Logo depois do Carnaval de 2015, Paulo Barros deixou a Mocidade Independente de Padre Miguel e acertou com a Portela. A comunidade do samba ficou em polvorosa com a união entre a maior campeã do Carnaval e o carnavalesco mais badalado do momento.

Será que os estilos de ambos não entrariam em choque? E o tão sonhado fim do jejum de títulos finalmente seria uma realidade? Pois bem, em maio a escola confirmou um enredo autoral de Paulo Barros chamado “No voo da Águia, uma viagem sem fim…”.

“O homem é um eterno insatisfeito, está sempre buscando se aventurar. A essência do homem é sempre buscar, viajar… O desfile vai retratar as grandes viagens da história da humanidade”, prometeu  Barros.

Já a Mocidade, que havia anunciado o enredo “#alendaimaginacao”, sobre histórias e lendas da humanidade, resolveu escolher outro chamado “O Brasil De La Mancha — Sou Miguel, Padre Miguel. Sou Cervantes, Sou Quixote Cavaleiro, Pixote Brasileiro”, que associaria o personagem de Miguel de Cervantes à situação do povo brasileiro.

Por sua vez, a campeã Beija-Flor de Nilópolis faria um enredo sobre Cândido José de Araújo Viana, o Marquês de Sapucaí, personagem já exaltado em 1993 pela Imperatriz Leopoldinense. Esta homenagearia os cantores sertanejos Zezé di Camargo e Luciano e falaria sobre a vida no interior – o samba-enredo de Zé Katimba e parceiros era o melhor do ano.

Vice-campeão de 2014 e 2015, o Salgueiro apostaria no enredo “A Ópera dos Malandros”, com inspiração na canção de Chico Buarque e que falaria da boa  malandragem e dos próprios malandros na Umbanda.

Já a Unidos da Tijuca teria um enredo patrocinado pela cidade de Sorriso, mas com uma abordagem sobre a vida no campo – a grana esperada não pingou, segundo consta… A Grande Rio iria homenagear a cidade de Santos, com ênfase ao grande time de futebol de lá.

A São Clemente levaria para a avenida os palhaços, enquanto a União da Ilha teria o enredo “Olímpica por Natureza”, lembrando que o Rio seria sede da Olimpíada de 2016. Mangueira e Vila Isabel fariam homenagens a Maria Bethânia e Miguel Arraes, e a Estácio de Sá teria como enredo “Salve Jorge!”.

O fato animador na fase pré-carnavalesca é que além da Imperatriz, já citada, outros sambas de excelente nível foram escolhidos por Portela, Salgueiro, Mangueira e Vila Isabel, todas com desfiles na segunda-feira.

OS DESFILES

Quando os desfiles iam começar, chegou à Sapucaí a notícia de que o jurado Fabiano Rocha, de Bateria, não havia aparecido. Como manda o regulamento, na ausência de um julgador, a maior nota de cada escola no quesito seria repetida. O caso ganharia proporções muito maiores depois da apuração…

A Estácio de Sá fez uma simpática apresentação para abrir os desfiles com o enredo de exaltação a São Jorge. A comissão de frente reproduzia o eterno duelo do bem contra o mal com um elemento alegórico que tinha um grande cavalo (como uma marionete) e São Jorge, mas sem concepção das mais felizes, embora tivesse impacto.

Nas alegorias, o destaque foi o abre-alas em dourado, simbolizando o berço da civilização em Capadócia, atual Turquia. Agradou também o elemento São Jorge em Camelot, já que havia devotos ingleses como os reis Eduardo III e Arthur. No mais, as fantasias eram superiores às alegorias, apesar de uma divisão cromática pesada.

Com um leão de pelúcia no ombro, Wander Pires conduziu o samba acompanhado por um coral feminino que por vezes abafava a voz do cantor. O samba-enredo tinha alguns bons momentos, mas não pegou na veia. O que pegou na veia foi a bateria de Mestre Chuvisco com uma grande atuação, repleta de ótimas bossas e paradinhas. Foi o ponto alto do desfile.

Ainda falando de bateria, a rainha Luana Bandeira, que representou um dragão dourado, foi impedida pelos Bombeiros de cuspir fogo na avenida mesmo depois de dois meses de treinos. Ela chorou e reclamou bastante, mas não teve jeito.

Nos quesitos de pista, a Estácio não teve grandes problemas em Evolução, mas a Harmonia foi um tanto irregular, com algumas alas cantando mais do que outras. O bom desfile da Estácio terminou com o carro da Alvorada, com a Lua Cheia e São Jorge lutando contra o Dragão, e uma ala distribuiu rosas vermelhas, a benção do santo. Em teoria, foi um desfile que até poderia manter a Vermelho e Branco no Grupo Especial.

A União da Ilha foi a segunda escola a desfilar e foi uma apresentação de altos e baixos com o enredo sobre a vocação do Rio de Janeiro para os esportes e a Olimpíada. Faltou sobretudo um samba-enredo de maior qualidade, apesar da garra dos componentes e do cantor Ito Melodia, que acabou agraciado com seu terceiro Estandarte de Ouro.

Agradou a comissão de frente com cadeirantes simbolizando “o sentimento olímpico às modalidades esportivas” e trapezistas fazendo acrobacias num elemento alegórico que representava Olímpia, onde foi o começo dos Jogos.

Em termos de alegorias, o ponto alto foi o lindo abre-alas com uma enorme, bem realizada e bem iluminada escultura que representava a chegada dos deuses olímpicos ao Rio de Janeiro. Já o segundo carro não era tão alto na base mas tinha representações do calçadão de Copacabana e um grande sol giratório no alto com um painel de led, que infelizmente teve funcionamento irregular no desfile.

Também houve problemas no gerador do carro que tinha um bonito Cristo Redentor cercado de asa-deltas, e com isso a iluminação não funcionou. Já os demais elementos não eram tão grandes em tamanho, já que a Ilha não teve neste Carnaval tantos recursos como em 2014 e 2015.

As fantasias tinham muitas cores e diversos adereços que passaram o bom humor dos cariocas. Uma grande ala chamada “Povo Dourado” tinha 44 fantasias diferentes representando personagens típicos da cidade, como o vendedor de mate e de Biscoito Globo, e até mesmo o bicheiro.

Gostei da ala das baianas com uma fantasia toda em dourado representando o sol da Cidade Maravilhosa. Agradou também a bateria de Mestre Ciça, que resgatou suas características mais marcantes como a batida das caixas de guerra e até um andamento mais “pra trás”. Foi um típico desfile alegre da Ilha, mas era cedo para prever o que poderia acontecer na apuração.

beijaflor2016aCampeã de 2015, a Beija-Flor pisou forte na avenida para defender o enredo “Mineirinho genial! Nova Lima – cidade natal. Marquês de Sapucaí – o poeta imortal”. Num domingo sem desfiles arrebatadores, a Deusa da Passarela foi um dos poucos destaques da noite com sua habitual eficiência nos quesitos e um conjunto visual de belo acabamento, a despeito de o enredo não ter sido na prática dos mais auspiciosos.

Nos primeiros setores, a intenção da comissão de Carnaval era mostrar o lado barroco da velha Minas Gerais da época do nascimento de Cândido José de Araújo Viana, o Marquês de Sapucaí. Nisso, o objetivo foi alcançado e o começo do desfile foi de impacto e muita beleza, mesmo sem a alta grana de 2015. Só achei que a Deusa da Passarela exagerou no uso de dourado, diria que por quase metade da escola.

Mesmo assim, agradou a comissão de frente, que exaltou a abolição dos escravos ao ganharem asas de beija-flor, afinal o Marquês de Sapucaí teve participação na formação da Princesa Isabel, que assinou a Lei Áurea.

Em seguida, a Beija-Flor mostrou todas as facetas do Marquês de Sapucaí, que, depois da infância em Minas, estudou em Portugal e se tornou um dos nomes importantes do período em que D.Pedro II comandou o país ao ser ministro em quatro pastas diferentes.

Nestes setores, a divisão cromática já pendeu para as cores da Beija-Flor, assim como a última alegoria, que homenageava a avenida que levou o nome do marquês com uma representação do sambódromo. Este elemento tinha muitos beija-flores e espelhos, lembrando que a escola foi a primeira a vencer o carnaval na Sapucaí, em 1978, e é a maior campeã nesta avenida, com 11 títulos.

Completando o seu 40º aniversário como cantor da Beija-Flor, o gigante Neguinho teve mais uma atuação com a receita de sempre, ou seja, cantando (não berrando) o samba e sem exagerar nos cacos. A bateria dos mestres Rodney e Plínio voltou a mostrar a correção costumeira, mesmo sem grandes invencionices.

