretensioso. Foi feito para servir ao desfile e às ambições da escola. E, para atingir tal objetivo, é preciso saber o terreno onde se pisa. Totonho e parceiros, como ninguém na ala de compositores da azul-e-amarelo, sabem. E fizeram um samba cuja melodia parece se encaixar à grande maioria das letras recentes da escola. Ou seja: quem não gostou das obras que os tijucanos levaram para a Sapucaí em 2010, 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015, também não vai gostar dessa. Quem, como eu, acha que é um sopro (pra pegar carona no enredo) de leveza muito bem vindo para uma maratona de duas noites de desfile, aprova. Não quero, obviamente, que todos os 12 sambas sejam assim. Mas em uma agremiação, cabe.

É por isso que recebo muito positivamente a contestadíssima trilha sonora do desfile tijucano. Ainda assim, há de se reconhecer que, tecnicamente, a obra tem lá suas limitações. Começando pelo refrão principal, que no meu modo de ver disputa palmo a palmo com o da São Clemente o posto de mais fraco do CD. A apresentação do enredo é feita de forma genérica, com muitos chavões como “tom da vitória”, “com samba no pé” e a rima pobre de “nós vamos à luta” com “meu nome é Tijuca” (-0,1 em letra). Além disso, enquanto todo o samba (a exemplo de toda a sinopse) é “cantado” de Pixinguinha para Louis Armstrong, o refrão é cantado pela própria escola em primeira pessoa, o que não faz o menor sentido (-0,1 em letra). Ainda assim, a melodia, apesar de não ter um momento de explosão, é agradável e faz bem a “virada” de uma passada para a outra.

Gosto bastante do início do samba, sobretudo da construção melodiosa de “Sinta o som… / É melodia, música” e de “Hoje a Tijuca em quem dá o tom em notas e acordes musicais”. Porém, no caso do “música” do segundo verso a métrica dá uma pequena derrapada – canta-se “músícá”, com três sílabas tônicas (-0,1 em melodia). Depois desse verso, o samba dá uma acelerada com uma transição muito bem feita através do verso “Viaje na barca das canções”. A estrofe também se encerra muito bem com um trecho muito gostoso de cantar: “Num sopro a saudade, a moda country se eternizou / E o meu Borel americanizou”. Como já dá para perceber pelos versos destacados, outro ponto forte da letra é o fato de ser bastante didática. Os primeiros setores do enredo, que exaltam a música norte-americana a partir da ligação com a resistência negra, são muito bem relacionados à poesia que o enredo pretende conferir à música. A amarração entre os ritmos também é bem feita e este “E o meu Borel americanizou” sintetiza com clareza a mensagem do tema.

O refrão do meio é o que eu chamo sempre de “trash do bem”. O “Chega, my brother… Vem ver” é trash? Bastante. É bom? Demais! O mundo do Carnaval de vez em quando, me permitam criticar, é careta em excesso! Essa “trashofobia” não me entra na cabeça. É gostoso de cantar, a melodia é ótima, contagia e tem tudo a ver com o enredo. Qual o problema, então? O “my brother”? Se o enredo é sobre a música americana, tudo certo. Quantos e quantos sambas por ano não cantamos com expressões africanas ainda menos usuais? Enfim, a mim, agrada. Ao contrário do que acontece no refrão principal, acho que aqui as exaltações à escola são bem encaixadas no contexto do enredo. O principal exemplo é o “A batucada é de enlouquecer”, mas vale também citar o ótimo “Pura cadência de bambas juntou guitarra e pandeiro”, que brinca com o nome da bateria Pura Cadência e ainda introduz o verso mais criativo da estrofe: “Tá aí o soul de um jeito brasileiro”, que evidencia outra das mensagens do enredo – a mistura entre a música americana e a brasileira.

