Chegamos ao fim do ano e esse tempo é meio conflitante em nossas mentes. Tempo de festa, de alegria, confraternização, mas também de parar pra pensar, refletir sobre o ano, sobre a vida em uma época em que sentimentos ficam mais aguçados.

Quem está feliz se sente mais feliz, quem está mal fica pior. Vem na mente tudo que planejou para o ano e não cumpriu, saudades de quem não está mais próximo, males que norteiam nossos tempos ficam mais evidentes.

O grande mal do século é a depressão. A velocidade do mundo é cada vez maior e com isso ficamos mais egoístas pensando no que temos que fazer, nossos planos, conquistas vivendo em uma bolha. Isso se alia com a mudança nos relacionamentos, com o mundo cada vez mais interativo com relacionamentos que deixam de ser físicos e passam para o virtual. Curioso pensar que nunca foi tão fácil se relacionar, podemos falar a qualquer momento com qualquer pessoa em qualquer lugar no mundo, mas nunca estivemos tão afastados um do outro.

Quantas vezes você já não viu pessoas em um restaurante sem conversar uma com a outra com todos olhando o celular? Estamos criando uma legião de solitários o que leva a depressão e muitas vezes a algo mais drástico.

Existe hoje um mês para buscar a conscientização desse problema que é o “setembro amarelo”, mês para prevenção de suicídios. O tema suicídio é um tabu entre as pessoas e a própria mídia que dificilmente divulga informações sobre. A ponte Rio Niterói tem muito mais casos de pessoas que se jogam dela por ano do que é divulgado, existe um acordo para a não divulgação para não estimular.

Mas será que não divulgar ajuda? Acredito que o tema deva ser discutido, debatido para tentar uma solução desse problema. O problema de um mundo individualizado, egoísta, onde cada um olha para si e muitas vezes não vê um parente ou amigo sofrendo só acordando para a situação tarde demais.

Hoje estreio no cinema. Escrevi e participei da produção de um curta metragem chamado “A Ponte” que trata de solidão e suicídio. É o primeiro filme produzido e filmado integralmente por artistas da Ilha do Governador, o primeiro filme do bairro a passar em um cinema. Será onze horas no Cinesystem do Ilha Plaza. Mais do que ser histórico pelo ineditismo, pelo tamanho do que foi feito ou pela Ilha do Governador sendo retratada na tela do cinema vejo a importância maior no debate sobre o tema.

Artista não tem poder de consertar as coisas, mas tem obrigação de denunciar, de botar dedo na ferida e expor seu tempo em benefícios e mazelas, um fotógrafo de sua época.

E dessa forma através do entretenimento, quem sabe, melhorar a vida de alguém.

A arte como “ponte”.

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