Um dos poucos pontos negativos foi o samba-enredo, que, embora correto, não foi dos mais brilhantes que a Beija-Flor já levou para a avenida. Isso se refletiu no quesito Harmonia, já que do meio pro fim do desfile o canto não foi o habitual da Beija-Flor. Talvez por isso o desfile, embora inegavelmente bonito, não “pegou na veia” como em outros anos.

Quarta a desfilar, a Acadêmicos do Grande Rio não fez uma apresentação das melhores com o enredo “Fui no Itororó beber água, não achei. Mas achei a bela Santos, e por ela me apaixonei”, que homenageava a famosa cidade do litoral de São Paulo.

Sobretudo, não agradou o desenvolvimento do enredo, que enveredou por uma linha de exaltar demais Pelé e Neymar e deixou de se aprofundar em outros aspectos de Santos – em tempo, o Rei não desfilou por recomendação médica, enquanto o então craque do Barcelona teve jogo no dia do desfile e também não veio.

A comissão de frente até que foi simpática, com um Pelé criança sambando adoidado e o abre-alas representou a carruagem do rei. Já o segundo elemento homenageou José Bonifácio, um dos mais importantes cidadãos santistas. Em seguida, um setor mostrou as origens da cidade, nos tempos da Família Real portuguesa, e outro os transportes de Santos.

Dali até todo o fim do desfile os esportes e o futebol foram destaque, com uma representação do gramado da Vila Belmiro. A Grande Rio apresentou um tripé com uma Bola de Ouro para Neymar, que este ano ficou em terceiro lugar na eleição da Fifa. A boa bateria veio vestida com uniforme do Santos e tinha um moicano à la Neymar.

Um outro carro lembrava o Santos Futebol Clube com direito à participação do técnico Dorival Júnior e jogadores do elenco do Peixe. Pelé foi homenageado em diversas alas que lembraram os títulos mundiais do Rei e a alcunha de Atleta do Século XX.

Mas a Grande Rio não se apresentou bem em alguns quesitos. Pra começar, o samba-enredo não era dos mais brilhantes e a Grande Rio foi mais uma escola a não ter sido perfeita no quesito Harmonia, além de ter tido uma evolução lenta, principalmente na primeira metade, já que as fantasias eram pesadas e alguns componentes passaram mal. Diante desses percalços, a Grande Rio acabou fazendo um desfile para parte inferior da tabela.

Quem também não teve um desfile dos melhores foi a Mocidade Independente de Padre Miguel. A associação entre Dom Quixote e o povo brasileiro numa época de crise acabou bastante confusa e a Verde e Branco também não foi feliz em diversos quesitos.

De acordo com o enredo, Quixote era um apaixonado pela literatura brasileira e numa visita ao país acabava surpreendido por mazelas como corrupção, desigualdade social e tentava eliminar esses problemas.

Em diversos momentos a crítica política resvalou em partidarismo, como na comissão de frente em que Dom Quixote e Sancho Pança protegiam os camponeses de “corruptos invisíveis”, um deles com o traje típico da então presidente Dilma Rousseff, em vermelho.

Um enorme Dom Quixote no abre-alas estava à frente de uma torre de petróleo, numa clara menção ao escândalo da Petrobras. Este carro, aliás, teve problemas na dispersão e houve dificuldade para a vazão da escola na saída da pista.

O segundo elemento tinha um enorme queijo suíço cheio de ratos e ratoeiras em volta para simbolizar os corruptos do país. Em seguida, o terceiro carro lembrava a Academia Brasileira de Letras, onde Quixote ia para ler os livros brasileiros que o fascinavam.

Outros aspectos abominados pelo Quixote da Mocidade foram a escravidão e a seca no Nordeste. Por fim, o último carro tentava deixar uma mensagem otimista para o Brasil, no caso “O Lava-Jato da Felicidade” – este elemento teve problemas sérios de acabamento e passou sem algumas partes retiradas às pressas e sem alguns destaques.

Com um samba-enredo que também não funcionou e uma evolução problemática no fim do desfile, a Mocidade terminou sua apresentação sem boas perspectivas para a apuração.

tijuca2016bPor outro lado, a Unidos da Tijuca voltou a se exibir com muita correção e se colocou como a melhor escola de domingo ligeiramente à frente da Beija-Flor. Mesmo sem aquele patrocínio que se esperava da cidade matogrossense de Sorriso, o enredo “Semeando Sorriso, a Tijuca Festeja o Solo Sagrado” foi bem desenvolvido, com um conjunto visual de qualidade e eficiência da escola do Borel nos quesitos de pista.

Levando o enredo para o lado da vida no campo, a Tijuca se saiu bem. A comissão de frente acabou lembrando a histórica alegoria dos girassóis da Vila Isabel em 2013 ao representar o cultivo da terra com um elemento alegórico que mostrava o brotar de um girassol na pista com um excelente efeito.tijuca2016c

O bem resolvido abre-alas lembrava a criação do homem pelo barro, lembrando a ligação entre ele e o solo sagrado. Depois, a Tijuca exaltou as belezas do Brasil como a fauna, representada numa bela alegoria com os integrantes realizando coreografias. Outros elementos simbolizaram a agricultura familiar e o uso de tecnologia como no combate às pragas.

Mesmo sem a aguardada grana de Sorriso, a cidade foi lembrada num carro que exaltava o plantio e cultivo do milho. Numa solução inteligente e divertida, a alegoria mostrava como o milho se fortalecia num silo. Por fim, a Tijuca terminou seu desfile celebrando o sucesso da colheita e a Festa do Divino.

Se em outros anos, a Tijuca não apresentou um samba-enredo dos melhores da safra, em 2016 a obra era de excelente nível. Com isso, a harmonia foi muito eficiente, assim como a bateria de Mestre Casagrande. Com uma evolução organizada, a Azul e Amarelo deixou a Sapucaí com expectativas de uma boa colocação, mesmo sem ter empolgado o público. Tijuca e Beija-Flor salvaram um irregular domingo de desfiles.

vilaisabel2016bA segunda-feira começou com uma agradabilíssima exibição da Unidos de Vila Isabel. Mesmo sem ter superado totalmente a crise financeira que a afligiu nos últimos anos, a Azul e Branco se portou muito bem com o enredo “Memórias do Pai Arraia – Um Sonho Pernambucano, um Legado Brasileiro”, uma homenagem ao centenário do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes.

O desenvolvimento do enredo por parte do carnavalesco Alex de Souza foi muito feliz, já que não houve cunho político mas sim uma exaltação aos feitos de Arraes na sua trajetória. Um dos pontos mais lembrados foi a preocupação do Pai Arraia em fortalecer a cultura pernambucana e a perseguição sofrida por ele na ditadura militar.

Houve também menção ao desenvolvimento das principais cidades pernambucanas e, claro, a aspectos tradicionais do estado, como o sertão, e festas como o Galo da Madrugada.vilaisabel2016c

Como já citado, não havia grana sobrando no barracão da Vila, portanto as alegorias não eram grandiosas e havia alguns problemas de acabamento. Mas todos os elementos eram bastante claros, ajudando no entendimento do enredo.

As fantasias estavam superiores e bastante luxuosas, mas o peso acabou fazendo com que alguns componentes passassem mal. De qualquer forma, a divisão cromática foi bastante adequada, com dourado se misturando às cores da escola e tons de roxo e laranja.

O samba-enredo era dos melhores da safra e tinha autores do calibre de Martinho da Vila, Mart’nália, Arlindo Cruz e André Diniz. Quinto compositor, Leonel foi assassinado na véspera do Natal de 2015 e recebeu homenagens no desfile. Na pista, o samba foi cantado pelo estreante Igor Sorriso e funcionou a contento.

Sem problemas visíveis nos quesitos de pista, a Vila deixou a pista com chances de brigar por uma vaga no sábado das Campeãs, um alento depois das colocações ruins dos anos anteriores.

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Um dos mais fortes concorrentes ao título de 2016, o Salgueiro confirmou na pista que brigaria pelos primeiros lugares, mesmo com alguns pequenos percalços que poderiam colocar o sonho do décimo campeonato a perder. Mas o enredo “A Ópera dos Malandros” rendeu inegavelmente um desfile dos melhores desfiles do ano.

Como disseram alguns, o Salgueiro “entrou campeão” na pista, com uma bela comissão de frente com malandros sujos e um exu ao lado de rainhas da noite. Mas infelizmente o acoplado carro abre-alas, que simbolizou a Cinelândia, o Teatro Municipal do Rio e o chafariz da Praça Mahatma Gandhi, teve a metade dianteira apagada logo no começo da pista e permaneceu assim até o fim. Pena porque o elemento trazia os típicos personagens das ruas com os malandros, mendigos e mulheres da noite.