Melodicamente, me agrada muito a saída do refrão do meio para a terceira estrofe em “Ô, ô, ô… O som do rock ecoou”. A melodia segue em águas calmas até derrapar feio em “Mudando de hábito o pop é samba”. Há ali uma nova transição melódica para um trecho mais acelerado, mas, desta vez, com um resultado bem ruim (-0,1 em melodia). O destaque dessa estrofe é a ótima passagem “Sou eu da nação tijucana mais um pop star, “vem com a gente sambar””, que também tem tudo a ver com a mensagem do enredo. Porém, logo na sequência, há uma clara falha de métrica no verso “A musicalidade desse seu país” (-0,1 em melodia). No geral, é um samba bem agradável. Dependendo de como for o desfile, acho até que pode ficar marcado por um tempo na cabeça dos apreciadores do gênero, ainda que os mesmos continuem o criticando para todo o sempre.

Tinga fez sua melhor gravação desde que chegou ao Borel. Seguro, conduziu o samba com muita correção e valorizou a obra. Ainda assim, não chega a ser um dos destaques do CD dentre os intérpretes.

Letra: 4,8. Melodia: 4,7. Nota: 9,5.

Portela: “Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar…”

Compositores: Samir Trindade, Elson Ramires, Neizinho do Cavaco, Paulo Lopita 77, Beto Rocha, Girão e J. Sales.

Intérprete: Gilsinho.

Vou começar falando da grande polêmica que envolve esse samba: a fuga ou não da proposta do enredo do carnavalesco Paulo Barros. Bom, se eu tiver que dar uma resposta simples, daquelas “sim ou não”, eu diria que não, a letra do samba não foge do enredo. Todos os pontos abordados estão, de um jeito ou de outro, inseridos no projeto da escola. Isso não quer dizer, todavia, que o aproveitamento do enredo tenha sido satisfatório. Afinal de contas, dos 30 versos do samba, nada menos que 17 (56,7%, se quisermos nos ater à matemática) fazem referência à própria Portela. É um tremendo exagero (-0,1 em letra). A tentativa de ligar a escola aos pontos do enredo em mais da metade do samba prejudicou o entendimento do tema e tirou a própria força da homenagem, que talvez fosse mais bem sucedida se resumida à última estrofe, como será o desfile dedicado a agremiação apenas no último setor.

Um bom exemplo do que eu quero dizer é o refrão principal. Sobre o enredo, ele diz pouco. Até aí, tudo bem. O problema é que as referências à Portela são muito bonitas dentro do contexto do enredo, mas sem nenhum significado mais claro fora dele. Acho até que a passagem “Quem nunca sentiu o corpo arrepiar / Ao ver esse rio passar” é difícil de cantar. O tom excessivamente alto me incomoda bastante (-0,1 em melodia). Problema inverso apresenta o início da primeira estrofe, mais especificamente no verso “A levar corações através dos carnavais”, onde a melodia “afunda” de maneira muito esquisita (-0,1 em melodia). Ainda assim, é preciso destacar que, ao contrário do refrão, a Portela é exaltada de maneira poética e muito bonita em versos como “Vem beber dessa fonte / Onde nascem poemas em mananciais / Reluz o seu manto azul e branco / Mais lindo que o céu e o mar”. A entrada do samba nos demais setores do enredo também é muito bem feita através do verso “Segue seu destino e vai desaguar” após uma bela citação a grandes nomes como Paulo da Portela, Antônio Caetano e Antônio Rufino, três dos fundadores da águia de Madureira.

O primeiro refrão, no meu modo de ver, não se destaca, mas também não compromete. Tem rimas simples, mas bem costuradas. A letra é descritiva, sem entrar em muitos detalhes, e faz apenas mais uma exaltação aos grandes nomes portelenses (Candeia). Acho que a ala musical foi de uma felicidade enorme na pequena alteração que fez no início da estrofe seguinte, que fala sobre o rio sendo usado como forma de apaziguar as tristezas. Justamente por isso, a escola desceu o tom da passagem “Cantam pastoras e lavadeiras pra esquecer a dor / Tristeza foi embora, a correnteza levou”. Foi na medida certa: não descaracterizou a construção original feita pelos compositores e valorizou ainda mais a letra. Ficou perfeito. Por outro lado, é nítido o problema de métrica no verso “Deixa o pranto curar (ô, Iaiá)” (-0,1 em melodia).

