Ontem, durante o sorteio da ordem de desfile da Série A (que abordarei proximamente), uma notícia estourou como uma bomba no mundo do carnaval: a renúncia de Luiz Pacheco Drumond à presidência da Imperatriz Leopoldinense, alegando razões de saúde.

Com isso, novas eleições serão marcadas para daqui a 15 dias, contando de ontem. As primeiras informações dão conta de que a família Drummond está se afastando por inteiro da agremiação, mas somente no dia da eleição é que termos a confirmação deste fato ou se será alguém da família (ou ligado a ela) o novo mandatário.

Luiz Pacheco Drumond chegou à Imperatriz Leopoldinense em 1977, mas passou a ser o patrono de fato da escola após o carnaval de 1979. Antes dele a escola foi comandada por muitos anos por Amaury Jório, que também é fundador da Imperatriz e foi presidente da então Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.

A presença de LPD (como é conhecido no meio) como presidente e patrono automaticamente mudou o patamar da agremiação, em um momento onde o carnaval carioca passava por mudanças importantes.

Desde 1974 o carnaval carioca passava por uma mudança de eixo: do canto e dança como fulcrais para algo calcado no visual – e no dinheiro. Luizinho Drumond proporcionou os recursos financeiros para colocar a Imperatriz na vanguarda deste processo.

De lá para cá, a escola sempre esteve entre as grandes do carnaval carioca, e Luizinho Drumond foi um dos eixos pelos quais girava a Liesa, fundada em 1984. Com isso, a escola foi campeã em 1980, 81, 89, 94, 95 (este bem contestado), 99 (idem), 2000 e 2001 (idem).

De lá para cá, a agremiação se manteve competitiva nos primeiros anos deste século, mas de 2006 para cá, com raros espasmos, a Imperatriz foi perdendo o papel protagonista que teve nos 20 anos anteriores.

Um pouco pela ascensão e retomada de novas forças, um pouco pelo desinteresse crescente do próprio patrono, a escola foi perdendo importância nos últimos anos e vinha fazendo desfiles, basicamente, naquela faixa entre o último slot do Desfile das Campeãs e o primeiro fora.

Nestes últimos anos a Imperatriz ganhou fama no meio por pagar salários mais baixos que a média no Grupo Especial e por apostar em talentos vindos da Série A, servindo como uma espécie de trampolim para outras escolas do Especial com maior capacidade financeira. Ainda assim, marcou seu nome na retomada do gênero samba enredo, especialmente através do “Mar de Fieis”, de 2010.

Curiosamente, mesmo nesta fase de menor protagonismo e investimento a escola só flertou com o rebaixamento duas vezes: em 2007 (onde tudo deu errado desde o início) e em 2012 (acima), com os problemas durante o desfile.

Até que chegou 2019. Com um enredo fora de suas características, um samba apontado por muitos como o pior do ano e problemas de evolução durante o desfile, a Imperatriz acabou rebaixada à Série A. Após uma novela sobre virada de mesa ou não, tomou seu lugar na Série A, onde não desfila desde 1978 (o nome ainda era Grupo 1B).

Com isso, Luizinho Drumond decidiu que era fim de seu ciclo. Mesmo com a ressalva apontada no início deste texto, estamos podendo estar próximos do fim de um dos ciclos mais duradouros, marcantes e vitoriosos da história do carnaval carioca.

Resta saber como a Imperatriz irá se estabelecer neste novo ciclo, ainda mais enfrentando as agruras e as receitas menores da Série A. Menos mal que manteve seu barracão provisoriamente na Cidade do Samba, o que já a poupou de um grande problema.

A verdade, leitores, é que o novo sempre vem. Mesmo que seja um novo “recauchutado”, por assim dizer. Todo ciclo tem início, meio e fim.

Boa sorte à Imperatriz Leopoldinense neste novo momento, e tenho certeza que ressurgirá forte neste novo ciclo apesar das dificuldades enfrentadas atualmente.

P.S. – para 2020, a escola ainda não tem enredo nem carnavalesco, e o prazo limite para a entrega dos sambas da Série A é dia 09 de setembro. Ou seja, tudo indica que a escola ou irá encomendar seu samba ou fará uma reedição. Eu, se pudesse dar um conselho, reeditaria “O que que a Bahia tem”, de 1980.

Imagens: Ouro de Tolo

9 Replies to “O Fim de Uma Era (?)”

  1. Se me permite o aparte de um gresilense ferrenho, acho um risco ENORME jogar pela janela uma reedição de um samba campeão – por mais que o ache, inclusive, melhor que o de 1981.

    Teoricamente, é mais jogo pegar um belo samba como o de 1993 (que não foi campeão), recontar a história do carnaval usando o mote da rua Marques de Sapucaí – o que foi exatamente o que a Rosa Magalhães fez naquele ano – e virar o fio para a escola.

    Não acho que reeditar 1980 seria uma boa.

    Ainda mais porque, como todos sabemos, há o risco de haver um resultado desfavorável ao GRESIL.

    E outra: um jurado maluco fazer o que fez o inominável Celso Chagas, que tirou pontos d'”Os Sertões”, do Em Cima da Hora.

    1. Rodrigo, a escola não tem nada a perder e, provavelmente, não terá aportes financeiros que não os oficiais. Reedita um samba que todo mundo gosta/conhece, “bota pra foder” no desfile e deixa a encrenca para a apuração. Não tem outro caminho.

      1. Não discordo de uma vírgula do que o amigo escreveu. E já comentamos a respeito no WhatsApp.

        Porém, acho um risco enorme botar um samba campeão como muleta pra voltar ao Especial. Pelos motivos que eu, você e o povo do samba sabemos.

  2. Migão e amigos, estamos vivendo uma nova era no Carnaval do Rio, e isso eu não nego.

    Você diz no texto que o novo pode vir recauchutado e isso me lembrou muito a Beija – Flor, que tem o Gabriel David na dianteira em Nilópolis. Mesmo com o terrível resultado deste ano, a nova geração da família David mostrou para o que veio (em especial com o título do ano passado)

    Você fala em escolas que ressurgiram e isso me lembra a Portela, a qual você faz parte da diretoria e a Mangueira, que se livrou das polêmicas e ganhou dois campeonatos em 5 anos. Me lembra de Vila Isabel e União da Ilha, que eram gigantes adormecidas e ressurgiram nos últimos anos. Claro que com tropeços, mas ressurgiram.

    Você fala em novas forças em ascenção e isso me lembra a Tuiuti, vice campeã em 2018, a Viradouro, que já esteve entre as emergentes e conseguiu o melhor resultado no Grupo Especial para uma campeã do Acesso A desde o ano 2000, a Grande Rio e a Unidos da Tijuca, que nos anos 2000 ganharam força absurda e tomaram o espaço do GRESIL entre as grandes.

    Mas vamos ver nos próximos dias se a Imperatriz entrou nesta nova era, se a página virou ou se ela vai imitar a Beija – Flor, com o novo recauchutado.

    Em tempo: pro GRESIL, é melhor encomendar um samba. Bem melhor que arriscar as suas obras primas (a maior delas, Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós). Sabemos do histórico péssimo que as reedições têm no Acesso A (Os sertões em 2014 e O amanhã em 2008)

    1. O contexto da Série A para 2020 é completamente diferente dos anos anteriores. A única chance que a Imperatriz tem, a meu ver, é reeditar e botar abaixo a avenida.

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