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“Déjà vu”? Os 5 enredos cariocas em 2017 que já passaram por São Paulo

aguiadeouro2013

Estamos a 45 dias do maior espetáculo da terra e a Marquês de Sapucaí será o palco de 14 desfiles da Série A e 12 do Grupo Especial. Dentre estes 26 enredos, cinco deles já foram o tema de escolas de São Paulo.

Relembramos agora como passaram pelo Anhembi…

Rosas de Ouro 1999 – A Divina Comédia de um Folião

Neste ano o Salgueiro trará para a avenida “A Divina Comédia do Carnaval”, com uma analogia entre a obra de Dante Alighieri e a nossa festa popular. Em 99 a Roseira desfilou com a Divina Comédia contada em todos os setores. Vale a pena assistir, pois a história é muito bem contada.

A escola teve problemas no desfile, pois o abre alas teve seu eixo quebrado no início e foi empurrado por componentes até a dispersão. E era um carro lindíssimo, com um dragão que soltava fogo em forma de luz.

Com muito bom gosto, o carnavalesco Raul Diniz trabalhou com cores escuras no setor inferno e abusou das tonalidades vivas no “paraíso”, terminando em rosa com a morada dos deuses. Uma apresentação bonita, mas com problemas, que terminou em 7º lugar.

Águia de Ouro 2012 – Tropicalismo, o movimento que não acabou

Para abrir o Grupo Especial, a Paraíso do Tuiutí terá a Tropicália como enredo e os amantes do carnaval paulista desfrutaram deste tema em 2012, quando a Águia de Ouro trouxe ao Anhembi um dos principais movimentos políticos/culturais do nosso país.

Personagens importantes como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Cauby Peixoto estiveram presentes e desfilaram juntos em uma alegoria. O carnavalesco era o criativo Cebola e o desfile veio muito colorido, como não poderia ser diferente.

Tivemos nos grandes festivais de MPB e o Cassino do Chacrinha, mas também vimos um carro com a repressão da época da ditadura militar, inclusive com um componente representando o enforcamento de Vladimir Herzog.

Infelizmente um problema em um dos carros teve problemas no final fez a escola levar um 9 em evolução e por muito pouco não resultou em rebaixamento.

Águia de Ouro 2013 – “Minha missão: o canto do povo. João Nogueira”

Com um dos grandes sambas do ano a Cubango contará história de João Nogueira, mesmo enredo da escola da Pompéia, que retratou vida e obra do sambista com participação ativa de Diogo Nogueira, que na oportunidade participou da gravação do CD e do grito de guerra na avenida.

Cebola seguiu mais um ano na Águia e fez, na minha opinião, o melhor carnaval de sua carreira. Com o dia já claro, vimos um desfile forte desde o início, com a bateria vindo à frente do abre alas; depois vimos uma linda paleta e cores, alternada entra a branca e as vivas, com a primeira e a última alegoria em azul e branco, cores da escola e da Portela, onde João se fez.

O único porém foi que a escola estourou o tempo e aqui em São Paulo perde-se 1 ponto, e não um décimo como Rio. Essa diferença custou o que seria o primeiro título da história da Águia, que terminou em 3º.

Acadêmicos do Tatuapé 2013 – Beth Carvalho, a madrinha do samba

Segunda a desfilar na sexta de carnaval, a Alegria da Zona Sul irá falar de ninguém menos que Beth Carvalho, tema também da Tatuapé em 2013 e com a mesma abordagem. O carnavalesco Mauro Xuxa contou biograficamente a carreira da madrinha, que não pode estar no desfile por problemas médicos. Já neste ano ela deve desfilar, afinal a Alegria abdicou de desfilar no sábado a pedido da cantora.

A comissão de frente com o Zé Carioca (que, aliás, é o símbolo da Alegria da Zona Sul) sambista para dizer que ela é carioca da gema foi muito criativa, depois vimos um desfile bem linear com muita pluma nos costeiros. Os carros vieram sem movimento, mas bem acabados.

Foi uma grata surpresa, pois a escola que abria o carnaval geralmente era rebaixada, mas a escola conseguiu se manter na elite até com tranquilidade.

Acadêmicos do Tucuruvi 2015 – As marchinhas de carnaval

Fechando a Série A, a Porto da Pedra entrará na Sapucaí cantando as marchinhas de carnaval, como um samba leve e gostoso, semelhante ao da Tucuruvi, que desfilou com o mesmo enredo há dois anos atrás.

É interessante que o torcedor do Tigre assista, pois devemos ter um desfile semelhante, com um abre alas multicolorido, muitas fantasias que rementem aos antigos bailes de carnaval, esculturas de pierrô, alas com nomes das marchinhas e os festivais na era de ouro do rádio.

Foi um desfile luxuoso e divertido e a escola ficou em 6º, a um décimo do desfile das campeãs.

Veremos o que o Rio de Janeiro nos trará.

Imagem: Arquivo Ouro de Tolo

17 Respostas para ““Déjà vu”? Os 5 enredos cariocas em 2017 que já passaram por São Paulo”

  1. Luis Fernando disse:

    Bem interessante a coluna, mostrar a repetição de temas do Carnaval de SP no RJ esse ano, sendo que o mesmo já aconteceu em outros anos, e não necessariamente nessa ordem. Aqui no Rio, acontece muito de um enredo do acesso ser repetido no Especial, ou vice-versa, e até mesmo em outro grupo, como esse ano, o tema do Império Serrano foi o da Acadêmicos do Sossego ano passado no Grupo B. Pode-se ver o copo meio cheio, com a repetição de bons enredos e as vezes com óticas diferentes, mostrando a criatividade dos carnavalescos, ou pode-se ver o copo meio vazio, concluindo que essa repetição seria fruto justamente de uma possível falta de criatividade dos carnavalescos em abordarem novos temas, novos caminhos… Polêmica kkkk!

