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Continuando o post de ontem, agora chegou o momento das análises das escolas que desfilarão no segundo dia de desfiles do Grupo Especial, já na ordem de desfile.

Vila Isabel

Enredo: Memórias do Pai Arraia – Um sonho pernambucano, um legado brasileiro
Carnavalesco: Alex de Souza
Autoria da sinopse: Alex de Souza e Martinho da Vila

A Vila Isabel passa por um momento político e financeiro muito difícil, mas uma sinopse sobre um político histórico socialista escrita por ninguém menos que Martinho da Vila, que como todos sabem é socialista e por isso conhece bem a vida pública do homenageado, não tem como dar errado.

A sinopse é curta, simples e objetiva, como toda sinopse deveria ser, e é escrita em primeira pessoa, como se fosse o próprio Arraes a lembrar de seus momentos políticos mais importantes: a extensão da obrigatoriedade do pagamento do salário mínimo aos trabalhadores ruais (o Acordo do Campo), a luta pelas reformas, especialmente a agrária, a criação do Movimento de Cultura popular, não sem lembrar de outros dois “reformistas” contemporâneos que exerceram influência em Arraes: D. Helder Câmara e Paulo Freire.

20130212_053022O único ponto contra é aquele encerramento típico de enredo patrocinado (não sei se realmente é patrocinado) no qual se enxerta um motivo qualquer para mostrar a cultura pernambucana atual sem se preocupar muito com a contextualização.

A Vila Isabel tem um grande enredo para desenvolver e os compositores tem um material brilhante e, em sendo na Vila Isabel, é difícil não lembrar que André Diniz é professor de história também com um viés esquerdista. Ou seja, esse enredo é um prato cheio para ele.

Obs: sei que a Vila tem outros bons compositores e que André Diniz não ganhou o samba por antecipação, a lembrança apenas ocorreu porque além de ser o maior vencedor da história da escola, ele deve ser o compositor de maior conhecimento da vida do homenageado e é inegável que isso facilita a composição.

Nota: 9

Salgueiro

Enredo: A Ópera dos Malandros
Carnavalesco: Renato Lage e Marcia Lage
Autoria da sinopse: Diretoria Cultural da Acadêmicos do Salgueiro

Antes de entrar no enredo de 2016, uma explicação sobre 2015: quem leu a análise elogiosa do blog quanto à sinopse sobre a culinária mineira pode ter achado que eu enlouqueci e elogiei uma sinopse que fora bastante despontuada pelos julgadores.

20130210_223558Porém esse é mais um dos exemplos mais bem acabados que uma sinopse, ao mesmo tempo que é um importante ponto de partida, nada garante quanto ao desfile.

O problema do Salgueiro no quesito em 2015, como bem demonstrei na “Justificando o Injustificável – Enredo” não fora a sinopse, realmente muito boa, mas um desenvolvimento desastroso dela no desfile do ponto de vista argumentativo.

Simplesmente o Salgueiro se desviou da sinopse na montagem de fantasias e alegorias e foi isso que ocasionou os descontos. O desvio foi tanto que teve um carro dedicado aos diamantes quando os mesmos sequer eram mencionados na sinopse.

Quanto à sinopse de 2016, é complicada de se comentar. Quando surgiu o título, houve uma grande expectativa no mundo dos amantes dos desfiles, pois malandros era um tema que muitas pessoas sugeriam como argumento principal de uma escola há algum tempo.

Logo, após sair a sinopse, é difícil que uma sensação de anti-clímax não acabe contagiando a opinião. Desde o princípio, a escola tratou de afastar qualquer semelhança ou inspiração na peça teatral quase homônima de Chico Buarque, “Opera do Malandro”, e enveredou por uma sinopse que se resume a descrever. Não há nenhum fato novo, inusitado, nenhuma pesquisa histórica mais contundente, não ao menos explícita como na sinopse da São Clemente, por exemplo.

Então ela simplesmente começa apresentando o malandro que “vai flanando triunfal entre deuses, meretrizes, rainhas e monarcas”, esperto, depois descreve os locais de “malandragem” no Rio de Janeiro, dos vários amores, da destreza no jogo de baralho e para terminar, da umbanda (ou então não seria uma sinopse genuinamente salgueirense) e do trabalho duro “chacoalhando guias e cordões no trem da central”.

