O Carnaval de 2001 foi um dos poucos sem nenhuma grande novidade no regulamento. Continuavam os trinta julgadores em dez quesitos sem descarte de pontuação. Depois do, digamos, monotemático desfile do ano anterior, as escolas de samba escolheram enredos bem distintos.

A bicampeã Imperatriz Leopoldinense resolveu mudar para tentar o tri. Acusada de fazer desfiles frios, a escola de Ramos optou por uma temática mais leve, e contaria a história da cachaça com uma homenagem num quadro a um dos baluartes da Mangueira, Carlos Cachaça. Mas o nome do enredo de novo era daqueles bem complicados: “Cana-caiana, Cana Roxa, Cana Fita, Cana Preta, Amarela, Pernambuco… Quero vê descê o suco na pancada do ganzá”.

Mordida por dois vice-campeonatos consecutivos, a Beija-Flor escolheu um enredo de temática negra, sobre Agotime, uma rainha africana que virou escrava no Brasil – com um samba absolutamente brilhante. Já a Unidos do Viradouro, sem Joãozinho Trinta, falaria sobre os pecados capitais. O consagrado carnavalesco foi para a Grande Rio e escolheu como tema a história do profeta Gentileza. Outras que tentariam passar mensagens de paz nos seus enredos eram Mocidade e Portela.

Depois da ótima quinta posição em 2000, a Unidos da Tijuca homenagearia Nelson Rodrigues. Já o Salgueiro teria um enredo sobre o Pantanal, e a Mangueira, depois de cogitar uma homenagem a Jamelão (duramente rechaçada por este, diga-se de passagem), escolheu o povo fenício como enredo na volta de Max Lopes à escola.

Mas a grande homenagem do ano prometia ser da Tradição, que escolheu como personagem do enredo o apresentador Silvio Santos – o samba, embora criticado, foi muito executado na fase pré-carnavalesca. A Caprichosos de Pilares optou por levar o estado de Goiás para a avenida, enquanto a União da Ilha falaria sobre a energia.

Fechavam o grupo das 14 escolas do Carnaval de 2001 as duas agremiações oriundas do Acesso: o Império Serrano, com enredo sobre os estivadores e o porto do Rio, e um dos melhores sambas do ano, e o estreante Paraíso do Tuiuti.

OS DESFILES

tuiuti2001-18A Azul e Amarelo entrou na avenida com o enredo “Um Mouro no Quilombo: Isto a história registra”, que passava uma mensagem de luta por justiça e igualdade por intermédio de uma história meio ficção, meio realidade, baseada no livro “A incrível e fascinante história do Capitão Mouro”.

Segundo a sinopse, um mouro que vivia em Granada, na Espanha, saiu de sua terra para, como manda a religião islâmica, fazer peregrinação a Meca, mas, depois de ser salvo de um naufrágio por um judeu, parou no Brasil. Aqui, ambos foram perseguidos pela Inquisição e pararam no Quilombo de Palmares, onde ajudaram os negros que lá se refugiavam na resistência contra a escravidão e por igualdade.

O samba-enredo, bem defendido pelo intérprete Ciganerey, era um dos melhores do ano e o conjunto visual proposto pelo carnavalesco Paulo Menezes foi adequado ao tema, mesmo sem os recursos das grandes escolas – o destaque foi o carro “Quilombo”, com uma grande montanha e uma figura de Zumbi dos Palmares.

Porém, a escola passou tímida, talvez pelo fato de ser estreante no Grupo Especial, e houve problemas como a troca de ordem de carros e roupas incompletas na comissão de frente – o Migão escreveu sobre esse desfile no blog. De qualquer forma, foi uma apresentação simpática, que ainda chamou a atenção pela exuberância de Viviane Araújo na pista (foto).

tradicao2001bCheia de expectativas, a Tradição pisou com força na avenida para homenagear Silvio Santos com o enredo “Hoje é Domingo, é alegria. Vamos sorrir e cantar!”. O apresentador/empresário desfilou no majestoso e brilhante abre-alas que tinha uma grande inscrição em neón azul “O Dono do Baú”, além do condor (desta vez prateado, numa bela solução). Silvio Santos esbanjou simpatia e recebeu aplausos entusiasmados do público.

Outras estrelas do SBT desfilaram, como Gugu Liberato, Hebe Camargo, Ratinho, Babi e Carla Perez. Até Lombardi, o famoso e misterioso locutor das chamadas do Programa Silvio Santos, desfilou! O samba, apesar de marcheado, já era bem popular na fase pré-carnavalesca – veja mais na seção Curiosidades – e foi bem recebido pelo público na Sapucaí.

Consta que houve alguma ajuda financeira por parte do empresário, mas fato é que a Tradição desfilou um tanto melhor do que nos anos anteriores nos quesitos plásticos, que passaram bem a mensagem, contando as origens gregas de Silvio Santos, passando pela fase dele como camelô e a consagração como apresentador e empresário.

Mas, inexplicavelmente, a Tradição acabou tendo uma evolução muito apressada pela pista e isso acabou diminuindo aos poucos a empolgação dos componentes, que iniciaram o desfile bastante animados. Mas, se não foi um desfile arrebatador, pode-se dizer que foi uma apresentação muito agradável da escola de Campinho.

A Unidos da Tijuca entrou na Sapucaí com a missão de ao menos desfilar num nível igual ao de 2000 com o enredo “Tijuca, com Nelson Rodrigues, pelo buraco da fechadura”, uma homenagem ao jornalista e dramaturgo. Se o desfile teve bons momentos e não foi um desastre, por outro lado acabou aquém das expectativas.

tijuca2001O carnavalesco Chico Spinoza desenvolveu algumas alegorias interessantes como a que representava “A Dama do Lotação”, com uma enorme escultura representando a, digamos, fogosa personagem (com os seios de fora, diga-se de passagem) e o famoso ônibus (foto).

Já a alegoria sobre o futebol, que teve bandeiras dos clubes do Rio e ex-jogadores, não me agradou tanto na concepção e parte da iluminação (que representava refletores de um estádio) falhou. Penso ainda que o Fluminense, grande paixão da vida do cronista, poderia aparecer com mais destaque no desfile.

Mas o que atrapalhou mesmo a Tijuca foram três alegorias que apresentaram problemas para serem manobradas na pista, o que causou descompassos na evolução. O último carro, por exemplo, só entrou na avenida a dez minutos do estouro da cronometragem – sabe-se lá como, a escola passou dentro dos 80 minutos regulamentares. Além desses problemas, o samba-enredo, que teve na condução o estreante Wantuir, não teve o rendimento que se esperava. Foi outro desfile simpático, mas de meio de tabela.

salgueiro2001bO Salgueiro chegou à passarela sob críticas durante a fase pré-carnavalesca por causa do samba-enredo, cujo refrão principal “Voa… Voa tuiuiú… Beleza!/Deixa em paz a arara azul e a natureza” causava calafrios nos bambas mais antigos. O responsável por acalmar os críticos no desfile foi o intérprete Nêgo, estreante como voz principal da escola com segura condução do samba, que no fim das contas teve boa aceitação do público e proporcionou boa harmonia.

