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O leitor do Ouro de Tolo ainda não sabe, mas estamos preparando uma “Semana Olímpica” para os primeiros dias de agosto. Do dia 3 ao dia 10, teremos uma série de artigos voltados ao esporte e aos Jogos Olímpicos – já que no próximo dia 5 estaremos a exatamente um ano da Rio 2016.

Dentro desta programação especial, teremos desde um Raio X completo da preparação do Rio de Janeiro para os jogos (em cinco posts), passando pelo panorama de alguns esportes e chegando a momentos marcantes da história olímpica.

Faço este preâmbulo porque meu artigo na série será sobre aquele que é considerado por muitos especialistas o maior time de todos os tempos: o “Dream Team” norte americano de basquete de 1992. Fazendo a pesquisa sobre o tema, me deparei com uma situação que, caso tivesse transcorrido de forma diferente, poderia ter mudado não somente a história daquele time americano como da própria NBA.

2010 -- ESPN Films 30 for 30 -- Once BrothersRefiro-me à Guerra Civil iugoslava, que desmanchou não somente o país como a equipe nacional, medalha de prata em 1988, campeã europeia em 1989 e mundial em 1990. O time croata, com três titulares da equipe campeã em 1990, seria medalha de prata dois anos depois, chegando a oferecer resistência ao “Dream Team”.

Mas este artigo não é sobre basquete, embora também seja. É apenas um “gancho” para se falar de coisas como geopolítica, amizades e vida em sociedade.

O filme acima, “Once Brothers”, trata da relação entre os dois pilares daquele time: o sérvio Vlade Divac e o croata Drazen Petrovic. Ambos começaram juntos na seleção nacional, foram juntos para a NBA – desbravando um novo mercado, aquele momento, para jogadores europeus, sendo os pioneiros – se auxiliando na adaptação a um novo mundo, jogaram juntos nas grandes conquistas e eram inseparáveis.

Até que veio a política.

Na festa do título do Mundial de 1990, com a então Iugoslávia começando a sentir as pressões étnicas que levariam à guerra civil e a sua posterior desintegração, Divac tomou uma bandeira croata das mãos de um torcedor que invadira o campo e a descartou, dizendo que “somos todos iugoslavos”.

Entretanto, os políticos e a imprensa locais trataram de dar uma importância descabida ao gesto, que foi interpretado como uma “afirmação sérvia” por parte de Divac. O próprio deixa claro no filme que se sentia iugoslavo e não tinha formação política, mas ele acabou sendo usado no momento de radicalização que se vivia naqueles tempos.

Eram tempos em que se era sérvio ou croata, não havia meio termo. E este fato desencadeou o rompimento da amizade entre os dois jogadores, que não se restabeleceria – Petrovic faleceria em um acidente de carro em 1993. Um momento marcante do filme é quando Divac volta em 2010 a Zagreb para colocar flores no túmulo de Petrovic e visitar a família dele, e é ignorado por croatas, chegando a ser ofendido.

Naqueles tempos dos anos 90, ou se era sérvio, ou se era croata. Um não poderia ser amigo do outro. O amigo virou inimigo, digno de ser assassinado. A loucura e a barbárie tomaram a frente dos acontecimentos.

Soa familiar, leitor?

Lula e Dilma enforcadosSoa.

O Brasil não se configura em seis países sob um Estado Nacional, como era a Iugoslávia daqueles tempos. Mas vive  um momento de extrema radicalização política, com ódio político, ódio de classe e ódio racial. Um país em que a elite e a classe média declararam guerra ao povo mais humilde.

O leitor pode pensar que estou exagerando, que aqui não temos guerras, milícias paramilitares ou assassinatos em série. Não temos ou não temos ainda?

Temos uma camada da oposição, seja política, seja social, que não aceita o resultado das eleições e está buscando soluções extra constitucionais para impor a sua vontade e sua política, independentemente da vontade do eleitor expressada em outubro do ano passado. Temos setores da elite e da oposição política falando abertamente em vingança, perseguição e até em ditadura.

Temos uma grande mídia que trabalha abertamente pela suspensão da ordem constitucional, esquecendo-se de seu papel enquanto imprensa. Um Judiciário muitas vezes utilizado de forma política para atender a interesses partidários.

Do outro lado, setores apoiadores do governo e de sua vertente política falando abertamente em “resistência” caso haja um golpe de estado – ou “impeachment”, dependendo do lado em que se esteja. Até se fala em resistência armada, segundo algumas vertentes. Ou seja, dependendo do aprofundamento da radicalização do país, poderemos ter brasileiros atirando em brasileiros.

O clima de ódio hoje é comparável ao que mostra o filme. Amizades se cortam pelo fato de ser “petralha” em um lado e “coxinha” do outro. Anos de convívio se destroem, querelas judiciais se formam, agressões ocorrem. Laços se cortam, muitas vezes de modo definitivo.

8rr9jb6adk1684hdl72d2npzmÓdio que se manifesta em um colunista da imprensa afirmando que a crise grega “é culpa exclusiva de Lula e Dilma“. Ou em matérias de qualquer grande portal, onde tudo de ruim é atribuído “ao PT”. Até a fratura do goleiro do Flamengo…

Observam-se pessoas pacatas, instruídas, partindo para ofensas e ameaças pelo fato do outro pensar diferente. Agressões físicas já foram relatadas, aqui e ali. Se a pessoa é contra à redução da maioridade penal, por exemplo, é logo chamada de “bandido” ou coisas piores.

Não estou aqui para condenar ou absolver A ou B. Tenho meu lado e todo mundo sabe qual é. O que chamo a atenção é para o fato da radicalização política do país estar destruindo muitos dos laços de convívio social. Assim como croatas não podiam ou não queriam conviver com sérvios, no Brasil de hoje situação não convive com oposição, paulistas não convivem com nordestinos, ricos tem nojo de pobres, brancos de negros.

