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O que o Brasil vai ser quando crescer?

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Duas situações me chamaram muita atenção nessa semana envolvendo professores.

A primeira foi a estarrecedora situação de Rio das Ostras onde um professor foi agredido e humilhado por alunos. Não consegue entrar na minha cabeça que alguém trate professor dessa forma. Sempre fui respeitoso com eles, aceitei a hierarquia e tentei aproveitar ao máximo seus valores e ensinamentos então me assusta ver alguém tratar mal professor, tratar com desrespeito.

A outra situação é inversa. Minha filha Bia conheceu a morte nessa semana com o falecimento de sua amada professora Fernanda que lhe alfabetizou, sempre cuidou dela mesmo não lhe dando mais aulas e que foi a responsável por sua recente mudança de escola indo para uma bem melhor. Bia ficou muito abalada e eu completamente desconcertado tentando ao mesmo tempo consolar e não impedirr que ela vivesse aquela dor, sofresse o que tinha que sofrer sem guardar essa tristeza no peito.

Bia amava sua professora porque eu e sua família passamos para ela e os irmãos aqueles valores que citei acima, da importância do mestre, da pessoa que nos passa conhecimento.

Não é mérito nosso, isso é obrigação, não é problema de classes sociais ou de gerações porque temos garotos ricos, mimadinhos que desrespeitam e jovens como a Bia que respeitam. Isso tudo vem de berço, da educação em casa porque professor lhe passa conhecimento, lhe ensina, mas não é obrigado a criar, a educação que ele tem que dar é a escolar, não de caráter.

Os valores de hoje em dia estão totalmente revirados e quando falo isso não entro nesse papo clichê que uns e outros tentam passar. Sim, valor familiar se perdeu, mas família pra mim não é aquela tradicional de margarina que os “homens de bem” tentam explorar e citei semana passada. Valor familiar para mim é o respeito ao próximo não importando quem seja esse próximo.

Faltam valores familiares hoje em dia, falta amor a sua terra e quando digo amor a terra não falo em saber cantar o hino nacional de cor ou pedir volta dos militares, mas o saber, ter consciência dos seus direitos e deveres, saber pelo que lutar e porque lutar para melhorar a sua vida e da comunidade em que vive. Professores no meu tempo debatiam conosco, nos ensinavam a pensar, hoje em dia estão quase proibidos de fazer isso. Inventaram o “escola sem partido” tentando fazer esquecer que é impossível para um ser pensante não tomar partido de algo quando esse algo lhe incomoda. Em um tempo de conflito quem não toma partido automaticamente fica ao lado do opressor.

Meus professores me ensinaram a pensar, a debater. Acabei virando o “chato questionador’ que sempre debatia e questionava os professores. Na minha formatura na faculdade um professor discursou lembrando que eu fazia isso e confessando que algumas vezes eu estava certo, mas não podia dar o braço a torcer. A falecida professora da Bia promovia eventos culturais na escola, levava pessoas para falar do bairro, de sua história, apresentava livros, músicas..A professora Fernanda fará falta, mas ela ajudou no processo de encaminhar minha menina pro mundo.

Uma nação com professores bem formados, bem pagos e liberdade para fazer seus trabalhos se transforma. Mas quem disse que essa nação quer se transformar? Assim não nos formaremos nunca.

O Brasil não sabe o que vai ser quando crescer.

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