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Campeão por trinta e poucos segundos.

Essa é uma sensação, mágoa, pensamento, reflexão que deve passar muitas vezes pela cabeça de Felipe Massa. Pela minha passa. Provavelmente não tantas vezes. Afinal, quem estava ao volante de uma Ferrari, prestes a quebrar um longo jejum (17 anos) sem títulos brasileiros na Fórmula 1, a tão pouco tempo de se consagrar nos braços da torcida, de ser campeão em casa, de escrever o nome na história, era ele.

Ali, ensopado, no apertado espaço que separa o paddock do pit lane em Interlagos estávamos eu e meus bravos companheiros de uma cobertura tão longa quanto enriquecedora, tão exaustiva quanto prazerosa como é o mundo paralelo dos jornalistas que acompanham a categoria mais importante do automobilismo mundial (ou pelo menos assim convencionamos chama-la no Brasil, pois aqui a F1 virou paixão nacional, fruto dos grandes campeões nascidos por essas bandas).

Por efêmeros trinta e poucos segundos nos sentimos, todos, campeões do mundo. Em parte, é claro, pelo lado pessoal e profissional. Profissional e pessoal. Tudo junto e misturado àquela altura. Para mim era apenas a terceira temporada. Para alguns, a quarta, a primeira, a vigésima. Não importava.

nossasfotos1-2007 207Cada um de nós vislumbrou, naquela tarde de sol, chuva e tempestade em São Paulo, a possibilidade de dar a noticia, de ser, tal qual um Repórter Esso, testemunha ocular da História. Do pequeno núcleo que acompanhava todas as provas do ano pouquíssimos eram os que já trabalhavam na era Piquet-Senna (que dirá com Emerson…).

Ver Massa campeão. Escrever sobre Massa campeão seria, também, uma vitória nossa. Daqueles amigos formados em aeroportos e circuitos, em restaurantes e táxis, dando a volta pelo mundo à espera de uma tarde em que a grande manchete sairia das nossas canetas/dedos.

Mas aí… Deu no que deu. O Timo Glock com pneus desgastados não segurou o Hamilton e o inglês conquistou o primeiro de seus títulos mundiais que, agora, vão se enfileirando. Alertado por um mecânico o Titônio, pai do Felipe, deu o murro que todos queríamos dar na parede dos boxes. O Felipe não era o campeão.

nossasfotos08-1 006E nós não escreveríamos a crônica do título tão sonhado.

Agora, o Felipe anuncia que está se despedindo da F1 no fim do ano. Eu antecipei a minha despedida em quatro anos. Não cubro mais as corridas desde 2012. Por uma dessas coincidências da vida, o meu primeiro GP foi o de estreia do Felipe na Ferrari, na Austrália, em 2006. E o meu derradeiro, o último dele na escuderia italiana, em Abu Dhabi, sete temporadas depois. Ou seja, meu período como repórter no “circo” coincidiu justamente com a carreira do piloto que mais tempo guiou o carro mais famoso e charmoso das pistas.

Em Interlagos 2012, quando Massa correu pela última vez no Brasil como ferrarista, a equipe fez um bolo para ele, uma pequena homenagem. Isso foi depois da corrida. Cruzei no paddock com o Dudu, irmão do Felipe, e com a Rafa, esposa dele. E eles me chamaram para participar. E foi o Dudu quem chamou a atenção para essa curiosidade. De que a passagem do irmão pela Ferrari tinha coincidido com a minha pela Fórmula 1.

nossasfotos08-1 047A partir do ano seguinte eu sabia que não queria mais passar mais da metade do ano fora de casa. E, de certa forma, o Felipe desconfiava que, numa equipe menos poderosa, suas chances de vitórias e títulos seriam reduzidas.