O racismo e o preconceito social estão se explicitando com força. É outro sintoma do esgarçamento social. Ideias como eugenia e deputados defendendo o aborto de bebês que “teriam tendências criminosas” (a.k.a. pobres e/ou favelados) não somente passam a ser defendidas de forma pública como desfrutam de bastante apoio na sociedade. O ovo da serpente sendo gerado.

Não farei análises profundas: só quero chamar a atenção para que não nos transformem em uma Iugoslávia. Que não sejamos Divacs lamentando terem perdido a amizade de Petrovics por questões políticas, sociais ou semelhantes. Sugiro ao leitor ver o filme, aqui apresentado em inglês com legendas em espanhol – mas perfeitamente compreensíveis.

Eu apelo.

10 Replies to “A guerra, o esporte, a amizade… onde vamos parar?”

  1. Um dos melhores filmes de temática esportiva a que já tive oportunidade de assistir. Lembro bem do título iugoslavo no Mundial da Argentina, em 90, e da maravilha que era ver essa equipe jogar. No ano passado estive em Zagreb e conheci a família do Petrovic. Também visitei o túmulo dele, como fez Vlad Divac. Um dos momentos mais emocionantes da minha carreira. Assim como foi visitar Sarajevo e conversar com os vários lados que compõem esse ex-país fascinante que se fragmentou e, infelizmente, deixou marcada uma imagem de ódio, intolerância e violência. O povo dos Bálcãs é alegre e receptivo e a região é de beleza ímpar. Como é bela essa história de amigos que um dia foram irmãos.

  2. “Once Brothers” é sensacional. Uma pena que o Petrovic tenha falecido tão precocemente e sem restabelecer sua amizade ou, ao menos, um clima mais amistoso com o Divac.

  3. Só discordo quando toca na mídia. Já virou o “cão arrependido” porque tudo é culpa da imprensa, justifica medíocre para vermelhos e azuis. Afinal, impeachment contra o FHC era “direito legítimo”, mas impeachment contra a Dilma é “golpe”?? Roubo “é coisa do PT”, mas o Cunha e o Calheiros foram “induzidos ao erro”?

    Perceba a “facilidade” em mudar de opinião dos dois lados.

    Bom, apenas postando isso – pois tem fanáticos sem pensamento dos dois lados – falo sério: texto excepcional e que retrata bem o que a falta de campanha eleitoral (porque foi só briga) provocou no país, nas relações de respeito e amizade.

    Sério, devia dividir tudo aqui também; criarmos vários países dentro do Brasil. e não é chorumela de paulista querendo independência. E sim porque NUNCA um nortista ou nordestino vai respeitar um sulista e vice-versa.

    Infelizmente! E já chegou ao esporte. Não teve um crente babaca que desejou que a Joanna Maranhão ficasse doente só pra não competir, só por ela ter apoiado a Dilma??

    Perdemos qualquer senso de educação e respeito! =/

  4. Texto e analogias bem interessantes, mais uma boa reflexão do Pedro. Verei sim o filme, o qual é mais um dos exemplos dos absurdos dessa guerra nos anos contemporâneos em que até vizinhos passaram a ser inimigos.

    Apenas, mais uma vez, o texto segue à parcialidade visível, insistente de sugerir que o governo atual é vítima, sendo que, todos esses anos, vimos uma incitação deliberada de luta de classes (elites e oprimidos, ricos e pobres, burguesia e menos favorecidos) por parte dos próprios líderes, especialmente em discursos repetidamente aplaudidos do ex-presidente.

    O que vemos agora não é mais do que um resultado do que o mesmo criou. O clássico “O criador e a criatura”.

    Agora é muito fácil e óbvio culpar a oposição, que não tem nada a ver com isso até as eleições do ano anterior.

    Respeitável público, o circo das culpas, afinal, “a culpa é minha e eu coloco em quem eu quiser”.

    Por favor, não sejamos tão inocentes.

    Abcs a todos

    1. Respondendo ao mesmo tempo ao Rafael e ao Rodrigo: eu tenho lado e deixo isso claro. Não tenho ilusão de ser imparcial em um assunto como esse. O que me incomoda são certos órgãos de imprensa que posam de imparciais e enviesam suas matérias para formar a opinião do público.

      1. Sobre a imprensa, acho que esse período tem feito muito mal à nossa imprensa. Eu sempre fui fã do estilo elegante do proselitismo com que Merval Pereira sempre escreveu. Isso acabou. Merval hoje mais parece um torcedor de arquibancada escrevendo, praticamente um Renato Maurício Prado da política. Totalmente perdido.

        Ricardo Noblat é outro que parece se perder. Ora joga gasolina na lenha do impeachment, ora recua. Parece seguir o vai-e-vem do Aécio, não se define. Mas saiu do equilíbrio.

        Só vejo equilíbrio atualmente em Miriam Leitão — que tem a posição dela, claro, mas é quem vejo buscando exercer jornalismo. Os demais — inclusive e sobretudo a claque governista — parecem escrever panfletos.

        1. Teu comentário, de alguém que não tem o mesmo posicionamento político que o meu, é um bom exemplo de como nossa imprensa há tempos deixou de ser imprensa “stricto sensu”.

          1. Perfeito Pedro e Marco,

            Também concordo com vocês nesse aspecto sobre a imprensa.

            Ela sabe bem direcionar conteúdo de acordo com os interesses, como vários outros partidários o fazem. Mas realmente o papel dela não deveria ser esse.

            Cresci com a discussão e fico feliz por isso.

            Abraços

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