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“Eu pago para isso”

xixi

Desde a primeira vez que fui ao estádio Nilton Santos esse ano, uma cena me chamou a atenção. E ela se repetiu em todas as vezes que fui aos jogos do Botafogo em 2017.

Intervalo da partida. Deixo o meu lugar na arquibancada para ir ao banheiro. Geralmente, prefiro ficar na parte mais alta da arquibancada norte, então eu desço a rampa do estádio que leva à parte onde ficam os banheiros e lanchonetes. Ainda no início da rampa, me deparo com vários torcedores, urinando ali mesmo, na parte mais alta da arquibancada.  A cena se repete no intervalo ou após o jogo. E não estou falando de criança, que ainda não aprendeu a controlar a vontade de urinar… É marmanjo mesmo.

Na primeira vez, eu achei que fosse coisa de um ou outro torcedor mal-educado. Mas não. São vários. A cena é nojenta. Sei que todos têm suas necessidades fisiológicas, mas a menos de 100 metros do banheiro? Isso é realmente necessário? Você, por exemplo, quando vai ao cinema com a família, faz xixi no chão do shopping mesmo? Agora pense no esforço que o Botafogo tem feito para tornar o estádio Nilton Santos mais atraente para seu torcedor: o Engenhão está todo customizado, com as cores e escudo do clube, há cadeiras personalizadas… Tudo para que o estádio passe a se tornar a casa dos alvinegros. Você faz xixi no meio da sua casa (a que você mora)? E quem limpa depois?

Sei que gente mal-educada tem em todo lugar. Mas pensava que o torcedor poderia ter um pouco mais de carinho com o seu patrimônio. Você pode alegar que no Carnaval há muitos “mijões” na rua. Pois é. E por isso existe até uma lei no Rio de Janeiro para coibir isso: R$ 500 de multa para quem for flagrado urinando na rua.

Eu não sei se os “mijões” estão em toda a parte do estádio. Desconfio que sim. Também não sei se a cena se repete em outros estádios cariocas também (esse ano só fui ao Nilton Santos). Eu como mulher sempre vou ao banheiro quando preciso nos jogos. Ah, e mais desagradável ainda: quando volto do toilette e subo todas as rampas de volta até o meu lugar, ainda tenho que desviar do xixi que o pessoal faz na parte de cima da arquibancada e cai na parte mais baixa. Mas como quem vem da parte inferior não consegue enxergar quem está na parte de cima, o negócio é correr e torcer para não ser atingida por nenhum líquido estranho.

Conversei com alguns amigos homens que costumam frequentar o Engenhão na mesma arquibancada que eu sobre essa situação. Eu nunca entrei no banheiro masculino, muito menos o do estádio. Não sei como funciona. Vai que o lugar é pequeno, sujo de dar dó  por isso o pessoal prefere fazer ao “ar livre” (não que justifique)… Mas o meu amigo disse justamente o contrário. Que há bastante espaço para os homens e que a fila anda bem rápido.

Um desses meus amigos com quem eu conversei sobre o assunto também se sentiu incomodado. E no último jogo em que fomos decidiu interpelar um dos “mijões”. Chamou ele de “porco”. Sabe o que torcedor respondeu? Que ele “paga para isso”.

Olha, eu achava que a gente pagava impostos (um dos mais altos do mundo, aliás) para ter uma educação de qualidade, acesso a um sistema de saúde gratuito, se sentir seguro na cidade onde se vive, essas coisas. É verdade que nosso dinheiro não está sendo aplicado em nada disso (ou pelo menos não da maneira como gostaríamos). Mas também não sabia que a gente paga para fazer xixi onde bem entender. Da próxima vez, acho que vou até entrar em contato com a assessoria do clube para saber se no preço que pago no ingresso está incluído o valor do xixi… A culpa deve ser do Manequinho, mascote do Botafogo, que incentiva essas coisas…

Imagem: Custódio Coimbra

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