    OBS: Esse samba do Diogo Nogueira para a Águia de Ouro é lindo, considero o melhor samba-enredo dele, seguido por seu concorrente na Portela para o Carnaval 2011, injustamente derrotado.

    OBS 2: Miguel, sabe dizer que fim levou o Raul Diniz? Gostava muito do trabalho dele, um Carnavalesco muito criativo e caprichoso.

    • Pedro Migão disse:

      O Carlos Gil escreveu em 2015 artigo aqui sobre estes enredos repetidos: http://www.pedromigao.com.br/ourodetolo/2015/05/enredos-do-nosso-samba/

      • Luis Fernando disse:

        Texto profético, não? Realmente, também gostaria de mais enredos inéditos e criativos, ou repetidos com um olhar totalmente diferente, mas também acho que em alguns casos específicos a repetição é justificada quando anteriormente o tema passa em alguma escola cujo desfile não despertou muita atenção, seja pela qualidade, seja pelo grupo a qual ela pertence (Grupos B, C, D e E não têm muita visibilidade, infelizmente), afinal, no Grupo Especial as possibilidades para desenvolver um belo enredo são muito maiores… Mas gostaria que as escolas e seus carnavalescos pensassem mais fora da caixinha sim…

        OBS: Teve a repetição que não foi repetição, Imperatriz 1981, “O Teu Cabelo Não Nega”, onde, ao que consta, Arlindo Rodrigues pediu a Max Lopes para utilizar esse enredo que ele tinha pensado para o Salgueiro em 1980, que, se não me engano, se chamaria “Lamartiníadas”, mas em cima da hora a escola optou por outro tema, daí o mestre aproveitou a ideia, desenvolveu a seu modo e papou o caneco! Genial!

      • Miguel Fortunato disse:

        Olá Luis, pelo o que eu saiba o Raul se aposentou em 2009 no Peruche, com o desfile sobre as jóias.

  2. Ladislau Almeida disse:

    Belo texto Miguel. E para constar ainda temos Camisa Verde e Branco (2008) X Vila Isabel (2011) num enredo sobre cabelo e Rosas de Ouro (2005) X Estácio de Sá (2011) que falaram sobre as rosas.

    • Matheus Antônio disse:

      tom maior e beija-flor falaram sobre brasilia no mesmo ano (2010), a beija tbm repetiu um enredo da tucuruvi(2010), sobre são luiz do Maranhão em 2012

  3. Anderson Maurici disse:

    Circo Vila Maria (2005) Mocidade (2002)

  4. Natiele disse:

    Beth Carvalho já foi enredo aqui em Porto Alegre pela Imperatriz dona Leopoldina e deu o primeiro titulo do grupo especial https://www.youtube.com/watch?v=9evNGY1_muo

    • Pedro Migão disse:

      Em que ano, Natiele?

      • Natiele disse:

        Desculpa a demora não vi que tu tinha respondido meu comentário. Foi em 2010. A escola voltou a ganhar o título em 2016 falando sobre João Nogueira. Inclusive Diogo Nogueira esteve presente no desfile. Já esse ano a escola não foi rebaixada pq não teve rebaixamento. Aliás quase não tivemos carnaval esse ano aqui em Porto alegre.

        • Pedro Migão disse:

          Desfile de Porto Alegre este ano foi complicado, cheguei a acompanhar um pouco. Mais um que sofre com a falta de apoio do Poder Público

          • Natiele disse:

            Foi um horror! Grupo de acesso (aqui se chama serie prata e bronze) não desfilou pq o sambódromo estava interditado pelos bombeiros. Ai o grupo especial (serie ouro) desfilou em cima da hora. Uma falta de respeito com as agremiações
            Espero sinceramente que ano que vem seja mais organizado e que o povo do samba lembre quem foi a prefeitura que fez isso com o carnaval de porto alegre. Porto alegre com prefeitura se lixando para o carnaval e fazendo de tudo para atrapalhar o evento. Eu vivi para ver isso. Mas desde quando coxinha gosta de samba né?! Vou parar que é melhor! Peço ao blog que dê um pouquinho de atenção ao nosso carnaval de Porto alegre somos apaixonados por samba também! Pelo menos minha imperadores saiu campeã apesar de eu ter ficado com muito dó da iapi vice campeã e que tem como intérprete o otimo Igor Sorriso

          • Pedro Migão disse:

            Natiele, obrigado

            Gostaria de dar maior atenção ao carnaval de Porto Alegre, que é bastante tradicional, mas me faltam recursos humanos.

    • Natiele disse:

      Puxa que pena :(

  5. Carlos Gil disse:

    O contrário também aconteceu muito. Escolas de Sampa levarem para o Anhembi enredos que já tinham passado pelo Rio. Que tal uma lista do contrário para uma próxima coluna? Seria divertido relembrar. Uma repetição de que lembro foi o Camisa falando da cerveja. E até usando a expressão “combustível da ilusão” no samba-enredo. Tal qual fizera o Império Serrano em 1985. Aliás, Camisa e Império têm, além das cores, trajetórias muito semelhantes, quase primas separadas pela Dutra. No ensaio técnico do Império, domingo passado, vi mais de uma pessoa com algo do Camisa. Boné ou camiseta. Sobre a Beth, só um detalhe. Foi o enredo da chamada “primeira campeã da Passarela”, a Unidos do Cabuçu. Ganhou o Acesso de 1984, primeiro desfile da Sapucaí.

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