A segunda alegoria representava o Morro da Babilônia, na Zona Sul do Rio, como um jardim suspenso. Já o terceiro elemento levava para a pista a diversão dos bordéis e cabarés. Um dos carros mais bem resolvidos do desfile foi o que simbolizou os jogos de azar e cartas. Nesse momento, o Salgueiro finalmente estava “começando a acontecer”, já que, talvez pelo peso do favoritismo na fase pré-carnavalesca e os problemas no abre-alas, o desfile tinha sido tenso até então.salgueiro2016h

Um dos carros mais bacanas do desfile foi o que lembrou os famosos bares e a filosofia de botequim, com famosos como o tradicional desfilante salgueirense Eri Johnson, o craque Júnior e o narrador Galvão Bueno, torcedor de quatro costados da escola e que frequentou os ensaios na quadra de Silva Teles. O elemento tinha uma pitada de bom humor ao associar a famosa escultura “O Pensador”, de Rodin, com um jeito de malandro.

No último carro alegórico, o Salgueiro levou uma mensagem de otimismo para a avenida com distribuição de flores e a figura do malandro com uma pomba branca da paz.

salgueiro2016dA bateria de Mestre Marcão mostrou a regularidade costumeira e teve mais uma grande noite. Os ritmistas estavam vestidos de Geni, personagem da Ópera do Malandro, de Chico Buarque. Havia também um zepelim no alto da bateria sustentado por cordas, mas a parte frontal estava murcha, o que poderia ser canetado pelos jurados. A exuberante rainha de bateria Viviane Araújo, que no ensaio técnico estava fantasiada de Maria Padilha, utilizou um figurino mais discreto de malandro.

De fato, o Salgueiro cresceu muito do meio para o fim de sua apresentação e o desfecho foi apoteótico, com o público cantando o ótimo samba-enredo com a escola e gritando “é campeão”. Sem dúvida, a exibição salgueirense estava cotada para tal, restava saber o quão os problemas poderiam interferir.

saoclemente2016Depois do Salgueiro, a São Clemente teve uma exibição de altos e baixos com o enredo “Mais de mil palhaços no salão”, da carnavalesca Rosa Magalhães. O requinte das fantasias e das alegorias ficou evidente, mas ficou a sensação de que o enredo poderia ter rendido mais, sem contar os problemas.

Na comissão de frente, a São Clemente representou a trupe de artistas mambembes e teve palhaços acrobatas. O abre-alas mostrou um lado mais místico do enredo com um inferno e pequenos diabos que deram origem aos palhaços.

O segundo elemento mostrava os bobos da corte e tinha a própria Rosa Magalhães como destaque, mas uma falha no gerador fez com que o carro passasse apagado, o que deu uma quebra visível no belo conjunto alegórico.

Lamentavelmente o terceiro carro teve problemas no chassis e parou no meio da pista, o que abriu uma cratera na evolução. Outros empurradores apareceram às pressas para ajudar e a alegoria seguiu até o fim do desfile. Apesar do buraco, não houve problemas da escola com o tempo de desfile.

A bateria teve uma bela exibição mas a rainha Raphaela Gomes levou um tombaço por causa do óleo na pista – ela não se machucou. O samba teve boa aceitação e o cantor Leozinho Nunes substituiu bem Igor Sorriso.

Houve ainda um setor menos lúdico e mais crítico, que mostrava como o povo era feito de palhaço. Além de uma alegoria, chamou a atenção nessa parte final do desfile a chamada ala do panelaço, na qual os componentes batiam com força nas panelas para protestar.

De qualquer forma, a escola de Botafogo mostrou mais uma vez que não estava no Grupo Especial por acaso, e, apesar dos percalços, fez um desfile de bom nível e superior à maioria das apresentações, sobretudo as das escolas de domingo.

portela2016aQuem confirmou todas as expectativas e fez uma extraordinária apresentação foi a Portela. O casamento entre Paulo Barros e a Majestade do Samba deu muito certo e o público foi brindado com uma exibição que finalmente poderia levar a Águia ao título depois de 32 anos.

Isso porque o carnavalesco lançou mão da habitual modernidade – para não dizer contemporaneidade – nas alegorias, que tiveram ótima interação com o público, mas foram mantidas características mais tradicionais nas fantasias, todas de facílima leitura e com excelente divisão cromática para o enredo sobre as famosas viagens pelo mundo.

A comissão de frente já agradou de cara com uma representação da “Odisseia de Homero”, obra da mitologia grega. O abre-alas veio em seguida com um Poseidon que voava sobre as águas – havia 30 toneladas de água no carro.

Aliás, a água jogada pelo abre-alas e a comissão de frente renderia polêmica, pois acabou molhando a pista por onde passaram logo em seguida a porta-bandeira Danielle Nascimento e o mestre-sala Alex Marcelino. Quem esteve na pista apontou que os movimentos foram mais tímidos por causa do piso escorregadio, mas Danielle garantiu que não, e que estava usando sapatilha antiderrapante.

A lindíssima águia veio logo na primeira ala, representando a abertura do Mar Vermelho e pousava num elemento alegórico que reproduzia o Monte Sinai. Outro elemento lembrava do seriado “Perdidos no Espaço” e as alas seguintes estavam muito bem representadas. O carro “Jurassic Park” teve grande impacto pois destaques eram “engolidos” por tiranossauros.

portela2016bMas entre tantos pontos positivos, a meu ver o melhor momento do desfile foi o carro das viagens de Gulliver, com uma enorme escultura de 15 metros de altura do ator Jack Black (que viveu o personagem no cinema) escalado por destaques que encenavam os pequeninos personagens de Liliput. Simplesmente grandioso!

A ala das baianas, que precedia justamente essa alegoria, apresentou um figurino representando o túnel do tempo, com as saias rodadas em preto e branco fazendo efeito – isso renderia polêmica após a apuração, veja nas Curiosidades.

Como sempre, a Tabajara do Samba impôs ótimo andamento ao samba e passou com correção, e a trilha sonora do desfile portelense, que chegou a ser criticada na fase pré-carnavalesca, funcionou de forma esplêndida. A Portela chegou à Apoteose sob gritos de “é campeã”, e como não teve os percalços do Salgueiro, despontava como favorita ao campeonato.

imperatriz2016aPenúltima escola a desfilar, a Imperatriz Leopoldinense jogou para escanteio as desconfianças sobre o enredo “É o amor… que mexe com minha cabeça e me deixa assim… Do sonho de um caipira nascem os dois filhos do Brasil”, que homenageava a dupla Zezé di Camargo & Luciano e falava sobre a vida sertaneja. Foi um desfile muito simpático e bem apresentado, apesar de algumas falhas.

A comissão de frente tinha dançarinos em cima de um palco em formato de chapéu de palha com um espantalho e um galo. Cahê Rodrigues preferiu adotar uma estética multicolorida para mostrar o universo caipira, mostrando os principais produtos oriundos da terra, passeando por Pirenópolis, cidade natal dos homenageados, e os costumes daquela região.

Havia algumas falhas de acabamento nas alegorias, mas as fantasias estavam superiores e proporcionaram uma divisão cromática bastante adequada para o desfile, além de descreverem corretamente a proposta do enredo.

Apesar do excelente samba-enredo escrito por Zé Katimba e parceiros ter tido uma boa condução por parte do cantor Marquinho Art’samba – e o apoio da cantora e sanfoneira Lucy -, a harmonia não foi das mais brilhantes, com algumas alas destoando do conjunto em relação ao canto.

Já a bateria do estreante Mestre Lolo recuperou-se das exibições irregulares dos anos anteriores e foi um dos pontos altos do desfile, com ótimas viradas e paradinhas que agradaram bastante ao público.

O desfile da Imperatriz cresceu no fim, com a alegoria que levava Zezé di Camargo e Luciano, bastante aplaudidos pelo público. A escola de Ramos chegou à Apoteose com a expectativa de brigar por uma das vagas no sábado das Campeãs, mas título seria pouco provável.

mangueira2016h

A última escola a desfilar foi a Estação Primeira de Mangueira, que lavou a alma de seus torcedores com uma grande apresentação depois de alguns anos sofrendo com colocações medianas e exibições às quais o público não estava acostumado.

Novato na Verde e Rosa, o carnavalesco Leandro Vieira deu um show de desenvolvimento do enredo “A Menina dos Olhos de Oyá”, uma homenagem à cantora Maria Bethânia pelos seus 50 anos de carreira. No desfile, além da parte musical de Bethânia, foi lembrado todo o lado religioso da artista, católica de família e depois iniciada no candomblé.

Apesar de a Mangueira não ser das escolas mais ricas do momento, o trabalho de concepção e acabamento de alegorias e fantasias, sobretudo nos primeiros setores do desfile, fazia crer que a escola estava bem abastada.

