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Onde foi que erramos?

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Semana passada assisti com a minha namorada a um musical sobre a vida de Renato Russo. Musical muito bom, que colocou o público para cantar junto músicas históricas do Legião e saber um pouco mais da vida de Renato.
Essa semana postei músicas da novela “Vale Tudo” em meu blog e entre elas estava a contundente “Brasil” de Cazuza. Renato e Cazuza morreram faz tempo, mas seus talentos resvalando na genialidade e seus modos de ver a vida sobreviveram e ultrapassaram gerações.
As músicas de Renato e Cazuza continuam atuais até hoje e ao mesmo tempo estão completamente fora da realidade. Explico. São atuais porque os versos refletem até hoje o que é nosso país. Letras como “Brasil” e “Que país é esse?” são capazes de descrever de forma atualíssima o Brasil de trinta anos depois.
Estão fora da realidade porque esse tipo de arte não reflete mais a arte realizada aqui pelos artistas de maior repercussão.
Caetano, Chico, Gil e outros estão velhos, vivem merecidamente do imenso repertório de qualidade que construíram ao longo da vida e não fazem, e nem tem mais obrigação de “tocar na ferida”. Quem tem essa obrigação são os artistas jovens ou em sua maturidade consagradora que tem forte apelo midiático.
E o que fazem? Fazem músicas falando de sarrada e cachaça, fazem filmes de comédia rasteira para competir com os da Marvel nos cinemas, no teatro importam musicais da Broadway ou fazem stand up. A grande arte brasileira focou apenas no entretenimento e no lucro esquecendo que também é seu papel informar, ser repórter do seu tempo, entreter fazendo pensar.
A arte brasileira está castrada, perdeu os colhões.
A arte brasileira não influencia as novas gerações, passou esse papel para os youtubers. Jovens que fazem vídeos para outros jovens e assim se tornam populares, conseguem milhões de seguidores e ganham rios de dinheiro.
O artista deixou de conscientizar o povo, pai e mãe deixam de educar e de brincar com seus filhos respirando aliviados que agora tem o computador para lhes entreter e tirar dos perigos das ruas. E o que acontece? Tomam um susto quando veem um desses novos donos da informação fazer comentários racistas, tomam um susto maior quando percebem que esse influenciador costuma fazer isso há anos e tem dezesseis milhões de seguidores.
Aonde foi que erramos? Simples, os pais deixaram de conviver com seus filhos para que esse tipo de gente convivesse, deixaram de soltar pipa, jogar bola com seus filhos para que youtubers virassem seus amigos por meio de uma tela. Artistas pararam de mostrar o retrato de sua era e debater sobre o país deixando para vídeo celebridades que sabem tanto da vida quanto os fãs o papel de dar opinião e formentar debates. Deixamos o monstro ser criado e agora nos assustamos com seu tamanho.
Não temos mais Renato, Cazuza, mas isso não é desculpa para nos deixar idiotizar até porque ainda não sabemos que país é esse e continuamos não sendo convidados para essa festa pobre que o Brasil promove por nossas costas.
O jeito é continuar celebrando a estupidez humana. Essa é imortal e rende likes.
Twitter – @aloisiovillar
Facebook – Aloisio Villar

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