Com apoio do governo do Mato Grosso do Sul, o carnavalesco Mauro Quintaes desenvolveu o enredo “Salgueiro no mar de Xarayés, é Pantanal, é carnaval”, sobre as riquezas daquela região. Mas engana-se quem pensa que o verde predominou na divisão cromática da escola. Quintaes conseguiu valorizar nas bem acabadas fantasias o vermelho e branco da escola (principalmente unido ao amarelo) sem comprometer o conjunto – apenas no trecho final, outras cores como azul e verde apareceram mais. salgueiro2001

A comissão de frente foi representada pelos “guerreiros guaikurus” (primeiros habitantes do Pantanal) e precedeu o imponente e belo abre-alas, que tinha boa iluminação e um grande tuiuiú, pássaro típico da região, em cima de um ninho com filhotes, além de esculturas de índios. O belo conjunto alegórico teve como destaque o segundo carro, que representava a relação dos guaikurus com os incas e foi o mais bonito do desfile, pois, além de belas esculturas, havia lindas mulheres tomando banho (foto) – foram gastos 30 mil litros de água.

O Salgueiro manteve a tradição de desfilar muito inchado – a exemplo de 2000, com 5500 componentes – e teve uma evolução um tanto descompassada em alguns momentos, mas até que encerrou sua apresentação sem risco de estourar os 80 minutos regulamentares. Com a bateria comandada pelo saudoso Mestre Louro dando show, a Vermelho e Branco da Tijuca se credenciou a brigar pelas primeiras colocações, sem, no entanto, passar a impressão de que havia grandes possibilidades de título.

A Mocidade Independente de Padre Miguel fez mais uma bonita apresentação sob a batuta do carnavalesco Renato Lage com o enredo “Paz e Harmonia – Mocidade é Alegria”, que passava uma mensagem positiva e clamava pela união da população no ano internacional por uma cultura de paz anunciado pela ONU – ironicamente ninguém imaginava o que aconteceria no 11 de setembro daquele ano… Mas alguns problemas minaram as possibilidades de a agremiação brigar pelas primeiras colocações.

Para começar, a comissão de frente, que representava o bem e o mal, se exibiu com os figurinos incompletos: os componentes desfilariam de patins e acabaram passando descalços pela pista por ordem da direção da escola, que temeu perda de pontos porque, pelo entendimento do regulamento, cada par de patins poderia ser interpretada como uma alegoria devido às rodas. Outro problema que seria revelado na apuração foi o merchandising. E as fantasias, se por um lado estavam belíssimas, tiveram problemas de queda de pedaços em algumas alas.

Renato Lage optou por colocar depois da comissão de frente duas alas de cavaleiros do apocalipse (injustiça e guerra), que precediam primeiro elemento alegórico, um enorme tripé representando um monstro, cercado por outros tripés reproduzindo tochas. Segundo o enredo, a paz universal surgiu apenas depois do apocalipse, este retratado no enorme e sombrio primeiro carro chamado “Juízo Final”, que soltava fumaça e tinha boa iluminação, além de uma escultura de Deus baseada na escultura da capela sistina.

Os quadros relativos à paz começaram com a interessante alegoria chamada “Casa Limpa, Alma Limpa”, na qual era reproduzido um lava rápido de automóveis com um telão no meio mostrando imagens da natureza e pessoas felizes se confraternizando. Outro elemento singelo mas belíssimo foi o tripé “Regra de Ouro” com fotos de gestos de caridade e os dizeres em neón “Fazei aos outros aquilo aquilo que quereis que vos façam”, numa citação à bíblia. Todas as demais alegorias mantiveram o nível destas, com criatividade e beleza.

Nos quesitos de pista, a bateria foi o grande destaque, com uma cadência agradabilíssima e todos os ritmistas fantasiados de Gandhi, com as cabeças raspadas, é claro – até o jogador de vôlei Tande tocou tamborim. O samba foi defendido com garra por David do Pandeiro mesmo rouco e, apesar de não ter sido dos mais cotados da safra, teve bom rendimento. Por outro lado, a escola pecou em evolução, com buracos durante a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira no primeiro módulo e na entrada da bateria no recuo.

portela2001Depois de sofrer em 2000 com um desfile que não honrou suas tradições, a Portela frustrou seus torcedores de novo ao não escolher Paulo da Portela como enredo no ano de seu centenário. A escola optou pelo enredo “Querer é poder”, sobre os vários tipos de poder, como o poder da própria Portela, o poder da natureza, da fé, da mente, das superpotências bélicas e os podres.

Na volta do carnavalesco Alexandre Louzada à escola, alegorias e figurinos estiveram de acordo com o enredo, embora sem a mesma criatividade apresentada por Mocidade e Salgueiro. Não curti muito a águia, desta vez estática como um boneco – era a própria frente do carro e tinha sido anunciada como a “águia do século” – e sem asas abertas (foto).

Por outro lado, foi boa a ideia de começar o desfile com uma comissão de frente representando os “guerreiros da águia” (estes maravilhosamente vestidos) e a velha guarda na alegoria que abriu o desfile simbolizando a força da Portela. Mas a “homenagem” a Paulo da Portela foi muito tímida, com um retrato meio escondido na parte traseira do abre-alas.

A bateria esteve perfeita, mas a maior campeã do Carnaval falhou em três dos quesitos nos quais sempre foi fortíssima: samba-enredo, harmonia e evolução. A escola encerrou sua irregular apresentação a apenas dez segundos do estouro dos 80 minutos regulamentares – Noca da Portela confessou depois que teve de correr no fim do desfile. Isso ocorreu devido à coreografia extremamente lenta da comissão de frente, que permaneceu longos 55 minutos na pista.

beija-flor2001

Última escola do primeiro dia de desfiles, a Beija-Flor pisou na passarela pouco antes do amanhecer e fez uma apresentação brilhante, que a credenciou de cara como candidata fortíssima ao título. O enredo “A saga de Agotime, Maria Mineira Naê” contava a história da rainha africana Agotime, que foi vendida como escrava pelo próprio filho Adondozan sob a alegação de que ela seria uma feiticeira – na verdade, Agotime cultuava os reis mortos e os Voduns da Família Real de Daomé (onde hoje fica o Benin).

Diziam os voduns que Agotime tinha uma missão de atravessar o oceano e fazer renascer em outro lugar o culto a Xelegbatá, a peste. Agotime então chegou ao Brasil, na Bahia, e se encontrou com os Nagôs e orixás, que contaram a ela que sua gente se encontrava no Maranhão. Lá, sob orientação de seu vodum, formou a Casa das Minas, já que seus pares não tinham onde celebrar seus cultos. Feitas as explicações, entremos então no melhor desfile do ano de 2001.

beija-flor2001cMesmo com a escola preparada para desfilar à noite, ou seja, com divisão cromática pendendo para tonalidades mais escuras, o conjunto visual da escola foi impecável e perfeitamente adequado ao enredo. Logo após a comissão de frente (só com mulheres) que tinha as sacerdotizas de Agotime e remetia ao ritual da Pantera Negra (segundo os voduns, o animal que se transformava em rainha), uma impressionante ala com as senhoras nilopolitanas representando pretas-velhas (de muletas, curvadas e jogando búzios) causou grande impacto (foto acima).

O primeiro carro era imenso, dividido em três partes acopladas, e simbolizava o Palácio de Daomé. O carro “A Feitiçaria” também era impressionante, com uma enorme cabeça de boi, coloração forte e componentes realizando coreografias. Aliás, um dos méritos da Beija-Flor foi lançar mão de diversas alas coreografadas sem tornar a escola repetitiva ou mesmo atrapalhar a evolução, o que é muito difícil – muitas escolas já se embananaram nisso.

