O não-rebaixamento de nenhuma escola no Carnaval anterior fez com que o Grupo 1A de 1982 tivesse 12 agremiações, o que não acontecia desde 1977. Em tempos nos quais não havia preocupações com desfiles à luz do dia, a expectativa mais uma vez era a de uma cansativa, mas feliz maratona de apresentações.

Uma mudança no regulamento foi comemorada pelas escolas: o quesito Mestre-Sala e Porta-Bandeira, que não contou pontos em 1980 e 1981, voltaria a ser julgado, com notas de 1 a 5, mesma pontuação de Conjunto. Os outros oito quesitos continuariam com notas de 1 a 10, e o número total de 20 julgadores seria mantido.

Outra modificação foi a proibição do uso de figuras vivas em cima das alegorias. Dois motivos aparentemente foram alegados: o primeiro era a necessidade de conter o gigantismo dos carros e valorizar os passistas, o segundo era evitar o risco de acidentes como o do destaque Mauro Rosas no desfile da Unidos de São Carlos em 1980.

Em relação aos enredos escolhidos, a Imperatriz Leopoldinense tentaria o tricampeonato com o enredo “Onde canta o sabiá”, que exaltava as riquezas do país. A Beija-Flor de Joãosinho Trinta também optou por uma temática bem nacional, a literatura de cordel e o estado de Pernambuco, enquanto o folclore brasileiro seria lembrado pela Portela.

Com ninguém menos do que Fernando Pinto assinando seu desfile, a Mangueira exaltaria a noite carioca, ou no caso “As Mil e Uma Noites Cariocas”. O Salgueiro teria como tema o imaginário infantil, e a Mocidade Independente faria um passeio pelo Rio São Francisco.

Já a Unidos da Tijuca prestaria uma homenagem ao escritor Lima Barreto, e o companheiro de bairro Império da Tijuca teria como enredo o estado do Paraná. Por outro lado, a Vila Isabel, que contratou o carnavalesco Viriato Ferreira, faria um tributo ao próprio bairro e a Noel Rosa.

Mas as duas escolas que mais despertavam expectativa do público pelos sambas escolhidos eram a União da Ilha e o Império Serrano. Ambas presentearam os amantes das escolas de samba com obras antológicas – e que seriam eternamente lembradas – para enredos que homenageariam o Carnaval.

OS DESFILES

Primeira escola a se apresentar, a Unidos de Vila Isabel iniciou seu desfile com 40 minutos de atraso porque a iluminação da Sapucaí não estava totalmente ligada e Viriato Ferreira insistiu que as luzes causariam o efeito desejado nas alegorias e fantasias.

De fato, após o mau desfile do ano anterior, a Vila Isabel fez uma apresentação simpática na defesa do enredo “Noel Rosa e os poetas da Vila nas batalhas do Boulevard”. A inspiração para contar as histórias do tradicional bairro veio das batalhas de confetes no Carnaval e o enredo passearia pela fase áurea de Noel.

Depois das críticas ao “mar azul” da Portela em 1981, Viriato jogou melhor com o azul e branco da Vila, pontuando os carros e figurinos. Estes, aliás, foram o ponto alto da escola, com as fantasias de pierrôs e palhaços impecáveis.

Havia apenas três carros alegóricos, com destaques para os elementos dos corsos e do próprio Noel Rosa, bonitos sem serem gigantescos. No fim, uma ala com grandes bonecos de palhaços agradou.

O samba-enredo de J.Albertino, que obteve uma contestada vitória sobre a obra de Martinho da Vila, até que funcionou bem e os componentes passaram com empolgação. Mas o destaque absoluto do desfile foi a atuação da bateria.

Nos quesitos de pista, houve falhas de evolução na primeira metade do desfile, mas a escola aos poucos se aprumou. Se a Vila ficou longe de repetir o grande desfile de 1980 (“Sonho de um sonho”), pelo menos se recuperou do desastre de 1981, no qual ficou em penúltimo e não foi rebaixada após um acordo.

Após um ano fora da elite, a Unidos de São Carlos se apresentou com o enredo “Onde há rede há renda”, sobre as histórias e lendas das rendeiras por todo o Brasil. Infelizmente a simpática escola não teve recursos para desenvolver a contento seu conjunto visual.

A divisão do enredo até que foi coerente, com as origens das rendas, em Portugal, a vinda para o Brasil e as lendas relacionadas às regiões litorâneas, locais em que o artesanato de renda se desenvolveu no país. Além disso, um setor lembrava a canção “Muié Rendeira”, de Lamartine Babo.

O desfile começou com um pede-passagem e entre as pequenas alegorias o destaque foi o elemento no qual bonecos de pescadores estendiam uma enorme rede para pegar os peixes no mar. O branco predominou nas fantasias, que eram simples. Já o vermelho da escola quase não apareceu.

Outra questão, como apontou o “Jornal do Brasil” na crítica pós-desfile, foi que as rendas propriamente ditas, objeto principal do enredo, praticamente passaram ao largo nas alas e alegorias.

Além disso, apesar da proibição do regulamento às figuras vivas nos carros, a Vermelho e Branco lançou mão de destaques nos elementos, o que poderia resultar na perda de pontos na apuração.

O samba-enredo foi conduzido com correção pelo experiente cantor Abílio Martins, mas isso não foi suficiente para contagiar o público e aos poucos o canto das alas foi murchando. Como já vinha sendo costume nos desfiles da São Carlos, a bateria foi o ponto alto.

