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Estamos no meio de julho e, como escrevi em artigo anterior, com a antecipação da data de escolha determinada pela Lierj – entidade que cuida do desfile do Acesso – já temos diversas escolas no meio de seus processos de escolha de seus sambas. Além disso, algumas escolas do Especial já divulgaram suas safras e é hora de um primeiro panorama sobre as mesmas, escola a escola.

Posteriormente, farei um segundo artigo abordando as agremiações que não divulgaram ainda seus sambas concorrentes. À exceção da Portela, onde devo ser jurado em uma ou duas eliminatórias e, portanto, não darei opinião pública.

De forma geral, já dá para dizer que a safra do Acesso estará mais para o irregular 2014 que para o ótimo 2015. Das 13 escolas que farão disputa – a Renascer, uma vez mais, encomendou o samba ao trio Cláudio Russo, Tereza Cristina e Moacyr Luz – nove divulgaram seus concorrentes. Faltam Santa Cruz, Império da Tijuca, Rocinha e Viradouro. Esta última divulga na noite de hoje seus sambas e a Renascer apresentará dia 28 seu samba oficial para 2016.

No Especial, vale destacar a decisão tomada pela Vila Isabel, que fará uma disputa em tiro curtíssimo: apenas 20 dias entre a primeira eliminatória e a final. Não tenho opinião formada, mas o comentário no meio é de que a escola originalmente faria uma encomenda a uma parceria comandada pelos compositores André Diniz e Martnália, optando depois pela disputa aos moldes tradicionais. A conferir.

Também vale citar que todas as escolas, até agora, receberam mais sambas às suas disputas que para o carnaval 2015. Parece claro que a decisão de antecipar as disputas do grupo de Acesso influiu neste fenômeno, como expliquei anteriormente. Outra curiosidade é que, pela primeira vez, Neguinho da Beija Flor irá gravar concorrentes em outras escolas, ao passo que ainda não se ouviu a voz de Gilsinho (ex-Portela e Vila Isabel) em nenhum dos divulgados até agora.

Agremiação a agremiação, alguns palpites sobre o que ouvi dos sambas concorrentes. Vale ressaltar que, como escrevi no artigo citado, samba no cd é uma coisa, na quadra é outra e na avenida uma terceira. Por outro lado, não tem quadra ou avenida que dê jeito em composição mal nascida. Também lembro que para os números totais me baseio no que foi divulgado na imprensa especializada.

Império Serrano – foi a primeira a divulgar os sambas e, por isso, é a que está com a disputa mais adiantada. Restam 10 sambas dos 24 originais, mas a disputa parece restrita às composições das parcerias lideradas por Arlindo Cruz, Carlinhos da Paz e Valença/Hoffmann.

Para meu gosto pessoal este último, que tem passado bem na quadra, é o melhor, mas com qualquer um dos três o Império estará bem representado – apesar de, pessoalmente, achar a melodia do samba de Arlindo Cruz “cool” demais para o estilo da Serrinha.

Alegria da Zona Sul – recebeu nove sambas, tem seis a esta altura da disputa e o enredo sobre Ogum rendeu boas composições. Escolhendo os concorrentes das parcerias lideradas por Jayme Cesar, Samir Trindade ou Pixulé a escola estará bem representada na avenida para 2016. A se notar, apenas, que qual seja o escolhido a característica do intérprete oficial não deve valorizar o hino oficial para 2016.

A propósito, acho estranho um intérprete oficial de uma escola estar disputando samba em outra do mesmo grupo – e Pixulé também está concorrendo na Inocentes de Belford Roxo. Não sei se a direção do Império autorizou formalmente, mas faço o registro.

Acadêmicos do Cubango – recebeu doze sambas e, ouvindo os concorrentes, a gente fica meio sem saber se o enredo é sobre água, sobre banho de mar à fantasia, sobre Niterói, sobre a Família Grael, sobre isso tudo ou sobre nada disso. Mas no caso a “culpa” não é dos compositores: a sinopse, escrita pelo “enredista” Marcos Roza, é bastante confusa.