O imponente carro “O Cortejo” representava a vinda de Agotime para o Brasil e negros faziam coreografias que simulavam o sofrimento da viagem. Já o carro “Bahia – encontro com os Nagôs” era mais claro e brilhou sob a luz do dia. Falando em brilho, as fantasias também estavam impecáveis e fidelíssimas à proposta do enredo.

beija-flor2001bA última alegoria (“Casa das Minas”) manteve o nível estético, mas passou em alta velocidade pela pista, já que o único senão da Beija-Flor foi a evolução na parte final do desfile – com mais de uma hora no cronômetro a escola ainda ocupava toda a passarela.

O samba-enredo – a meu ver o melhor do ano – rendeu maravilhosamente como já se esperava e a bateria utilizou instrumentos africanos, o que deu mais molho ao ritmo. Apesar da correria no fim, a harmonia da Beija-Flor esteve impecável, com os componentes cantando do começo ao fim.

O público, mesmo cansado, teimou em ficar para assistir à passagem da escola e consagrou a Azul e Branco com os gritos de “campeã” na Apoteose. E olha que havia pela frente todo um desfile de segunda.

imperio2001De volta à elite do Carnaval carioca, o Império Serrano abriu a segunda etapa dos desfiles com valentia, mas diversos problemas complicaram a escola antes mesmo da sua apresentação – Ernesto Nascimento e Actir Nascimento se juntaram a Silvio Cunha no meio da preparação.

O enredo “O rio corre pro mar” contou a história dos portos e dos estivadores, que fundaram o primeiro sindicato do Brasil, mas a falta de recursos ficou clara. Aliás, a grande aposta da escola, o carro que tinha um enorme contêiner e foi planejado para abrir na pista e mostrar uma surpresa, não funcionou e ainda teve outros problemas – aliás, o iluminador que faria os efeitos especiais dos carros imperianos não conseguiu entregar o que havia prometido.

Os conjuntos alegórico e de fantasias, embora contassem o enredo, eram inferiores aos de outras escolas, e até balões foram usados (foto acima) para tentar algum efeito diferente. Para completar, a evolução imperiana foi um desastre, com diversos buracos e alas se embolando umas com as outras.

Por outro lado, o Império Serrano mostrou a velha categoria em dois quesitos: samba-enredo e bateria. O samba, defendido com uma garra comovente por Carlinhos da Paz, era um dos melhores da safra (ganhou o Estandarte de Ouro) e foi bem cantado pelos componentes até a parte final, quando a escola correu para não estourar o tempo. Foi um desfile de muito samba no pé, mas havia risco de novo rebaixamento.

A Caprichosos de Pilares foi a segunda a desfilar e contou a história do estado de Goiás. Também não foi uma das apresentações mais requintadas nos quesitos plásticos, provavelmente pela falta de recursos da escola, mas até que a proposta do enredo foi apresentada com coerência.

Usando um chapéu de caubói, o grande Jackson Martins interpretou o samba com extrema competência como de costume e o público recebeu bem a escola. Mas houve irregularidades claras no quesito harmonia, com algumas alas cantando a plenos pulmões e outras de forma muito tímida.

A evolução da escola também não foi das melhores, principalmente no momento da apresentação do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, quando houve um grande claro. Com esses problemas, o fantasma do rebaixamento também não poderia ser descartado para a Azul e Branco de Pilares.

viradouro2001Uma das escolas mais fortes nos anos anteriores, a Unidos do Viradouro chegou ao Carnaval com problemas. Substituindo Joãozinho Trinta, o carnavalesco Roberto Szaniecki foi demitido antes do desfile após divergências com a diretoria durante a preparação do enredo “Os Sete Pecados Capitais”.

Fato é que  a Viradouro fez um desfile quente por causa do bom samba-enredo e da excepcional bateria de Mestre Ciça, que empolgou o público com ousadas paradinhas, convenções e coreografias – a modelo Luma de Oliveira voltou a brilhar e ajoelhou na frente dos ritmistas quando estes também se ajoelhavam. Mas nos quesitos plásticos, as alegorias, embora de boa concepção, tiveram problemas de acabamento. Já as fantasias estavam superiores.

Outro contratempo ocorreu quando a direção da escola constatou um erro de cálculo numa alegoria e impediu a modelo Analice Nicolau de subir. Indignada, Analice tentou desfilar no chão e também foi barrada por não ser da comunidade. Segundo relatos de veículos de mídia próximos, ela arrancou o tapa-sexo e recebeu aplausos dos homens que estavam perto, antes de integrantes da escola correrem com um pano para tapar os “países baixos” da modelo.

De qualquer forma, o enredo foi bem dividido em oito quadros: os dos sete pecados (cobiça, soberba, luxúria, ira, inveja, preguiça e gula) e um chamado redenção, no qual o Carnaval serviria para os pecados serem convertidos em aspectos positivos – no caso, a cobiça seria a da Viradouro pelo título. Que ficou bem longe, diga-se de passagem…

imperatriz2001Em busca do tricampeonato, a Imperatriz Leopoldinense contou a história da cana-de-açúcar e da cachaça com mais uma boa apresentação, sempre calçada no detalhismo e bom gosto da carnavalesca Rosa Magalhães nos quesitos plásticos. Mas, se no ano anterior, a Rainha de Ramos teve uma exibição impecável, em 2001 aconteceram algumas falhas que poderiam comprometer as chances de título.

O grande senão da Imperatriz foi no quesito evolução, com alguns buracos e descompassos, sobretudo nos últimos vinte minutos, quando as alegorias ora ficavam paradas, ora eram empurradas muito rapidamente. Houve ainda uma discrepância de harmonia entre os componentes das alegorias (que cantavam com mais força o samba) e da pista (que não tinham o mesmo entusiasmo).

imperatriz2001bO samba era mais leve do que os dos anos anteriores e teve aceitação melhor por parte do público, principalmente na parte final do desfile, quando passou a última (e belíssima) alegoria em homenagem a Carlos Cachaça (representado por Elymar Santos) e à Mangueira (foto). Aliás, quase um terço da escola estava em verde e rosa como um tributo ao baluarte mangueirense, o que, a meu ver desequilibrou um pouco a proposta do enredo – na sinopse, só as últimas linhas falavam disso.

Mas não há como negar que a escola estava muito bonita. O destaque foi a monumental e lindíssima alegoria sobre o ciclo do ouro, no qual os escravos recebiam doses de cachaça para se esquentarem devido ao frio. Gostei muito também do carro “O Plantio da Cana”, de acabamento muito bom.

Com a bateria imprimindo ótimo andamento ao samba e Luiza Brunet brilhando, a escola terminou sua agradável apresentação bem recebida pelo público. Mas derrotar a Beija-Flor seria muito difícil, já que a escola de Nilópolis teve menos falhas, um samba melhor, um desfile mais quente e uma apresentação superior no conjunto.

mangueira2001Outra que realizou um bom desfile foi a Estação Primeira de Mangueira, com o belo enredo sobre a importância dos fenícios no Brasil. Na volta do carnavalesco Max Lopes à escola depois de 17 anos, a Verde e Rosa se apresentou com um requinte e cuidado com os quesitos estéticos que havia muito tempo não se via. Para se ter uma ideia, todos os diretores de alas e integrantes de apoio desfilaram fantasiados para não quebrar o conjunto visual da escola.