Ou seja, é um show de clichês. Mas clichês muito bons e que tem tudo para render um excelente desfile. Para o fim que a sinopse se preza, é ótimo pois o malandro é algo tão afeito ao carnaval que nem precisa fazer esforço para ficar bom.

Nota: 9

20150216_214326São Clemente

Enredo: Mais de Mil Palhaços no Salão
Carnavalesca: Rosa Magalhães
Autoria da sinopse: Rosa Magalhães

Quando digo que acho que não verei até o fim da minha vida enredista melhor que Rosa não estou exagerando. Pela enésima vez em sua carreira ela fez uma sinopse ao mesmo tempo histórica, curiosa, rica, didática e altamente carnavalizável, dessa vez sobre a História do palhaço.

Ela começa lá na época medieval, mostra o surgimento do personagem nas igrejas, sua expulsão, os saltimbancos, os bobos da corte e finalmente a junção deles com o espetáculo equestre naquilo que foi o inicio do circo moderno e termina falando dos primórdios dos palhaços no Brasil.

Se eu pudesse fazer um único comentário é justamente achar que a sinopse poderia ser um pouco mais desenvolvida no final e chegar aos palhaços televisivos das décadas de 70 e 80. Mas esse capricho de minha parte não tira em absolutamente nada a maravilha que é essa sinopse.

Outra fato a se destacar é que quando o título do enredo foi anunciado, havia a promessa de um forte tom crítico no mesmo, fato que ficou salientado na logo do enredo na qual um palhaço segura um abacaxi na mão. Porém tal critica não aparece em nenhum lugar. Fica o registro, apesar disso não modificar em nada a análise da sinopse ou o devido julgamento dos julgadores.

Espero mais uma vez que a sinopse seja bem desenvolvida como foi a de Pamplona nesse ano. Fazendo isso a São Clemente tem grandes chances de repetir o sucesso do seu último desfile.

Nota: dez, dez, nota dez!

20150216_220905Portela

Enredo: No Voo da Águia, uma Viagem sem Fim
Carnavalesco: Paulo Barros
Autoria da sinopse: Isabel Azevedo, Simone Martins, Ana Paula Trindade e Paulo Barros

Para o que eu esperava, a sinopse sobre grandes viagens me surpreendeu bastante. É a melhor sinopse de Paulo Barros que já vi. Podem achar que estou aliviando por ser a minha escola, mas quem me conhece sabe sei separar bem a torcida e a avaliação.

Quando comentei a contratação de Barros aqui no Ouro de Tolo, disse que “A fórmula para o sucesso mais uma vez é a negociação. Os dois lados tem que entender que para relacionamentos serem exitosos, ambos têm de ceder um pouco em suas convicções” e é exatamente o que vi na sinopse.

Uma sinopse, clara, didática, na qual você fecha os olhos e já imagina como o desfile será montado. Aliás, Paulo ajudou ainda mais e fez um resumo no inicio da sinopse. Ela misturou muito bem a modernidade de Paulo com a tradição da Portela, utilizando inclusive a águia como fio condutor, algo que inacreditavelmente ninguém tinha utilizado até o momento.

A ideia é que a águia “símbolo de liberdade, de nobreza e de sabedoria, (…) a rainha dos céus” voando, mostre durante o desfile essas grandes viagens.

Então, começa-se pela grande viagem de Odisseu (ou Ulisses para os romanófilos) no poema grego épico “Odisseia” de Homero e pela abertura bíblica do Mar Vermelho por Moisés. O único pequeno lamento nesse início é a utilização da passagem bíblica que já se tornou lugar comum nos desfiles. Moisés e o Mar Vermelho já passaram algumas vezes na avenida.

Mas por que esses dois momentos foram escolhidos? Justamente porque a águia é citada como metáfora em ambos os textos. Tem-se aí um brilhante mote para introduzir a famosa Águia do abre-alas dentro do enredo como desde 1998 não é feito.