A comissão de frente tinha 15 mulheres com os seios nus representando Oyá, orixá relacionada à sensualidade e à valentia, e veio sucedida por um grandioso abre-alas em dourado, que espirrava água numa destaque que simbolizava Oxum, outro orixá muito presente na vida da artista.

mangueira2016aA parte musical teve num dos elementos o “Carcará”, um dos primeiros sucessos de Bethânia. Agradou muito também a alegoria “Abelha Rainha”, na qual a coloração pendia para o amarelo, com muito brilho e iluminação, e diversos artistas desfilaram como Caetano Veloso, irmão de Bethânia, Ana Carolina, Zélia Duncan, Regina Casé e Lúcia Veríssimo.

Houve um momento de tensão no desfile verde e rosa, quando o quinto carro, que representava “Bethânia em Cena” no Teatro Opinião, passou apagado em parte da pista. Restava saber se isso aconteceu no campo de visão dos jurados e prejudicaria a Mangueira na apuração.

Emocionada, Bethânia desfilou ao lado de duas afilhadas na última alegoria, que era o céu de lona verde e rosa pela canção “Circo”. Esse elemento, como o nome dizia, utilizou mais as cores da Mangueira do que no restante do desfile. Mas a divisão cromática proposta por Leandro Vieira deu muito certo, pois ele pontuou o verde e o rosa da escola – e suas nuances – ao longo das alas e alegorias.

mangueira2016kNos quesitos de pista, um dos destaques do desfile foi a porta-bandeira Squel, esposa de Leandro Vieira. Além da grande atuação ao lado do mestre-sala Raphael, ela usou uma touca de látex que dava a nítida impressão que ela estava careca para representar uma yaô, filha de santo. Além disso, o figurino era extraordinário.

Mesmo com mais de 4 mil componentes, a Mangueira desta vez não teve problemas no quesito Evolução, e as alas comerciais, que no começo do desfile cantaram de forma mais tímida, cresceram do meio para fim da pista.

O samba-enredo era de excelente qualidade e funcionou muito bem para o desfile, que já começou bom, mas foi conquistando o público aos poucos e proporcionou um final maravilhoso, com a Apoteose gritando “é campeã” e muitos invadindo a pista no arrastão da alegria.

REPERCUSSÃO E APURAÇÃO

A Mangueira foi a escola agraciada com o Estandarte de Ouro de Melhor Escola pelo jornal “O Globo”. Mas o ligeiro favoritismo ao campeonato a meu ver era da Portela por ter sido a escola que mais mexeu com o público. Apesar dos pequenos problemas que teve, o Salgueiro também era considerado candidato ao título, assim como a própria Mangueira. Beija-Flor e Unidos da Tijuca apenas corriam por fora.

O Salgueiro foi o único a tirar apenas notas 10 nos primeiros três quesitos (Samba-Enredo, Enredo e Comissão de Frente). Portela e Mangueira perderam 0,2 cada. Em Fantasias, a Vermelho e Branco perdeu 0,2 e as duas concorrentes somaram os 30 pontos válidos. Mas a Tijuca, que também só tinha perdido 0,2 até então, era a líder da apuração, superando no desempate as três favoritas.

Mangueira e Salgueiro deixaram Tijuca e Portela para trás no quinto quesito (Mestre-Sala e Porta-Bandeira), mas a Verde e Rosa era a líder pois ela havia sido a última a perder décimos na ordem da apuração. Madrinha e afilhada continuaram tendo pontuação máxima nos três quesitos seguintes.

As últimas notas lidas foram as de Alegorias e Adereços, e o abre-alas apagado do Salgueiro acabou pesando contra a escola da Tijuca, que caiu para a quarta posição, atrás de Tijuca e Portela, que somaram 30 pontos. A Mangueira também somou a pontuação total do quesito e se sagrou campeã com apenas 0,1 de frente para Tijuca e Portela. Também voltariam no sábado das campeãs Beija-Flor e Imperatriz.

Na parte de baixo da tabela, a Estácio de Sá foi irremediavelmente mandada de volta para a Série A, mesmo com as irregulares apresentações de Mocidade, União da Ilha e Grande Rio.

“Esse título significa o resgate da missão mangueirense, do povo do morro da Mangueira, e dos mestres que fizeram a história dessa escola”, disse o presidente Francisco de Carvalho, o Chiquinho.

Se por um lado a vitória mangueirense foi surpreendente pelo fato de a escola ter ficado em décimo lugar em 2015, por outro, o resgate da Verde e Rosa como escola capaz de brigar nas primeiras posições acabou arrefecendo eventuais reclamações das adversárias. Diretor de Harmonia do Salgueiro, Siro de Cavalho lamentou a derrota da escola pelos problemas técnicos no abre-alas. Segundo ele, o gerador da alegoria foi testado inúmeras vezes:

“A gente sabia que a disputa seria muito grande. O que me conforta é o que o componente fez seu papel. A máquina é que nos derrotou. O abre-alas entrou na Avenida aceso. Fizemos vários testes no barracão, deixando o equipamento ligado até três horas direto. Mas a cinco metros da primeira cabine do jurados, ele apagou por causa de um curto-circuito. Talvez possa ter dado problema durante o deslocamento, com algum solavanco.”

Quem reclamou da derrota do Salgueiro foi Viviane Araújo.

“Fala sério… Gente, carnaval é isso aí. Houve outras escolas com carro apagado. Só o nosso que não foi bonito?”, protestou.

No entanto, dois dias depois da apuração, haveria muito mais chiadeira depois que uma bomba explodiu: o diretor de Carnaval da Beija-Flor, Laíla, denunciou uma suposta armação para favorecer a Unidos da Tijuca contra Salgueiro, Imperatriz e a própria escola de Nilópolis. Segundo ele, um áudio no qual o jurado Fabiano Rocha, afastado pouco antes dos desfiles, admite a manipulação parou nas mãos da Beija-Flor:

“Teve uma nota 9,9 que a pessoa que julga há não sei quantos anos sempre nos deu dez, que foi o Claudio Mateus, ele deve ter a justificativa dele plausível para a nota. Os outros que entraram novos, a gente sabia que ia acontecer isso, tanto é que teve essa sujeira do cara que esconderam (jurado que não julgou), a sujeira que ele tinha, porque teve a gravação que veio parar em minhas mãos dele falando para determinadas pessoas que as escolas que ele iria pegar seriam a Beija Flor, Imperatriz e Salgueiro, na certa insinuando outras coisas, isso foi levado ao Jorginho (Castanheira, presidente da Liga), que escondeu, mas foi realidade. Graças a Deus a Mangueira apareceu, porque senão a campeã seria a Tijuca, você pode ter certeza disso.”

O problema é que no áudio do jurado Fabiano Rocha, na lista de escolas que seriam prejudicadas estava a própria Unidos da Tijuca, e não a Imperatriz como Laíla havia denunciado. Presidente da Liesa, Jorge Castanheira criticou as declarações de Laíla e pediu punições ao diretor de Carnaval da Beija-Flor.

Laíla prestou depoimento na Delegacia Fazendária da Polícia Civil e disse que seu desejo é “colaborar para salvar as escolas de samba”. Nenhuma punição foi anunciada e ficaram elas por elas…

RESULTADO FINAL

POS. ESCOLA PONTOS
Estação Primeira de Mangueira 269,8
Unidos da Tijuca 269,7
Portela 269,7
Acadêmicos do Salgueiro 269,5
Beija-Flor de Nilópolis 269,3
Imperatriz Leopoldinense 269,2
Acadêmicos do Grande Rio 268,7
Unidos de Vila Isabel 267,9
São Clemente 267,8
10º Mocidade Independente de Padre Miguel 266,5
11º União da Ilha do Governador 265,8
12º Estácio de Sá 265 (rebaixada)

 

tuiuti2016aNa Série A, um desfile muito equilibrado credenciou Império Serrano, Paraíso do Tuiuti, Unidos de Padre Miguel e Unidos do Viradouro à briga pelo acesso ao Grupo Especial. No entanto, a palavra acirrada não pode ser usada para descrever a apuração.

Isso porque o Tuiuti venceu com 0,7 ponto de vantagem sobre a Unidos de Padre Miguel e 1,6 de frente para Viradouro e Império. Apesar de o Tuiuti ter feito um belo desfile, houve pequenos problemas que poderiam ter resultado numa perda de pontos maior. Como isso não aconteceu, dirigentes de outras agremiações deixaram a Apoteose com a apuração em andamento, já que na pista o que se viu foi um nivelamento entre as postulantes ao título.

De qualquer forma, a escola de São Cristóvão apresentou muito bem o enredo “A Farra do Boi”, sobre o famoso “causo” do boi que virou santo depois de ser dado de presente ao Padre Cícero. O conjunto visual desenvolvido por Jack Vasconcelos agradou, mas alegorias passaram apagadas – e a Harmonia da escola esteve distante de seus melhores dias.

Já o Império Serrano também fez um bonito desfile na homenagem a Silas de Oliveira, e outra vez a Unidos de Padre Miguel fez uma criativa apresentação com o enredo “O Quinto dos Infernos”. A Viradouro apresentou o melhor samba do ano, e o enredo “O Alabê de Jerusalém” foi bem desenvolvido por Max Lopes.