Meses depois da morte de Dona Neuma, a comissão de frente coreografada por Carlinhos de Jesus prestou uma singela homenagem: os “mercadores da alegria” desfraldaram um elemento alegórico simbolizando um balcão de negócios que se transformava num trono de onde saía Dona Zica, que jogava flores na pista e uma pequena faixa escrito Neuma.

mangueira2001cO imenso carro abre-alas era dourado e dividido em partes acopladas, com uma enorme embarcação ladeada por dois animais formados por uma cabeça de águia e um corpo de leão, um sinal de sorte para os fenícios. A segunda alegoria (“Brasil, Fantástica Natureza”) era em tons de rosa claro e representava o espanto dos fenícios ao se depararem com as belezas naturais do país.

Em seguida, começou a ser a contada a história dos fenícios, na dourada e verde alegoria “Inspiração Assíria”, que retratava as origens da formação daquele povo, e no belíssimo carro “Templo do Rei Salomão”, no qual componentes faziam uma coreografia representando os trabalhos de construção.

mangueira2001bJá os carros “Magia do Oriente” e “Mercadores e Mascates” (este com bem idealizadas e acabadas esculturas caricaturadas de libaneses, descendentes dos fenícios) mostravam que até hoje muita coisa ficou da cultura fenícia. Por fim, a última alegoria tinha os baluartes da Mangueira e lembrou que “A Seiva da Vida” (título do enredo) vinha de duas árvores: o cedro (riqueza dos fenícios) e a mangueira (riqueza da escola).

O samba-enredo era muito bem escrito e valente, e Jamelão, que esteve ameaçado de não desfilar por problemas de saúde, fez mais uma interpretação impecável apoiado por Luizito e Clóvis Pê. Já a bateria de Mestre Russo, que teve a firmeza de sempre, fez ainda uma belíssima bossa no refrão principal, deixando a marcação apenas com os surdos um e suas clássicas batidas secas.

O público cantou o samba durante todo o tempo e os componentes também. O único pecado da Estação Primeira foi a evolução apressada da parte final do desfile, já que os componentes e alegorias passaram de forma mais lenta no começo. De qualquer forma, um grande desfile da Mangueira, a meu ver apenas inferior ao da inalcançável Beija-Flor.

Penúltima escola a se apresentar, a União da Ilha do Governador infelizmente não fez uma boa passagem com o enredo “A União faz a força com muita energia”, do carnavalesco Wany Araújo. Nos quesitos plásticos, a Tricolor foi um desastre. Ironicamente, num enredo que falava sobre energia, as iluminações das alegorias não funcionaram. O iluminador era o mesmo do Império Serrano, que simplesmente desapareceu (ou foi “desaparecido”, não se sabe) antes do desfile e só seria encontrado posteriormente.

Além disso, os carros e os figurinos não tinham concepções das mais agradáveis e a divisão cromática pendeu muito para o escuro. As fantasias tinham adereços de mão que dificultavam a evolução, algo bem contrário à leveza típica das apresentações da agremiação.

Salvaram-se apenas a bateria, com excelente andamento, o samba-enredo, muito bem construído e de boa melodia, e a atuação do cantor Wander Pires, que fez sua primeira e única aparição na escola. Os componentes tentaram levar a escola nas costas com muita empolgação, mas a Ilha era candidata ao descenso.

granderio2001Com o reforço de Joãozinho Trinta na confecção do desfile e do intérprete Quinho, a Acadêmicos do Grande Rio entrou na passarela pouco antes de o dia clarear e fez uma bela apresentação na homenagem a José Datrino, o profeta Gentileza – quando jovem, ele tinha premonições e planejava liderar uma missão de paz contra o mal-estar que vivia o mundo depois que constituísse família, tivesse filhos e bens materiais.

De cara, uma grande novidade preparada por João 30 chamou a atenção do público: um dublê de astronauta treinado pela Nasa (a agência especial americana) sobrevoou a Sapucaí com um “rocket belt”, uma espécie de mochila movida a propulsão de nitrogênio. Não foi só uma mera presepada, mas uma ligação com a comissão de frente, que simbolizava os astronautas do terceiro milênio em busca da paz – aliás, a alegoria “Era Especial”, que vinha após o abre-alas, era toda prateada e vazada, com excelente efeito.

granderio2001bJoão 30 foi criativo na concepção de alegorias e fantasias, que lembraram a história do profeta que distribuiu mensagens de paz como andarilho e imortalizou 56 frases de esperança em famosos quadros (estes bem retratados no abre-alas com a mensagem “A Grande Rio saúda a imprensa falada, escrita, televisiva e pede passagem com o enredo Gentileza X, o profeta do fogo”) que pintava em viadutos da Av.Brasil. No entanto, embora a proposta do enredo tenha sido bem contada, talvez fosse mais adequado contar a história de Gentileza de forma um pouco mais linear.

Gostei principalmente da alegoria “O Circo de Roma Pagã”, imponente e de cores fortes – segundo entidades espíritas, a tragédia do incêndio do Gran Circo de Niterói (que matou cerca de 500 pessoas) em 1961 foi um resgate de vidas passadas em Roma Pagã. Gentileza, uma semana depois do incidente, foi até a cidade para consolar os parentes das vítimas, instruído por vozes e, não à toa, a Grande Rio o chamava de profeta do fogo.

O samba, que tinha como um dos autores Claudio Russo, cria da Portela e que se consagraria anos mais tarde na Beija-Flor, foi bem defendido por Quinho e a bateria de Mestre Odilon se consolidava como uma das melhores do Carnaval carioca. Mas houve alguns pequenos problemas: algumas alegorias, apesar de bem concebidas, tiveram falhas de acabamento, e a escola apressou demais a evolução no fim, o que afetou a harmonia das últimas alas, que não cantaram como a maioria das demais. Além disso a Grande Rio apresentou alguns buracos entre as alas.

Mas o grande pecado foi o desacoplamento do carro sobre Roma Pagã, que certamente faria a escola perder pontos. Uma pena, pois, mesmo sem ameaçar o que parecia uma tranquila vitória da Beija-Flor, a Grande Rio fez uma excelente apresentação, sem dúvida das mais quentes do ano.

REPERCUSSÃO E APURAÇÃO

Depois dos desfiles, a opinião praticamente unânime era a de que a Beija-Flor conquistaria sem sustos o campeonato, pela grande exibição e porque outras agremiações que fizeram boas apresentações não aparentavam uma grande ameaça por terem tido problemas. O jornal “O Globo” concedeu duas das premiações mais nobres do Estandarte de Ouro à escola de Nilópolis: melhor escola e melhor enredo.

Três escolas foram punidas antes da apuração: Paraíso do Tuiuti e Mocidade Independente perderam três pontos por merchandising (incrível como as escolas conseguiam perder pontos nisso), enquanto a Grande Rio também perdeu três pontos por causa do já citado desacoplamento de uma alegoria, o que fez a escola tecnicamente exceder o número máximo de carros.

Há pouco a dizer sobre o restante da apuração, que foi, digamos, das mais surpreendentes de todos os tempos. A Imperatriz Leopoldinense, a despeito de ter tido problemas de evolução, harmonia e desenvolvimento do enredo, obteve notas dez de TODOS os trinta jurados. Sim, é isso mesmo que vocês leram. A Imperatriz Leopoldinense obteve notas dez de TODOS os trinta jurados, totalizando 300 pontos.

A julgar por isso, foi o desfile mais perfeito de todos os tempos desde a explosão do Big Bang (não o da Viradouro, claro) em qualquer galáxia – ou, pelo menos, desde o “Seis Datas Magnas” da Portela em 1953, mas este sim reconhecido como um desfile de excelência à época.