Foram onze vitórias nesse período. Eu estive em oito delas – incluindo o fatídico GP do Brasil de 2008. Como havia um rodízio de repórteres – e há até hoje – não presenciei a primeira das vitórias, a da Turquia, em 2006. E nem outras duas, em 2008. GPs da Europa (coincidiu com as Olimpíadas de Pequim) e da Bélgica (neste, a vitória veio após punição a Lewis Hamilton que, efetivamente, tinha cruzado a linha em primeiro lugar). Muitas pole positions, corridas em que tudo ou quase tudo deu certo. Ou deu errado. Muitos encontros fora da pista, o esboço de um livro que acabou não saindo por “n” motivos, e uma torcida sincera para que tudo desse certo.

Mesmo que o título, por aqueles implacáveis trinta e poucos segundos, não tenha vindo, acho que tudo deu certo, sim. A começar pela própria vida. Massa renasceu depois de um acidente tão dramático quanto improvável, em 2009. Tem uma família estruturada, um filho lindo e inteligente. E, num período em que o esporte está, nitidamente, à procura de novos caminhos que o afastem da decadência e do desinteresse do público, Massa segue em busca de um caminho novo ele mesmo.

Formula12007 028É preciso coragem e boa dose de desprendimento para aceitar que o tempo passa. Para todos nós. Ele até poderia ficar batendo de porta em porta, correndo por equipes inexpressivas. Não pela grana, mas pelo prazer de pilotar.

Para quê? O que é bom a gente guarda na memória. E tenho certeza que as lembranças que Felipe Massa guarda de seus quase 250 Grandes Prêmios são bem mais doces e duradouras que trinta e poucos segundos.

Imagens: Arquivo Pessoal

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9 Replies to “Valeu, Felipe”

  1. Belo texto, Gil. Cara do bem o Felipe, fez o melhor que podia e manteve o Brasil alcançando bons resultados por várias temporadas. Que siga bem o seu caminho!

  2. Lembro como se fosse ontem. A transmissão passa a mostrar a câmera onboard do Hamilton, e poucos segundos depois um carro roxo se mete na frente, uma tal revelação chamada Vettel. Coração disparou, e àquela altura estava eu ajoelhado, coração batendo tão forte que dava pra alguém que estivesse perto ouvir. Até que o Luciano Burti me trouxe de volta à realidade…

  3. Acho que pegam pesado demais com o Massa, cobram algo que ele não pode dar. Considero um bom piloto que fez o que pode e foi ao seu limite, não o “amarelão” que muitos falam, não cometeu o erro do Rubinho (outro que adoram bater) de assumir o papel de “novo Senna”, e focou em fazer o seu trabalho, sem exageros e promessas. Por muito, muito pouco não foi campeão do mundo, e isso não é pouca coisa.

    Não sou especialista pra dizer se ele piorou seu desempenho depois do gravíssimo acidente de 2009 ou depois do “Fernando está mais rápido do que você”, mas acho sim que Felipe Massa teve uma carreira na Fórmula-1 bastante digna da história brasileira no automobilismo.

  4. Entre erros e acertos deixa uma boa imagem. Sempre foi correto – num meio em que há vários vigaristas. Nunca bateu de propósito, nunca vazou emails privados, não assinou contrato com um e depois com outro para fazer leilão. Talvez se arrependa de não ter mandado a equipe às favas no episódio do GP da Alemanha. Foi muita falta de sensibilidade da Ferrari. Deixava o cara ganhar, um ano depois de um acidente que quase tirou a vida dele. Se fosse hoje, mais experiente e sem ter que ficar pensando se teria contrato renovado ou não, talvez o Felipe tivesse acelerado e vencido, desrespeitando a ordem. Mas quem conviveu com ele naqueles anos sabe do respeito e do carinho que tinha pela equipe. Falou mais alto essa dedicação à “família” Ferrari.

      1. Aliás, Alonso podia ter pedido música no Fantástico pois ganhou três corridas graças a eventos escusos: Mônaco 2007 (inexplicavelmente a McLaren mudou a estratégia de Hamilton, que tinha gasolina pra não parar mais e mesmo assim foi chamado aos boxes), Cingapura 2008 e Alemanha 2010.

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