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O verso fazia parte do refrão do samba apresentado pela Acadêmicos de Santa Cruz no Carnaval de 1997, no Grupo Especial. O enredo abordava as tradições, festejos, toda a simbologia envolvendo as bandeiras e o que representam histórica e culturalmente para a humanidade. Ao ouvir este samba recentemente, fiquei pensando em um assunto que queria dividir com vocês.

O desfile das escolas de samba é carregado de rituais, liturgias, símbolos. A bandeira de uma escola é tão importante que, no mundo do samba, todos se referem a ela pelo pomposo substantivo Pavilhão. Nos ensaios, um dos momentos mais solenes é o momento em que a porta-bandeira e o mestre-sala oferecem o pavilhão a convidados, dirigentes, gente VIP, o que seja. E estas pessoas têm a honra de beija-lo. Diz o manual de etiqueta que não se deve tocar o tecido com os lábios e sim beijar a própria mão, que “protegeria” o manto.

Certa vez, na quadra da São Clemente, fui convidado e, imediatamente, desconvidado a reverenciar o pavilhão aurinegro. O Marquinhos, da Harmonia, se dera conta de que eu trajava bermudas. E só se beija a bandeira de calças compridas. Bem, pelo menos em algumas agremiações esta exigência permanece. E, longe de me sentir ofendido com o “desconvite”, tratei de me lembrar do traje necessário para uma próxima oportunidade.

Talvez o caráter quase beato dessa espécie de Santo Sudário do samba venha mesmo da herança religiosa das festas populares. O desenho da imensa maioria dos pavilhões cariocas (nas escolas de São Paulo noto que não há tal padronização) tem raízes na bandeira do Divino, com seus raios dourados que ornamentam a pomba branca da paz. De fato é difícil encontrar uma escola que não tenha a bandeira em forma de raios que partem do centro (a do Salgueiro e a da Portela, por exemplo, trazem os emblemas não centralizados, mas levemente inclinados para o canto superior esquerdo).

Atualmente, uma única escola no Grupo Especial possui um pavilhão oficial com desenho que foge ao usual. É a Imperatriz Leopoldinense e sua coroa dourada que repousa sobre faixa diagonal verde. Nos demais grupos posso lembrar da Unidos do Cabuçu, cujo desenho lembra as bandeiras de clubes de futebol ou o formato da bandeira americana, com o brasão no canto superior esquerdo. Ou a Acadêmicos do Cubango, com o escudo da escola sobre o fundo totalmente verde. Enfim, são a minoria as que optaram por não seguir o padrão “bandeira do Divino”.

20150216_034830_resizedNão devemos esquecer que a proteção à bandeira está na essência dos desfiles e cabia ao mestre-sala o papel de segurança do manto, que poderia ser roubado, rasgado, vilipendiado por um rival. Felizmente, não corremos mais esse risco e um dos maiores prazeres e emoções que um sambista pode ter é admirar o bailado do casal diante da cabine de jurados. O único quesito em que 40 pontos estão nas mãos e pés de apenas duas pessoas.

Como imperiano nunca faria uma lista de pavilhões mais belos do Carnaval sem a Coroa Imperial cercada pelos raios da paz e da esperança. A bandeira do Império, afinal, foi um dos motivos que me fizeram escolher – ou ser escolhido – por esta escola. Com todo respeito, e só a titulo de brincadeira entre amigos, deixo a minha lista de cinco pavilhões que considero os mais bonitos. Esta é a minha humilde opinião. Queria ler as de vocês.

Ah! deixo a do Império Serrano como “hors concours” para não ser acusado de favorecimento. A ordem é aleatória e não obedece a critérios de preferência.

São Clemente – a combinação é única e, se dificulta a vida do carnavalesco em algumas ocasiões, não ofusca a beleza do amarelo e do negro juntos. E ainda tem a Enseada de Botafogo no brasão. Muito bom gosto.

alexmarcelino-daniellenascimento-ip1Caprichosos – mesclar dois tons de azul, mais claro e mais escuro, em raios alternados, dá um toque especial ao pavilhão de Pilares. Entre tantas escolas que escolheram as cores azul e branca a Caprichosos conseguiu um diferencial.

Rocinha – Confesso que sou um pouco da linha um é pouco, dois é bom, três é demais. Para uma escola de samba acho que três cores tiram o peso de uma cor que identifique a agremiação. A Portela tem o azul, o Salgueiro, o vermelho. A Ilha tem que se equilibrar entre essas duas cores de tanta personalidade e acaba não tendo uma que a identifique tanto. Sei lá, um devaneio meu. Mas a bandeira da Rocinha, em azul, verde e branco, com o desenho da borboleta, me agradou desde a fundação da escola. Acho bem bonito o desenho.

Portela – Há muitas bandeiras azuis e brancas, como disse acima. Mas o tom do azul portelense e a águia branca autoexplicativa são, ao mesmo tempo, símbolos de tradição e desenho moderno. Um belíssimo pavilhão.

Mangueira – sim, ok, podemos lembrar da Lins Imperial, da Unidos de Manguinhos. Até o Engenho da Rainha já usou a combinação. E o Jacarezinho, infelizmente, incluiu um verde ao original e único rosa e branco. Mas, cá pra nós, falou verde e rosa, pensou Mangueira. Tem gente que torce o nariz, que diz que é cafona e que as duas cores não ficam bem juntas. É que a Mangueira não é bicolor. Ela transformou verde-rosa numa cor só, um casamento perfeito para ela. Não é só pelo som dos tamborins e rufar do tambor que se conhece ao longe a velha Manga. O pavilhão é inconfundível, sagrado, imortal.

Imagens: Arquivo Ouro de Tolo e Tudo de Samba

2 Replies to “Um amor não se vive sem bandeira”

  1. Belo post, Carlos!!

    Bom, farei o mesmo – e deixarei a Mocidade Independente de fora:

    1- Portela (águia inconfundível)
    2- Unidos da Tijuca (eu adoro o amarelo-ouro)
    3- Imperatriz (diferente das outras, só com a faixa diagonal)
    4- Mangueira (onde o logo fica num “octógono”, e não em um círculo)
    5- Salgueiro (o logo não fica centralizado, igual à Portela)

  2. Não tinha parado para pensar nisso ainda. Gostei da brincadeira. Em ordem de preferência:

    1 – Beija-Flor (acho a melhor combinação de azul e branco e valoriza o símbolo)
    2 – Imperatriz (é um pavilhão imponente e original)
    3 – Mocidade (a melhor combinação de verde-e-branco e também valoriza o símbolo)
    4 – União da Ilha (concordo que mais de duas cores atrapalham, mas o Tricolor da Ilha é único)
    5 – Unidos da Tijuca (o azul e amarelo formam uma combinação excepcional)

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