Infelizmente a Caprichosos de Pilares fez um desfile absolutamente despropositado. O enredo que falava dos estrangeiros que deram certo no Brasil tendo como fio condutor o ex-jogador Petkovic já causou estranheza. O samba também não era dos melhores. E por fim, diversas alas faltaram ou se apresentaram descompostas. Como desgraça pouca é bobagem, a escola estourou o tempo regulamentar. A queda em último lugar foi inevitável.

Subiu da Série B a Acadêmicos do Sossego, enquanto a campeã do Grupo C foi a Vizinha Faladeira, a Flor da Mina do Andaraí faturou o Grupo D, e a estreante Nação Insulana, que tem como um de seus mentores o nosso colunista Aloisio Villar, levou o título no Grupo E.

CURIOSIDADES

– Com seu 19º campeonato, a Mangueira não só ficou a apenas duas conquistas de empatar com a Portela como a maior campeã do carnaval carioca, como se tornou a única agremiação com títulos em todas as décadas desde o começo dos desfiles oficiais: 30 (1932, 1933, 1934 e 1940), 40 (1949 e 1950), 50 (1954 e 1960), 60 (1961, 1967 e 1968), 70 (1973), 80 (1984, 1984 supercampeonato, 1986 e 1987), 90 (1998), 2000 (2002) e 2010 (2016). Em 2017, a Portela abriria três títulos de vantagem.

– Após a conquista da Mangueira, o cantor Ciganerey deu entrevista ao repórter Caio Barbosa, de “O Dia” e revelou que ainda no enterro de Luizito um outro intérprete não estava nada preocupado com o que estava acontecendo ali, mas sim com a vaga na Mangueira: “O que tem de carcará não está no gibi. No enterro do Luizito, a gente estava velando o amigo, pô, e chegou um puxador que todo mundo sabe quem é, nem cumprimentou ninguém, não foi no caixão, só queria saber do Chiquinho. Ficou todo mundo olhando.” Quem seria o carcará?

20160207_013903– O cantor Leandro Santos era o intérprete oficial da Estácio de Sá ao lado do veterano Dominguinhos, mas os dois foram dispensados para dar lugar a Wander Pires, com o samba já escolhido. Leandro acertou com a Paraíso do Tuiuti para ser o puxador oficial e ainda com a Mangueira para atuar como apoio de Ciganerey. Com isso, o cantor acabou conquistando dois campeonatos no mesmo ano. Ainda deu uma ‘palhinha’ na frisa do editor chefe (foto), durante o desfile do Acesso.

– Já Wander Pires acabou rebaixado com a Estácio e logo depois foi anunciado pela Mocidade Independente de Padre Miguel. Seria a quinta passagem do cantor pela Verde e Branco como voz principal (as outras foram de 1994 a 1999, 2002, 2006 e 2009).

– A cantora Cláudia Leitte anunciou após o Carnaval que não seria mais a rainha de bateria da Mocidade. Logo depois, a escola tentou colocar a funkeira Anitta como nova rainha, mas as inúmeras exigências feitas por ela não agradaram à direção da escola. Por fim, circulou na mídia a informação de que a Verde e Branco teria chegado a um acordo com a atriz Deborah Secco. A escola desmentiu a informação.

– Ainda falando em Mocidade, a gloriosa escola de Padre Miguel chegou ao seu vigésimo desfile sem título e ao 13º carnaval consecutivo sem conseguir sequer uma vaga no sábado das Campeãs. Desde a quinta posição em 2003, a escola chegou três vezes em sétimo (2010, 2011 e 2015), duas em oitavo (2004 e 2008), três em nono (2005, 2012 e 2014), duas em décimo (2006 e 2016) e três em 11º lugar (2007, 2009 e 2013). Mas em 2017, a Estrela-Guia lavaria a alma de seus torcedores com um enredo sobre Marrocos e, após ter ficado com o vice-campeonato na apuração, a escola foi declarada campeã com a Portela após equívoco de um jurado que despontuou a Verde e Branco.

– Pelo segundo ano consecutivo, a TV Globo deixou de transmitir ao vivo a primeira escola de cada dia (Estácio de Sá e Vila Isabel) e apenas exibiu um compacto delas após os últimos desfiles. As primeiras exibições só passaram ao vivo no portal G1 e uma situação embaraçosa no desfile da Vila mostrou que até mesmo entre os narradores, esse esquema tem problemas. Quem via o desfile pelo G1 percebeu que os apresentadores pararam de falar para que se fizesse a manobra de entrada da transmissão da TV. Mas houve indecisão sobre como a transmissão deveria ser conduzida a partir dali e esse áudio vazou: “Faltam duas alegorias. Isso não vai ser narrado pra Globo? Pro compacto?”, perguntou Luiz Roberto. Aparentemente, o controle da transmissão respondeu “não”, e Fátima emendou: “Nossa, se o compacto ficar sem esse final vai ficar muito estranho, gente.” Luis insistiu: “Vamos repassar essa ideia, não tô entendendo.” Fátima voltou a comentar que ficaria estranho começar a transmissão com a Vila ainda na pista: “Mas faltam 20 minutos, a concentração do Salgueiro ainda não tá montada, gente…”.

– Com o tempo de desfile controlado, a Mangueira ainda encerrava sua passagem com a bateria fazendo uma exibição para o público da Apoteose, quando a transmissão da Globo já fazia entrevistas com os principais personagens do desfile. Foi quando Tiago Leifert entrou em pânico ao ver muita gente desfilando atrás da bateria dizendo que ainda tinha muita escola para passar em poucos minutos. Era na verdade o povão no arrastão da alegria…

– Paulo Barros não gostou nada nada de críticas que recebeu após o desfile da Portela e usou as redes sociais para responder de forma agressiva. A Milton Cunha, que comentou os desfiles pela Globo e criticou o fato de o abre-alas ter jogado água na pista e atrapalhado o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Barros escreveu: “Se limite a comentar sobre tons de plumas, faisões de um metro, paetês, brilhos e outras frescuras (…) fique quietinho num canto quando fora falar sobre a execução de processo de criação de alegoria. Fique tranquilo porque a culpa não é sua. A culpa é da Globo que entrega o microfone para qualquer um comentar”. À Rádio Globo, Milton respondeu: “A bicha que só entende de plumas não é menor que quem entende de projetos de alegoria”. Ao rebater colocações dos jornalistas Fábio Fabato e Rachel Valença sobre a fantasia das baianas, o carnavalesco foi ainda mais longe e os insultou: “Quer dizer que tinha ‘comentarista’ nas Campeãs falando que a ala das baianas não traduzia o Túnel do Tempo? Se alguém descobrir os nomes dos recalcados e invejosos poderiam me passar os nomes? Adoro dar nome aos bois, isto é, as antas (sic) Há uma grande diferença entre NÃO GOSTAR e DIZER QUE ESTAVA ERRADO. Fica claro que é pessoal! Se duvidar, não sabem nem onde fica a Cidade do Samba!”

CANTINHO DO EDITOR (por Pedro Migão)

O enredo da Portela sofreu alguma indefinição até ser finalmente anunciado. Pelo menos outros quatro enredos foram cogitados e descartados antes da definição – inclusive um sobre água. Ao contrário do que muita gente imagina, foi um carnaval mais barato que o ano anterior.

Desfilei solto, com roupa de Diretoria, acompanhando o terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola. Aliás, quase não desfilei nas Campeãs, porque contraí uma virose e somente fui liberado pelo médico para desfilar às cinco da tarde do sábado.

20160209_011730Uma curiosidade é que o tripé da comissão de frente nada mais era que um caminhão coberto com a decoração – foto ao lado, feita na concentração. Algo importante é que finalmente a Portela conseguiu fazer um bom desfile vindo da concentração do Balança.

Também desfilei no Império Serrano, fazendo harmonia de ala. E confesso que foi estranho ver a Renascer das frisas após ter desfilado em quatro dos últimos cinco anos.

Aliás, quando passei desfilando pelo Império Serrano no quarto módulo de jurados, havia pelo quatro destes de costas para o desfile, totalmente alheios ao que acontecia.

Carta CaprichososO desfile da Caprichosos foi envolto em polêmica desde antes da escola do enredo. A escola vinha encalacrada numa briga política e acusação de desvios de verba por parte de seu presidente, conforme panfleto apócrifo que circulou pela quadra cerca de um mês antes do Carnaval – e que reproduzo ao lado. Clique para ampliar.

Aliás, o presidente da escola vendeu um monte de camisas de diretoria na ânsia de conseguir algum dinheiro para terminar o carnaval. Alas não entraram por falta de fantasias e outras estavam incompletas, mas camisa de diretoria não faltou. Ainda assim o puxador no grito de guerra pediu que a escola fosse julgada “pela sua história”…

Quando a Unidos de Padre Miguel chegou com sua comissão de frente à dispersão, o portão de fechamento, que deveria estar aberto, estava fechado e trancado. Integrantes da própria escola fizeram a abertura para que o desfile passasse.

