Categorizado | Orun Ayé

Entrevista com o diabo

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Hoje farei uma coisa diferente. Uma entrevista com um dos grandes nomes do momento. Sempre citado, lembrado, amado por uns, odiado por outros, ele está na moda. Com vocês, o diabo.

Eu – Tendo muito trabalho?

Diabo – Até que não. Graças às reformas feitas por governos como o brasileiro, pude terceirizar meu trabalho. Contratei milhares de pessoas para trabalharem por mim a preço de banana e outros até sem saber que estão trabalhando pra mim achando que trabalham pro concorrente.

Eu – Como o diabo vê os tempos atuais?

Diabo – Ah, maravilhoso… Tive bons momentos como na Idade Média, com Hitler, mas eram focos, coisas mais locais, não era um trabalho global como da atualidade. Hoje com muito orgulho posso te dizer que meu trabalho abrange todo o planeta de forma igual. Hoje só nós, a Coca-Cola e o McDonald’s conseguimos isso.

Eu – A que você atribui o sucesso de seu trabalho?

Diabo – Sou humilde, trabalho há milênios com perseverança, na humildade sabendo que um dia seria recompensado. Como dizem, é o concorrente que aponta a estrela que tem que brilhar e a minha está brilhando.

Eu – Como é esse trabalho de terceirização que citou?

Diabo – O ser humano, esse ser deliciosamente idiota, imbecil que abusa de sua vaidade para atingir os objetivos. O poderoso não se contenta com o poder que tem, quer mais, o rico quer mais, com isso produzem a corrupção, a miséria, aumentam a fome e isso não traz raiva pra quem é prejudicado e sim vontade de ser igual fazendo o mesmo quando pode.

Eu – Mas muitos vêm se apegando a religião. Isso não te prejudica?

Diabo – Prejudicar? Nada me ajudou mais nesses séculos do que a religião. As maiores guerras foram em virtude de religião. Muitas das tentativas de imposição de um povo sobre outro foram por religião. Os meus melhores soldados se aproveitaram da religião e da miséria pra levarem minha palavra.

Eu – Qual é a palavra do Diabo?

Diabo – Sempre gostei de trabalhar no medo, não tem nada melhor. O medo da ira do concorrente, o medo da perda de bens materiais, da perda da liberdade ou da vida. O medo faz o ser humano ficar acuado e acuado ele se divide, assimila preconceitos, é tomado pelo ódio e aí meus soldados entram.

Eu – É uma estratégia muito boa…

Diabo – Não são apenas méritos meus, confesso que tenho uma ótima equipe de publicitários. Eles são tão bons que conseguiram colocar na cabeça do ser humano que direitos humanos são uma coisa ruim.

Eu – É difícil manipular o ser humano?

Diabo – Nada, tive muito mais dificuldades cancelando uma linha de celular.

Eu – Quer deixar uma mensagem final?

Diabo – Eu queria dizer que estou muito orgulhoso de todos vocês. Continuem dessa forma, espalhando o ódio, a intolerância, o preconceito, não respeitem a opinião alheia e agridam o diferente. Sou um bom amigo, bom pai e tenho lugar reservado a todos vocês aqui no meu cafofo quentinho e aprazível, quer dizer, quase todos porque teve um que quis vir pra cá semana passada e eu disse “fora”.

Eu – Pra acabar de vez. Diabo por diabo.

Diabo – Um cara amigo, fofo, bonito, inteligente, humilde, um mito que veio pra ficar. É bom já ir se acostumando.

Uma resposta para “Entrevista com o diabo”

  1. Luis Fernando disse:

    Texto PERFEITO! Parabéns!

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