O editor chefe e fã de Aécio Neves Pedro Migão nos incumbiu de fazer um Top 10 de nossas escolas do coração. Pensei, pensei e me veio a lembrança remota (coisas da idade) que já fizera isso e realmente fiz. Achei. Em 3 de fevereiro de 2013 foi publicado nesse petrolífero blog uma listagem minha com os 10 da Ilha. Ela não mudou. Não tivemos um super samba após a publicação então resolvi republicar, com as mesmas palabras da época, com o adendo que colocaria o de 2014 sobre brinquedos como menção honrosa junto a outros citados no fim.

Quem quiser acompanhar a coluna da época na íntegra, que veio tambem com uma relação com os dez maiores sambas trash da história, só conferir aqui neste link.

Só repetindo o que escrevi em 2013. São meus dez preferidos, não necessariamente os dez melhores.

10 – A viagem da pintada encantada (1996)

O samba de Alberto Varjão e Vicentinho é um dos poucos sambas afros da história da União da Ilha e enredo afro geralmente dá samba bom, como ocorreu com esses compositores. Destaque para o poderosíssimo refrão do meio.

9 – Sonhar com rei dá João (1990)

Curioso que a impressão que tenho é que só eu gosto desse samba feito por Bujão, J.Brito e Franco. Não só gosto: sou apaixonado por esse samba desde o pré-carnaval de 1990. Sempre achei melódico, poético; mas acho que não faz muito o estilo da escola, porque dá para contar nos dedos da mão com dedo amputado do Lula as vezes que ouvi na quadra de 1997 para cá. Existe um vídeo emocionante da largada desse samba em 90, onde surgem Bujão. J.Brito, Aurinho da Ilha, Franco e Quinho. Alguns dos maiores nomes da história da União.

8 – A União faz a força com muita energia (2001)

É… Continuo polêmico: 90% dos apaixonados pela União da Ilha querem encontrar com o Chucky (o brinquedo assassino), mas não querem ouvir esse samba. É uma grande injustiça com o lindo samba de Djalma Falcão, Almir da Ilha, Bicudo e Márcio André, que não teve culpa nenhuma do rebaixamento. Que culpa o samba tem se os tais carros vazados que acendiam no barracão e todos aplaudiam decidiram ficar escuros na avenida? Detalhe… As melhores notas da escola foram em samba-enredo. Samba de uma poesia singular.

7 – O Amanhã (1978)

Samba de João Sérgio, a quem tenho orgulho de ser amigo e ser respeitado como compositor. Provavelmente é um dos sambas mais regravados da história, o primeiro dos arrasa quarteirão que citei e samba que deixou o ex-mestre de bateria do Boi da Ilha e compositor da União rico. É um samba pequeno, simples, que tem refrão eternizado não só na história do samba-enredo como da MPB.

6 – 1910 – Deu burro na cabeça (1981)

O primeiro samba vencido pelo genial Franco na União da Ilha. Ganhou em parceria com Barbicha, Jangada e Dazinho. Um samba com a marca “União da Ilha”. Alegre, sedutor, levemente safado, irreverente. O tipo de samba quedá vontade de sambar agarrado a uma cabrocha tendo seu auge no refrão. Samba com a cara do Franco.

5  – Fatumbi, a Ilha de todos os Santos (1998)

A disputa desse ano já foi tema de coluna e sei que o editor chefe do blog adora este samba. Foi minha estréia como compositor de escolas de samba, em uma disputa que teve 53 concorrentes. O samba de Márcio André, Almir da Ilha e Mauricio 100 não era o favorito até meados da disputa. Mas com Rixxa tendo que largar o favorito para assumir o microfone da escola e a força do talento vocal de Mauricio 100 o samba virou a história. Ele é todo bonito, mas adoro o começo da segunda. Samba poderoso.

4 – De bar em bar, Didi um poeta (1991)

Aqui a parada começa a ficar séria. Samba que causou polêmica na época, com a família do homenageado reclamando que não foi contada a história dele – e sim de um bêbado. Besteira deles: nada mais bonito que homenagear um poeta na seara dele, a boemia. Samba alegre, com o toque União da Ilha e Franco de ser. Aquele que é para mim o segundo maior compositor da história da União homenageava o maior de todos dando um porre na tristeza.