A Beija-Flor, que foi superior a qualquer outra escola em todos os quesitos, só não levou dez de um jurado de Alegorias e Adereços e foi trivice-campeã. Mangueira, Salgueiro, Viradouro, Grande Rio e Mocidade completaram as sete primeiras posições – mesmo se não tivessem sido punidas, a Tricolor e a Verde e Branco não subiriam de posição.

Infelizmente a União da Ilha acabou inapelavelmente rebaixada, assim como a Paraíso do Tuiuti, incríveis 17,5 pontos abaixo da primeira escola fora da zona de rebaixamento, a Caprichosos de Pilares.

RESULTADO FINAL

POS. ESCOLA PONTOS
Imperatriz Leopoldinense 300
Beija-Flor de Nilópolis 299,5
Estação Primeira de Mangueira 298,5
Acadêmicos do Salgueiro 296,5
Unidos do Viradouro 293
Acadêmicos do Grande Rio 289
Mocidade Independente de Padre Miguel 287
Tradição 286
Unidos da Tijuca 280,5
10º Portela 280,5
11º Império Serrano 280
12º Caprichosos de Pilares 277,5
13º União da Ilha do Governador 274 (rebaixada)
14º Paraíso do Tuiuti 260 (rebaixada)

Num Acesso A marcado por bons desfiles, o título ficou com a Unidos do Porto da Pedra (com enredo sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente) e o vice-campeonato, com a São Clemente – o Migão já escreveu aqui no blog sobre o “sacode” clementiano de 2001, em um desfile sobre os carnavais críticos da própria escola. Santa Cruz (com homenagem a Mário Lago) e Vila Isabel (com enredo sobre o estado do Rio) ficaram em terceiro e quarto lugares.

Mas o melhor samba-enredo do ano foi do Boi da Ilha (ganhou o Estandarte de Ouro), e um dos autores foi o nosso companheiro colunista do Ouro de Tolo Aloisio Villar. Diga-se de passagem, o nome do samba (“Orun Ayé”) foi o escolhido para a coluna assinada por ele no nosso querido blog.

O Acesso B (na terça feira de carnaval) teve a vitória da Acadêmicos da Rocinha e o vice campeonato da União de Jacarepaguá, ambas promovidas ao Acesso A. A curiosidade é que a Difícil é o Nome, de Pilares, trouxe um enredo sobre o Norte Shopping – e foi rebaixada com a última colocação.

Depois da apuração, houve muita gritaria contra a Imperatriz, pois esta, pela segunda vez em três anos (coincidentemente o período em que o patrono da escola, Luizinho Drummond, foi presidente da Liesa), levava um título injusto. E a ausência de qualquer nota diferente de dez acirrou ainda mais as suspeitas quanto à lisura do julgamento.

O Desfile das Campeãs lamentavelmente foi um festival de hostilidades contra a Imperatriz. Além das muitas vaias direcionadas à escola quando esta entrou na avenida, espectadores jogaram latinhas de cerveja e refrigerante na pista.

Se o resultado do desfile foi realmente de se contestar, os desfilantes não tinham culpa disso, e estavam lá para defender o glorioso pavilhão gresilense, não para serem hostilizados. Convenhamos, qualquer tipo de violência é deplorável.

O descrédito foi tão grande após o resultado de 2001 que, depois de muita discussão, a partir do ano seguinte o critério seria novamente alterado, com a adoção de contagem nas casas decimais. Mas diversas aberrações continuariam acontecendo nos anos seguintes…

CURIOSIDADES

– O locutor esportivo Cleber Machado passou a ser um dos narradores da transmissão da TV Globo e ficaria na função até 2009. Já Glória Maria fez sua segunda e última participação na narração dos desfiles. Quem estreou como um dos comentaristas foi o músico Ivo Meirelles.

– A grande novidade da emissora para a transmissão foi a criação de uma cabine panorâmica cercada de neon azul. O detalhe é que a “bolha” ficava numa altura elevada, acima do setor dos camarotes, bem em cima da pista. Segundo se dizia à época, a novidade teria custado R$ 1,5 milhão.

– A Globo, diga-se de passagem, transmitiu na íntegra o desfile da Tradição que homenageou Silvio Santos e entrevistou personagens do SBT como Gugu.

O SBT divulgou exaustivamente o samba-enredo da Tradição na sua programação. Enquanto o samba rolava (com a passada completa), efeitos especiais com pandeiros e tamborins mostravam imagens impagáveis de Silvio Santos, inclusive no clássico momento em que o apresentador caiu numa banheira. De rolar de rir!

– Engraçada também foi a introdução da faixa da Tradição no CD, com Lombardi chamando o samba ao dizer o nome do enredo e o alusivo “Isto sim é a Tradição!”.

– O samba ficou tão popular na fase pré-carnavalesca que a torcida do Vasco cantou o refrão “Qual é o prêmio Lombardi, diz aí/Qual é a música quem sabe, canta aí/Quem quer dinheiro?/O aviãozinho vai subir” na final da Copa João Havelange quando, a mando de Eurico Miranda, os jogadores entraram em campo com uma camisa com o logo do SBT, em represália à Globo, que fizera matéria denunciando a compra de uma mansão em Miami pelo dirigente.

– As presenças mais aguardadas nos camarotes da Sapucaí em 2001 foram as do ator Arnold Schwarzenegger e da modelo Gisele Bündchen. Enquanto o fortão esteve muito mal-humorado, a ponto de empurrar uma fotógrafa e ser barrado na segunda-feira por se recusar a usar a camiseta do patrocinador, a bela gaúcha distribuiu sorrisos e fez a festa de fotógrafos e cinegrafistas – isso até atrapalhou em parte a evolução da Unidos da Tijuca.

– A União da Ilha foi rebaixada depois de 27 desfiles consecutivos na elite do Carnaval carioca. A Tricolor deveria ter sido campeã em 2003 com o enredo sobre Maria Clara Machado, mas no total amargaria oito anos no Acesso, até vencer o campeonato de 2009 de forma contestada.

– Não houve transmissão do Grupo de Acesso em 2001, tanto que as únicas imagens disponíveis do desfile da São Clemente (veja abaixo a seção Vídeos) são amadoras. Fica aqui o crédito ao Antonio Marcio pelas imagens.

– Houve relatos de desfilantes da Beija-Flor que incorporaram entidades durante o desfile da escola.

CANTINHO DO EDITOR – por Pedro Migão

Finalmente estreei como desfilante, fazendo uma loucura: vim no Paraíso do Tuiuti, fui em casa, troquei de roupa e voltei à Sapucaí para desfilar pela Portela. Ainda desfilei pela União de Vaz Lobo no então Acesso E, em história que conto aqui. Assisti ao desfile do Acesso A no sábado nas frisas do Setor 3 e o Especial na segunda feira no Setor 1. Ainda apareci na transmissão da Globo durante a Portela.

portela2001cO desfile da Portela foi muito prejudicado pela evolução lenta da comissão de frente. Minha ala, que era a segunda, ficou incríveis 55 minutos na avenida, muito além do que seria o razoável. Como resultado, a escola teve de correr demais ao final. Ainda houve o problema com as máscaras de algumas alas (inclusive a minha, na foto), nas quais alguns componentes insistiam em tirar e isso acabou acarretando em perda de pontos – e quase gerou uma briga na Apoteose entre integrantes da ala em que desfilei. Bonito em alegorias e fantasias, mas frio.

O samba da Portela deste ano, também, é uma das únicas vezes na história em que um “escritório” venceu a disputa da escola – o mesmo da Mangueira em 1999, aliás. Muitos portelenses preferiam o samba de David Correa (eu inclusive), derrotado na final.