Um dos carros da União do Parque Curicica teve problemas no traslado até a Sapucaí e não desfilou. Além disso, o carro parado no trajeto e sua posterior remoção deram um nó no trânsito no sábado de Carnaval.

O então puxador da Alegria da Zona Sul (substituído após o carnaval) me ameaçou de agressão em uma rede social após eu ter escrito que o considerava “limitado”. Não deu em nada, claro.

A Cubango originalmente iria homenagear o palhaço Carequinha, mas a Porto da Pedra se antecipou e divulgou como seu enredo – com direito a assessora de imprensa “fake” divulgando uma sinopse incorreta.

A Renascer de Jacarepaguá jogou balas e algodão doce para o público. Só que as pessoas se decepcionaram ao abrir o algodão doce e verem que não era bem isso, e sim espuma à guisa de algodão doce. Tinha muita gente chateada nas frisas depois disso.

20160208_033035O ano de 2016 marcou também a volta do nu às escolas, especialmente o feminino. Diversas escolas trouxeram mulheres de seios nus, ao contrário do que se observou nos anos anteriores.

A Mocidade Independente em sua comissão de frente generalizou e colocou como corruptos todos os empregados do Sistema Petrobras, ao colocar um componente com um macacão estilizado da empresa dentro de uma cela. Deixo aqui registrado o meu protesto.

Por falar em coisas correlatas, o pai do jogador Neymar, que veio em um dos carros da Grande Rio como destaque, foi saudado por populares com aquele gesto clássico do polegar girando sobre a palma da mão – em alusão óbvia ao processo por sonegação fiscal e evasão de divisas a que ele e o jogador respondiam.

A Grande Rio, aliás, trazia propaganda da Cia Docas de Santos em seu abre alas. Por falar em merchandising, chamou a atenção no desfile da Unidos da Tijuca a louvação ao uso de agrotóxicos em diversas alas e em alegorias.

Chamou também a atenção no Desfile das Campeãs o mar de penetras e bicões no Setor 1. O que tinha de gente com credencial de “Poder Judiciário”, então, era uma festa…

Links

O desfile campeão da Estação Primeira de Mangueira

A grande apresentação da Portela

A bela exibição do Salgueiro

46 Replies to “2016: Menina de Oyá emociona e abre os caminhos para a Mangueira ganhar”

  1. Bom dia!

    Prezado Fred Sabino:

    Enfim termina-se mais um ciclo.
    Foram ótimas lembranças e aprendizados.
    Fico me perguntando se a “Bodas de Prata” terá também direito à sua “versão revisada”. (Pode ser, Migão?)

    O ano de 2015 mostrou-se preocupante nos aspectos econômicos. Como forma de economizar, poupando para dias difíceis que ainda podem chegar, cortei meu orçamento carnavalesco em mais da metade, o que implicou em não ir à São Paulo ver a sexta e o sábado no Anhembi (Como vinha fazendo desde 2011), e voltar à arquibancada no Grupo Especial (Setor 6) nos dois dias, em vez de frisas.

    Resumindo: vi a Série A nas frisas dos Setores 3 (Sexta) e 11 (Sábado); o Especial na arquibancada do Setor 6, e na terça-feira ainda fui ver a Série B na Intendente Magalhães.

    Apesar do percalço financeiro, devo dizer que em 2016 eu fiz as pazes com o carnaval.
    Nos últimos anos eu estava assistindo aos desfiles “no automático”.
    Eis que num ano “apertado”, tudo foi melhor do que no período “de conforto”.
    Devo isso ao samba. Sim, o samba venceu!

    Para fechar, comentários sobre poucas Escolas.

    GRUPO ESPECIAL

    – Chico Spinoza e equipe apresentaram interessante proposta nas alegorias 3 e 4 da Estácio, separadas por uma única ala que interagia com as duas. Carnavalescos, diretores e interessados, vejam que coisa bonita, e tentem apresentar o desfile de maneira menos lógica, por favor!

    – Apesar do comentado excesso de dourado da Beija-Flor, pessoalmente acho que a Escola acertou a mão na divisão cromática. A mudança dourado-vermelho-azul (Com um verde bem mal resolvido no meio…) foi muito agradável aos olhos. Que início opulento! Destaque também para as fantasias mais enxutas, leves e de extremo bom gosto.

    – A Grande Rio foi a Escola que mais rapidamente chegou com sua Comissão de Frente à dispersão, antes dos 40 min de desfile.

    – A Tijuca teve a evolução mais “régua-e-compasso” do Especial. As alas eram impecavelmente quadradas, e não houve qualquer descompasso no andamento da Escola. Lamento o uso de impressões do tipo plotter no carro da colheitadeira. Desnecessária a impressão dos grãos de milho.

    – Corrigindo o texto deste post (Posso?), o abre-alas do Salgueiro passou apagado na parte traseira, que representava o Theatro Municipal. Os leds do chafariz não tiveram problemas. Aliás, Renato, Márcia e equipe apresentaram outra proposta, a de alegorias mais horizontais, como palcos. Particularmente não gostei, principalmente porque em 2002 Renato havia feito picadeiros em todos os carros da Mocidade, e foram fantásticos. Para 2016 os palcos “não funcionaram”.

    – Portela foi um show de ponta a ponta, e mostra como o povo parece que não sabe o que quer. Criticam-se as Escolas a torto e a direito por faltar emoção. Os caras fazem a platéia vibrar, e são acusados de tornar a Sapucaí uma Las Vegas… Qual foi? Mais ainda, a Escola gigante passou quase no tempo mínimo! Parabéns, diretores (Calando a boca de quem reclama que 82 min é pouco)!

    – Um “erro” da São Clemente foi o casal de MS-PB à frente da bateria. A evolução da escola, que já estava confusa, ficou pior por conta das apresentações deles.

    – Imperatriz errando mais uma vez onde um dia ela mais acertou: acabamento, cores, estética. Várias alas se resumiam a botas e chapéus com algum adereço que remetia à idéia pretendida. Luzes desnecessárias em cores destoantes com o conjunto, e pintura duvidosa… Nada que eu já não tenha reclamado em quase todos os outros posts anteriores durante a “gestão Cahê Rodrigues”. A Comissão de Frente de Débora Colker, que já havia emocionado com “Capitães da Areia” (2012) e “Nasce um craque” (2014), mais parecia uma ala de passo marcado. Para completar, o samba morreu, muito pelo próprio sistema de som da Sapucaí, que não estava ligado na sua passagem com a sanfona, prejudicando sua arrancada. A Escola perdeu em emoção.

    – Infelizmente demorei muito tempo para descer ao final da Mangueira, e não participei do arrastão…

    SÉRIE A

    – Não houve nos cinco dias em que vi desfiles uma arrancada como a da Viradouro. Um bom samba num bom momento da mesa de som podem decidir um desfile. Mesmo assim, houve problemas no ajuste da voz de Zé Paulo Sierra, que parecia sumir várias vezes.

    – O enredo da Tuiuti é uma verdadeira Prestação de Contas com a nossa cultura.

    – Preocupei-me com o Império Serrano quando a terceira alegoria passou fazendo vento (De tão rápida) pelos Setores 10 e 11.

    SÉRIE B

    – Alguém me explica o intervalo de mais de 30 min entre uma Escola e outra?

    Agora é meio de ano. Parado?
    Nada disso!
    Parintins está aí! Boi Garantido com uma trilha sonora arrebatadora, e o destino do Festival incerto…

    Atenciosamente
    Fellipe Barroso

    1. Fellipe, sobre a Tuiuti, parabéns pelo comentário. Tambem considero importante os enredos históricos e culturais. Chega de homenager jogador, enredo CEP, viagens imaginárias, Egito, Grécia…

      Cultura nacional. São mais de 500 anos de idade para um país extremamente miscigenado e sincretizado.

      Valeu!

    2. Como também estava no Setor 11 na Série A, subscrevo o relato sobre o Império Serrano. Aliás, a escola teve alguns problemas de evolução na área da pista. E o enredo do Tuiuti, além de tudo, de muito fácil leitura.

  2. Finalmente 2016!

    O ano que seria o ano da crise, que por fim não houve tanta crise assim. Pois as escola, mesmo sem a “grandeza” usual, se apresentaram de forma criativa e luxuosa. Evidentemente analiso com os olhos de quem assistiu e não dos diretores que tiveram que “sambar” para pôr as contas em dia (e houve quem não conseguiu).