Aguardada com bastante expectativa, a União da Ilha do Governador entrou na pista com quase uma hora de atraso devido a graves problemas no transporte do carro abre-alas. A Tricolor ainda alegava que uma alegoria da Unidos da Tijuca, sétima escola a desfilar, atrapalhava a armação, o que foi rebatido pela Azul e Amarelo.

De qualquer forma, o enredo em homenagem ao Carnaval, desenvolvido pelo então jovem Max Lopes, agradou em cheio do começo ao fim. Max se baseou no livro “É Hoje!”, escrito por Haroldo Costa e que teve desenhos do cartunista Lan, e prestou uma singela homenagem a todos que contribuem para a festa mais popular do Brasil.

Havia apenas três carros alegóricos, o primeiro representando uma enorme barca cheia de bonecos com os típicos traços de Lan fazendo as vezes de componentes da Ilha do Governador – aliás, tal meio de transporte sempre foi uma reivindicação dos moradores da Ilha, só atendida em 2006… O segundo elemento tinha as baianas com seus patuás, e o terceiro, o Pão de Açúcar estilizado com uma mulata deitada.

As alas tinham os tradicionais elementos do Carnaval como pierrôs, colombinas e cocottes. O inesquecível casal Vilma e Benício desfilou para homenagear os mestres-sala e porta-bandeiras e também a Portela, madrinha da União da Ilha, mas sem contar pontos.

Depois de um ano no qual teve um carnaval rico, mas pouco inspirado, a Ilha retomou suas tradições de “bom, bonito e barato” e Max Lopes utilizou nas alegorias e fantasias diversos materiais simples, mas que deram ótimo efeito.

E o que dizer do samba-enredo de Didi e Mestrinho? É claro que não tenho essa estatística, mas “É Hoje!” deve ser o samba mais cantado na história em churrascos, festas de condomínio, comerciais, etc. O refrão “Diga, espelho meu / Se há na avenida alguém mais feliz que eu?” é inesquecível. Definitivamente, um samba que entrou para a antologia do Carnaval.

Para completar, a bateria de Mestre Bira teve mais uma excelente atuação e ousou nas paradinhas e convenções. A Ilha deixou a pista com os gritos de “já ganhou”.

Outra expectativa para o desfile de 1982 era a do casamento entre o ousado Fernando Pinto e a tradicional Estação Primeira de Mangueira. Bem, o resultado foi um desfile de altos e baixos, e a parceria seria logo desfeita após o Carnaval-82.

O saudoso carnavalesco dividiu o enredo sobre a boemia carioca com muita clareza, utilizando inclusive grandes adereços de mão com as inscrições de cada quadro, 11 no total. O desfile passeou pela noite de antigamente e exaltou os redutos mais famosos da boemia do Rio, como Vila Isabel, Copacabana, subúrbio, além de, claro, lembrar as noites de Carnaval.

Antes do Carnaval, os mais puristas temiam que Fernando Pinto fugisse do verde e rosa, mas isso não aconteceu, pelo contrário. Os figurinos davam uma visão de conjunto interessante. Antes do desfile, houve críticas ao fato de a comissão de frente ser de passos marcados, mas na prática os componentes tiveram bom desempenho.

Das bonitas alegorias, a que mais se destacou foi a que homenageou nomes da música brasileira já falecidos, como Cartola, Noel Rosa, Vinícius de Moraes, Dalva de Oliveira e Elis Regina, esta morta poucas semanas antes do Carnaval de 82. Houve bastante o uso de tripés e adereços de mão, sobretudo de luas e estrelas para reproduzir o visual da noite.

Na pista, o começo do desfile foi empolgante, com as alas cantando a plenos pulmões, mas aos poucos esse ritmo foi arrefecendo, já que o próprio samba enfrentava resistências internas por ter como compositores os niteroienses Flavinho Machado e Heraldo Faria – além do mangueirense Tolito.

Para piorar, do meio para o fim do desfile, a harmonia entrou em parafuso, com alas se esgarçando, correria e componentes das últimas alas sem vibração, o que provocou até vaias da arquibancada.

As últimas alegorias e desfilantes, aliás, pareciam estar com o turbo ligado, tamanha a velocidade com que passaram pela Sapucaí. É claro que com a bateria já tendo deixado o box, houve atravessamento e só o gogó de Jamelão evitou um desastre ainda maior.

Pelo menos, a bateria de Mestre Waldomiro, com andamento constante e marcações precisas, e o casal Delegado/Mocinha eram quase uma certeza de notas máximas. Um consolo para uma apresentação que prometeu e não cumpriu o que se esperava dela.

Quem também não teve um de seus desfiles mais brilhantes foi o Salgueiro. Ainda sob uma grave crise política, a Vermelho e Branco levou para a avenida o enredo “No reino do faz de conta”. Ainda na concentração, componentes e diretores se mostravam desanimados com a falta de recursos.

Além disso, infelizmente a grande aposta da escola para fazer um bom desfile, o carro que teria a carruagem puxada por cavalos, não chegou à Sapucaí, segundo se apurou, por falta de reboque…

Ou seja, o Salgueiro desfilou com apenas duas alegorias: o abre-alas com um castelo medieval giratório, e outro com a rainha Lua e o rei Sol. Isso provavelmente renderia perda de pontos em três quesitos: Enredo, Alegorias e Adereços e Conjunto.