A partir daí vem os setores da escola, muito bem divididos na sinopse. O 1° setor falará sobre as grandes navegações,. Chamo a atenção para a metáfora do “monstro imaginado” do fim do texto, que me parece uma citação ao “Gigante Adamastor” do Canto V dos Lusíadas.

O segundo setor dá um pulo rápido no irreal e retrata as “viagens imaginárias”: viagem no tempo (seria um gancho para colocar “De volta para o Futuro”?), ao fundo do mar (provavelmente uma referência a “Vinte mil léguas submarinas” de Julio Verne) e Jornada nas Estrelas.

Obs: antes que um incauto diga que o ser humano já chegou ao fundo do mar, digo-lhes que se a referência realmente for o livro citado, tal distância submarina não existe. O ponto mais profundo do oceano fica a -11034m, enquanto as 20 mil léguas corresponderiam a estratosféricos -80.000.000m.

O terceiro setor trata das “viagens extremas”, no qual voltamos às viagens verossímeis. São mencionadas viagens aos locais menos hospitaleiros da Terra como deserto, selvas, florestas e geleiras e termina com as viagens interplanetárias. Esse setor termina com a frase-epílogo “A viagem mais extrema está na incerteza de regressar ao ponto de partida.” (gancho para a Teoria da Relatividade?).

O quarto setor se decida a “busca dos mundos perdidos” e é dedicado as artes da Paleontologia e da Arqueologia que “percorrem trilhas e pistas de mundos perdidos que ficaram pelo caminho”. Aqui é outro local em que Paulo Barros terá alguma liberdade para trabalhar uma linha mais Pop, já que o tema é bem parecido com o retratado pelas séries cinematográficas Jurassic Park e Indiana Jones.

O quinto setor cuida das grandes viagens feitas em nome do comércio, seja por terra ou mar. Como o texto fala especificamente em ouro e prata, deverá haver nova abordagem nas navegações interoceânicas e aqui deverá haver cuidado para não repetir o abordado no primeiro setor.

O que me cativou de vez nessa sinopse foi o seu encerramento. A sinopse termina com a grande e rápida viagem ao redor do mundo sem sair da cadeira: a internet!

Em uma época em que terminar em carnaval ou qualquer outra homenagem “boba-alegre” é praticamente obrigatório para uma sinopse, especialmente nas sinopses de argumento original como essa (o próprio Paulo Barros usou esse lugar-comum ano passado na Mocidade), Paulo Barros e sua equipe conseguiram uma finalização que ao mesmo tempo foge dos lugares-comuns e é bastante natural ao argumento apresentado.

Para arrematar com chave de ouro, eles conseguem encaixar uma finalização tecnológica e high-tech sem qualquer sobressalto na linha narrativa, algo que não lembro de ter visto em nenhuma outra sinopse nos últimos 15 anos.

Um enredo muito interessante, clássico e moderno ao mesmo tempo que pode levar a Portela longos e altos voos.

Nota: 9,5

Obs: ao menos na apresentação da sinopse aos compositores, que presenciei na Portelinha, nem Paulo Barros nem a Portela fizeram qualquer exigência aos compositores salvo o fato “de contar exatamente a história que irá à avenida”. Em bom português podemos traduzir como “mantenham a ordem dos setores”, nada diferente de quase todas as outras escolas atualmente.

20150217_033731Imperatriz Leopoldinense

Enredo: É o Amor… Que Mexe com a Minha Cabeça e me Deixa Assim… Do Sonho de um Caipira Nascem os Filhos do Brasil
Carnavalesco: Cahê Rodrigues
Autoria da Sinopse: Cahê Rodrigues, Marta Queiroz e Cláudio Vieira

A Imperatriz escolheu um dos temas que mais deram polêmica nesta safra: a dupla sertaneja Zezé di Camargo & Luciano.

Houve quem torcesse o nariz porque seria uma tema sem qualquer relação com o samba e o carnaval e houve aqueles que taxavam de preconceituosos os primeiros e que seriam dois grandes artistas que mereceriam uma homenagem no carnaval como vários outros grandes nomes sem relação com a festa já obtiveram.

Não gostei do tema quando foi divulgado, não por nenhum motivo acima, mas porque simplesmente eu achava que a vida de ambos não tinha elementos suficientes para preencher seis carros alegóricos e umas 30 alas.