2001 também marca o primeiro carnaval com atuação do Grupo PortelaWeb, formado em 2000 por portelenses atuantes em listas de discussão por email, a fim de construir o então site oficial da escola. Aos poucos o grupo foi se constituindo como referência na internet e posteriormente uma força política na escola, a ponto de sete de seus integrantes (eu incluído) estarem na atual diretoria.

Assisti ao desfile de segunda feira no Setor 1 e pela primeira vez vi ao vivo o Acesso, nas frisas do Setor 3 – que até hoje, à exceção de 2003 e 2006. são minha residência fixa neste grupo.

Como diz o amigo Fábio Pavão, se a Imperatriz fizesse um enredo sobre o Exército haveria um terço da escola falando sobre Nelson Sargento? Foi uma clara forçada de barra da Imperatriz, a fim de angariar uma popularidade que a agremiação, definitivamente, não tinha. Vale lembrar que o enredo era patrocinado.

O rebaixamento da União da Ilha era mais ou menos anunciado, por questões semelhantes ao da Vila Isabel no ano anterior – política e alegado mau uso das verbas. Logo após o carnaval foi apreendido um caminhão de salmão roubado dentro do barracão da escola, em episódio ao mínimo esquisito – e que rendeu uma paródia do samba do ano seguinte.

O samba-enredo da escola, aliás, apesar de sua beleza, foi banido dos ensaios. Hoje pode tocar música sertaneja no ensaio da escola. Mas este samba não toca.

Por falar em Vila Isabel, o resultado do Acesso A foi justo, mas desconfio que a escola antes do desfile já sabia que não voltaria ao Especial. O último carro, sobre o carnaval carioca, trazia dois bonecos de presidiários com um “171” pregado no peito: um representava os jurados, e outro, o presidente da Associação das Escolas de Samba, que organizava este grupo à época. Até hoje muitos torcedores reclamam da interferência de Martinho da Vila (autor do enredo) na escolha do samba, preterindo o belo samba do compositor André Diniz.

Aliás foi o último ano no qual subiram duas escolas do Acesso A para o Grupo Especial. De 2002 em diante passaria a subir apenas uma escola – o que, eu, pessoalmente, acho pouco. Muitos acham que a São Clemente deveria ter vencido e a Porto da Pedra vice, mas olhando nos quesitos acho o resultado justo.

A Em Cima da Hora, que teve uma muito controversa troca de diretoria após o carnaval 2000, claramente não utilizou a subvenção na preparação do seu desfile. No “grito de guerra” o então presidente pegou o microfone e disse o seguinte: “não julguem a escola pelo que vocês vão ver, julguem a Em Cima da Hora pelo seu passado de glória”. Obviamente, a escola foi rebaixada, o primeiro de uma sequência que levaria a agremiação até o último grupo.

A Inocentes de Belford Roxo, a outra rebaixada, trouxe uma alegoria que representava um ônibus da 1001 para a Região dos Lagos que era melhor que tivesse quebrado… Também foi rebaixada.

Unidos de Villa Rica e Boi da Ilha foram convidadas a integrar o Acesso A no meio de 2000, mas com a subvenção reduzida pela metade em relação às outras escolas. Ainda assim ficaram em quinto e sexto lugar, respectivamente.

O samba do Salgueiro é conhecido no meio como o “samba do tuiuiu tarado”, porque pede para o animal “deixar em paz a arara azul“. O curioso é que a melodia deste refrão voltaria em outros sambas posteriormente – um deles é Acadêmicos da Rocinha 2005.

O regulamento seria mudado posteriormente devido à polêmica dos patins na comissão de frente da Mocidade. Outro ponto de destaque no pré-carnaval da escola foi a resistência dos ritmistas em raspar a cabeça para encarnar Gandhi – no fim, todos acabaram cedendo.

Felipe, então jogador do Vasco e que estava com camisa de Harmonia na Grande Rio, se envolveu em bate boca com populares (capitaneados pelo meu pai) do Setor 1. E Monique Evans distribuiu flores à plateia e nos pedia para aceitar Jesus. Quase acabou em pancadaria. A propósito, não gostei do desenvolvimento do enredo, que mostrou muito os devaneios de Joãozinho Trinta e muito pouco o homenageado, a meu ver.

Foi a segunda e última vez em que a Tradição ficou à frente da Portela no resultado final.

Links

O desfile que deu o tricampeonato à Imperatriz

A apresentação arrebatadora da Beija-Flor

A ótima exibição da Mangueira

A homenagem da Tradição a Silvio Santos

O sacode da São Clemente no Acesso

https://www.youtube.com/watch?v=I9I-rW-6Vuo

Fotos: O Globo e Liesa

26 Replies to “2001: Com energia e vibração, Beija-Flor sobra, mas jurados passam régua pra Imperatriz”

  1. o samba da imperatriz é um dos piores da sua história,mas eu acabo gostando.

    foi um dos títulos mais criminosos,nunca que devia ser campeã a imperatriz e levando dez em tudo.era beija-flor ,mangueira e salgueiro,com a imperatriz no máximo em quarto lugar.

    o samba da ilha,e belo,mas pra cd,porque na sapucaí cansa.

    migão,uma dúvida,vc acha justo a décima colocação da portela nesse ano de 2001.

    a beija-flor domina,mas não é campeã,no maximo perdendo só meio ponto

  2. Na apuração, toda vez que o nome da Imperatriz era anunciado, a arquibancada descia vaias.

    Devo ser o único que gosta do samba da Imperatriz.

    Foi a sétima vez seguida que a campeã vencia por meio ponto. A Imperatriz foi a última campeã com pontuação máxima, tal feito seria repetido pela São Clemente em 2003 (este tem explicação extra pista) e pela Caprichosos em 2012 – no finado Grupo B.

    O público só se empolgou com a Tradição no começo do desfile.

    O tri sa Leopoldina foi tão injusto que a escola nunca mais ganhou carnaval…

    Que venha 2002!

    1. Este título da Caprichosos também tem explicação extra pista, mas pelo menos a escola na avenida justificou

  3. Vou comentar os desfiles antes de ler a coluna.

    Sem dúvidas nenhuma o pre carnaval ficou marcado pela homenagem da Tradição ao Silvio Santos. Surpreendeu a exibição da Globo na época (o SBT vivia na sua melhor fase) tiveram que engolir a seco dando 39 pontos de ibope no domingo.

    Tuiuti: a zebra de 2000 trouxe um belo samba mas desfile incapaz de manter na elite. Uma apresentação simpática.

    Tradição: talvez a melhor apresentação da história da escola, não digo colocação. Pena que a evolução foi muito tumultuada. Samba e desfile histórico que marcarão para sempre. O patrão merecia uma homenagem em SP quem sabe, na sua Gaviões.

    Tijuca: o grande problema da escola foi se apresentar depois da Tradição.

    Salgueiro: foi um desfile correto, superior ao ano anterior.

    Mocidade: a problemática apresentação da comissão contaminou o irregular desfile.

    Portela: mais um desfile para os portelenses esquecerem, apesar de uns momentos de muito luxo.

    Beija-Flor: campeã de 2001?!

    Império: foi uma apresentação modesta e eficiente. Curioso até hoje para ver o container que não abriu.

    Caprichosos: o enredo limitado possibilitou um desfile com bons momentos plásticos. Saudoso Jackson muito bem em mais um ano!

    Viradouro: eu gosto muito desse desfile, aguardado após a perda de J30. Evolução um quanto problemática.