Os carnavalescos Geraldo Sobreiro e José Félix fizeram o possível e até que havia boas fantasias, mas não houve o luxo que poderia se esperar pela natureza do enredo, que era promissor mas não pôde ser melhor desenvolvido.

Nem mesmo o samba-enredo do tradicional compositor Zé Di se salvou, ou levou o público a cantar com entusiasmo. Apenas nos locais em que a extraordinária bateria de Mestre Louro passava foi possível ver mais animação.

Como o Salgueiro desfilou com um inchado (para a época) número de 3.200 componentes, a evolução também não foi das mais adequadas. Um ano para o salgueirense esquecer, em resumo.

Se faltou um investimento maior no Salgueiro, sobrou na vice-campeã de 1981 Beija-Flor de Nilópolis. Joãozinho Trinta desenvolveu o enredo “O olho azul da serpente”, inspirado na literatura de cordel, para exaltar o folclore e as lendas do estado de Pernambuco. Numa época sem patrocínio governamental, diga-se de passagem.

O desfile começou com uma enorme e muito bem concebida serpente (cobra típica do estado) no abre-alas. Nele estava a eterna Miss Brasil Marta Rocha dentro de uma flor de mandacaru.

Aliás, a Beija-Flor foi a segunda escola da noite a infringir o regulamento, que proibia a presença de figuras vivas nas alegorias. Restava ver se isso seria efetivamente passível de punição na apuração, mas fato é que Pinah e outras destaques brilharam intensamente no desfile (foto).

O enredo também exaltou o maracatu, o bumba-meu-boi e as figuras de barro de Mestre Vitalino, estas aliás muito bem reproduzidas numa alegoria. A parte histórica também foi lembrada, com referências ao período de governança de Maurício de Nassau.

O luxo habitual nas fantasias da Beija-Flor também marcou presença, com figurinos de ótima leitura e uma divisão cromática que mesclava cores fortes e outros tons mais suaves.

O samba-enredo teve bom desempenho na avenida, com Neguinho sendo auxiliado mais uma vez pelo conjunto feminino “As Gatas”. Já a bateria, embora firme e com boas convenções, me pareceu um tanto acelerada para a época.

No fim das contas, foi um belíssimo desfile, sem dúvida o melhor até aquele momento, e a arquibancada mandou ver nos gritos de “já ganhou” quando as últimas alas da Beija-Flor deixaram a pista.

Depois do excelente desfile em 1981, a Unidos da Tijuca pisou a Sapucaí com boas expectativas mas acabou deixando a desejar. Não que o enredo “Lima Barreto – Mulato pobre, mas livre” tivesse sido mal desenvolvido ou não tivesse relevância, mas não houve a química com o público.

O samba-enredo sobre a sofrida vida do escritor, embora muito bem escrito, de fato tinha trechos que davam a sensação de melancolia, e isso sem dúvida prejudicou a comunicação com a arquibancada.

Na verdade, a Tijuca completava em 1982 uma trilogia de enredos sociais, iniciada por “Delmiro Gouveia” e que teve sequência em “Macobeba”. Só que dessa vez, a escola tinha muito menos recursos em relação às mais abastadas da época.

Isso se revelou num conjunto de fantasias bastante simples. A infância de Lima Barreto, a época da Abolição da Escravatura e as grandes obras do escritor foram lembradas numa coerente divisão de setores e alas.

Renato Lage fez o que pôde na concepção das alegorias, que tiveram no abre-alas um painel com o rosto de Lima Barreto, outro carro sobre a gratidão dos negros a ele, e ainda um elemento com a Academia Brasileira de Letras, o grande sonho de vida do escritor, que, entregue ao vício do álcool, morreu pobre.

Se faltou impacto visual ou mesmo uma empatia com o público, pelo menos a Tijuca desfilou com dignidade e passou com correção nos quesitos de pista como Bateria, Evolução e Harmonia.

Sempre uma das favoritas, a Portela se credenciou de fato a disputar as primeiras posições com uma apresentação muito agradável ao exaltar o folclore nacional no enredo “Meu Brasil Brasileiro”, desenvolvido pelos carnavalescos Edmundo Braga e Paulino Espírito Santo – o desfile já foi comentado pelo Migão na coluna”Samba de Terça”.

Pouco antes das 5 da manhã, surgiram a Velha Guarda na comissão de frente e a bela águia com ótimos movimentos em cima de pandeiros coloridos, dando início ao cortejo. As alas e fantasias desenvolviam muito bem o enredo, que lembrou de inúmeras manifestações brasileiras como as religiões afro-brasileiras, o maracatu, o bumba-meu-boi, a literatura de cordel, a seresta, os repentistas e, claro, o próprio Carnaval do Rio. A imortal Clara Nunes desfilou fantasiada de rainha do Candomblé.

Em alegorias, o destaque absoluto foi o carro que representou o maracatu, com elefantes montados numa enorme base que girava. Aliás, a Portela respeitou o regulamento e não colocou figuras vivas nos elementos.

Pelo quarto ano consecutivo e pela sexta vez em dez anos, o samba-enredo tinha a assinatura de David Corrêa – e ainda do parceiro Jorge Macedo. Se na fase pré-carnavalesca, a obra não era tão exaltada como a dos compositores em 1981, na pista os componentes e público cantaram com força.

