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A tal Sul-Americana

Football Soccer - Copa Sudamericana - Chile's Palestino v Brazil's Flamengo - Monumental stadium, Santiago, Chile- 21/9/2016 Flamengo's Rodinei (L), Marcio Araujo (8) and Emerson Sheik (R) celebrate Sheik's goal against Palestino. REUTERS/Ivan Alvarado

Todas as torcidas estão concentradas no Campeonato Brasileiro, que começa a entrar na reta final. Alguns times brigam por título, outros por Libertadores, tem o grupo que tenta fugir do rebaixamento e o menor grupo, que é o do meio de tabela, mas por ainda faltarem 12 rodadas não estão ainda totalmente de férias, já que podem subir ou descer.

Além do Brasileiro, ainda tem a Copa do Brasil movimentando. As oito equipes quadrifinalistas já venceram o torneio e teremos grandes jogos nas quartas. Tudo isso faz do fim de ano do futebol brasileiro empolgante.

Mas também tem o patinho feio, a gata borralheira ou o nome que você quiser dar. Aquele torneio que é meio desprezado. A Copa Sul Americana.

Curioso pensar na Sul Americana nesse aspecto, porque é um torneio internacional e tem alguns grandes nomes na competição, como dois dos últimos três campeões da Libertadores. San Lorenzo da Argentina e Nacional de Medellín. Mas a culpa é nossa. Do Brasil.

romariomercosulA Sul Americana corresponde na América do Sul à Copa da Uefa na Europa. Tivemos outros torneios sul-americanos que até tiveram mais moral como a Supercopa e a Copa Mercosul, consagrada pela virada do Vasco sobre o Palmeiras em 2000. O que mais pareceria com essa Sul Americana atual seria a Copa Conmebol que qualificava para o torneio equipes que ficaram em posições logo abaixo das classificadas para a Libertadores. O Botafogo venceu essa antiga competição em 1993 após ser vice-campeão brasileiro em 1992.

Na América do Sul toda é assim e aqui também era e até chegou a ter um pouco o interesse do torcedor brasileiro quando classificava dessa forma. Fluminense foi vice-campeão, Inter venceu e São Paulo também venceu em uma decisão tumultuada.

O interesse aqui começou a cair quando os critérios ficaram estranhos. Premiam os vencedores dos torneios regionais (Copa Nordeste, Copa Verde, etc) e tem a situação mais estranha: classifica, sim, por colocação no Brasileiro anterior. Desde que a equipe não esteja na Copa do Brasil.

Isso acaba tirando a credibilidade da competição sem ela ter culpa. Esse ano tivemos três casos para se pensar. O Sport colocou sub 20 na Copa do Brasil porque queria jogar a Sul-Americana. Existiu suspeita sobre o Santa Cruz no confronto com o Vasco, suspeita de que poderia “entregar” para jogar o torneio. Aliás, curioso que os dois queriam tanta jogar a Sul-Americana e pouparam times no torneio por causa do Brasileiro.

O outro caso curioso é o do Flamengo. Eliminado da Copa do Brasil de forma bisonha pelo Fortaleza, recebeu como “punição” jogar a Sul-Americana. Quer dizer, foi eliminado de uma competição nacional e por isso foi para uma internacional como se “caísse pra cima”. Vasco, Fluminense e Botafogo, que foram melhores do que o Flamengo na Copa do Brasil, fizeram campanhas mais dignas, caíram do torneio e não foram para a Sul-Americana porque na etapa de suas eliminações o regulamento não previa mais. O time que foi pior se deu melhor.

É evidente que Sul Americana é melhor que Copa do Brasil e esse regulamento é estúpido. Assim como é estúpido ter a Libertadores no primeiro semestre, Sul-Americana no segundo e não botar os dois torneios ao mesmo tempo o ano todo. Só o torcedor brasileiro não percebeu sua importância ainda. O mesmo torcedor que por décadas preferiu o Estadual que a Libertadores e agora é louco para ganhar o torneio e boa parte das vezes perde para argentinos e outros países por não saberem jogar a competição. Não sabem porque desprezaram enquanto os outros aprendiam.

Copa Sul-Americana, repito, é, sim, mais importante que a Copa do Brasil. Seu campeão vai para a Libertadores igual o da Copa do Brasil, mas também embolsa dois milhões de dólares, se credencia a disputar a Recopa com o campeão da Libertadores, a Copa Suruga com o campeão japonês e enfrenta o campeão da Uefa. Ganhar a Sul-Americana ajuda na internacionalização da marca e dá dinheiro.

sheikpalestinoflaOs clubes brasileiros, a torcida brasileira e também a imprensa que trata como “segunda divisão da Libertadores” ainda não entenderam. Que segunda divisão é essa que o campeão da Libertadores disputa? O caso do Flamengo é o maior exemplo. É evidente que o Campeonato Brasileiro é mais importante e tem que dar prioridade, mas a Sul-Americana é, sim, importante.

O Flamengo só tem dois títulos sul-americanos. A Libertadores de 1981 e a Mercosul de 1999. No século XXI, o Flamengo virou figurante internacional, menor que o The Strongest, acumulando vergonhas como a eliminação da Libertadores de 2008 para o América do México e quedas na primeira fase como 2002, 2012 e 2014.

Perdeu o jeito de jogar contra equipes de fora do Brasil e como o calendário brasileiro não permite mais participar de Ramon de Carranza e Teresa Herrera, sumiu. Não está tão difícil assim esse torneio. Já está praticamente nas quartas de final mesmo não dando a mínima. Se tiver um pouco de empenho pode, sim, vencer a competição.

E pode dar rodagem ao elenco, cancha para a Libertadores de 2017, para a qual fatalmente irá se classificar pelo Brasileiro. Rodagem que o clube perdeu.

É claro que prefiro o Brasileiro, mas a Sul-Americana não pode ser desprezada e como torcedor eu quero ganhar sempre.

Até porque título é título.

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

Uma resposta para “A tal Sul-Americana”

  1. Marco Abi disse:

    Bom, mais uma vergonha para o currículo. Não é para se impressionar: o Flamengo do Sec. XXI é assim mesmo, coleciona vexames internacionais (créditos ao Mauro Cezar Pereira).

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