(Por Thiago Moreira, trabalhador offshore, tricolor – carioca! – de coração e aficionado por basquete e fatos curiosos do esporte )

E está chegando a hora da abertura dos Jogos Olímpicos de verão, os primeiros da América do Sul. O mundo voltará seus olhos para nosso país, acompanhará as competições, vibrará com as medalhas, comemorará com os campeões e chorará com os que perderam. Histórias não vão faltar; afinal, são elas que tornam as olimpíadas universais.

Mas nem só de Zika vírus ou astros que se faz as Olimpíadas. Na realidade o que me chama mais atenção mesmo são os que chamo de “operários do esporte”, que são aqueles atletas que geralmente não tem incentivos, tampouco patrocínio e que conquistam seus objetivos com muita doação e amor à sua arte, pois muitas vezes tem que dividi-la com o tempo dos estudos ou um emprego que possa trazer renda à sua família.

A estes adiciono as delegações médias e pequenas, que muitas vezes enviam na faixa dos 40 atletas ou menos para viver um sonho… Resumindo, sou apaixonado e todo ouvidos às histórias bonitas de superação e curiosidades de quem se faz presente a esse evento cujo símbolo promove a integração dos povos.

Pensando nisso, fiz uma pequena abrangência sobre histórias que cercam a vida e carreira dos porta-bandeiras “menos favorecidos” ou de países que estão fora do radar olímpico… Ou seja, nada de Rafael Nadal ou Caroline Wozniacki por aqui.

Vamos nos aprofundar nas histórias de:

Liu Jia, preparations for the Summer Olympics 2012Liu Jia – Tênis de mesa – Áustria

Atleta de 34 anos, natural da Pequim, China – algo claramente perceptível quando observamos o seu nome. Liu Jia começou sua carreira  no tênis de mesa na China, onde foi considerada uma promessa para o tênis de mesa – o que é alguma coisa tratando-se de um país potência no esporte em questão.

Sob um regime pesado de treinamentos na Escola Shian-Nutan, famosa formadora dos campeões chineses, sua história de vida mudou quando recebeu um convite para jogar pelo Linz AG Froschberg, da Áustria. Ela tinha 15 anos em 1997, e a convite do treinador chinês Liu Yan e sem falar nenhuma palavra de inglês ou alemão desembarcou na Austria.

Em umano tornou-se cidadã austríaca e entrou para a seleção do país europeu. Desde então teve uma carreira recheada de bons resultados, entre eles, o campeonato europeu de 2005, na Dinamarca. Sua carreira olímpica é extensa também. Iniciou em Sydney 2000 e não parou mais desde então.

Foi escolhida para ser a porta bandeira da Áustria, em uma delegação de apenas 68 atletas e teve sua escolha facilitada pela falta de Dominic Thiem, tenista numero 9 do mundo aos Jogos. Abaixo, os links para a compra de ingressos do dia de competição dela, seis de agosto:

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Sorn SeavmeySorn Seavmey – Taekwondo – Camboja

Atleta de 20 anos, compete na categoria + 67kg. Ela entrou para a história do pequeno país asiático ao conseguir o feito de ser a primeira atleta a ganhar vaga olímpica por meio de qualificação. Ou seja: antes da conquista, os atletas cambojanos só iam às Olimpíadas por meio de convites, os chamados wild cards.

A atleta recebeu em maio uma equipe do COI para a realização de um documentário sobre sua vida. Seu histórico no esporte é dos melhores: Seavmey já havia encerrado uma seca de 44 anos do país ao ganhar o ouro nos Jogos Asiáticos, em 2014.

Como a notícia da espectacular vitória de Seavmey espalhou-se como onda no Camboja, o primeiro-ministro Hun Sen foi um dos primeiros a parabenizar através da mídia social para saudá-la pela qualificação olímpica direta, algo que nenhum outro atleta na história do esporte cambojano jamais havia alcançado.

De acordo com NOCC (comitê do Camboja), Seavmey é esperada para lutar contra a veterana francesa medalhista olímpica Gwladys Patience Epangue na primeira rodada na divisão peso pesado (ou + 67 kg). Epangue, 32, ganhou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008. Luta dura para Seavmey na estreia.

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Kelmendi KosovoMajlinda Kelmendi – Judô – Kosovo

Atleta de 25 anos, compete na categoria até 52 kg. Será um ponto alto do desfile das delegações na abertura, pois ao contrário dos dois exemplos anteriores, a judoca tem status de estrela. Foi considerada em 2014 a melhor judoca peso por peso do mundo. E é a atual número 1 de sua categoria.

A importância e curiosidade da situação é que Kosovo debuta como país em Olimpíadas. Apesar dos protestos da Servia, que não queria a admissão do país ao COI (e teve seu pedido negado), a judoca que carregará a bandeira já havia disputado as Olimpíadas anteriores, em Londres 2012.

Porém, assim como a outra judoca de destaque do país, Nora Gjakova (-57kg) , optou por atuar sob a bandeira da Albânia, reduto frequente dos atletas kosovares antes do país ser reconhecido como membro do COI.

Kelmdendi lembra: “Quando eu fui para o Kosovo em dezembro/14, quando o COI ratificou a decisão inicial de reconhecê-lo, eu conheci o vice-chanceler, e ele me disse que foi o dia mais importante na história do Kosovo desde a declaração unilateral de independência em 2008.”

Para Kelmendi, que lutará por outro sucesso no Brasil, a vitória significaria muito mais do que apenas uma medalha.

“Eu me sinto tão bem que eu possa talvez, por um ou dois dias, fazer as pessoas de Kosovo rirem, deixá-los felizes, e talvez esquecer que temos tantos problemas aqui.”

Kelmendi tem diversos títulos europeus e mundiais, tendo inclusive sido campeã mundial por aqui, em 2013 – mais precisamente no Rio de Janeiro contra Erika Miranda. Será a hora da revanche?

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Essas e muitas outras histórias são as que fazem das Olimpíadas tudo do que nós queiramos saber entre 5-21 de agosto. Aqui no Rio teremos a maior quantidade de delegações da história olímpica!

Nos vemos por aqui até lá!

Thiago Moreira

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6 Replies to “Não se perca na Parada das Nações – Rio 2016 (Parte I)”

  1. Realmente parabéns pelo post.

    Espero que possamos presenciar momentos como estes e também escrever novos momentos na história olímpica.

    Abraço

    1. Não é o foco da série, mas outra história bem bacana é a dos dois judocas que estão refugiados aqui no Brasil e irão competir sob a bandeira olímpica

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