    Imperatriz: título menos merecido que 2000, porém mais justo que o de 1999. Mas 10 em tudo foi dose.

    Mangueira: eu particularmente adoro esse desfile. A empacada do ultimo carro caiu as chances de título. Talvez a melhor combinação do verde e rosa da década.

    Ilha: comissão e alegorias despencam em plena avenida, fora o samba sem a cara da escola.

    Grande Rio: colocação justa, repetinda a melhor da escola dois anos atrás.

  4. Boa tarde!

    Prezado Fred Sabino:

    Como torcedor da Imperatriz, eu tenho até vergonha de comentar aqui hoje, mas vida que segue!

    O pessoal da Tradição parecia acreditar que algo muito bom estava para acontecer. Pelo menos um retorno ao sábado das campeãs. Isto ajudou a empurrar a Escola em sua arrancada.

    Uma breve “correção” (Posso?) diz respeito ao Deus no abre-alas da Mocidade, inspirado nos afrescos de Michelangelo no teto da Capela Sistina (E não escultura, como está no texto).
    Aliás, falando em Mocidade, Renato Lage, em bate-papo ocorrido na UERJ em 2013, explicou como funcionava a coregrafia com patins da Comissão de Frente, segundo o próprio, algo lindo, prejudicado por uma interpretação quase pessoal do regulamento.
    O próprio carnavalesco foi bastante criticado por adoção de elementos e visuais “não-brasileiros”. Mal as pessoas imaginavam o que Paulo Barros iria inserir nos desfiles anos depois…
    (Não estou fazendo uma crítica aos dois profissionais, mas aos seus implacáveis – e chatos – críticos).

    Beija-Flor fez um de seus maiores desfiles e um dos maiores da era sambódromo também.
    A polêmica ficou por conta da abordagem do enredo, contrariada na fase pré-carnavalesca pelo antropólogo Sergio Ferretti, da UFMA, estudioso da Casa das Minas (Segue o link do artigo divulgado à imprensa: http://www.antropologia.com.br/colu/colab/c5-sferretti.pdf).
    Pessoalmente, entendo o enredo da Beija-Flor como algo autoral, sem a necessidade de comprovação histórica.

    A “alegoria surpresa” do Império conseguiu gerar uma expectativa na platéia jamais superada (!). Olhávamos aguardando até que ela sumiu das vistas…sem surpresa alguma!

    Mangueira fez um desfile campeão, bem melhor do que o 2002 a meu ver. Inferior em 2001 apenas à Beija-Flor.

    Rezam as histórias de sambódromo que um mal entendido entre um diretor da União e o então Presidente da Liga, Luiz Pacheco Drummond, na concentração teria “fechado a tampa do caixão” para seu rebaixamento…
    (Nada comprovado até hoje)

    A idéia de um homem voador deveria ter sido executada durante o desfile campeão da Mocidade em 1996. Não foi possível, e caiu no esquecimento.
    A Grande Rio de Joãosinho fez, e entrou para história!

    Que venha 2002!

    Atenciosamente
    Fellipe Barroso

    1. Eu acabei esquecendo de comentar no Cantinho: o eletricista que faria os efeitos dos carros de Império Serrano e União da Ilha – inclusive a abertura do contêiner – “foi sumido” antes do desfile. Só reapareceria bem depois.

      1. Estava escrito nos comentários deste ano, lá no Trinta Atos, postado pelo WillFS:

        “Sobre a União da Ilha, dizem o seguinte: Lembram que na época o Barracão dela era ao lado do da Tradição e do Império Serrano? Pois é, a Tradição pediu um pedaço emprestado para fazer suas alegorias, em troca cederia um iluminador (tb para o Império Serrano), e aí, como vc mesmo já descreveu, esse iluminador “misteriosamente” desapareceu… Até hoje costuma cantar “A energia está no ar (menos nas Alegorias)” rsrsrs”.

  5. Belo (e polêmico) ano! Antes de falar das escolas, uma curiosidade: foi a primeira vez em sei lá quanto tempo que as escolas foram proibidas de promover queima de fogos na abertura de seus desfiles, por causa da lamentável tragédia ocorrida durante o reveillón anterior em Copacabana, quando fogos estouraram ainda na areia, matando uma pessoa e ferindo várias.

    Não dá pra ser diferente: a Beija-Flor foi a melhor com larga vantagem em relação as outras. Quase tudo perfeito. A única falha foi um queijo de uma alegoria que caiu logo no início do desfile (o destaque até dava entrevista pra Globo depois da queda, sendo interrompido de forma bruta pelos integrantes da escola), e que causou o meio décimo perdido. A meu ver, os outros 2 jurados também deveriam ter descontado meio ponto, porém, como disse Neguinho da Beija-Flor antes da apuração, a escola tinha feito desfile pra sobrar meio ponto. Foi compreensível a revolta dos integrantes depois do resultado.

    A Imperatriz fez um bonito desfile, superior para mim a todas as outras, mas bem distante da Beija-Flor. Os erros em evolução foram claros, tanto que pelo menos uns dois buracos, entre eles na hora do recuo da bateria, foram facilmente perceptíveis na tv.

    Mangueira também fez um belo desfile, com um apuro visual típico do Max Lopes, como que prenunciando o que estava por vir em 2002. Comissão de frente emocionante, naquela que seria a última aparição da saudosa Dona Zica num desfile oficial da verde e rosa. Emocionante também mestre Jamelão cantando com a qualidade de sempre sentado num banco por problemas de saúde. AO ser questionado sobre isso antes do desfile, emndou na lata: “eu canto com a voz, não com as pernas” kkkk! Infelizmente, a pressa no final do desfile e um enorme buraco formado antes da entrada da última alegoria acabaram com as chances da escola. Interessante notar na transmissão, num dos momentos com a letra do samba, um jovem Bruno Ribas entre os cantores da Mangueira.

    Também adorei o Salgueiro, achei até melhor do que no ano anterior, principalmente por Mauro Quintaes ter feito um Pantanal com as cores da escola, sem apelar para o verde óbvio. E Nego deu um show na interpretação do samba.

    Não dá pra negar: Sílvio Santos foi o nome mais comentado do Carnaval 2001. Esbanjou carisma e simpatia. E a Tradição mostrou como o sucesso de um samba está ligado a sua promoção. Devido a intensa veiculação do samba por parte do SBT, bem como o apelo do enredo, o sambódromo cantou junto. Pra se ter uma ideia, amigos meus que nunca tinham visto desfile na vida, sabiam a letra do samba toda…

    Achei que a Tijuca apresentou um Nélson Rodrigues exageradamente comportado. E achei lamentável não ter se falado sobre a grande paixão do homenageado o Fluminense. Seroa o mesmo que falar de Pelé e omitir o Santos. Como disse em outro comentário, era por causa da relação com Eurico Miranda (que, pelo menos em relação a ajuda financeira, acabaria esse ano) tanto que integrantes da escola distribuíram pequenas bolas de futebol com o escudo do Vasco antes do desfile. O ponto alto foi a comissão de frente, para mim a melhor do ano, retratando obras de Nélson Rodrigues, e a bailarina principal, nossa…

    Mocidade estava linda, alegorias com o padrão Renato Lage de qualidade, principalmente uma que retratava a infância. Também emocionou o músico Marcelo Yuka no carro “Casa Limpa, ALma Limpa”, poucos meses após ser baleado num assalto e perder o movimento das pernas. Infelizmente, os problemas citados afastaram a escola do título, apesar que no meu gosto ela terminaria entre as campeãs, no lugar da Viradouro, que valeu mais pela ótima apresentação da bateria e sua rainha, além do bom samba.

