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Série A 2017, Primeiras Impressões (Sexta-Feira)

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Com todas as obras escolhidas e em processo de gravação é hora de afobação e açodamento. É hora de avaliar, numa primeira audição, os sambas da Série A. Com a certeza de que a opinião mudará em relação a algumas composições. Em algumas outras a tendência será mantida, para o bem ou para o mal. Serei breve e seguirei a ordem de desfile.

Sossego – muito inteligente e poética a forma de diálogo para elaborar a letra. Zezé Motta vai interagindo com o narrador, que é a própria escola que a homenageia. Do refrão principal ao refrão do meio o samba é de beleza ímpar. Acho que cai um pouco na segunda metade, em alguns versos que se alongam ou precisam ser alongados para se encaixar perfeitamente.

Contudo, é uma obra que marcará positivamente a estreia da escola de Niterói no grupo. Só lembrando que Zezé foi enredo do Arrastão de Cascadura, na época neste mesmo grupo, em 1989.

Alegria – a avenida assistirá à segunda homenagem seguida na primeira noite de desfiles. E a segunda homenagem à Madrinha do Samba. Já faz muito tempo da primeira. A Unidos do Cabuçu ganhou o então Grupo 1-B, a segundona, com Beth Carvalho, na estreia da Passarela, em 1984.

Samba pra cima, gostoso de ouvir essa da escola da Zona Sul. A letra usa vários trechos de músicas imortalizadas na voz de Beth. É um recurso válido, embora às vezes soe como solução fácil. A melodia me parece familiar, de outros sambas, em alguns trechos.

Sinal de que também não é extremamente criativa. Porém, no geral, o resultado é agradável.

Viradouro – Só não vale comparar com 2016. Não o farei.

E ainda assim é possível tecer vários elogios ao samba escolhido pela Unidos do Viradouro. Foi uma escolha abraçada pela quadra, o que deve proporcionar boa harmonia. Tem trechos de muito lirismo, de grandes acertos na letra. Ainda que, em outros trechos, o fato de a temática infantil ser muito recorrente acaba por trazer momentos menos criativos. Muito potencial para emocionar e fazer a escola passar muito bem na avenida.

Império da Tijuca – não chega a ser o desastre do ano passado. Mas o samba da Formiga para 2017 também não me cativou muito assim, de cara. Os refrães, especialmente, pecam em letra (poética simples) e melodia (o “venho te homenagear…em verde e branco” parece sem muito encaixe).

Sei que a escola trabalhou algumas mudanças no estúdio. É esperar – e torcer – para ver e ouvir.

Curicica – Infelizmente, essa é uma escola que caiu no nível de escolha de seu hino. Eu gosto bastante do samba dos mamulengos e a obra de 2017, fruto de uma junção de dois entre os quatro concorrentes, reputo estar entre as mais fracas da safra.

O enredo me parece confuso e essa confusão passou para a letra. Uma colagem de expressões, tentativas de coloquialidade que acabaram por empobrecer a poética. A melodia tampouco surpreende. Chega até a relembrar o refrão a Grande Rio deste ano no “conquistou seu coração” (faça o teste e insira um “Santos” ali).

Pode ser que o passar do tempo mude um pouco a má impressão deixada. Improvável.

Estácio – tem um grande apelo emocional e a melodia envolve e faz a obra crescer. O que me incomodou foram as citações excessivas a trechos de músicas, letras, títulos de obras do Gonzaguinha.

Obviamente que apareceriam – como aparecem nos sambas de Sossego e Alegria – só que, no caso da Estácio, é demais. Até o refrão principal usa letra e melodia de uma canção já existente. Faltou ineditismo. Ainda que sobre valentia à obra.

Santa Cruz – houve uma junção e isso, muitas vezes significa uma tentativa de salvar a lavoura. Parece ter sido o caso da Santa Cruz. Monteiro Lobato, gênio de fato. Já ouvi isso aí em algum lugar, lá pelas bandas de Ramos.

O refrão principal tem uma perda de encaixe letra-melodia no “final feliz”. Na verdade, em alguns trechos da obra letra e melodia parecem se descolar; o remendo fica aparente.

Resumo da ópera (popular) – Felipe Filósofo é o destaque. São lideradas por ele as parcerias que trazem os dois melhores sambas da primeira noite da Série A. E ainda que possa destoar da maioria com quem tenho conversado eu, ainda e a princípio, prefiro o samba da Viradouro ao da Sossego.

Logo depois vêm Estácio e Alegria (que padecem do mesmo problema, o excesso de citações literais às obras dos homenageados). Na sequência, Império da Tijuca, Santa Cruz e Curicica.

Semana que vem um primeiro olhar sobre os sambas que vão desfilar no sábado.

Uma resposta para “Série A 2017, Primeiras Impressões (Sexta-Feira)”

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  1. […] tantas vezes na ala dos compositores? Na média, o sábado será mais agradável aos ouvidos que a sexta-feira. O samba que menos se destaca na noite é o da […]


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