O encerramento da estrofe é maravilhoso tanto pela melodia bem trabalhada, com ótimos desenhos, quanto pela letra, que aborda o lado religioso do enredo através da tradicional saudação à Oxum, a orixá das águas doces: “Oh, mamãe, ora yê yê ô, vem me banhar de axé, ora yê yê ô”. Esse verso ainda serve de transição para o espetacular refrão “É água de benzer, água pra clarear / Onde canta um sabiá”. Na estrofe anterior ao refrão principal, que é bem curta, há uma bela menção à Velha Guarda da escola, mas o verso “Oswaldo Cruz e Madureira” fica “sobrando” do resto da letra, sem contexto algum (-0,1 em letra).

O samba se encerra, porém, recuperando uma característica adotada pela escola nos anos em que a parceria de Luiz Carlos Máximo e Toninho Nascimento foi a vencedora da disputa: a melodia acelerada com uma pequena pausa que recupera o fôlego de quem canta. Não conheço quem não goste de desenhos musicais como os que são observados em “Navega a barqueata aos pés da santa em louvação / Para mostrar que na Portela o samba é religião”.

O excelente Gilsinho completa o pódio das melhores gravações do CD com uma atuação simplesmente irretocável e que valorizou a melodia do samba. Além disso, tem cada dia mais a “cara” da escola, de modo que todo samba parece ter sido feito sob medida para ele.

Letra: 4,8. Melodia: 4,7. Nota: 9,5.

Estação Primeira de Mangueira: “Só com a ajuda do santo”

Compositores: Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Martins, Flavinho Horta, Gabriel Machado e Igor Leal.

Intérprete: Ciganerey. Participação Especial: Milton Gonçalves.

Antes de começar a falar do samba, preciso fazer uma crítica. É simplesmente inaceitável a brincadeira de péssimo gosto e de péssimo tom que abre a faixa da campeã de 2016. Primeiro porque o “olha ela” é uma piada do Big Brother Brasil do começo do ano, o que em tempos de redes sociais é equivalente ao século passado. Depois, porque o CD do Grupo Especial do Rio de Janeiro não é lugar de recadinho, indireta ou piada. A Estação Primeira de Mangueira tem uma história a ser respeitada e não é usando uma frase-chiclete de uma participante de reality show que se faz isso. Fiquei realmente desapontado. Por outro lado, o encerramento da faixa com Milton Gonçalves declamando os últimos versos do samba e dizendo “em nome do Pai, do Filho e de todos os santos, amém” é de muito bom gosto. Ficou bem legal.

Enfim, quanto ao samba, começo com outra crítica. Fiquei negativamente surpreso com o que a ala musical da Mangueira fez com o refrão principal. A subida de tom absurda, especialmente no final de cada verso, tirou toda a beleza da melodia. Talvez tenha sido uma tentativa de fazer o samba “explodir” – o que me espanta porque o samba do último Carnaval era longo, denso e explodiu mesmo assim -, mas o tiro saiu pela culatra. Ficou difícil de cantar e nas palavras “Mangueira”, “Aruanda”, “demanda”, “altar” e “samba” a obra fica bastante estranha (-0,2 em melodia). Por outro lado, a construção da letra é belíssima, com destaque para a passagem “Nascido e criado pra vencer demanda / Batizado no altar do samba”, que, como pede o enredo, mistura a umbanda (“demanda” é uma espécie de energia negativa combatida através dos orixás Xangô, da justiça, e Ogum, da guerra) e o catolicismo (“altar do samba”). Também gosto muito da citação à Aruanda, que, na umbanda, é o plano intermediário entre os planos físico e espiritual.

O samba coleciona fórmulas muito conhecidas na discografia recente da escola e o resultado é muito bom. Um exemplo é a abertura da primeira estrofe, que mais uma vez usa o nome da escola. Quantas vezes já ouvimos esse “Mangueira…”? Muitas. Quantas vezes podemos ouvir? Infinitas. Acho que a contextualização da proposta central do enredo (apelar para todos os santos na busca pelo bicampeonato) também é transmitida com muita clareza através da reprodução de gestos conhecidos como benzer a bandeira e bater três vezes na madeira. Melodicamente, destaco a passagem “No peito patuá, arruda e guiné / Para mostrar que o meu povo nunca perde a fé / A vela acesa pro caminho iluminar / Um desejo no altar ou no gongá”, que tem variações e alternâncias muito bem costuradas. Também gosto do momento em que a melodia fica mais acelerada (“Vou festejar com a divina proteção”) e, como mangueirense, fico particularmente emocionado com o trecho “É verde e rosa o tom da minha devoção / Já virou religião”, que virou meu lema para este Carnaval. Por outro lado, o fato dos quatro últimos versos serem terminados em “ão” acabou comprometendo bastante a melodia (-0,1 em melodia), que ficou travada.