Ainda assim, temos bons sambas nas parcerias lideradas por Lequinho e pelos “galácticos” Samir Trindade e Cláudio Russo, juntos desta vez. Também temos o samba da compositora Denise Reis, que gerou defesas apaixonadas na internet, mas que ainda não me convenceu como samba enredo – para mim é um ótimo samba de “meio de ano”, vamos ver como vai na quadra.

Unidos de Padre Miguel – confesso que pelo enredo e sinopse esperava mais da safra, com 10 concorrentes. Gosto muito da composição assinada por Léo Peres e, como segunda opção, a da parceria de Samir Trindade – qualquer uma, se escolhida, irá proporcionar um bom desfile. Xande de Pilares também disputa nesta escola, mas com um samba inferior a estes dois em meu juízo.

Inocentes de Belford Roxo – recebeu 16 sambas e, pelo menos nas assinaturas, não se vê nenhum dos principais compositores cariocas nesta disputa. Em minha opinião, é a pior safra das divulgadas até agora, com um enredo que não deveria gerar este fenômeno – o cineasta Cacá Diegues. Deu PT – e não foi o partido…

Dos 16 sambas, considero 15 bem abaixo do padrão esperado e um (com boa vontade) razoável, o da parceria liderada por Serginho Castro – que tem como atrativo, também, contar com o filho do saudoso Jackson Martins como um dos intérpretes. O garoto tem futuro, aliás.

Outra composição faria bonito nos anos 60, com versos como “mãos da patrulha ideológica” e “visão de mundo socialista”… Sinceramente: se fosse dirigente da agremiação mandava refazer os sambas.

Unidos do Porto da Pedra – nove sambas e sendo bem sincero novamente o palhaço Carequinha, homenageado no enredo, merecia concorrentes melhores. O melhorzinho parece ser o da parceria liderada pelo Tunico da Vila (que conta com o jornalista Pedro Bial), mas nada que vá chamar a atenção no cd oficial do grupo de Acesso.

http://www.youtube.com/watch?v=sG6Ikm40rdo

Caprichosos de Pilares – a grande polêmica desta fase. O enredo – o ex-jogador Petkovic – não ajuda muito e a sinopse é bem confusa, para ser educado. Vi especialistas falando em “hecatombe”, “nem a seguradora salva”, “fim dos tempos” e coisas correlatas para se referir ao conjunto da disputa, mas a escola tem dois sambas ao menos razoáveis: os das parcerias assinadas por Josemar Manfredini e Gabriel Fraga. Os dois são melhores que qualquer um das duas escolas citadas acima.

Os demais? Bom, deixa pra lá. Melhor assim…

Paraíso do Tuiuti – 16 sambas, disputa em andamento. Gosto muito do samba da parceria de Cláudio Russo. Nos concorrentes, entretanto, uma coisa me chama a atenção: vários deles forçam a rima com “Tuiuti” em seus refrões principais.

União do Parque Curicica – nove composições, superior às seis de 2015. Não tem nada que você ouça e diga “oh!”, mas há pelo menos três ou quatro interessantes. Já é um sinal que a escola deverá ter um samba bem superior ao levado à avenida em 2015.

Salgueiro – um bom enredo gera uma boa sinopse que gera bons sambas. E a Academia da Tijuca, que sofria com safras e sambas irregulares nos últimos anos, tem pelo menos quatro ou cinco ótimos concorrentes no número (recorde até aqui) de 45 totais. As composições de Marcelo Motta (minha preferida), Antônio Gonzaga, Raoni Ventapane, Demá Chagas e Tico do Gato são, todas, muito boas. Dá gosto de ouvir.

A composição que é considerada a grande favorita, a do bicampeão Xande de Pilares, em minha opinião parece estar um degrau abaixo das citadas acima – embora seja muito superior ao vencedor de 2015. O Salgueiro fará uma disputa em “mata mata” a partir das oitavas de final, em um formato novo – e estou bem curioso para ver como irá se desenrolar.

Imperatriz – o enredo sobre Zezé di Camargo e Luciano, que ganhou uma floreada falando de Goiás e da vida do campo, sugeria a muitos uma seleção de sambas bastante “insólitos”, por assim dizer. Mas a agremiação, que ainda tem várias parcerias que só escrevem lá, entregou um conjunto bastante satisfatório para sua disputa.

