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Voa, Canarinho, Voa

brasil-de-82

Estava com um tema na cabeça para falar essa semana e já abrira a página para escrever, quando passou no intervalo comercial da ESPN um documentário sobre a Copa de 82 que estreará dia 5 de julho – data que faz 35 anos da derrota para a Itália no Sarriá.

Já falei sobre o tema aqui e no meu blog, mas são seis anos que escrevo no Ouro de Tolo e evidente que já repeti temas; então não teria porque não repetir nessas linhas a maravilhosa seleção brasileira de 1982.

Os dias parecem se repetir todos os dias em nossas rotinas, mas nunca um dia é igual a outro; assim como nunca um texto é igual a outro, a vida se renova, as letras se renovam e as lembranças também. Curioso pensar assim, mas é verdade: tem assuntos que nunca são encerrados mesmo depois de aparentemente mortos, sempre se renovam.

Trinta e cinco anos é uma vida, mais quinze anos e são meio século, é coisa à beça. Mas ninguém consegue esquecer essa seleção, mesmo quem não nascera ainda para assistir, mesmo eu que tinha cinco anos – e só tenho flashes daquele momento.

Lembro da imensa festa que era aquele tempo, das ruas enfeitadas, do verde e amarelo que predominava, de cada jogo, dos fogos e das carreatas após as vitórias. Nós, moradores da Ilha do Governador, íamos pelas ruas de carro fazendo buzinaço e com bandeira na janela. Não entendia aquilo direito e morria de medo porque semanas antes sofrera um leve acidente de carro com minha avó e não queria participar daquilo, como até hoje não gosto de fogos – então para uma criança de cinco anos foi um alívio o dia da derrota para a Itália.

Não teve fogos, não teve carreata, buzinaço: só choro, muito choro de pessoas que amava. Com cinco anos de idade percebi que nem tudo tem que ser como queremos e hoje com quarenta lamento que não tenha tido mais carreatas e fogos.

É curioso pensar em como aqueles caras que vestiram amarelo e tombaram na Espanha são queridos, idolatrados mais até do que muitos que voltaram vitoriosos. É curioso, mas plenamente entendível. Primeiro porque eram jogadores de talento descomunal, talvez a última geração com esse talento.

Eu, rubro negro confesso, teria sido muito mais feliz futebolisticamente falando com aquele time que o Flamengo tinha e foi base da seleção, um time em que todos jogavam bola. Mas não era só o Flamengo: tinha o Atlético Mineiro com um timaço, tinha Grêmio, São Paulo e tinha o Corinthians e aí vem a segunda questão.

Um time que não tinha tantos talentos como Flamengo e Atlético, mas um time com inteligência e capacidade de liderança e raciocínio como nunca mais teremos. A “Democracia Corintiana” de Sócrates, um cara que num comício pelas Diretas Já para um milhão de pessoas falou como um orador experiente.

Eram caras talentosos e acima da média como homens, cidadãos, por isso vejo que era impossível não se apaixonar por aquele time de Telê Santana e até hoje somos capazes de nos apaixonar por ele – mesmo sabendo que é um filme que no final o mocinho morre. Em outra coluna que fiz aqui sobre o tema contei que vi no youtube o jogo “Brasil x Itália” na íntegra.

Amigos, se tiverem tempo vejam, é um curso intensivo de como se praticar futebol e se apaixonar por ele. Eu no final do jogo via como se fosse ao vivo: me desesperei com o gol que Oscar perdeu no fim e fiquei triste com o apito final e as palavras de Luciano do Vale e Marcio Guedes tocaram fundo na alma…

… “Nunca mais esqueceremos esse jogo”.

Nunca esquecemos e nunca esqueceremos. Fico pensando se o Brasil tivesse ganho aquela copa se esses jogadores, esse time seriam tão queridos como são hoje. Sinceramente não sei. O Brasil adora os vencedores, mas tem compaixão, carinho pelos que perdem lutando. Talvez por se identificar com isso no dia a dia. Somos um povo batalhador, talentoso, bacana que todos os dias é derrotado pelo sistema, por pessoas que não estão nem aí pra gente então temos a compaixão da derrota, temos o orgulho de quem perde lutando como a gente.

Não dá pra dizer que Valdir Perez, Leandro, Oscar, Luisinho, Junior, Falcão, Cerezo, Sócrates, Zico, Serginho, Éder e Telê são fracassados, derrotados… A maior prova disso é que escrevi essa escalação de primeira, sem olhar no Google. Todos são lembrados e reverenciados até hoje. Na verdade nessa história toda só tivemos um derrotado.

A Copa que não teve esses caras em sua história como campeões…

Mas a seleção canarinho é campeã sim. Em nossos corações o canarinho voará para sempre.

Voa canarinho!! Voa!!

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

Imagens: Reprodução

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