Categorizado | Orun Ayé

Chega de mágoas

Copa1958

E chegou a primeira partida do Brasil na Copa.

Ainda dói, ainda é motivo de piadas, ainda existe uma mistura de emoções das últimas partidas em copa do mundo do Brasil. O clima de festa e alegria se transformou em depressão, gozação e uma ferida que nunca será fechada.

Não adianta, se a derrota de 1950 que foi uma “derrota normal” numa final de copa é lembrada 68 anos depois imagine tomar de 7 a 1 em casa? É o maior vexame da história do futebol, não só do futebol brasileiro, mas mundial. Nunca na história uma equipe da casa tomou de 7, pior ainda sendo o maior vencedor da história das Copas em uma copa feita para ele vencer.

No meio das piadas que sempre existirão, fica a mágoa. Mágoa de ver humilhado nosso maior orgulho, um dos poucos motivos de elevação de auto estima de um país que toma porrada no exterior e dos poderosos daqui nos últimos 518 anos. Não foram fáceis esses últimos quatro anos, depois do 7 a 1 ainda veio o 3 a 0 para Holanda, goleada esquecida graças ao tamanho da outra.

Tivermos a nova Era Dunga depois e vexames se sucedendo, pra piorar ainda tivemos os escândalos da CBF e o uso político da camisa amarela. A “sagrada amarelinha” tão exaltada por Zagallo virou vestimenta em briga política e ideológica. Pior que ver o amor se perdendo é ver a repulsa surgindo.

Será que o amor resistiria a tudo isso? Resistiu. Resistiu graças a Tite e seus jogadores que com bom futebol resgataram o prazer de ver a seleção brasileira jogar, mas mais do que isso.

Resistiu porque um caso de amor não acaba assim. Quando o povo brasileiro casou com sua seleção em 1958 o padre disse “Na saúde, na doença, na alegria, na tristeza”. Tivemos esses momentos difíceis sim, vexatórios sim, mas, assim como a humilhação de 2014, história não se apaga.

Não se apaga o que Garrincha, Didi, Zito, Vavá, Gilmar, Nilton Santos, Djalma Santos, Orlando, Bellini, Zagallo e o menino Pelé com 17 anos fizeram na Suécia mostrando pela primeira vez ao mundo e, principalmente, a nós mesmos, que não somos vira latas.

Esses mesmos caras com Zózimo, Mauro e Amarildo em 1962, Félix, Carlos Alberto, Piazza, Brito, Everaldo, Clodoaldo, Gerson, Pelé, Jair, Tostão e Rivelino em 70, Taffarel, Jorginho, Aldair, Marcio Santos, Branco, Mauro Silva, Dunga, Mazinho, Zinho, Bebeto e Romário em 94, Marcos, Cafu, Edmilson, Roque Junior, Lúcio, Roberto Carlos, Gilberto Silva, Kleberson, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo em 2002.

Homens que ao soar de um apito final deixaram a condição de humanos para virarem deuses em um país que precisa tanto do futebol para sorrir. Não se apaga derrotas honrosas como de 1950 e 1982, heróis tombados em combate, mas até hoje reconhecidos. Não se apaga tudo o que foi feito.

E lá vamos nós de novo para mais uma copa, novos rapazes em busca da divindade e nós que tanto criticamos, brigamos, fizemos piada estaremos na frente da tv tensos e explodindo a cada gol.

Não tem jeito, a Seleção Brasileira de futebol é o que de mais bem sucedido surgiu nessas terras desde que Cabral chegou em Pindorama, nosso maior produto de exportação, a hora que estufamos o peito para dizer de onde viemos e do que somos capazes de conquistar.

Boa sorte, Tite, boa sorte, garotos. Um país dividido por intolerância, ódio e unido no medo agora também se une para torcer por vocês. Nunca precisamos tanto dessa alegria, nunca precisamos tanto dessa taça.

Chega de mágoas.

É hora da reconciliação.

Salve a seleção!!

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Visitas

Facebook