O refrão do meio tem melodia suave e muito agradável. Nem mesmo clichês como “Valei-me, meu Padim, onde quer que eu vá” incomodam. início da segunda parte, porém, é fabuloso. O casamento entre letra e melodia é perfeito e o samba entra em uma crescente muito agradável no trecho “Abriram-se as portas do céu, choveu no roçado / Num laço de fita a menina pediu comunhão”. No entanto, essa passagem destoa do resto pois é o único momento em que se abandona o propósito do enredo para falar de uma demonstração de religiosidade à parte (-0,1 em letra). Quando a letra volta para os eixos nesse sentido, somos bridados com outra bela passagem:“Bala, cocada e guaraná pro erê / Meu padroeiro irá sempre interceder / Clareia… Tem um guerreiro a me defender”. É um trecho que mistura os erês (intermediários entre homens e crianças que preservam um pouco da alma da criança em cada pessoa) com São Jorge Guerreiro. Achei bem bonito.

O final do samba também é pra arrebatar qualquer coração verde-e-rosa. “Firmo o ponto pro meu orixá no terreiro / Pelas matas eu vou me cercar, mandingueiro / Mel, marafo e abô / Só com a ajuda do santo eu vou / Confirmar meu valor”. Veja que coisa fantástica. É todo um trabalho espiritual para confirmar o valor da escola que foi a zebra do Carnaval de 2016. Para provar que a verde-e-rosa é uma força daquelas incomparáveis. Coisa linda. Os últimos dois versos possuem desenhos melódicos muito particulares dessa parceria, caracterizados pela suavidade e pela crescente que culmina com um ponto de explosão: “O morro em oração, clamando em uma só voz / Sou a Primeira Estação, rogai por nós!”. Um encerramento brilhante para o samba que fecha o Top-5 da safra, embora esteja mais próximo do pelotão intermediário que do G-4.

Ciganerey fez ótima gravação com a valentia que pede o samba.

Letra: 4,9. Melodia: 4,7. Nota: 9,6.

Finalizo dizendo que vejo essa safra como sendo razoável. Tem um grupo de quatro ótimos sambas, mas o pelotão intermediário está bastante abaixo da média estabelecida de 2012 para cá. O único trunfo é o alto nível dos quatro piores sambas. Não tem nenhum “boi com abóbora” daqueles terríveis, nem um samba insuportável de se ouvir. Do melhor para o pior, eis a minha avaliação quanto aos sambas.

  1. Beija-Flor
  2. Mocidade
  3. União da Ilha
  4. Vila Isabel
  5. Mangueira
  6. Grande Rio
  7. Portela
  8. Unidos da Tijuca
  9. Imperatriz
  10. Salgueiro
  11. Paraíso do Tuiuti
  12. São Clemente

17 Replies to “Análise: os sambas-enredo do Grupo Especial do Rio de Janeiro – Parte II”

  1. Gosto das suas análises e, de maneira geral, concordo (embora não ache o samba da São Clemente o pior da turma, não mesmo).

    Agora, acho que é muito rigoroso com as notas. Considerando que o intervalo é de 9,1 a 10, é um pouco pesado dar nota 2 para um samba, não? Um samba que, você mesmo frisa, não é boi com abóbora, insuportável de se ouvir. Da mesma forma, nota 5 para alguns bons sambas também me parece baixo.

    Entendo que você desconta os décimos por cada defeito que encontra, mas as passagens mais inspiradas não podem “bonificar” o samba? Por exemplo, o tom do refrão da Mangueira merece -0,2, mas o brilhante final do samba não confere um “décimo extra” pra escola?

