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Tifanny: quebrando barreiras na Superliga feminina brasileira

tifanny gisa alves

Na última sexta-feira, Fluminense e Vôlei Bauru se enfrentaram pela segunda rodada do returno da Superliga. Em um jogo duríssimo, o time carioca venceu a partida, por 3 sets a 2, com parciais de 23/25, 25/21, 25/20, 22/25 e 15/13. O troféu Viva Vôlei, de melhor jogadora da partida, ficou com a oposta e capitã tricolor Renatinha. Do lado do Vôlei Bauru, o destaque ficou por conta da recém-contratada Tifanny Abreu.

Em seu terceiro jogo pela equipe de Bauru, a oposta vem se destacando e sendo a bola de segurança da equipe. A atleta goiana, de 33 anos e 1,90m de altura, é a primeira transexual brasileira a conseguir autorização da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) para jogar entre as mulheres. Tifanny recebeu no início de 2017 a permissão, atuando no voleibol feminino pela primeira vez desde fevereiro, pelo Golem Palmi, da segunda divisão italiana.

Desde julho, Tifanny está em Bauru, participando dos treinamentos e se recuperando fisicamente. Em dezembro, a oposta foi contratada pela equipe, e fez sua estreia no dia 10, contra o São Caetano, pela última rodada do primeiro turno da Superliga. Depois, foi destaque na vitória contra o Pinheiros e recebeu o troféu Viva Vôlei, marcando 25 pontos.

A atleta vem recebendo muito carinho do povo brasileiro, sobretudo dos seus fãs, que a apoiam mesmo nos jogos fora de casa. No entanto, Tifanny vem sendo alvo de muitas declarações polêmicas, como a da ex- jogadora Ana Paula, que declarou que a jogadora não poderia atuar na Superliga feminina, por acreditar que seu gênero de nascimento lhe favorece perante às outras mulheres no esporte.

Mas a lei é clara: se a atleta transexual fizer a transição e possuir menos de 10 nanogramas no sangue, poderá atuar no voleibol feminino em todo o mundo, mesmo sem ter feito a cirurgia de mudança de sexo. Para ter uma ideia, a oposta tem apenas 0,2 nanogramas do hormônio.

Tifanny já havia jogado as Superligas A e B masculinas no Brasil (Juiz de Fora e Foz do Iguaçu), além de atuar por outros campeonatos nas ligas da Indonésia, Portugal, Espanha, França, Holanda e Bélgica antes de fazer a transição de gênero, concluída quando defendia um clube da segunda divisão belga. Tifanny começou a sua transição no final de 2012, passando pela cirurgia de mudança de sexo em 2014, e nos anos seguintes fez o tratamento hormonal, finalizado em 2016.

O blog Ouro de Tolo entrevistou a oposta, ao fim da partida entre Fluminense e Vôlei Bauru. A coluna Golden Set acredita que o amor deve vencer sempre o preconceito, e apoia a atleta e pessoa Tiffany. Confira abaixo a conversa com a atenciosa atleta, que sonha em atuar pela seleção brasileira.

Ouro de Tolo: Tifanny, o que você poderia comentar da partida?
Tifanny Abreu: Eu já esperava um jogo difícil. É um time que defende muito bem e vem com muita força no ataque. Foi um bonito jogo para se assistir, mas no final elas venceram. Nós cometemos muitos erros. Agora, é seguir em frente, porque a Superliga é longa.

Ouro de Tolo: Como você analisa o seu desempenho nessas três partidas que você jogou pelo Vôlei Bauru?
Tifanny Abreu: Eu estou em uma crescente. Melhorando os treinamentos. Espero ajudar sempre a equipe, para que possamos conquistar mais vitórias.

Ouro de Tolo: Tifanny, como tem sido o carinho dos fãs e da torcida de Bauru?
Tifanny Abreu: Os fãs são maravilhosos. Eu estou realmente encantada com todos eles. Eles estão demais! Fizeram vídeos maravilhosos de apoio a mim. E eu estou super feliz com todos eles.

Ouro de Tolo: Inicialmente, você veio para o Vôlei Bauru para se recuperar fisicamente, participando dos treinamentos do grupo desde julho. O que te motivou a aceitar a proposta da equipe?
Tifanny Abreu: Eu tive uma proposta legal. E eles cuidaram muito bem de mim. Então, foi muito bom ter ficado aqui, perto da minha família. Há muito tempo eu não passava o final de ano com a família. Foi ótimo ter ficado no Brasil.

Ouro de Tolo: Tifanny, você realizou a sua transição fora do Brasil, ficando muito tempo fora do país. Como foi voltar a morar aqui?
Tifanny Abreu: Então, foi tudo novo para mim de início, mas me acostumei novamente com o calor do povo brasileiro e estou feliz de estar aqui.

Ouro de Tolo: Qual o recado que você dá para quem está passando pela mesma situação que a sua, e quer seguir no esporte sendo trans?
Tifanny Abreu: Jamais desista. Se você buscar o seu espaço, você vai conseguir. As pessoas vão te dar o seu espaço no momento certo.

Ouro de Tolo: Tifanny, o que você pensa a respeito das declarações de que você não poderia jogar a Superliga feminina?
Tifanny Abreu: Essas declarações são pensamentos deles. Eles podem pensar, mas têm que primeiro respeitar. Não deve desrespeitar a pessoa Tifanny, nem faltar com o respeito à jogadora. Só espero que respeitem a lei, que é antiga, e que eles guardem o pensamento para eles.