A diretoria distribuiu milhares de bandeirinhas aos espectadores na Sapucaí e o balançar delas pela pista deu bom efeito, mostrando de fato que a arquibancada acolheu a Majestade do Samba.

A bateria de Mestre Marçal tinha um expressivo número de 300 componentes e esteve bastante cadenciada. Com uma evolução sem hesitações, a Portela encerrou seu desfile já com o dia claro e uma linda ala de mestres-sala e porta-bandeiras.

Com o sol crescendo num lindo horizonte azul, surgiu na passarela a Mocidade Independente de Padre Miguel. O enredo “O Velho Chico”, idealizado por ninguém menos do que Fernando Pamplona, fez um agradável passeio por um dos rios mais importantes do Brasil – o Migão já escreveu sobre esse desfile.

No entanto, não foi um passeio tão rico e luxuoso como em outros anos, pois especialmente em 1982 a Verde e Branco não teve tantos recursos como em outros carnavais.

Isso se refletiu num conjunto alegórico e de fantasias bastante simples, embora de fácil leitura, e que priorizou o branco, além do uso de verde, amarelo e dourado pontuando os figurinos sem pesar a escola.

A carnavalesca Maria Carmem de Souza dividiu o enredo em três partes, começando pelo Menino Chico, no caso as nascentes do rio, o Moço Chico, o meio do São Francisco, e o Velho Chico, com a parte baixa do rio, mostrando os reinos humano, animal, vegetal e mineral.

Aliás, todos os quadros do enredo eram explicados por intermédio de faixas carregadas pelos componentes com inscrições. O carro mais marcante do desfile foi o da Gaiola do São Francisco, o tradicional barco que percorre o rio.

Um momento muito interessante foi a passagem de uma ala de passo marcado levando uma cobra d’água dourada, além de outras interessantes alas de cangaceiros e pescadores. Também não faltaram as carrancas típicas do rio.

A bateria comandada por Mestre Cinco (ex-Portela) desta vez passou mais “reta”, mas com uma cadência muito agradável, e o samba-enredo conduzido pelo saudoso Ney Vianna, se não era dos mais comentados daquele Carnaval, tinha um balanço agradável. Pena que a evolução não tenha sido das mais vibrantes. Mas foi uma exibição com mais pontos positivos do que negativos.

Campeoníssima de 1981, a Imperatriz Leopoldinense fez mais uma excelente apresentação. O inesquecível carnavalesco Arlindo Rodrigues vivia o auge de criação e execução, e o enredo “Onde canta o sabiá” foi mais um show de desenvolvimento e beleza visual.

O enredo exaltaria as riquezas da cultura nacional por intermédio do sabiá, um típico pássaro nacional. O desfile começou com as damas da corte e uma lindíssima alegoria homenageando Gonçalves Dias, poeta que exaltou o sabiá na Canção do Exílio.

Aliás, este carro do sarau é até hoje considerado pelos amantes do carnaval uma das alegorias mais bonitas da história dos desfiles das escolas de samba. No elemento, um boneco representando o poeta estava num típico salão do século XIX co móveis de madeira e tudo, ao lado de outros manequins representando damas, homens e até crianças muito bem vestidos.

A seguir, alas também fantasiadas com beleza e requinte simbolizaram índios, portugueses, holandeses, africanos e todos os que formaram o povo brasileiro. Estes povos, aliás, foram lembrados em diversos tripés explicativos como havia ocorrido no desfile de 1981.

As religiões brasileiras também foram exaltadas, e uma ala de mulheres representou as mães de santo. A fauna e a flora também foram reproduzidas com perfeição, numa divisão cromática que teve bastante verde mas também muito dourado e branco, já que o sol era bem forte no momento em que a Imperatriz desfilou.

O samba-enredo também teve excelente desempenho, com os componentes cantando principalmente o refrão “Chove, chuva / Chove sem parar / Assim canta o sertanejo / Nesta terra onde ecoa / o som do sabiá”. A bateria dos mestres Paulinho e Beto também esteve impecável, com ótimos desenhos de tamborins.

Só que o sonho do tricampeonato poderia ir por água abaixo porque inexplicavelmente Arlindo Rodrigues optou por colocar figuras vivas nas alegorias, o que fatalmente renderia perda de pontos na apuração.

A ala infantil, item obrigatório no regulamento, homenageou personagens brasileiros como os do Sítio do Picapau Amarelo, com dezenas de Emílias e Sacizinhos. Uma ala de índios com lindos cocares em verde e branco encerrou o cortejo, que teve invasão de pista no fim.

Foi sem dúvida o desfile visualmente mais bonito de 1982, mas ainda não se sabia efetivamente que efeitos uma punição poderia render. O público, que não estava nem aí para o regulamento, gritou o famoso “já ganhou”.

Vice-campeão do Grupo 1B em 1981 com um enredo sobre as Cataratas do Iguaçu, o Império da Tijuca outra vez apostou no Paraná e pisou a avenida por volta das 9 da manhã. Foi uma apresentação digna, mas que não empolgou, na defesa do enredo “Iara, Ouro e Pinhão na terra da Gralha Azul”, sobre o estado do Sul do país – o Migão comentou o desfile na coluna “Samba de Terça”.

