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A urna e a Gillette afiada

neymarjoelho

Começamos a semana impactados com o Neymar, mais uma vez.

Neymar falou de suas quedas, admitiu seus erros praticamente pedindo desculpas, tudo como era esperado por todos. O problema é que fez isso por intermédio de uma campanha publicitária ganhando um milhão. Pronto, era o esperado para estourar de vez a revolta em relação a ele. Eu mesmo escrevi um tweet ao saber do anúncio dizendo “Me ajude a te ajudar, menino Ney”.

Nem precisou de ajuda, no dia seguinte Jair Bolsonaro foi ao Roda Viva e mostrou a verdade dos fatos.

Neymar é um jovem bobo. Não é mau, não é vilão, não prejudica as pessoas e nem é um atleta com conduta ruim. Também não é “garoto”, nem “menino”. É um homem que de muito protegido pelo pai, staff e “parças”, se tornou um homem mimado, mas é um grande jogador de futebol, um homem bem sucedido, midiático, adorado pelos jovens, e isso atrai inveja e exagero nas críticas, como falei em coluna recente.

Não vou definir Bolsonaro como um cara mau porque não o conheço pessoalmente, mas algumas de suas ideias e coisas que dizem me assustam, como relativizar racismo, causas das minorias em geral e defender torturadores. Tacham Bolsonaro de burro, idiota, e ele não é isso, aí está o grande erro daqueles que se dizem inteligentes.

Menosprezam Bolsonaro, e ele está cada vez mais forte. O deputado achou o discurso perfeito, repete uma série de frases feitas, clichês que casam perfeitamente com uma parte da população que está assustada com a violência, sofre com a crise financeira, vê a corrupção se alastrar atingindo quase todos os partidos e os mais velhos e conservadores que se assustam com as mudanças na sociedade.

Bolsonaro fala para essas pessoas, atinge em cheio em seus medos, fantasmas dizendo o que querem ouvir, e o que os ditos inteligentes fazem? Tentam desqualificar esse discurso, colocam o candidato na parede, obrigando que ele repita tudo o que pensa nesses assuntos.

Em vez de assim mostrarem o quanto esses pensamentos podem ser perigosos, servem de palanque para ele, reforçam mais ainda junto à parte da sociedade que está com ele que é o candidato que representa tudo o que eles pensam. Deviam focar no trabalho dele como deputado que foi fraco, nos seus planos para Economia, Educação, Saúde que são rasos. Deviam esquecer os que irão votar nele e não vão mudar de opinião e focar nos indecisos. Não fazem, e assim Jair Bolsonaro cresce.

Não acredito que ele se eleja, já que acredito que a quantidade de gente que não goste de Bolsonaro é maior do que de seus eleitores, mas não há como ignorar seu crescimento, não tem como chamar de “Bolsominions” e “idiotas” seus eleitores sem tentar entender porque votam nele, porque seguem seus pensamentos. Onde foi que os políticos e os formadores de opinião erraram para que isso ocorresse? Não tenho dúvidas de que os erros e a corrupção de partidos como PT, PSDB E MDB foram fundamentais para isso.

Não adianta dizer também que Bolsonaro se elegendo, em um ou dois anos cai por não ter maioria no congresso e suas ideias polêmicas. Lacerda, Roberto Marinho e outros achavam também que os militares tomariam o poder de Jango para logo depois entregar aos civis. Alguém acha mesmo que Bolsonaro sofreria impeachment? Caso corresse riscos, correria para os quartéis e inflamaria a caserna.

Deviam se preocupar menos com Neymar e mais com o que querem para o futuro do país. Neymar já está com a vida ganha, nós não.

A urna pode ser uma Gillette afiada.

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

2 Respostas para “A urna e a Gillette afiada”

  1. Luis Fernando disse:

    Excelente texto, parabéns.

  2. Aloisio Villar disse:

    Valeu!! Obrigado!!

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