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Pobre futebol pobre

Arame

Mais uma rodada do Campeonato Brasileiro acabou, continuando assim a grande procissão que vai até dezembro. Mais uma rodada pobre, com poucos gols como vem ocorrendo por todo o certame e se acentuou nas duas últimas rodadas.

Nessa última rodada tivemos três clássicos e dois acabaram 0 a 0 e um 1 a 1. O artilheiro do campeonato brasileiro tem um pouco mais de dez gols e dificilmente o artilheiro chega próximo aos vinte sendo que são trinta e oito rodadas e nenhum atleta consegue a média de meio gol por jogo. Tivemos não há muito tempo Edmundo fazendo 29 e Washington passando de 30 e em menos jogos.

Por quê isso ocorre?

Eu já falei algumas vezes nesse espaço sobre o ‘futebol reativo”, termo mais moderno para a retranca. Esse futebol reativo que também trouxe novo termo para o futebol como o “jogar por uma bola”, o novo “quem não faz leva”. Isso começou na Europa como tudo de novidade que ocorre no futebol mundial, os mais célebres exemplos são o Atlético de Madrid, vencedor nos últimos anos, os times de José Mourinho que popularizaram o termo “estacionar um ônibus” para defesas bem postadas e o vitorioso futebol italiano. Só que aqui nós exageramos em tudo. Lá jogam sim na defesa, mas não são retrancas com os times também sabem atacar. A diferença é que esses times começam a se armar pela defesa para depois construir o ataque.

Aqui não, aqui temos times grandes, de torcida jogando com dez atrás da linha da bola como o caso do Corinthians quarta-feira contra o Flamengo. O próprio Corinthians que trouxe com méritos o futebol reativo para cá sabendo se defender, mas também atacando agora exagera na dose lembrando as seleções pequenas na Copa do mundo.

Faz isso porque o time é mais fraco que outrora e entendeu que é fraco, Faz isso porque tem como treinador o bom, mas o símbolo desse futebol retranqueiro e pobre de hoje no país que é Jair Ventura. Fazendo isso transforma em um jogo coisa feia como esse de quarta. Consegue o objetivo, mas não parece o Corinthians.

Vários técnicos com vários times retrancados por medo de perder até porque derrota aqui pode significar perder o emprego. Como disse Luxemburgo o medo de vencer tira a vontade de ganhar e parece que os treinadores brasileiros tem medo de vencer. O Grêmio de Renato e o Cruzeiro de Mano (que é quase uma retranca, mas sabe jogar) são dos poucos que ainda querem jogar futebol no Brasil e isso é uma pena.

Uma pena porque além de tornar o jogo pobre e feio não retrata a realidade do mundo que agora privilegia o ataque. Uma pena que afasta torcedores cada vez mais apaixonados pelo futebol internacional. Evidente que é muito mais saboroso ver Barcelona, Real Madrid, PSG, Manchester City e Liverpool jogarem que os últimos Flamengo x Corinthians, Santos x São Paulo, Vasco x Flamengo e Cruzeiro x Atlético. Cada dia um 7 a 1 diferente. O futebol brasileiro agoniza.

E a ambulância para tentar lhe salvar não pega.

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