Sem quadra e tendo de ensaiar na rua, o Imperinho encarou o desafio de competir com as grandes. Mas, como se não bastasse estar desacostumada a desfilar na elite, a Verde e Branco ainda deu o azar de passar logo após o excelente desfile da Imperatriz e preceder a aguardada exibição do Império Serrano.

Com isso, o público acabou recebendo a escola de forma fria, apesar do forte calor. Os componentes fizeram o possível mas não evoluíram tão bem, deixando diversos buracos entre as alas.

Dizia o enredo que Iara, rainha das águas, pedia ao deus Tupã para curar seus doentes e alimentar seu povo. Iara então recebeu a erva-mate, o ouro e o pinhão, que alimentava a gralha azul, típica ave do Paraná.

A falta de recursos ficou patente, até porque um esperado patrocínio do governo paranaense não pingou, e a escola do Morro da Formiga desfilou com alegorias muito pequenas e simples. O carnavalesco Mário Barcelos apostou nas alegorias de mão, o que rendeu bom resultado.

Um dos poucos destaques do desfile foi a ala dos imigrantes, que tinha diversos componentes vindos do Paraná com seus típicos trajes locais.

Apesar da boa atuação do cantor Almir Saint-Clair, o agradável samba-enredo de fato não empolgou, até porque o público já aguardava o outro Império, o Serrano, cantando o antológico “Bumbum Paticumbum Prugurundum”.

Pois bem, as 16 horas de espera pelo Império desde a noite de domingo não foram em vão. A Verde e Branco de Madureira fez uma das apresentações mais marcantes de todos os tempos no carnaval carioca.

O Império homenageou os antigos carnavais e fez uma crítica pesada ao gigantismo das escolas de samba naquele período – veja mais sobre o enredo e o samba nas Curiosidades. Como dizia a letra, “Superescolas de samba S.A. / Superalegorias / Escondendo gente bamba / Que covardia”. Mais algo a dizer? Sim, muito a dizer, claro.

Pois bem, o espetáculo imperiano começou às 10h35 sob um sol de 37 graus e em meio a um tanto de confusão. O sistema de som falhou duas vezes quando o novo intérprete Quinzinho, substituto de Roberto Ribeiro, começou a entoar o samba e a escola teve de recomeçar seu desfile.

Ademais, componentes passaram mal por causa do calor e duas ambulâncias cruzaram a pista para removê-los. Em meio a isso, houve a temida invasão de pista, mas logo depois o Império se assentou e rasgou o asfalto escaldante.

Os 2.800 componentes eram divididos em 30 alas. O enredo desenvolvido por Rosa Magalhães e Lícia Lacerda tinha três carros alegóricos e foi dividido em três partes: Praça Onze ou Fase Autêntica, Candelária ou Fase da Interação e Marquês de Sapucaí ou Superescolas de Samba S.A..

As carnavalescas eram discípulas de Fernando Pamplona, que as indicou para tocar o carnaval imperiano depois de recusar um convite do presidente Jamil Cheiroso. Rosa e Lícia não tinham muitos recursos, já que a escola vivia uma crise interna e financeira, mas lidaram muito bem com a situação.

Já que o enredo lembrava os antigos desfiles e criticava os exageros e opulência do carnaval contemporâneo, alegorias e fantasias deveriam aliar simplicidade e beleza, claro. Pois bem, mesmo com materiais mais baratos como papel laminado, plástico, isopor e algodão, os figurinos, se não eram luxuosos, foram de acabamento e leitura impecáveis.

Na fase da Praça 11, o cortejo começou com grandes bonecos carnavalescos. As alas vestiam os figurinos da época e levavam alegorias de mão que representavam o período. Assim como nas demais partes do desfile, este setor tinha uma comissão de frente e casal de mestre-sala e porta-bandeira próprios.

No setor da Candelária, as componentes de uma ala eram damas que levavam suas sombrinhas verdes, que além de espantar o calor, ainda compunham um visual maravilhoso. Outra ala levava alegorias que eram na verdade casas daquela época (foto). O carro daquele setor do desfile tinha as tradicionais decorações de rua e dois bonecos representando um casal de mestre-sala e porta-bandeira. As alas tinham fantasias imortalizadas em outros desfiles como Debret e Bahia de Todos os Deuses, ambos do Salgueiro.

Mas a grande crítica estava por vir. No setor da Marquês de Sapucaí, o Império levou à pista seu maior carro alegórico, que era uma clara provocação ao estilo de carnaval que Joãozinho Trinta havia potencializado nos anos anteriores, primeiro com o Salgueiro e depois com a Beija-Flor. O pujante elemento tinha simplesmente tinha diversos manequins de mulatas e no alto uma parte giratória na qual o próprio João e a destaque Pinah estavam reproduzidos por bonecos de isopor. Era a representação fiel do que vinha acontecendo nos desfiles.

“Bumbum, Paticumbum, Prugurundum/ O nosso samba, minha gente, é isso aí / Bumbum, Paticumbum, Prugurundum / Contagiando a Marquês de Sapucaí”. Esses versos ainda ecoam no imaginário do imperiano e do amante do Carnaval. É claro que o antológico samba-enredo de Beto sem Braço e Aluísio Machado funcionou de forma esplêndida e o público cantou do começo ao fim, mesmo sob um sol de rachar.

O calor durante todo o desfile, de fato, fez outros componentes passarem mal, como Vovó Maria Joana, então com 80 anos, mas mesmo assim todos se esforçaram até cruzar o fim da pista.

