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Dando sequência à minha saga pela Copa das Confederações, no último sábado estive em Salvador – desta vez com a família – para acompanhar o clássico entre Brasil e Itália, válido pela terceira rodada da primeira fase. A partida determinaria quem sairia em primeiro ou segundo lugar no grupo – e, mais que isso, quem escaparia da Espanha nas semifinais.

Antes de qualquer coisa, quero alertar ao leitor que acabou sendo uma experiência bastante cara: somente o hotel onde nos hospedamos – e no qual havia ficado em outras ocasiões – quadruplicou o preço em relação ao cobrado normalmente. Os outros serviços mantiveram-se na média, mas o preço de hospedagem é algo que precisa ser repensado para a Copa do Mundo do ano que vem.

Por outro lado, é espantoso como a partida movimenta a economia da cidade: não somente meu vôo veio lotado (com praticamente todo mundo vindo para assistir à partida) como o hotel onde fiquei, nada barato, estava muito cheio. A ponto de ocorrerem filas para o café da manhã, especialmente no sábado. Este é aspecto que os contrários à realização da Copa deveriam refletir: há gasto de recursos, mas o retorno à cidade em termos de turismo, gastos destes e impostos também é alto. Por outro lado, o aeroporto da cidade está em obras, mas mesmo nas condições atuais suportou o fluxo de forma satisfatória.

20130622_131358Curioso, também, ver na saída do hotel para a partida que eu era o único trajado adequadamente para se ir a um estádio. Até gente de calça branca (!) havia vestida para assistir ao Brasil ao vivo.

Como haviam rumores de que ocorreriam protestos, optei por sair cedo do hotel a fim de não enfrentar problemas. Solicitei um táxi, que nos deixou – por um caminho alternativo – bem próximo da barreira policial e de trânsito. Aí começam as diferenças com o que vi no Maracanã nas duas partidas anteriores.

Ao contrário do ocorrido aqui no Rio, não havia a solicitação de ingressos para acesso à área restrita. Na verdade passa-se pelos detectores de metal e somente na hora de ultrapassar a roleta é que se pedia o ingresso. Também havia menos orientadores e muita confusão sobre os acessos.

20130622_131336Contribuiu também o fato de que todo mundo teve a mesma ideia que eu e chegou cedo ao estádio. Não sei se por causa dos protestos ou por ser um jogo do Brasil, o fato é que cheguei à Fonte Nova três horas antes do jogo e já havia muita gente para entrar no estádio. Inclusive é algo que me faz repensar a estratégia para a final caso o Brasil esteja envolvido na partida.

Pergunta daqui, pergunta dali e conseguimos chegar ao nosso setor, nas cadeiras inferiores. Aí volto a reclamar: paguei o ingresso mais caro disponível para ficar embaixo de um sol escaldante. Tanto que só tomamos nossos lugares quando faltavam 20 minutos para o jogo começar, dado o sol inclemente – e só tivemos sombra quando já havia uns 20 minutos de jogo. Fico imaginando quem comprou ingressos para este setor na decisão do terceiro lugar, que será a uma hora da tarde…

Outro ponto que observei é que pelo menos onde eu estava, que era um setor de ingressos mais caros – e muitos convidados – contavam-se nos dedos as pessoas negras. Vi três, todas namoradas de homens brancos. É algo a se perguntar: em uma cidade com uma população negra forte como Salvador não há negros capazes de adquirir estes ingressos destinados a pessoas de maior poder aquisitivo? Revelador.

20130622_140641A área interna da Fonte Nova (acima), como o Maracanã, possui bares e loja oficial. Esta última vendia camisas oficiais das equipes que jogariam, ao contrário do observado no Rio de Janeiro. Por outro lado, os bares eram claramente insuficientes para atender à demanda: muita fila e falta de produtos – a cerveja e os refrigerantes acabaram ainda antes do intervalo e não foram repostos.

Parêntese: passei mais de uma hora enquanto esperava o jogo conversando com um dos assessores diretos do atual Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Voltarei ao tema em post subsequente, mas saiba o leitor, por exemplo, que entre outras coisas sobra dinheiro para a saúde – os municípios simplesmente não utilizam as verbas disponíveis. Ou seja, o problema é de eficiência de gasto, não de falta de recursos. Fecha o parêntese.

Os banheiros, pelo menos onde eu estava, eram limpos, mas uma vez mais faltavam pessoas para orientar o acesso aos lugares e às conveniências. A impressão que eu tenho é de que a organização do evento em Salvador não estimou corretamente a demanda em um jogo com lotação esgotada, como foi este Brasil e Itália.

