Categorizado | Orun Ayé

Mea culpa

Uppot

Não somos muito de fazer mea culpa, de admitir que erramos em algum momento. Adoramos “jogar na cara” quando erram com a gente e gritar quando somos injustiçados, mas e quando nós que erramos? Assumimos? Adoramos mostrar quando acertamos em algo, uma opinião e quando erramos? Nada, nos escondemos.

Não tenho problemas com isso, sou falho e acerto como todo mundo e vendo o noticiário não só dessa semana como dos últimos meses decidi fazer coluna de mea culpa, a famosa “erramos”. Não sou como “certas pessoas” que quando são mostradas erros respondem “ok”.

OK, foi uma indireta.

Eu fui um dos que acreditou nas UPPs. Achei realmente que era um projeto legal, de pessoas bem intencionadas e que seria fundamental para a paz no Rio de Janeiro. Errei, evidente que não deu certo e o noticiário de todos os dias mostra isso.

Para quem reclamava que a polícia avisava antes da operação dando tempo para os traficantes fugirem eu comprava a declaração oficial e repetia “Não é combate ao tráfico, é ocupação de território” outra que repetia era “Assim é melhor para salvar vidas inocentes”. Os argumentos até são bons, mas se mostraram ineficazes e deixaram certas dúvidas;

Quando é um governo sério e de pessoas honestas dá para acreditar nos argumentos acima e teve um tempo em que acreditamos que o governo do Rio de Janeiro fosse assim. Mais um mea culpa, votei duas vezes em Sérgio Cabral para governador. O tempo mostrou que o governo Cabral era tudo, menos sério e com isso vem umas coisas em mente que, claro, não dá para provar, mas o fato de nosso ex governador estar preso nos dá direito de pensar assim.

O aviso para os traficantes saírem era para apenas recuperar território mesmo e evitar vítimas inocentes? Não faziam parte de um acordo para livrar a bandidagem e em troca ter uma paz disfarçada no estado que sediaria jogos de copa do mundo e Olimpíadas? Porque é muita coincidência a violência ter diminuído, as UPPs darem certo até o apagar da tocha e depois ter desandado tudo.

A situação hoje é pior que antes das UPPs, nunca me senti tão inseguro no Rio de Janeiro e as UPPs já provaram que não eram a maravilha que imaginávamos. Nós que sentimos orgulho com retomadas de território e vimos pela tv as pessoas andando em suas comunidades com tranquilidade vemos agora essas mesmas áreas sendo retomadas pela bandidagem. Os traficantes voltaram, a violência voltou, as crianças estão sem aula por falta de segurança e o Rio de Janeiro ruiu.

Não, as UPPs não eram a solução, eram enxugar gelo apenas e nada irá adiantar enquanto o único órgão do Estado a subir morro for a polícia. Tenho que explicar porque tem gente que como burro não consegue enxergar um palmo fora de sua direção, não sou a favor de deixar bandidos livres, não quero levar bandidos para casa e nem nada disso, mas não adianta nada apenas a repressão enquanto não investir em educação, enquanto não der oportunidades aos meninos e meninas diferente de partir para o tráfico.

São bandidos? São. Tem que ser punidos? Presos? Sim, mas não entra na minha cabeça que o moleque negro de 16 anos semi analfabeto, sem camisa e com cueca aparecendo sobre o short, sem sair nunca do morro seja o barão do tráfico de drogas do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro não fabrica cocaína, nenhum tipo de droga nem armas, isso tudo chega aqui de alguma forma.

Chega pelo jatinho do senador, com o filho da desembargadora, com os branquinhos que não precisam pegar em fuzis para não se sujarem, mas nós estamos tão assustados com a violência nos estuprando a cada dia que nos sentimos aliviados com exército na rua ou o finado Falcon cravando a bandeira do Brasil no alto de uma comunidade. É preciso mais que isso e a política de segurança pública do Rio que tanto aplaudimos virou pó na nossa frente.

É hora de aceitarmos isso e admitirmos que está tudo errado.

A nossa mea culpa.

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

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