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Há que se esperar pelas justificativas. Há que se esperar? Para tirar algumas dúvidas. Já para outras conclusões, nem tanto. Mais um carnaval chega ao fim.

E o resultado do Grupo Especial, que será questionado por muitos, traz muita coisa, sim, de positivo. A vitória dos enredos. Um desfile de escola de samba é, antes de tudo, uma narrativa. Uma história que se conta e canta, que se dança e se demonstra plasticamente. E as três primeiras colocadas dos desfiles de 2020 tinham o que contar. E souberam faze-lo.

Ser comentarista de resultado é bem mais fácil. E eu não escrevi palpites pós-desfile aqui nesse espaço, que comprovem essas apostas por escrito. Mas também não tenho nenhum motivo para inventar histórias. Em privado (o que os antigos chamariam de “petit comite”) minha razão via o título em Niterói. A emoção, em Caxias. Deu Niterói. No desempate.

Ponto para quem acreditou nesses quatro jovens. E muitos mais pontos para eles próprios. Marcus Ferreira foi campeão do Acesso em 2017. Tarcísio Zanon, em 2019. Leonardo Bora e Gabriel Haddad fizeram os melhores desfiles, em conjunto e guardadas perspectivas financeiras, da mesma Série A em 2018 e 2019. Foram forjados na dificuldade. Mostraram que têm grande valor e que vieram para ficar.

E mais. Aprenderam nos barracões insalubres da Zona Portuária que a velha máxima do Mestre Pamplona é uma das grandes verdades do carnaval. Tirar da cabeça o que do bolso não dá. E quando dá pra tirar do bolso também… Melhor ainda.

Viradouro e Grande Rio estão longe de serem escolas desprovidas de recursos. A campeã do carnaval é, provavelmente, uma das três que mais investiram (não tenho esses orçamentos).

Ainda assim, optaram por contar histórias de alto valor cultural. Que renderam belas plásticas. E boas obras musicais. A da Grande Rio, excelente obra. O samba da Viradouro cresceu demais no pré-carnaval até explodir na Sapucaí. Fruto de um trabalho exaustivo de ensaios na quadra do Barreto e no centro de Niterói. Mérito puro.

É claro que também não é coincidência que, das quatro primeiras colocadas, três não sejam do município do Rio de Janeiro. A cidade anfitriã da festa há alguns anos abandonou um dos seus maiores patrimônios culturais. A Mocidade se colocou ali mais por força da emoção proporcionada pela passagem de Elza Deusa Soares que exatamente pela riqueza de sua apresentação.

Novamente, a força de um enredo. De uma sinopse bem escrita, de um trabalho artístico que até pode merecer críticas aqui e ali – as alegorias independentes não rivalizavam mesmo com as de Vila e Salgueiro – só para ficar em duas adversárias suplantadas na apuração. Mas havia ali algo a ser dito. Algo muito relevante a ser dito.

Das agremiações que voltam no Sábado das Campeãs talvez apenas a Beija-Flor destoe um pouco dessa análise. A força nilopolitana não foi seu enredo, um tanto quanto aleatório. Ao Salgueiro eu acredito que tenha faltado um pouco de esperança nos sinais, um pouco desses milhões de benjamins das esquinas em meio à opulência do lindo circo.

A Mangueira, a quem eu acho que ergueram demais o sarrafo e esperaram por algo que não veio (será que não era a nossa excessiva expectativa que estava equivocada?), levou para a Avenida uma história bem costurada. Havia ali proposta. Narrativa e estética. Se foi abaixo do que muitos queriam? Se foi menos polêmica do que muitos imaginavam? Acontece. Mas havia enredo.

Então, dentro das chamadas campeãs, eram quatro enredos com início, meio e fim. Um enredo com pequenos pecados, o do Salgueiro. E um outro que, a mim, me parecia menos amarrado, o da Beija-Flor. Definitivamente, uma vitória dos enredos. Que foram o alicerce do que vem a reboque. Do samba às alegorias, das fantasias à evolução.

E, vejam só, na outra ponta da tabela… A mesma lógica se aplica. Quando a União da Ilha não convence nem a si mesma de que está defendendo algo em que acredita… Fica difícil ir além. Minha impressão é que sobravam alas e alegorias para pouca história. O ciclo se fechou muito rapidamente. A proposta se esgotou no abre-alas. Erros de evolução e de concepção artística acabaram levando a tricolor insulana de volta ao Acesso depois de uma década.