20130622_145309A Fonte Nova – acima, em foto tirada ao nível do campo – não ficou tão bonita quanto o “Maraca”, mas é um estádio que se tornou bastante moderno e funcional. Com a colocação de cadeiras temporárias atrás do gol à direita das cabines (esquerda de onde estava), houve um problema sério: a ventilação na área das cadeiras, pelo menos no setor inferiro, é deficiente. Sem sol melhora um pouco, mas para os eventos oficiais da Fifa o público irá sofrer.

A visão do jogo é boa. Eu estava perto da bandeirinha de escanteio e conseguia ver o outro lado sem problemas. Por outro lado o espaço entre as fileiras de cadeiras é ainda menor que no Maracanã, a ponto de até minhas filhas terem de recolher as pernas para que as pessoas pudessem passar. O material utilizado é mais rígido, mas menos confortável.

A telefonia 4G funcionou perfeitamente (apesar da bateria do meu celular não ter suportado o tranco, mas esta é outra história), mas ouvi muitas reclamações de que o 3G não funcionava. Aliás, a cobertura do 4G em Salvador tem uma área territorial bem maior que a encontrada no Rio de Janeiro.

20130622_170849A partida em si manteve o bom padrão das outras partidas desta Copa das Confederações. Após um primeiro tempo mais “travado”, a etapa final mostrou duas equipes buscando mais o ataque, o que se refletiu no placar final de 4 a 2. Destoou apenas a horrorosa arbitragem, que validou dois gols irregulares brasileiros (um deles, que foi exatamente à minha frente, nem precisou de replay para se perceber) e um italiano.

O time brasileiro a meu juízo está bastante estático, sem muita movimentação. É um formato tático claramente ultrapassado nos dias de hoje e a proposta é clara: se defender e utilizar da bola parada e de contra ataques. Além disso a troca de um atacante por um volante chamou a Itália para nosso campo defensivo e o resultado da partida poderia perfeitamente ter sido outro.

Minhas filhas curtiram bastante o jogo e, apesar dos pesares, é visível como a Seleção ainda galvaniza (sem trocadilho) as atenções das pessoas. É um público diferente do que vemos normalmente nas arquibancadas, mas a atmosfera é completamente outra em relação a partidas que não envolvem o Brasil.

20130622_145339Fim da partida, e aí o maior ponto fraco da sede soteropolitana: além de não haver informação nenhuma, a distância para os pontos de táxi e ônibus, ao contrário da vista aqui no Rio, é gigantesca. Caminhamos uns três quilômetros até o ponto de táxi, o qual achamos por sorte – não havia ninguém a orientar. Este é ponto que precisa melhorar urgentemente: o esquema de trânsito e de transportes, especialmente ao término das partidas, não funcionou.

Contribui para isso também o fato de que não há transporte ferroviário ou metrô nas cercanias, o que somado aos bloqueios de trânsito torna tudo bastante complicado. Salvador irá sediar seis jogos na Copa do Mundo – entre eles, uma possível quartas de final envolvendo o Brasil – e se a Copa das Confederações é considerada um “evento teste” neste quesito há muito o que se fazer. Ainda vi algum protesto em frente ao Shopping Iguatemi, mas nada muito grande pelo menos à hora que passei.

O balanço final que faço é que, embora tenha sido um final de semana muito agradável, a relação custo-benefício não compensa. E tanto Salvador como a Fonte Nova em si precisam de ajustes para a Copa do Mundo, embora não se possa dizer que tenha sido uma experiência ruim.

20130621_204535P.S. – aproveitei para fazer um “tira teima” entre o Bargaço e o Yemanjá, dois ótimos restaurantes de comida típica em Salvador. Diria que resultou em (delicioso) empate. O Bargaço é ligeiramente mais barato mas sua porção de moqueca, em especial os acompanhamentos, também é um pouco menor. Mas os dois são ótimas opções – acima, foto no Yemanjá.

P.S.2 – Acabei não escrevendo sobre Espanha e Taiti, que acompanhei na última quinta feira. Digo apenas duas coisas: primeiro que poucas vezes me diverti tanto em um estádio de futebol. E segundo que em dias de muito calor será insuportável assistir a partidas no anel superior do Maracanã, porque a cobertura de lona transforma aquela parte do estádio em uma estufa.

6 Replies to “Algumas Impressões sobre a Fonte Nova”

  1. Curioso que, no jogo México x Itália, também só solicitaram o meu ingresso na hora de entrar efetivamente no estádio. Pude entrar na tal “área restrita” sem que ninguém pedisse meu ingresso.

  2. Estive em Minas Gerais na semifinal do Brasil x Uruguay e posso afirmar que a acesso ao Mineirão é péssimo e a saída é pior ainda! Andei horrores para chegar ao Estádio e andei horrores para conseguir um táxi na saída…
    Em relação aos preços de hotel e alimentação na cidade estavam normais…

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