    Enfim, é uma sugestão. Porque, em alguns casos, o texto da sua avaliação e a nota resultante dela ficam muito díspares.

    1. Jader, eu entendo o seu ponto de vista e acho que ele faz muito sentido. No entanto, como eu disse, me oriento pelo Manual do Julgador, mesmo achando esse sistema muito ruim. Se analisarmos as justificativas oficiais, percebemos que há uma “nota de partida”, que é o 10, e que os descontos vão sendo feitos a partir dos erros. Não há, nesse parâmetro, uma “bonificação” – o que é muito ruim! No meu mundo ideal, o intervalo de notas seria muito maior (de 7,0 a 10,0) com uma “nota de partida” que seria 9,0 ou 9,5. Aí, sim, poderíamos fazer esse tipo de análise. Sobre “dar uma nota 2”, interpretamos essa questão de maneira diferente. Não acho que dar 9,2 para um samba signifique dar uma nota 2, por mais que o intervalo de notas induza a essa comparação. O intervalo é muito pequeno. Se formos analisar o 9,4, por exemplo: foram seis erros em um samba que dura mais de três minutos. Não é muita coisa. O 9,4 soa péssimo porque a escala é curta, mas não é um desastre. Principalmente se analisarmos samba-enredo, onde existem dois subquesitos com intervalos ainda menores. Por isso muitas vezes sambas que elogio muito acabam ficando com notas consideradas baixas. Claro que nada disso é uma verdade absoluta. É uma questão conceitual, que abre margem pra discordâncias a medidas que o Manual tem esse tipo de “brecha”. Espero ter esclarecido o meu critério.

  2. Mocidade e Beija-flor são sambas sem nenhum erro. Alguns podem não gostar pois gosto não se discute, mas não dá para apontar erros nessas duas obras.

  3. Muito sucinta tua análise, Dahi – inclusive, se permite, usarei alguns elementos na minha. Optei por comentar no geral, então vamos lá:

    Concordo com 70% do seu ranking, a começar pelas três primeiras. Eu só trocaria a Grande Rio pela Imperatriz (sim, apesar de ter ficado um porre no CD eu gosto) e a Mangueira ficaria uma posição acima.

    Primeira discordância: o samba da São Clemente é chato, isso não há duvidas, mas não pra ser o último da lista, Tijuca e Tuiuti estão um pouco piores.

    Segunda discordância: Salgueiro ficaria umas duas posições acima.

    Quanto a notas: discordo das de Imperatriz, Grande Rio, Mangueira e Salgueiro, uns 0,2 a mais acho o ideal. Mas aí é questão de opinião.

  4. Boa análise Leonardo, concordo em muitos pontos e,claro, discordo em outros, porém o que merece elogios é o fato de que você a fez com explicações embasadas e coerentes, sem apelar para achismos e pré-conceitos, parabéns.

    E achei que era o único mangueirense que ficou incomodado com o infame “olha ela”… Parabéns por isso também, rs…

  5. Você usou o manual do julgador, com notas fracionadas e subdivididas em dois quesitos. Mas sabemos que hoje que é muito dificil alguém tirar menos de 9,6 e você chegou a picos de 9,2!

    1. Eu segui o Manual do Julgador e não o jeito dos julgadores de avaliar. Se eles não seguem o Manual ou o interpretam de maneira diferente, é outra história.

  6. Parabéns pela sua análise Leonardo! Você escreve de forma clara e direta,explicando de forma simples os pontos onde quer chegar.
    Mais uma vez devo discordar da nota para a minha Portela. Ontem eu vi um 9,6 e achei que fosse o máximo que dariam a ela,mas,você se superou.
    Quanto à exaltação,no caso desse enredo,é impossível não fazê lo. A escola e os rios tem tudo a ver,está tudo ali juntinho . Os rios sempre trazem felicidade para nós e espero que em 2017 seja assim também .
    Espero que os jurados não leiam o seu relato! Rsrs
    Abraços e parabéns

    1. Obrigado, Rhamon! Não questiono a exaltação à escola, mas sim o excesso. Acho que ao invés de dar força a homenagem, acabou gerando o efeito contrário.

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