A bateria, cujo figurino era de arlequim, sustentou com firmeza a marcação e proporcionou uma harmonia perfeita aos componentes, que evoluíram de forma vibrante e sem hesitações apesar da invasão de pista pelas laterais.

A mensagem do enredo foi passada de forma cristalina e o Império deixou a pista aclamado pelo público, que fez o chamado arrastão da alegria mesmo quase ao meio-dia. Um momento épico dos desfiles de escolas de samba.

REPERCUSSÃO E APURAÇÃO

Depois dos desfiles, Império Serrano e Imperatriz Leopoldinense foram apontadas como favoritas ao título de 1982. Enquanto oito dos dez jurados do Estandarte de Ouro, de “O Globo”, escolheram o Império a melhor escola, o Jornal do Brasil, por intermédio de uma eleição popular na Sapucaí (mais de 23 mil votos), deu o Estandarte do Povo para a Imperatriz.

Também foram elogiadas pela crítica as apresentações de Portela, Beija-Flor e União da Ilha. Mas restava esperar se Imperatriz e Beija-Flor seriam punidas na apuração pelo uso de figuras vivas nas suas alegorias.

A leitura das notas foi feita na manhã da quinta-feira, no Pavilhão de São Cristóvão, e desta vez não houve atrasos para o começo dos trabalhos, tampouco confusões.

O Império Serrano dominou toda a apuração, mas sempre seguido de perto pela Imperatriz. Até o sétimo quesito lido, o Império só havia levado uma nota diferente de 10, no caso um 9 em Fantasia, enquanto a Imperatriz levou duas notas 9 em Samba-Enredo.

A vitória imperiana ficou praticamente assegurada com a leitura das notas de Alegorias e Adereços: a escola da Serrinha levou um 8 e um 10, mas a Imperatriz, que ganharia duas notas máximas, foi realmente punida com a perda de três pontos por cada um dos dois jurados do quesito, por ter colocado figuras vivas nos carros. Beija-Flor e Unidos de São Carlos também perderam os seis pontos.

As escolas punidas protestaram e houve uma interrupção nos trabalhos até que a mesa apuradora discutisse o caso, mas não teve conversa: Imperatriz, Beija-Flor e São Carlos foram mesmo despontuadas.

Nos últimos dois quesitos, o Império não perdeu mais pontos e comemorou seu nono (e até hoje último título no Grupo Especial). A dobradinha de Madureira foi completada pela Portela, que ficou dois pontos atrás após não ter obtido notas máximas em Bateria (duas), Samba-Enredo, Alegorias e Adereços e Mestre-Sala e Porta Bandeira.

Mesmo perdendo seis pontos, a Imperatriz terminou na terceira colocação. Como ficou a quatro pontos do Império, a punição pelo descumprimento do regulamento em Alegorias e Adereços acabou sendo fatal e impediu o que seria o tricampeonato da Rainha de Ramos.

Surpreendentemente a Mangueira terminou em quarto, seguida pela Ilha e pela Beija-Flor – esta teria sido terceira sem a perda de pontos. Caíram para o Grupo 1B Império da Tijuca e Unidos de São Carlos – também punida pelo uso de figuras vivas nas alegorias.

“O negócio é a união, porque daí é que vem a força. Cheguei aqui e resolvi trazer os imperianos de volta. Quis estar perto de todos eles. Com esse resultado, penso que se abre uma nova fase nos desfiles de Carnaval. O dinheiro não é tudo”, comemorou o presidente do Império, Jamil Maruff, o Cheiroso.

Presidente de honra da Beija-Flor, Anísio Abraão David contestou a punição em Alegorias e Adereços:

“De acordo com o regulamento, o juiz de alegorias deve julgar três carros. E nós apresentamos três carros sem figuras vivas. Se eles tiraram pontos por causa dos outros carros, julgaram o que não podiam julgar. Logo, estou tranquilo porque sei que fiz um carnaval bonito.”

Na Imperatriz, a revolta com a Riotur ficou evidente nas palavras do presidente Luizinho Drumond ao jornal “O Globo”.

“Nós devemos fazer o carnaval para a Riotur, mas à altura da Riotur, bem pobre e desorganizado. Não é assim que eles querem? Pois então vão ter. Os juízes não nos tiraram pontos, quem tirou foi a Riotur. Ano que vem vou fazer carnaval sem alegorias. Eles querem bloco de sujos, então vão ter”, criticou.

Na Portela, o vice-campeonato foi recebido com resignação. Diante do favoritismo do vizinho Império Serrano, a quadra não estava lotada e, depois da apuração, um bloco de portelenses se dirigiu à quadra do Império e se juntou à comemoração, num bonito congraçamento.

RESULTADO FINAL

POS. ESCOLA PONTOS
Império Serrano 187
Portela 185
Imperatriz Leopoldinense 183
Estação Primeira de Mangueira 180
União da Ilha do Governador 180
Beija-Flor de Nilópolis 179
Mocidade Independente de Padre Miguel 176
Acadêmicos do Salgueiro 170
Unidos da Tijuca 163
10º Unidos de Vila Isabel 158
11º Império da Tijuca 155 (rebaixado)
12º Unidos de São Carlos 148 (rebaixada)

No segundo grupo, a Caprichosos de Pilares conquistou categoricamente o título após arrebatar a Sapucaí com um excelente desfile e um dos melhores sambas de sua história. O enredo “Moça bonita não paga” falava sobre as feiras livres e criticava a inflação galopante.

