Neste sábado, temos mais uma edição da coluna “Bissexta”, do advogado Walter Monteiro. Mas um texto diferente do habitual: respirando os ares platinos próximos a Porto Alegre, cidade do colunista, a coluna de hoje é sobre a música em espanhol da América do Sul.
Para Além do Umbigo – Música em Espanhol
Às vezes temos a tendência de criticar o egocentrismo norte-americano, que valoriza apenas a sua própria cultura. O problema é que nós, brasileiros, muitas vezes agimos de forma semelhante ou até mais intensa do que os ianques quando se trata do consumo de música. É fato que músicas cantadas em inglês são ouvidas naturalmente por aqui (embora via de regra quase ninguém entenda patavinas do que está sendo dito), mas ‘torcemos o nariz’ para músicas interpretadas em espanhol. 
É mais fácil um artista brasileiro fazer sucesso no imenso mercado hispânico do que um cantante do idioma de Cervantes ser acolhido em nossa terra, exceto em pequenos nichos especializados. A maioria dos brasileiros associa música em castellano a boleros e tangos lamuriosos (ou seja, música dos nossos avós) ou a ritmos caribenhos praticados em aulas de dança de salão. As únicas exceções ficam por conta da estrela planetária Shakira (de quem gosto muito, diga-se de passagem) e da banda mexicana Maná.
Ou seja, fazemos com nossos vizinhos o mesmo que os americanos fazem conosco, eles achando que ainda estamos na era de Carmem Miranda e nós que os hermanos ainda estão no ‘chá-chá-chá’.
Eu sou fã de músicas cantadas em espanhol. Já estudei na Espanha e na Argentina, adquirindo familiaridade com os hits do mundo hispânico. A grande vantagem de um artista que cante em espanhol é que ele é ouvido do México até o Chile e na própria Espanha quase que indistintamente, o que lhe dá múltiplas oportunidades mercadológicas. Resolvi compartilhar alguns dos meus artistas prediletos. Alguns razoavelmente conhecidos no Brasil, outros nem tanto.
Vamos a eles, com uma coleção de vídeos do You Tube..
FITO PAEZ (acima) – maior astro argentino, volta e meia faz shows no Brasil, foi gravado por Paralamas e Titãs;
KEVIN JOHANSEN (acima) – argentino, Paulo Moska e Paula Toller já cantaram com ele. Tive a sorte de vê-lo algumas vezes, uma delas no Centro Cultural Carioca, para menos de 50 pessoas, até troquei uma ideia com ele.

NO TE VA A GUSTAR – banda uruguaia, já esteve em Porto Alegre, não sei se andou por outras cidades brasileiras.
AMARAL – direto da Espanha, sucesso estupendo quando eu estudava lá.
JULIETA VENEGAS – a mexicana é a mais conhecida desta lista, por conta da música “Ilusión”, que gravou com Marisa Monte. Quando faz shows no Brasil, os ingressos se esgotam rápido. O DVD MTV Unplugged (com Marisa Monte e Jacques Morelenbaum) é para ser assistido de joelhos, de tão bom que é.
MOLOTOV – banda mexicana com um som mais contemporâneo.
LA OREJA DE VAN GOGH – outra que vem direto da Espanha. Escorrega um pouco para o brega e canções românticas, mas faz imenso sucesso e tem seu valor.
SODA STEREO – Lá pelos anos 90 fez um sucesso na América Hispânica só comparável à Beatlemania. A banda argentina acabou, mas os integrantes se reuniram uns três anos atrás. Infelizmente seu líder e vocalista, Gustavo Cerati, sofreu um AVC ano passado e agora está em estado vegetativo.
Podia continuar estendendo a lista para outros ilustres desconhecidos, mas é melhor fazê-lo de forma individual, para quem quiser render mais assunto sobre o admirável mundo ibero-americano.
Amor, Salud Y Tiempo para disfrutarlos.

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