    Mas vamos as ponderações:

    Estácio

    Com a sina de vir do Grupo A (sobe/desce) a escola apresentou um desfile agradável e coerente com as condições da escola. Gostei da Comissão de Frente, com o elemento marionete do cavalo. O samba também agradou, apesar da má apresentação do Wander, que por vezes teve sua voz abafada. Ao meu ver não merecia cair.

    Ilha

    Irreconhecível. Um ano que o samba não agradou (Ito tirou leite de pedra), a plástica não estava tão boa e a escola passou morna. Boa sacada da Comissão com os cadeirantes e só. Na minha opinião cairia.

    Beija-Flor

    “Beija-Ouro”. Abusou do dourado nos primeiros setores, cansou com a monocromia mas conseguiu se salvar no final. Bom samba e bateria agradável de se ouvir. Veio forte como sempre graças a maravilhosa comunidade que canta e evolui perfeitamente.

    Grande-Rio

    Dinheiro não é tudo. A injeção de grana que a cidade de Santos deu não serviu para salvar um desfile que foi pautado pelas menções ao Pelé e Neymar. Sinceramente a cidade de Santos merecia mais. Ainda bem que não se repetiu no sábado.

    Mocidade

    Enredo alterado no meio do ano e mesmo assim não houve melhora significativa. Ligar um personagem literário famoso e de uma época tão diferente da nossa, é bem complicado. Samba médio e arrastado. Gostei da crítica feita pela Comissão aos PeTralhas e o assalto que fazem na Petrobrás.

    Tijuca

    O melhor desfile do domingo. Samba leve e bem conduzido. Comissão competente e uma boa divisão do desfile, sem a necessidade de explicar cada fantasia ou alegoria. Merecido o vice-campeonato.

    Vila Isabel

    Apesar de prejudicada pela péssima transmissão da Globo, foi muito bom o desfile da Vila. Apesar de eu não gostar de homenagens a políticos (pois considero tendenciosa), na parte técnica a escola veio correta; Destaque para Igor Sorriso e a equipe de canto.

    Salgueiro

    Entrou como favorita e saiu como divididora de opiniões. Uns gostaram, outros não. Particularmente gostei do desfile. Não acho que caiu a qualidade devido ao “apagamento”. Destaco a harmonia que levou muito bem a apresentação.

    São Clemente

    Rosa Magalhães é uma artista ímpar. Desfile com a cara da São Clemente, leve e descontraído. Definitivamente a escola se gabarita como escola de Grupo Especial. Ponto para as belas alegorias, principalmente o abre-alas.

    Portela

    Paulo Barros respeitou a tradição da escola e conseguiu imprimir sua marca. Acho que essa parceria vai longe e ainda pode gerar frutos. A Comissão não foi bem explorada com o embate entre os elementos. Fantasias bem acabadas e time de canto majestosa. Merecida posição, mas poderia vir o título que seria normal.

    Imperatriz

    Se no pré-carnaval torci o nariz para o enredo, na prática ele funcionou bem. Considero Cahê Rodrigues um ótimo carnavalesco e ele mostrou talento para compor a “cara” sertaneja da dupla. Samba bem conduzido e bateria fantástica. Merecida posição e volta nas campeãs.

    Mangueira

    Fechou com chave de ouro e mostrou como fazer um carnaval. Simples no sentido de coerência nas alegorias e fantasias, mas com luxo e emoção. Outras escolas poderiam ganhar este carnaval, mas a Mangueira entrou com o recado de que quem quisesse teria que ganhar dela.

    Abraços!

    1. Prezado Ladislau Almeida:

      Defendo a idéia de que os desfiles não aparentaram a crise porque foram confeccionados num período em que seus efeitos não foram de fato sentido pelas Escolas.

      A meu ver, a história se repete como em 2008: muita gente achou o carnaval de 2009 ruim, mas sinceramente foi em 2011 que a coisa ficou feia (Até comentei sobre isso no post sobre o carnaval de 2011).
      Falou-se em crise durante o ano de 2015, mas pode ser que tudo se complique mesmo para 2017, principalmente após os Jogos Olímpicos. Vai a festa, fica a ressaca (E as dívidas…).
      Um “termômetro” do carnaval é o Festival de Parintins. Se os Bois não vão bem em Julho, provavelmente as Escolas não irão bem no início do ano seguinte (Fenômeno que aconteceu em 2010/2011).
      Vamos aguardar.
      A torcida é sempre para que tudo se ajeite.

      No mais, além dos problemas no carro de som da Estácio, o Wander parecia estar rouco, provavelmente pela atuação no Vai-Vai em Sampa.

      Atenciosamente
      Fellipe Barroso

      1. Bons esclarecimentos Fellipe. E nas campeãs de São Paulo ele também estava rouco e mesmo assim insistia nos gritos. Talvez seja a hora dele priorizar…

  3. E enfim chegamos a 2016!

    Desfile emocionante da Mangueira! Título justo! Mas a Portela fez um desfile maravilhoso! Se não fosse a água…

    Salgueiro pagou caro por se tachado como a grande favorita! Apesar de ter feito um ótimo desfile também.

    Sendo bem sincero, Grande Rio fez um desfile chato pra caralho! Enredo confuso que só falava de futebol, samba se arrastou… ainda bem que não voltou no sábado, mas o 7° lugar ficou barato!

    O desfile da Mocidade foi até simpático, mas aquele carro do Perlingeiro foi de doer nos olhos…

    Quem devia ter caído era a Ilha, desfile da Estácio foi bem superior – apesar dos cantores de apoio terem engolido a voz do Wander, aliás, a escola pagou caro pela escolha que fez.

    Que vergonha foi a Série A! Era pra ficar entre UPM, Serrinha e Viradouro (aonde desfilei de novo) com a Tuiuti correndo por fora. Mas, corre na boca pequena que desde a véspera do desfile já se sabia quem seria a campeã, chegaram a dizer que seria com 10 em tudo! Queria acreditar que era mentira, mas no Acesso já vi vaca (e boi) voar…

    Só pra constar e antes que digam que é choro de perdedor: Tuiuti fez um desfile correto, porém faltou algo mais para campeonato.

    A nota triste foi a queda da Caprichosos, que em nada lembrava aquela Caprichosos de outrora. A briga política interferiu bastante no desfile – e não foi a primeira vez…

    Subida da Sossego lavou a alma de Niterói – embora, dizem as más línguas que teve um pouco de Tuiuti nessa história.

    Redenção da Vizinha Faladeira, que quase virou bloco… quase… e a Nação Insulana chegou com tudo! Bem feito para a “diretoria” do Boi…

    A história do “Carcará” mencionado pelo Ciganerey certo colunista do OT me contou. E todos sabemos quem é o intérprete!

    Não estranharia se no prêmio do SRZD o Tiganá soltasse um “Chupa Migão” afinal, ele é limitado mesmo… rs

    A Transmissão da Globo foi uma porcaria! Até os apresentadores reconheceram isso…

    Conhecemos enfim o ego do Paulo Barros. Ele é um baita carnavalesco, mas é uma criança!

    A se destacar a boa transmissão da TV Brasil no desfile das campeãs.

    As justificativas do Grupo Especial (algumas) foram estranhas, com direito a “Muito vermelho e branco” e “excesso de entusiasmo”. As da Série A então dá vontade de vomitar

    Bethânia valorizou o samba da Mangueira como ninguém! Vez ou outra cantava o refrão no seu show. Coisa que o Roberto Carlos não fez…

    Por fim, 2016 nos proporcionou o renascimento das duas maiores campeãs do carnaval. Mas é melhor a águia abrir o olho porque já está vendo a Mangueira (entrando) no retrovisor!

    E que venha 2017!

    E acabou o Histórias do Sambódromo! (Plateia: aaaaaaaaaaahhhhhh) Infelizmente tudo que é bom tem um fim, muito bom ver a Trinta Atos repaginada. Acrescentou ainda mais o meu conhecimento sobre a maior festa popular do planeta! Acompanhei assiduamente o TA (ou parte dele) e dessa vez acompanhei todo o HDS. Além do mais, conheci um pessoal novo, como o Ladslau, o Felipe Barroso, o Luciano, entre outros (O Rodrigo Vilela eu já conhecia, muito pelo excelente trabalho na rádio Show do Esporte). No mais, é gratificante ver esses belos textos ganhando um requinte especial. Valeu Fred! Valeu Migão!

    (P.S. Fred, já te avisei faz uns 2 anos, faz dessa série um livro! rs)

    1. Prezado Carlos Alberto:

      Em relação ao título da Tuiuti, fico com a questão já mencionada outras vezes neste site, ou seja, qualquer uma das quatro primeiras poderia ter subido ao Especial, mas a diferença entre a campeã e as restantes é o ponto-chave para se falar em má avaliação.

      Todas as 4 primeiras erraram em pontos diferentes. A decisão seria um somatório de descontos. Dito e feito!