O carnavalesco Luiz Fernando Reis iniciou uma série de trabalhos e enredos marcantes pela Azul e Branco e certa vez contou que para driblar o orçamento limitado usou frutas de verdade para compôr o visual da escola no famoso carro da feira livre.

Também subiu para a elite a vice-campeã Unidos da Ponte, com o enredo “O Casamento da Dona Baratinha” e também um excelente samba. A Ponte somou a mesma pontuação da Acadêmicos de Santa Cruz, mas levou a melhor no desempate em Bateria.

Além das citadas Caprichosos e Ponte, a Unidos de Lucas desfilou com um sambaço homenageando Luiz Gonzaga, que participou da gravação do disco. Mas o Galo de Ouro ficou na quinta posição, empatada com a quarta colocada Em Cima da Hora e a um ponto de Ponte e Santa Cruz.

No Grupo 2A, o Unidos do Jacarezinho e Paraíso do Tuiuti conquistaram as duas primeiras posições e a subida para o Grupo 1B em 1983.

CURIOSIDADES

– Os desfiles mais uma vez foram transmitidos por Globo, TVE e Bandeirantes. Na Globo, Haroldo Costa, Léo Batista e Hilton Gomes se revezavam na narração, enquanto Fernando Pamplona mais uma vez era o comandante da transmissão da TVE e Maria Augusta liderava os trabalhos na Band.

– Falando em Pamplona, como já mencionado, ele sugeriu para o Império Serrano o enredo de 1982. A ideia dele para título do enredo era “Onze, Candelária e Sapecaí”, mas Rosa Magalhães e Lícia Lacerda não gostavam do trocadilho com “Sapucaí”. Então elas lembraram de uma antiga entrevista de Ismael Silva ao jornalista Sérgio Cabral (o pai), na qual descreveu a batida do surdo como “Bumbum, Paticumbum, Prugurundum”. E assim foi…

– Ainda sobre o sambaço imperiano, o excelente livro “O Enredo do Meu Samba”, de Marcelo de Mello, trouxe uma revelação no mínimo curiosa de Aluísio Machado. Na verdade, o título do enredo teria um “R” na palavra “paticumbum”, o que a transformaria em “praticumbum”. Nenhum registro da época ou livros sobre o Império Serrano sustentam isso. De qualquer forma, no samba-enredo que exaltava a própria escola em 1993, Aluísio e seus parceiros escreveram “praticumbum” com “R” mesmo. Questionado pelo autor o porquê de não tentar alterar a história, Aluísio disse que isso não era preciso, pois tratava-se do grande samba de sua vida e continuava sendo cantado até hoje. Então para a história ficou “paticumbum” mesmo. Sem “R”.

– O samba-enredo do Império foi tão executado nas rádios durante a fase pré-carnavalesca que até Carlos Drummond de Andrade escreveu uma crônica para exaltar a obra – e outras daquele Carnaval de 1982. No texto publicado pelo Jornal do Brasil, Drummond classificou o título do enredo como “uma formidável onomatopeia”.

– Os extraordinários compositores Beto sem Braço e Aluísio Machado pela primeira vez assinaram juntos um samba pelo Império Serrano e o resultado ficou para a história. Juntos, os dois ainda assinaram os sambas da Verde e Branco em 1983, 1987 e 1989. Beto, que morreria em 1993, ainda escreveu os hinos imperianos em 1985 e 1992. Já Aluísio, que assim como Beto havia tido passagem pela ala de compositores da Vila Isabel antes de voltar ao Império, assinou em 1986, 1993, 1996, 2002, 2003, 2006, 2007, 2011 e 2016.

– A vitória do Império Serrano em 1982 interrompeu um período de seis carnavais seguidos com títulos de escolas com presidentes/patronos: Beija-Flor, de Anísio Abraão David (1976, 1977, 1978 e 1980), Mocidade, de Castor de Andrade (1979), Portela, de Carlinhos Maracanã (1980) e Imperatriz Leopoldinense, de Luizinho Drumond (1980 e 1981).

– A quadra do Império Serrano ficou tão lotada, mas tão lotada, na comemoração do título, que a repórter Leila Cordeiro, da TV Globo, acabou imprensada no meio da multidão e precisou ser levada ao hospital com suspeita de fratura na perna.

– O Império Serrano foi a primeira escola a conquistar o título depois de terminar no último (décimo) lugar no ano anterior – não houve rebaixamento. Só a Imperatriz Leopoldinense repetiria a façanha em 1989, depois de ter sido 16ª colocada no Carnaval de 1988. Vila Isabel (2006) e Mangueira (2016) também foram campeãs após terminarem o Carnaval anterior em décimo lugar.

– Pela primeira vez o Estandarte de Ouro, de “O Globo”, conferiu o prêmio de Melhor Puxador, e em 1982 o agraciado foi o maior de todos os tempos, Jamelão. A eterna voz da Mangueira, que já havia vencido o prêmio de Destaque Masculino de 1975, ainda ganhou o Estandarte de Melhor Puxador (nomenclatura que ele detestava) em 1990, 1992, 1996 e 1998. Outros a conquistarem o prêmio de Melhor Puxador em cinco ocasiões foram os irmãos Nêgo, em 1991, 1994, 1999, 2004 e 2006, e Neguinho da Beija-Flor, em 1985, 2002, 2003, 2009 e 2013.

