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Semana passada o lateral, modelo e manequim Daniel Alves deu uma entrevista ao programa “Bola da Vez” da ESPN Brasil. Uma entrevista que prometia ser uma como outra qualquer de jogador de futebol, que é normalmente um cara cheia de clichês, mete Deus em tudo e mostra que todo dom que recebeu pra jogar bola não tem em oratória.

Mas Daniel Alves não é assim, não é um jogador normal (seu modo de se vestir indica um pouco isso). Daniel teve a inteligência de perceber a oportunidade que recebera da vida e se aprimorou, se tornou um ser pensante e no momento que seu futebol começa a decair passa a dar excelentes entrevistas.

Daniel Alves faz parte de um grupo pequeno não só no futebol como no planeta, o dos “seres falantes”. Sempre pedimos por mais “seres pensantes” que realmente não são muitos no mundo. Mas mesmo nesse diminuto grupo são poucos que tem coragem de levar o que pensam até a fala. Normalmente quem faz isso são os loucos e os que tem nada a perder.

Daniel faz parte do segundo grupo. Milionário, descolado, vive numa das cidades mais bonitas do mundo, joga na equipe mais poderosa (acabando de renovar contrato nela), é querido pelo camisa 10 e dono do time, joga há uma cacetada de tempo na Seleção Brasileira e provavelmente não tem mais grandes ambições em relação a ela. Já venceu com a camisa amarela tudo que poderia vencer (ou quase…) e tem a consciência de que o que não venceu dificilmente conseguirá.

danielalvesEle sabe que não vai vencer uma Copa do Mundo. A grande oportunidade ocorreu ano passado e acabou em forma de vexame (vexame que ele escapou por estar barrado). Não sabe se terá idade e resistência para ir à Copa de 2018 e, mesmo tendo, sabe que faz parte de uma seleção limitada e, só por um acaso dos Deuses do futebol, essa seleção com futebol e pensamento limitados poderá vencer a Copa.

Mas mesmo o futebol, esse menino imprevisível, se torna cada vez mais previsível. As zebras diminuem cada vez mais à medida que o poder econômico separa mais e mais times, povos e nações.

Ele deve estar cansado de ser bem sucedido no time e fracassar e passar por vexames na Seleção Brasileira. Resolveu falar o que todo mundo com um pouco de sensatez fala sem se preocupar com seu futuro na seleção. Futuro na seleção? Que futuro pode ter algo que vive do passado como a Seleção Brasileira?

Uma pessoa desavisada pode ficar incrédula com a CBF recusando o melhor técnico do mundo, que viria trabalhar até de graça, que queria porque queria fazer da seleção campeã do mundo. Para alguém que entenda de futebol brasileiro, não causa espanto. Se estamos dessa forma, muito existe de culpa em dirigentes e treinadores.

Se formos parar para analisar que um de nossos “seres pensantes”, Carlos Alberto Parreira, se tornou um “ser falante de bosta” e diz que pra treinar a seleção tem de ganhar três campeonatos brasileiros e uma Copa do Brasil sendo que nem o atual técnico da seleção nem ele mesmo ganharam isso, vemos que estamos em direção ao fundo do poço.

A coragem de Daniel Alves provavelmente não dará em nada. Mas é bom saber que ainda tem gente que pense e fale no futebol brasileiro.

Mesmo com modo esquisito de se vestir.

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

One Reply to “A entrevista de Daniel Alves”

  1. A Seleção Brasileira parece ter um Grande Passado pela frente. Certamente, após o que disse, Daniel Alves encerrou sua carreira na Seleção. Mas pode ter certeza, prestou um grande serviço. Mostrou o quanto nosso futebol está preso ao passado. Parece na época em que as pessoas andavam de charretes, enquanto as outras seleções parecem andar com possantes carrões.

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