Seja meu pensamento verdadeiro ou não, a sinopse acabou me dando razão. Como bem disse o colunista Leonardo Dahi no Twitter, dentre várias opções, a Rainha de Ramos escolheu a pior: a “homenagem envergonhada”, sobre a qual já discorri ontem quando analisei o enredo da Unidos da Tijuca.

Em todos eles faltou exatamente elementos que realmente homenageassem a figura escolhida e isso comprometeu toda a argumentação do enredo.

É exatamente o mesmo que eu vejo aqui. No inicio o enredo tenta emular um pouco o enredo da Vila Isabel em 2013, falando de um “sonho caipira” e resvala no enredo CEP ao retratar uma paisagem típica de Goiás (com direito a citação direta).

Daí faz-se uma ode a plantação e a colheita, quando a semelhança com o “Festa no Arraiá” fica ainda mais gritante. Nesse setor é enxertado um gancho para poder retratar a participação da dupla homenageada na campanha presidencial de Lula em 2002 (mas sem citar nomes).

O setor seguinte é uma ode a musica sertaneja e uma crítica a quem desmerece esse tipo de música e suas letras, que seriam um retrato do interior do Brasil.

Daí a sinopse gira totalmente e passa a abordar a cidade de Pirenópolis-GO, cidade natal dos homenageados e aí o enredo assume uma feição CEP bem forte. Menos mal que Pirenópolis tem um folclore riquíssimo e é altamente carnavalizável (alias, já passou muito bem em um setor da Caprichosos em 2001).

Só no quinto setor é que os homenageados aparecem como figuras principais, em um setor que aborda o início da carreira ainda em Pirenópolis. Fechando a escola vem a longa carreira de sucesso dos dois espremida em um mísero setor (enquanto se perdeu trocentos acima falando de amenidades).

Ou seja, teremos problemas na costura disso tudo para fazer um Enredo, passar um argumento. Provavelmente faltará espaço para pontuar justamente os motivos pelos quais a dupla está sendo homenageada, ou seja sua carreira.

E nem irei e entrar na discussão de que, apesar de todo enredo ser feito em primeira pessoa, essa pessoa é um ser misterioso, em momento algum fica claro quem seja.

Pode dar certo? Pode. Pode o frisson pela entrada da dupla na avenida abafar tudo o que escrevi acima? Pode. Mas sendo um desfile de Escola de Samba no Rio de Janeiro, acho bem difícil.

Espero que o Cahê cale minha boca, mas eu já vislumbro o fantasma do balaio de gatos que ele transformou o belo tema da superação na Grande Rio 2012, logo após o incêndio.

Nota: 5

20150216_000525Mangueira

Enredo: Maria Bethania – A Menina dos Olhos de Oyá
Carnavalesco: Leandro Vieira
Autor da Sinopse: Leandro Vieira

Juro que não entendi para onde essa sinopse aponta. Ou teve alguma construção que perdi no meio das letras, ou simplesmente a sinopse não sabe de onde veio e com que propósito.

A sinopse perde frases e frases floreando aspectos de umbanda, aspectos generalizados da música e do sertão da Bahia, mas de Maria Bethania mesmo pouco aparece; ao menos esse pouco é ordenado cronologicamente.

Enredo nós vemos só na avenida e lá tudo pode se ajeitar (a sinopse é tão etérea que tem espaço para isso) mas no papel em si não há muito sentido.

Parece que é uma sinopse mais voltada apenas para guiar os compositores e evitar aquela “preguiça” de apenas fazer “cópia e cola” das canções de Maria Bethania do que realmente revelar algo sobre o desfile.

Se for isso, aplaudo de pé. A escola poderá nesse caso apresentar outro texto, mais revelador do desfile, no livro Abre-alas e ir muito bem no quesito Enredo. Alias, acho que isso deveria ser a regra (e essa coluna até perderia o sentido).

Agora, se for essa sinopse divulgada a colocada no Abre-alas, prevejo dificuldades para a Mangueira.

Nota: 5 (considerando que esse seja o texto apresentado no Abre-Aaplas).

Imagens: Arquivo Ouro de Tolo

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