Categorizado | Pedro Migão

Algumas Reflexões sobre o Grupo Especial

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Ao contrário dos anos anteriores, não farei nesse texto um “escola a escola”, até porque, pela primeira vez desde 2008, assisti ao desfile pela televisão – e esta não dá a visão precisa do que realmente ocorreu, apenas ideias gerais. Ainda mais em uma transmissão que deixou bastante a desejar.

A ideia é refletir sobre alguns pontos que me chamaram a atenção e jogar para o debate dos leitores na área de comentários.

Sobre resultado, acho o Salgueiro o grande favorito, com a Mangueira (mais) e a Portela (menos) correndo por fora. Para mim Beija Flor e Grande Rio fizeram os piores desfiles do ano, mas eu corro nu e “armado” pela Ilha do Governador se uma delas for rebaixada.

Primeiro, o Império Serrano. Eu sinceramente não consigo entender como a escola fica oito anos afastada do Grupo Especial e, quando retorna, faz um enredo sobre a China. E pior: sem assinar contrato de patrocínio. Só reforça uma opinião que tenho há pelo menos três anos: o Império precisa de um choque de gestão como o que foi realizado na Portela.

Segundo, a Vila Isabel. A meu juízo, ficou claro que o trabalho do carnavalesco Paulo Barros funciona melhor quando encontra algum tipo de limite em seu trabalho, negociando passo a passo. Tal qual na Portela e na Unidos da Tijuca. Ainda assim, acho que a Vila Isabel pode beliscar uma vaga no Desfile das Campeãs.

Terceiro, o Tuiuti. A escola sabia que não tinha muito a perder e fez uma aposta bastante arriscada, que acabou dando muito certo. O enredo sobre a escravidão teve ótimas sacadas e permitiu ao Tuiuti seu melhor desfile na história. Deveria voltar no Sábado das Campeãs, mas vai se contentar com a manutenção no grupo.

Quarto, a Grande Rio. A chamada “Maldição do Chacrinha” atacou de novo e, com os problemas, deveria ser a última colocada. Mas não será – no máximo, abrirá segunda feira em 2019.

Quinto, a Portela. O trabalho do grupo Portela Verdade na diretoria, do qual faço parte, não somente trouxe a Portela de volta à briga pelos primeiros lugares como estabeleceu uma regularidade que sempre a torna candidata ao título. E isso em um desfile onde, por exemplo, o abre alas quebrou no transporte à avenida e a decoração precisou ser refeita na concentração.

Penso que pequenos ajustes precisam ser feitos e comentarei isso internamente, mas uma coisa escrevo aqui: está na hora da nossa diretoria fazer um enredo que toque profundamente a emoção do portelense. Chegou a hora.

Sexto, o Salgueiro. Vale um pouco o que escrevi acima sobre regularidade e, em um ano onde tudo deu certo, se torna a grande favorita ao título. E com um enredo que toca na tradição salgueirense e isso torna as coisas mais fáceis.

Sétimo, a Imperatriz. Não gosto de criticar diretamente pessoas, mas neste caso não dá. Ciclo de Cahê Rodrigues na escola se encerrou. Uma mudança de ares faria bem a ele e à agremiação, porque o que se viu ontem foi uma plástica aquém das tradições da Imperatriz.

A comissão de frente me lembrou bastante a do Império Serrano de 2015, embora esta tenha sido um pouco mais simples – acima.

Finalizando, a Beija Flor. A escola, cujo carnavalesco de fato foi o então coreógrafo da comissão de frente Marcelo Misailidis, fez uma crítica social mas sob um viés ideológico de direita, repetindo muitos dos conceitos que grupos como o MBL e mesmo partidos políticos como o PSDB reproduzem.

Além de colocar o FGTS e a aposentadoria como “problemas do Brasil” em alas, repete o discurso de que a pobreza e os problemas sociais são culpa exclusivamente da corrupção de esquerda e que somente a meritocracia resolve esta questão. Uma abordagem claramente alinhada às políticas do governo atual, a meu ver.

Aliás, como economista que sou me soa extremamente insólita esta versão das “causas da pobreza e dos problemas sociais” que a agremiação apresentou em seu desfile. Sem contar que, ainda dentro da proposta de ser algo menos luxuoso, a concepção de alegorias e fantasias deixava bastante a desejar. Para mim, o pior desfile da Beija Flor nos últimos 30 anos e com muita folga.

Em resumo, tivemos um desfile como um todo melhor do que as prévias pré carnaval, premiando as escolas mais regulares e que contam com melhores gestões ou com artistas geniais – sim, é de Leandro Vieira que falo.

Pessoalmente, é mais um ano que tenho a sensação de dever cumprido em relação à Portela. E isso não tem preço, especialmente depois de um pré carnaval extremamente conturbado como foi o meu este ano.

Imagens: Ouro de Tolo e Pedro Ivo Almeida (Salgueiro)

8 Respostas para “Algumas Reflexões sobre o Grupo Especial”

  1. Sergio Santos de Jesus disse:

    Otimo texto. Acho qye a Portela tem que apostar em carnavalesco maus jovens. O estilo da Rosa funcionou na decada de 90 e unicio dos 2000. Essa aguia ficou muito feinha sem impacto nenhum. O Joao Vitor da UPM é um grande talento. Ja tivemos ele como figurinista em 2016 e apostaria nele como carnavalesco. O resto aí é com vocês. Abs

  2. André disse:

    Acho que terá de correr nu e “armado” pela Ilha do Governador. Promessa é dívida!!

  3. Nati disse:

    Quero só ver o Migão pelado pela Ilha do Governador kkkk

  4. Fellipe Barroso disse:

    Essa promessa aí…
    …ainda vai render muito…

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  1. […] muita gente me cobrando a promessa que fiz se a Grande Rio fosse rebaixada, mas prefiro esperar os desdobramentos do caso. O movimento por uma nova virada de mesa, trazendo […]


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