Fotos: Gisa Alves/ Neide Carlos/ Marcelo Ferrazoli/ Vôlei Bauru

22 Respostas para “Tifanny: quebrando barreiras na Superliga feminina brasileira”

  1. Paulo Mattoso disse:

    Que incrível Vanessa!Ótima matéria.

  2. Fabrício Barradas disse:

    Muito legal a materia
    tive a oportunidade de conversar com a Tifanny no ultimo treino do Bauru contra o Fluminense
    pessoa muito legal e trata muito bem as pessoas

  3. Priscila Evelling disse:

    Essa tifanny arrasaaaaa quero ela no sesc próxima temporada 😆, Vanessa vc lacrou na reportagem parabéns 👏👏👏

  4. Ronald Cunha disse:

    Parabéns pela matéria, Vanessa. Além de informativo, seu texto é suficientemente sensível em desnudar as principais vertentes do assunto, fomentando o debate sem inflamá-lo. Por mais reportagens assim!

  5. Poliana disse:

    Parabéns Van ótima matéria! Desejo muito sucesso Tifanny!!! Não vi jogando ainda mas gostaria de ver jogo!!

  6. Lucas Alves disse:

    Muito boa a matéria!!! Agr eh esperar Tifanny na seleção :) Duas opostas de força 0/ Vamu com tudo pro Mundial!!!

  7. Guilherme Batista disse:

    Muito boa a entrevista gostei, ela é muito simpática

  8. Vanessa Fricks Rosa disse:

    Muito interessante essa matéria, xará. Legal saber um pouco da Tiffany.

  9. Isabela disse:

    Excelente matéria!!! Que a nossa Superliga cresça ainda mais com esse tipo de exemplo!

  10. Vera Moura disse:

    Parabéns pela matéria.
    Sucesso para ela na seleção.

  11. Alice Frizza disse:

    Parabéns pela Matéria. Muito boa.

  12. Sergio Coelho disse:

    Que a referida atleta seja feliz, em sua passagem pelo time de Bauru.

  13. Marilaine disse:

    Mesmo cheio se tabus estamos em um país com mentes formadas… quero que a Tiffany consiga alcançar os objetivos dela pq provavelmente ela tenha lutado muito pra isso,e já que está fazendo acontecer devemos apoiar!! Ótima matéria Huback

  14. Dalva disse:

    Em relação a opinião da Ana Paula não acho que foi polêmica. Ela tem o direito de Opinar. E assim , como ela acredito que haja sim , uma desvantagem. A parte hormonal não invalida o morfofisiologico .os ossos , músculos são masculinos..em uma recuperação, em uma dieta e etc o organismo masculino responde diferente do feminino.
    Creio que uma liga exclusiva deveria ser criada.
    Se for falar de igualdade. A FIVB deve deixar de ser hipócrita e começar a pagar as premiações iguais.
    Já que as mulheres recebem bem menos do que os homens. Aliás, o 3° lugar masculino e recebe muito mais que o 1° lugar feminino.

    Princípio da igualdade é ” tratar os desiguais na medida das suas desigualdades. E, aos iguais na medida das suas igualdades.

  15. FELISMINA VELHO LAGO disse:

    Seja bem vinda, Tiffany ao vôlei feminino ! Você é exemplo do rompimento das barreiras do preconceito.
    Parabéns pela bela reportagem, Vanessa!

  16. Roberto disse:

    Vanessa, arrasou em mais uma ótima matéria. Um assunto polêmico mas também muito delicado e você soube com maestria contornar as dificuldades que é lidar com assunto tão impregnado de preconceito. Esse assunto ainda vai causar muito. Parabéns, Huback!

  17. Inkis... disse:

    Gostei da matéria e achei as perguntas bem pertinentes. No vôlei não há espaço para preconceito. Se a atleta segue o regulamento temos que torcer para que ela tenha sucesso e venha a reforçar o vôlei brasileiro. Parabéns, Vanessa!!!

  18. Stephani disse:

    Matéria excelente.

  19. Vital disse:

    Oie Vanessa Huback e Tiffany Abreu, ficou excelente a matéria. Eu já tinha visto também a da Veja São Paulo “VITÓRIA HISTÓRICA” e fala de toda a trajetória da Tiffany. Não tive ainda a oportunidade de vê-la atuando pelo Bauru ao Vivo. Só pela TV e gostei muito e um maravilhoso reforço. Praticamente ganhou o jogo contra o Pinheiros. Mas agora no segundo turno quando o Bauru vir a Sampa, faço questão de ir assistir. A gente só lamenta esta falta de respeito né? Acabamos de ter uma novela na Globo só falando disto e fazendo a sociedade se dar conta do assunto. E mesmo assim não aprendem! Mas o que ela falou é a mais pura verdade: “O AMOR DEVE VENCER O PRECONCEITO” e viveremos um mundo melhor com certeza! Parabéns! Beijooos. VITAL

  20. Valesca Moreira disse:

    Parabéns Vanessa !!Matéria excelente! !!!

  21. Janaina Seixas disse:

    Bem-vinda ao vôlei. Já sou sua fã.
    E parabéns Vanessa pela excelente entrevista.

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