A queda da Estácio já não me parece tão inconteste. Se as notas tivessem determinado o rebaixamento da Tijuca ou do Tuiuti não veria qualquer injustiça (e é bom que se diga que o mesmo NÃO se aplica à São Clemente, que ainda ficou atrás da Unidos da Tijuca mas fez um desfile divertidíssimo e dentro de sua proposta – enredo – original, totalmente bem contada).

No entanto, mais essa curta passagem do Leão pelo Grupo Especial também pode ser, em parte, creditada a uma escolha que já se anunciava arriscada. Pedra talvez não tenha sido a melhor opção para esse retorno. E a partir do tema, com perdão do trocadilho, duro, árduo, construiu-se um roteiro cujo final, se não era previsível, não causou tanto espanto.

Por fim vou debruçar-me rapidamente sobre dois casos que causaram certa estranheza em alguns, indignação em outros. A ausência de Portela e Vila Isabel do sábado. Ou, ao menos, notas e colocações mais generosas com as duas azul e branco. No caso da Vila terei que bater na mesma tecla outra vez. Brasília, ou a “não-Brasília”, como muitos passaram a chamar, era o enredo que não queria muito ser enredo. Era uma história que a escola vai para a avenida contar mas sem querer muito contar, sabe? Como uma linda casa sem móveis. Como uma linda decoração sem gente para celebrar a festa. Como a linda capa de um livro em branco.

E a Portela…

Bem, a Portela teve falhas em quesitos específicos, como comissão de frente e mestre-sala e porta-bandeira que a puxaram pra baixo. Mas, antes mesmo de ler as justificativas, eu também vi na Águia algo que me chamou a atenção no Salgueiro. Foram lindos desfiles temáticos. De índios e de circo. Para voltar a uma metáfora, foram ótimos filmes que a gente tem o maior prazer de rever. Ou aqueles livros incríveis que volta e meia queremos pegar na estante e reler.

Só que aí aparece um filme novo em cartaz e ele é atraente. Um novo lançamento na livraria e a gente fica super curioso para ser surpreendido por uma nova história. E acaba deixando para reler ou rever aqueles clássicos numa tarde chuvosa qualquer. Viradouro e Grande Rio foram o livro e o filme inéditos. E aí, aquele lindo amanhecer indígena e aquela bela noite circense acabaram parecendo memórias afetivas de um outro carnaval. Daqueles desfiles que a gente não sabe bem se foram o de 1980 ou 1979… Só lembra que foram mágicos em seu momento.

Mas o momento já era outro. E, nas cinzas, venceu a ousadia de apostar em novas histórias e seus novos contadores.

Imagens: Ouro de Tolo

4 Replies to “Histórias Pra Contar…”

  1. Muito bom texto. A Viradouro mereceu o caneco. Algumas consciências…
    A Viradouro desceu em 2010 e a Ilha ficou. 10 anos depois a Viradouro é campeã e a Ilha rebaixada.
    10 anos depois uma escola que desfila no Domingo vence o carnaval
    A Grande Rio perdeu de novo no desempate, e das duas vezes vencedora do Domingo.

  2. Pessoalmente, eu gosto do enredo da Beija. E daquela comissão de frente.

    Os resultados foram justos, exceto a Tijuca que devia ter apanhado mais.

    E só faltam as justificativas, pra respondermos a perguntas importantes:

    – O que colocaram na limonada do Fernando Lima?
    – Em qual escola o Cláudio Luiz vai acusar um flam aleatório?
    – Qual o erro de compreensão anual da Regina Oliva?
    – A Beatriz Badejo xingou o casal de MSPB da Portela?
    – Pra onde foram as notas aleatórias do Clayton Fábio?

    Esperando ansiosamente a Justificando o Injustificável 2020.

  3. Eu fiquei muito feliz por ver tantos desfiles belos e enredos bem desenvolvidos. Para mim, a única injustiçada foi a São Clemente. Essa agremiação apresentou um desfile claro e com soluções originais. E ainda me fez rir muito com a sua irreverência. Portanto, merecia uma colocação melhor.

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