No último sábado, o Flamengo elegeu seu novo presidente. Quatro foram os candidatos, mas todos sabem que a disputa ficou entre Ricardo Lomba e Rodolfo Landim. O primeiro candidato da situação e o segundo de oposição, mas com pensamentos parecidos com o da atual gestão em muitas coisas tanto que em 2013 todos eram do mesmo grupo. Landim levou a melhor e será o novo presidente.

Os dois principais candidatos eram da famosa “Chapa azul”, o grupo de empresários e funcionários públicos que se juntou para tentar fazer algo pelo clube do coração. Seis anos depois, a pergunta é: fizeram?

Para começar, o grupo ruiu logo no início,  então não dá para julgar todo o grupo pela gestão, mas a resposta é óbvia: por mais que a maior parte da torcida esteja revoltada pela falta de títulos, é óbvio que mudou e óbvio que para melhor. Para quem duvida disso, aconselho a entrar no Facebook e em suas lembranças. Entrem e vejam as lembranças de seis anos atrás, da época que esse grupo foi eleito.

Eu acabei de olhar e lembrei do Flamengo da época, do Flamengo que, assim como ocorreu com Vasco e Fluminense esse ano, todas as temporadas lutava para não cair. O time da moda era o Fluminense, que ganhara dois brasileiros em três anos graças |à Unimed, o Vasco no ano anterior tinha feito uma ótima Libertadores. E o Flamengo?

O Flamengo, que hoje é zoado pelo “cheirinho”, era zoado também na época sendo chamado de “Falido”, ou “Flalido”. Quanto tempo que você leitor rubro negro não ouve a expressão “Flalido”? Há quanto tempo que você leitor rubro negro não usa a expressão “Time grande não cai” ao fim de uma temporada quando ficou aliviado pelo time não cair?

Você leitor rubro negro que hoje reclama de um vice-campeonato brasileiro comemorou quantas vezes décimo sexto ou décimo quinto lugar na última rodada? Lembro bem da alegria que fiquei em 2004 quando o Flamengo venceu o Cruzeiro por 6 a 2 na última rodada e se livrou do rebaixamento. O time quase deu volta olímpica, foi comemorar com a torcida.

O rubro-negro que diz “Quero o meu Flamengo de volta” me intriga. Que Flamengo, cara pálida? O cara que diz que o “verdadeiro Flamengo não se orgulha de vice brasileiro” me faz vontade de perguntar de novo “Que Flamengo, cara pálida”? Em quarenta e oito campeonatos brasileiros, o Flamengo só foi melhor do que esse nas vezes em que foi campeão e, tirando a fase de 1978 até 1983, essa atual nada deve ao restante da história do clube.

O Flamengo pós Zico, o mesmo campeão brasileiro em 1987, foi trvice carioca em 87/88/89 e tinha sido trivice em 82/83/84, seis vices cariocas em oito anos. É preciso humildade para reconhecer que o período entre 1978 e 1983 até hoje é uma exceção.

Digo isso para afirmar que a presidência de Bandeira de Mello é uma maravilha? Não, longe disso. Sua gestão revolucionou o clube administrativamente e financeiramente. Sem dúvidas, o clube falido hoje tem dinheiro, contrata jogadores, tem CT de primeiro mundo, mas errou muito no futebol, ganhou nada e tendo dinheiro isso ainda fica pior. Bandeira nada entende de futebol, se cercou de gente que nada entende de futebol, e isso foi um desastre esportivo.

Vexame nas passagens pela Libertadores, vexame na Copa do Brasil esse ano, no Carioca esse ano, o único que não acho vexame foi justamente o mais reclamado, o Brasileiro. No futebol, essa administração foi péssima, mas para o clube, excelente, e é mais fácil fazer o futebol alcançar essa excelência com o clube estruturado que não. Não tenho dúvidas de que com Lomba ou Landim o Flamengo se cercará de melhores pessoas, mais preparadas no futebol que saberão aproveitar o feito no clube.

Bandeira é polêmico, muitas vezes arrogante, nada entende de futebol, para alguns, “banana”, mas terá seu nome em um provável sucesso futuro do Flamengo. O alicerce foi com ele, que venha o prédio.

Que 1978 a 1983 não seja mais exceção.

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