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Temos mais uma estreia neste Ouro de Tolo: é a “Filho Pródigo”, assinada pelo caçula do time de colunistas, o estudante Leonardo Dahi. Será quinzenal e irá abordar assuntos variados. Na estreia oficial Dahi analisa  a questão dos menores infratores – já tema de artigos de minha autoria e do colunista Walter Monteiro – a partir de recente matéria televisiva.

Uma Casa sem bem estar

Antes de mais nada, como este é o meu primeiro texto como integrante de fato do Ouro de Tolo, gostaria de me apresentar, bem como de agradecer ao Pedro Migão, dono deste espaço, pela oportunidade de estar aqui com vocês de 15 em 15 dias.

Meu nome é Leonardo Dahi, tenho 14 anos, pretendo ser jornalista, sou corinthiano e mangueirense. Já escrevi um texto para este blog relatando minhas experiências de espectador na Copa das Confederações e, nesta coluna, pretendo tratar de assuntos cotidianos em geral. O futebol e o carnaval, porém, devem estar sempre na pauta, visto que são minhas grandes paixões desde que me entendo por gente.

O texto de estreia, contudo, foge à esta regra.

Semana passada, o Fantástico exibiu uma reportagem que denunciava a extrema violência de alguns funcionários do que hoje é a Fundação Casa, antiga Febem, contra os presidiários. Presos eram agredidos covardemente, sem a menor chance de defesa. Humilhados com palavras duras de gente que deveria estar lá para cuidar destas pessoas.

Todo preso é um caso delicado, mas quando é uma criança, é ainda pior. Se não houver 100% de cuidado, as chances de recuperação são nulas.

A sigla Febem, a mais famosa prisão para menores, significa Fundação Estadual do Bem Estar do Menor. Só que ela nunca existiu em prol desse menor, muito menos de seu bem estar. Nunca se pensou em recuperar uma criança infratora, mas sim em lhe dar uma pós-graduação no mundo do crime. E todo mundo sabe que, no Brasil, criminoso vive apanhando. Logo, que já aprenda isso desde cedo.

E esse tratamento ocorre também porque nossa sociedade, se não apoia, é indiferente à essa situação. É uma realidade distante da maioria, mas que incomoda a todos e, por isso é deixada de lado por muitos. As pessoas se chocam por 10 minutos durante a reportagem, se emocionam por duas horas ao ver filmes como “Última Parada 174”, que retratam exatamente a situação de jovens que praticamente não tiveram escolha na vida e entraram para o crime. Mas, quando o filme acaba, voltam a se isolar desse mundo, a abandonar essa briga.

Isso quando não se posiciona abertamente a favor da violência. Não é raro ver apresentadores de TV, com seu poder de influência defendendo a pena de morte em rede nacional cinco horas da tarde, como se isso, matar alguém, fosse a coisa mais simples do mundo. Ainda dizem que nossa Justiça é frouxa, que bandido não tem medo da Polícia. Ora, se até nós, ‘Amarildos’ que nada devemos, temos medo, como os bandidos não tem?

Nada justifica o fato de alguém entrar para o crime, tomar coisas de alguém, muito menos matar. Quem faz, tem que pagar. Mas será que você, defensor da pena de morte e da porrada generalizada, teria sido uma das raras exceções a não entrar para o crime se tivesse a vida que esses marginais tiveram?

É muito fácil eu chegar aqui e dizer que, se um dia eu for parar na rua, jamais cederei à bandidagem. Pode até ser verdade, mas é difícil afirmar com certeza. Graças a Deus, eu – e imagino que a maioria dos leitores – nunca estivemos nessa situação, com fome, frio, sem ter o que vestir, nem comer, e vendo no crime a nossa única salvação. É uma situação muito complicada para ser julgada com tamanha frieza – vai saber o que se passa na cabeça nessas horas.

Insisto: quem comete crimes, deve pagar por eles de acordo com a Lei (que, aliás, não dá a ninguém o direito de bater nas pessoas). Nossas prisões, inclusive, estão totalmente erradas. Febem ou adulta, elas jamais pensam em recuperação. Pois o ideal de prisão deveria ser justamente esse: um lugar onde o infrator veja que a sociedade ainda confia nele e em sua redenção, onde ele aprenda coisas novas, amplie seus horizontes, tenha a esperança de um futuro melhor quando aquele Inferno acabar (por melhor que seja, prisão nunca é e nem deve ser uma coisa legal).

E isso também depende de todos nós, que ainda vemos ex-presidiários como alguém que, cedo ou tarde, irá aprontar e relutamos em lhe dar uma nova chance em nossos estabelecimentos comerciais, para ficar em um exemplo simples.

Lógico que existe “sangue ruim”, “pau que nasce torto” aos montes, mas não dá para toma-los como regra e, honestamente, nem como maioria. Isso é reconhecer um fracasso do ser humano que meu lado Poliana não consegue enxergar.

Não é preciso ensinar violência para jovens e velhos infratores, pois isso a maioria já aprendeu a vida toda. É preciso lhes ensinar algo diferente, pois é unânime o pensamento de que desse jeito não deu certo. E essa mudança vai muito além de transformar o “bem estar” em uma “casa”.

(Foto: Nair Benedicto)