    Apesar do imperdoável esquecimento do centenário de Paulo da Portela (repetido pela Mangueira com Cartola em 2008), achei a Portela digna.

    Império Serrano mostrando que samba, canto e bateria nunca serão problemas na Serrinha. Achei o enredo muito bom também.

    Jackson Martins e o samba foram os destaques da Caprichosos. Samba, aliás, que marcou a primeira vitória de Lequinho, compositor que depois se consagraria vencendo várias disputas de samba na Mangueira.

    Lamentável o rebaixamento da Ilha, mas não tinha outro jeito, a escola estava extremamente escura, a comissão de frente era um desastre, e olha que adoro esse samba, uma pena a escola aparentemente considerá-lo agourento…

    E quando achava que o Carnaval 2001 já tinha acabado, Joãozinho Trinta me fez arregalar os olhos com seu homem voador. Lembro de falar um PQP e ficar uns cinco minutos atônito! Só o gênio Joãozinho Trinta mesmo. Apesar de achar 2002 até razoável, acho que esse foi o último grande momento desse gênio no Carnaval, infelizmente…

    Abraços e até 2002, meu Carnaval predileto!

  6. Título para a série dos “inaceitáveis e absurdos”. Nem Campeãs a Imperatriz merecia! Era Beija-Flor campeã, com Mangueira e Viradouro logo atrás. E a Tradição merecia o sexto posto!!

  7. Aliás, vou até repetir o que eu postei no Trinta Atos de 2001:

    “Existem injustiças e injustiças.

    Tem aqueles desfiles que “deveriam ter ganho”, mas perderam para outros brilhantes e inesquecíveis, como 1977, 1979, 1988, 1989, 1992 e 2000, só pra citar os mais notórios.

    Tem aqueles que empolgam e marcam, porém pecam em alguns aspectos que, analisados à luz da razão, os vencedores mostram-se, de alguma forma, merecidos, como 1994, 1997, 2004 e 2011, por exemplo.

    E tem os inacreditáveis, inexplicáveis e inaceitáveis, como 1983, 1987, 1999, 2003, 2006 e o deste ano de 2001. Não tem cabimento um desfile horrendo, de causar vergonha até para o Acesso de São Paulo, levar todas as notas 10.

    Comparado a isso, só, talvez, a Mangueira em 1987!!

  8. Uma dúvida: pra q esse “cantinho do editor”? Ninguém quer saber o q esse editor (é jornalista, por acaso?) fez ou deixou de fazer no carnaval. Haja ego… Aff.

    1. Oi, Amanda, boa tarde. Respondendo à sua pergunta, o Cantinho do Editor serve para acrescentar informações de bastidores não contidas no texto e a participação do Pedro não se trata de ego, mas contar a visão de quem esteve dentro da pista e pode falar melhor do que nós. Mais: mesmo não sendo jornalista, o Pedro tem bastante experiência no Carnaval: já tocou na bateria da Portela e hoje faz parte da diretoria, além de ter atuado na Harmonia da própria escola, e de outras agremiações, como por exemplo o Império Serrano. Fora isso, o Pedro é da ala de compositores da Renascer de Jacarepaguá. Portanto, considero as informações contidas no Cantinho bastante pertinentes, assim como outras informações que os próprios leitores nos escrevem e não entraram antes, seja por tornarem as colunas mais longas ou por esquecimento (ou desconhecimento) nosso. Como o objetivo da série é dividir conhecimento, essa mão dupla é fundamental, e qualquer informação vale.

  9. Desfilei muitas vezes na São Clemente e este 2001 foi, sem dúvidas, uma das apresentações mais animadas. O samba rendeu absurdamente no desfile. O acesso de duas escolas acabou premiando a alegria clementiana ao lado da beleza plástica e organização do Tigre. No Especial acho que não há dúvidas de que a Beija-Flor fez a melhor apresentação do ano.

  10. Do carnaval de 2001 lembro do tanto que tocava o samba da Tradição nos intervalos do SBT, Era impossivel não decorar, mas pena que na avenida aceleraram o canto e pôs a escola para correr. DE qualquer forma é um samba simpático.

    A Tijuca que vinha de dois ótimos anos (1999 e 2000), infelizmente não conseguiu consolidar sua presença na avenida.

    A Mocidade talvez mesmo sem querer sofreu com a falta de parte do figurino da Comissão. O conceito e apresentação dela, se fosse completa, iria render na minha opinião mais uma Comissão para ficar na história. A idéia de pregar a paz atraves dos icones e seus gestos foi muito bonita. A bateria fantasiada de Ghandi é uma das mais lindas dos anos 2000.

    Beija-Flor se deu bem em enredos afros. A escola sabe como levar e a comunidade se identifica muito com sua herança cultural e historico. Um desfile belissimo e com um samba de levada agradável.

    E apesar de opinioes contrárias e que aqui respeitarei sempre: gostei do desfile e samba da Imperatriz. Rosa novamente dando um banho de historia. Historia essa que me fez pesquisar mais sobre as Cruzadas. Titulo ao meu ver merecido!

    Que venha o ultimo ano de verdade da minha Mocidade, 2002…

  11. Alguém sabe dizer o que tinha dentro desse bondito container do Império Serrano? Tinha mesmo uma surpresa ou era um blefe?
    De 2000 pra cá o desfile da Beija Flor pra mim só foi inferior ao da Beija de 2007 como os melhores da escola.

    1. Segundo Sylvio Cunha, eram bonecos infláveis gigantes de uma baiana, um malandro e uma mulata. Eles estavam semi-inflados lá dentro e terminariam de encher quando abrissem o contêiner. Também surgiria uma passista antiga do Império entre eles.

  12. DÁ PRA DIZER QUE ESSE TÍTULO DA IMPERATRIZ É UM POUCO DA MANGUEIRA TAMBÉM NÉ, QUASE METADE DA ESCOLA VEIO VERDE E ROSA

  13. Tecnicamente a Imperatriz certamente não mereceu porque a Beija-Flor estava fora de série, mas eu curti demais aquele desfile. Assim como os Ghandis da Mocidade, achei bem legal o canavial da bateria da Imperatriz.

    “Quero vê descê o suco até melá/(na pancada) Na pancada doce do ganzá”

    1. O ”Na pancada” na voz do Paulinho Mocidade ficou pra lá de irritante , sobre o ano BF seria campeã com pé nas costas o pulo de 10 , mas , Imperatriz-Luizinho-Liesa-presidência coisas que (com exceção de 2000) inventaram o tri da escola, Achei simpática demais e direi até histórica por conta do enredo o desfile da Tradição , o samba que é popular mas do ponto de vista técnico é de uma pobreza Franciana (Tirando a primeira parte) cantarolo até hj , Portela vivia uma fase que remetia ao meu time nos anos 90 , porém é claro que não foi rebaixada ao contrário do meu Flu (2005 Quase)

  14. 2001 valeu pelos desfiles da Tradição e da BF , Portela nessa época parecia o Fluminense nos anos 90 , mas claro o Flu caiu e a Portela não (2005 quase caiu é verdade) não homenagear Paulo da Portela é parecido com que a Manga fez com Cartola em 2008 , um absurdo.
    Fecho com o hit do ano ” Qual é o prêmio Lombardi, diz aí/Qual é a música quem sabe, canta aí/Quem quer dinheiro?/O aviãozinho vai subir” era de uma pobreza Franciana mas era legal demais cantarolo até hj

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