– Depois de três das 12 escolas terem descumprido o regulamento, a polêmica proibição de figuras vivas nas alegorias foi extinta: em 1983 os destaques voltaram a figurar nos carros.

– Presença habitual nos camarotes da Sapucaí na época, Pelé assistiu aos desfiles com a então namorada Xuxa. O Rei concedeu entrevista ao então repórter da TV Globo Mário Jorge Guimarães (hoje diretor de eventos do SporTV) antes do desfile da Imperatriz, mas talvez a maratona de samba tenha feito Pelé se confundir: “Gostei muito da Portela, a Portela realmente foi a que eu mais gostei até aqui. Já até perdi o gogó, só com a Portela perdi o gogó! Escola é que nem carnaval, normalmente você sabe as equipes que vão chegar à final, equipe que joga pra ganhar. E a gente tem que pensar em Beija-Flor, Portela, Salgueiro, que estava bem, e o Império. O IMPÉRIO DA ILHA eu gostei também!”. Tá bom, Rei, você pode se confundir, tá perdoado!

– O oitavo lugar em 1982 foi a pior colocação obtida pelo Salgueiro até então. No ano seguinte, a Vermelho e Branco repetiu o oitavo lugar, mas depois a 11ª colocação em 2006 passaria a ser o pior resultado da Academia do Samba no primeiro grupo.

– O famoso grito de guerra de Neguinho da Beija-Flor mudou em 1982. Até então, o grito era “Olha ‘O’ Beija-Flor aí, gente!”, mas se transformou em “Olha ‘A’ Beija-Flor aí, gente!”. Confesso que não sei o motivo até hoje e convido os leitores a elucidar essa dúvida.

– Foi o último desfile da Unidos de São Carlos com esse nome no primeiro grupo. Em 1983, a escola seria campeã do Grupo 1B (enredo “Orfeu do Carnaval”) e logo depois teria seu nome alterado para G.R.E.S. Estácio de Sá.

CANTINHO DO EDITOR – por Pedro Migão

Este samba do Império Serrano talvez seja a primeira lembrança nítida que eu tenho de carnaval – lembrando que tenho 42 anos. Ele foi executado pelas rádios de forma impressionante no período pré carnavalesco. Posteriormente, foi o combustível nas arquibancadas para uma série de viradas do Flamengo no Maracanã.

Durante o desfile, as pessoas na arquibancada jogavam água e gelo aos desfilantes para aplacar o calor.

Na apuração, o presidente da Beija Flor disse que passaria a desfilar em Nilópolis, em protesto contra o resultado. Não foi o que se viu em 1983…

O refrão da Unidos da Tijuca dizia que Lima Barreto “esquecido, morreu na solidão”. Mas os componentes cantavam esta parte na maior empolgação… Coisas do carnaval.

A Caprichosos de Pilares usou frutas e legumes de verdade em seus carros – que foram sendo desfalcados à medida que o desfile passava.

E por uma incrível coincidência destas da vida, este texto é publicado exatamente um dia depois de acabar o jejum de vitórias isoladas de Madureira no grupo principal, que começou justamente em 1982. A Portela foi campeã em 1984 do desfile de domingo.

A Unidos de Vila Santa Tereza – que fica em Rocha Miranda, aliás – ganharia o grupo 2B. A vice campeã Acadêmicos do Cachambi também foi promovida ao 2A – hoje Série B. Esta escola encerrou as atividades após ser campeã do Acesso E em 1997.

VÍDEOS

O épico desfile que deu o título ao Império Serrano

A bela apresentação da Portela

A luxuosa exibição da Imperatriz Leopoldinense

O compacto dos desfiles exibido pela TV Globo

Fotos: O Globo, Manchete e reprodução de internet

[related_posts limit=”3″]

5 Replies to “1982: Bumbum, paticumbum, prugurundum ecoa no ar e Império contagia a Sapucaí”

  1. Carnaval antológico, e título histórico do Império Serrano. Bumbum Paticumbum Prugurundum é meu samba predileto, paro tudo o que estiver fazendo caso ele toque…

    Os deuses do Carnaval gostam de punir as escolas do Grupo Especial que permitem viradas de mesa em relação ao rebaixamento quando poderosas co-irmãs estão ameaçadas. Aconteceu nesse ano de 1982, com o Império, rebaixado em 1981, salvo e campeão, e em 1989, com a Imperatriz, rebaixada em 1988, salva e campeã. Portanto a Unidos da Tijuca será a grande campeã do Carnaval 2018. Os deuses do Carnaval não falham.

  2. Não há como negar que o título do Império Serrano foi merecido, porém – se não fosse a arrogância de Luizinho Drumond – a Imperatriz teria emplacado um histórico tricampeonato e não teria que esperar até 1999/2000/2001 para finalmente alcançar a marca.

    Um grande carnaval, de sambas maravilhosos. A Ilha com seu “É hoje” eternizado… sem contar a obra imperiana, de rara certeza sobre o que se transformaria o carnaval nos 35 anos seguintes a partir dali.

    Imperatriz também despontava com um belo hino e, para o meu gosto, sou fã do samba da Unidos da Tijuca, apesar da enorme melancolia da letra. Talvez seja porque o intérprete era Sobrinho, um dos meus favoritos… VAI MEU RRRRITMOOOOO!

Comments are closed.