O samba que vem sendo muito elogiado, da parceria assinada por Zé Katimba, tem uma linha que lembra demais a seguida por um dos grandes compositores do samba enredo carioca. Outra, liderada pelo cantor Elymar Santos, idem para outro expoente. Uma grande coincidência, né…

Pessoalmente, achei dois bons sambas, mas longe do frisson causado a alguns. Queria ouvir uma gravação melhor que a disponibilizada da composição de Eduardo Medrado para poder ter uma opinião melhor. Contudo, a “Rainha da Leopoldina” pode ficar sossegada que terá um dos grandes sambas do carnaval 2016.

O leitor concorda, discorda? Deixe sua opinião na área de comentários. Para ouvir os sambas: Rádio Arquibancada ou Samba de Raiz.

Imagem: Diego Mendes/SRZD

13 Replies to “Algumas notas sobre as Safras de Samba Enredo para 2016”

  1. Nobre Pedro Migāo,

    Gostaria que fosse mais claro, acerca do nosso samba na Imperatriz…
    Preciso entender de que linhagem se refere. Por favor, seja claro.

    1. Alexandre. no caso específico de sua composição (que é minha preferida) é algo que acontece na música desde que o mundo é mundo: influências musicais. Parcerias e parceiros anteriores acabam naturalmente influenciando a nossa maneira de compor. Então, quando ouvimos, nossa memória auditiva acaba se remetendo a sons e coisas familiares.

      De qualquer forma, por favor me passe seu telefone em PVT para que não haja qualquer mal entendido. Abraços.

  2. CARO AMIGO… O ESTRANHO SERIA EU DISPUTAR SAMBA NO IMPÉRIO SERRANO ONDE SOU O INTÉRPRETE OFICIAL… E A PROPÓSITO, EU COLOCO SAMBA NA ALEGRIA DA ZONA SUL E NA INOCENTES A ANOS E JA GANHEI EM AMBAS E NUNCA TEVE NENHUMA OBJEÇÃO DA ESCOLA ANTERIOR O QUAL EU ESTAVA E NA ATUAL TAMBÉM.
    MAS, CONFESSO QUE TEVE UM DIRIGENTE DO IMPERIO SERRANO QUE ME DEU UM PEQUENO PUXÃO DE ORELHA…KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

  3. NO IMPERIO SERRANO VEJO TRES SAMBAS SOMENTE E UM DELES NAO FOI CITADO DIZER QUE NA BELFORD ROXO NAO TEM COMPOSITOR E COMPLICADO

  4. Pedro Migao insinuou que o samba do Elymar na Imperatriz na verdade é do Samir Trindade. Mas depois que o Alexandre, que é da parceria, apareceu, Migao deu uma bela afinada.
    Se não tem culhao pra sustentar o que fala, não fale.

    1. Em momento nenhum disse isso, que fique claro. De mais a mais, se eu realmente achasse isso teria perguntado ao próprio – não preciso de intermediários.

  5. Karlos Alberto,

    O que o Migāo disse ou quis dizer, na verdade ficou pelo meio do caminho. O Samir Trindade, não só é meu parceiro de sambas, como é meu amigo pessoal. Por conta da história que construímos juntos, e pelo inegável talento do Samir, claro que, uma meia dúzia de bestas, podem fazer insinuações, ilações e etc. Mas de falarem claramente, terão de provar ou serão processados. Tião Pinheiro, tem 2 E.de Ouro em Samba Enredo, ganhou em 2013 6 sambas em um único ano, assinando todos. Elymar Santos, dispensa comentários, pois além de grande cantor, compôs músicas de sucesso que o Brasil todo canta. Bruno Castro, parceiro de Ivone Lara , com músicas gravadas por ela e por Zeca Pagodinho. E o Guga…É SÓ O MAIOR VENCEDOR DA IMPERATRIZ E DO GRUPO ESPECIAL. Fraco mesmo, só eu! Mas dentro da minha fraqueza, reside um quê de poesia.

  6. A análise é uma das mais sensatas que eu já li: Opinião concreta e imparcial, visando, sempre, o carnaval em sua mais pura essência! Parabéns!

  7. O autor do post insinuou que dois sambas são de escritório, é isso? E depois botou o galho dentro quando um dos compositores foi tomar satisfação, é isso?

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