3 – Domingo (1977)

O samba de Aurinho da Ilha, Ione do Nascimento, Ademar Vinhaes e Waldir da Vala é histórico. O único samba da União da Ilha a receber um Estandarte de Ouro. Um dos dois sambas do bairro inteiro a ganhar esse prêmio: o outro foi Orun Aye pelo Boi da Ilha em 2001. É um samba que foge um pouco das características mais conhecidas pela escola, que são alegria e irreverência. É um samba em tom menor que dá preferência à poesia. A frase “na sutileza de um amanhecer” para mim é a frase mais bonita já posta em um samba da União da Ilha.

2 -Festa Profana (1989)

Falar o que do samba de Bujão, J.Brito e Franco? É uma catarse, uma chamativa para a festa da carne, para a orgia, para a folia de Momo. Considerado uma marchinha por muitos entendidos, o samba é um dos mais populares da história do carnaval. Ganhou as ruas, os estádios de futebol, a boca do povo. O porre de felicidade virou expressão popular e lançar perfume no cangote da menina símbolo do carnaval alegre, irreverente e feliz como amo.

1 -É Hoje (1982)

Esse samba já foi citado em coluna minha como um dos meus top 10 da história. O samba de Didi e Mestrinho deve ser ao lado de Peguei um Ita no Norte do Salgueiro o samba mais popular da história do carnaval. Muitas vezes regravado, colocado em comerciais de televisão, cantado em todas as festas, bailes o refrão “Diga espelho meu/se há na avenida alguém mais feliz que eu” é uma marca da União da Ilha do Governador e do carnaval brasileiro. Curioso que eu ainda criança conhecia e gostava desse samba sem saber que era da União da Ilha. É Hoje é um patrimônio de nossa cultura.

Salve a União da Ilha do Governador. Escola de sambas maravilhosos que me fez ter grande dor de cabeça em escolher 10 e deixar de fora sambas como “Lendas e festas das Yabás”, “Confins de Vila Monte”, “Bom, bonito e barato”, “Assombrações”, “Sou mais minha Ilha”, “Abrakadabra, o despertar dos mágicos”.

E claro, o melhor de todos, o mais bonito, com melhor refrão do meio da história do carnaval que a modéstia me impediu de colocar, que é o samba de 2012: “De Londres ao Rio era uma vez uma Ilha”, com o maravilhoso “Vou botar molho inglês na feijoada/misturar chá com cachaça”.

Está bom, parei: estava só brincando. Salve a União da Ilha do Governador, escola do meu coração e de vocês também.

Caramba!!

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

5 Replies to “TOP 10: União da Ilha (por Aloisio Villar)”

  1. Aloisio, tem um outro samba da Ilha que sofre pelo resultado de seu desfile mas que considero de uma poesia singular e letra fortíssima. Um herói, uma canção, um enredo, do quase rebaixamento de 1985. Está na minha lista de obras insulanas favoritas. Também destacaria Aquarilha do Brasil, de 88, em homenagem a Ary Barroso. Na outra ponta, a do desfile que consagrou o samba, listo Maria Clara Machado, de 2003. Não é uma obra de antologia – embora super simpática. Mas rendeu um desfilaço, injustamente não reconhecido como vencedor pelo júri naquela ano. Abraços.

  2. Ótimo texto!!

    Sobre 1990, o que eu vejo o pessoal aqui do estado de SP critica é que “como uma escola que sempre pregou o bom, bonito e barato pôde homenagear alguém avesso a tudo isso”??

    Mas a lista é essa mesma. Não tem o que mudar. Talvez eu só trocasse 1981 pelo de 2005, que eu acho lindo demais!!

    E serei polêmico: se você gosta bastante do de 2001, eu adoro 2011 e 2013!!

    Abraço, Villar!!

  3. Muito bom. Que grandes sambas da Ilha. E outros grandes ficaram de fora. Na minha humildissima opiniao DOMINGO é o maior samba enredo da história. Sempre respeitando todas as opiniões, claro.

  4. Caramba! Que “menu” de sambas esse, hein?

    Sou muito fã do samba de 98! A segunda parte dele é cantada de forma fenomenal.
    “Abrakadabra” que me arrepia quando revejo o desfile.

    Gosto do samba de 1995: “A ilha é minha tribo e vai passar…” Não para os Top-10, obviamente.

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