      Aproveito para engrossar o coro dos que pedem que esta coluna se transforme em livro.
      Já pensando num projeto que vai acontecer, pode-se “amadurecê-lo”, no intuito de pegar uma “data redonda” do sambódromo (35 anos, 40 anos…). Ok, isto demora, mas fica bonito !

      Atenciosamente
      Fellipe Barroso

    2. Eu suspeito de quem seja o intérprete que queria a vaga na Mangueira!!

      Sobre o Tiganá, não o acho limitado. A meu ver, ele só precisaria descer um pouco do salto, aí sim.

      Depois entro em detalhes sobre 2016. Mas era pra Tradição ter subido, mas como esta não apoiou a Liesb…

    3. Aliás, vou defender o Roberto Carlos (mesmo sem merecer): ele nunca gostou do samba vencedor, ele queria o que foi composto pelo Erasmo – tentou até reverte-lo na disputa; o Neguinho disse que não puxaria outro samba se não fosse o que, no fim, acabou vencendo.

      Óbvio que ele nunca iria apoiar o samba vencedor.

  4. “Eu nunca vi a Portela tão linda!” – disse minha mãe.

    A Águia ressurgiu como uma fênix nos últimos anos. Este desfile foi o ápice deste momento. Eu acreditei que fosse ser dessa vez o fim do jejum, uma pena que não, apesar de que a Mangueira mereceu vencer. Ponto alto do desfile foi a velha guarda num Concord, mostrando o casamento com Paulo Barros dará bons frutos no futuro.

    Sobre o Paulo, ele deveria procurar um terapeuta para controle da raiva. E também aprender a receber críticas. Não foram apenas Fabato e Rachel que acharam aquilo do Túnel do Tempo, o público também. Este concordou com o que Milton Cunha disse.

    Mangueira deu flor e frutos bem pesados e saborosos. Espero que não venha modesta ano que vem, visto que ainda tem a dívida enorme pra sanar.

    Beija-Flor foi canetada por erros históricos acerca do barroco. Justo. Dourado demais cansa, apesar do luxo tradicional. A comissão errou um pouco na mão desta vez e deveria reconhecer seu erro. Infelizmente, a escola ainda não aprendeu a perder.

    Se Laíla disse a verdade, ou parte dela, isso tem que ser apurado. Se somente ele for punido ficará parecendo que é um bode expiatório.

    Sobre a Grande Rio, transcrevo o que disse o jurado de enredo Marcelo Figueira: “Restou-me dúvidas se o enredo pretendia contar a história da cidade de Santos ou falar do Santos FC.” O sétimo ainda saiu barato para aquela coisa confusa. E tende a piorar, já que ano que vem teremos Ivete Sangalo.

    Mocidade poderia ter fingido que o carro do Perlingeiro quebrou. Muito mal-acabado, apesar de todos o aporte que a escola tem em comparação com as outras. Porém, a crítica feita pelo enredo, e aquela comissão de frente que bate na Dilma e nos políticos, foram sacadas bem inteligentes. Disseram que era um enredo de difícil entendimento, mas o povão pareceu entender muito bem.

    São Clemente vinha bem até o buracão. Uma pena. A escola está dando passos de formiga e pouco a pouco se firmando no Especial. Belo conjunto alegórico, apesar de menor em comparação aos outros (o que é bom).

    Depois de ver a tristeza que foi a Ilha, acreditei que teríamos o repeteco do Milagre de 2010, dessa vez com a Estácio se salvando. Não foi desfile pra cair. E não é questão de simpatia com quem subiu, mas porque o conjunto da obra foi melhor que Ilha e Mocidade. Mais um rebaixamento injusto pra conta dos jurados.

    Não achei a Tijuca tanta coisa. Achei mais um repeteco da Vila 2013, sem a mesma excelência. Pra mim não seria vice.

    Da Imperatriz, gostei muito das baianas vestidas de girassol. Entretanto, pro final pro desfile o lado cafona do carnavalesco veio à tona. Aquela parte do “É o amor” é muito brega.

    Salgueiro salgueirou como dizem. Perdeu para si, mesmo num ano não tão inspirado do Renato Lage.

    No Acesso A, não foi injusta a vitória da Tuiuti. Mas ela foi menos canetada do que deveria em Harmonia e Alegorias. Das alegorias, um jurados tirou ponto pela falta de iluminação. Esta prejudicou o primeiro carro, mas não o segundo. No segundo (o carro do Milagre), os defeitos de iluminação acabaram dando uma espécie efeito de seca e depois do milagre da chuva, como se fosse uma chuva surgindo do nada, em vez da chuva constante que o carnavalesco imaginou.

    Entretanto, se amaciaram a Tuiuti, pegaram pesado com a Viradouro em alegorias pelos mesmos motivos. Canetaram também o melhor samba do ano (heresia!).

    Um jurado alegou que a divisão de cores de uma alegoria do Império Serrano estava muito monocromática. Eu gostaria de saber onde ele viu isso.

    Enfim, a maioria dos jurados do Acesso A mostrou profundo desconhecimento ou tentou julgar coisas que não competem ao seu quesito. Ler as justificativas deles me provocou risos e pena por suas pobres almas.

    Assim como os responsáveis por “excesso de vermelho e branco” e “excesso de euforia” devem acabar rodando no Especial. Poderiam levar junto os jurados de bateria e parte dos de samba-enredo e fantasias. Beatriz Badejo (Madame Não Empolgou!) e Salete Lisboa devem estar novamente ano que vem, já que não largam o osso.

    Pela primeira vez assisti o Acesso B. O que fizeram com a União de Jacarepaguá foi um absurdo, uma completa vergonha. Lamentei também a queda da Unidos de Lucas e a Em Cima da Hora não ter subido.

    No Acesso E, vi os males da falta de recursos. As escolas desse grupo deveriam ser amparadas. Parabéns pra estreante Nação Insulana, apesar da evolução irregular, e pro Tupy de Brás de Pina. Mas sem dúvida os mais animados eram os componentes da Bohêmios da Cinelândia. Se não desistirem e corrigirem seus percalços, em breve devem subir de grupo.

    E a transmissão de TV foi uma grande porcaria. Os comentaristas novamente foram bem, mas Leifert e Johnson piores do que nunca. Fátima completamente alheia a tudo. E muita babação de ovo, além de entrevistas que invadiam o desfile das outras escolas. O áudio vazado foi o melhor dessa transmissão.

    Em compensação, a equipe do acesso deu um banho na do especial.

    Espero que, ano que vem, o Império consiga o acesso contando sua história e fazendo um desfile apoteótico que faça o público invadir a pista de alegria. E que façam valer a máxima: “imperiano de fé não cansa”. O mesmo vale pra Águia no Especial.

  5. Só uma observação:

    2 Jurados de harmonia canetaram a Alegria da Zona Sul colocando a culpa no Tinganá.

  6. Mais um ótimo texto Fred parabéns. Primeiramente, gostaria de parabenizar você e o Editor-chefe, Pedro Migão, pela série, foi ótimo conhecer detalhes de desfiles que não vi e relembrar outros que me encantaram. Uma pena que poucos se aventuraram a fazer o mesmo com os desfiles pré-sambódromo, bem que vocês poderiam tentar rabiscar alguma coisa… (desculpem a pilha, mas vai que cola?)

    Em relação aos desfiles, repito o que comentei nos textos publicados no pós-carnaval, saí do Sambódromo maravilhado com os desfiles de Salgueiro, Portela e Mangueira (esse um pouco mais, claro). Qualquer uma das três poderia ser campeã que não seria injusto. Portanto, não contesto o título da minha verde e rosa. O Salgueiro apenas deve se preparar para os probleminhas que acabam lhe tirando o título, mas está no caminho certo. Assim como a Portela, o fim do jejum está cada vez mais maduro. E pra quem disse que o estilo “hollywoodiano” (é, tem quem pense isso) de Paulo Barros não combinaria com a Águia, a resposta veio na ovação recebida por ele e pela escola ao final do desfile, com todo o público dos setores 2, 3, 4 e 5 aplaudindo e gritando campeã. Só precisa ter menos ataques de fúria contra críticas, principalmente as coerentes e bem elaboradas.

    Tijuca e Beija-Flor foram bem, para mim viriam logo em seguida, pelos enredos confusos, com Imperatriz ou Vila completando as campeãs. Estácio injustiçada, apesar de, como disse muito bem o historiador Luiz Antonio Simas, ter apresentando um desfile sobre São Jorge “com muita Capadócia e pouco Quintino”. Achei a Ilha também injustiçada. Minha rebaixada seria a Mocidade.

    No Acesso, assim como o Especial em 2011, quatro escolas fizeram os melhores desfiles, Império Serrano (para mim um tantinho assim melhor), Viradouro, Unidos de Padre Miguel e Paraíso do Tuiuti, mas como todas cometeram vários erros, nenhuma sobrou, portanto, qualquer uma das quatro poderia vencer, só se tinha certeza que seria uma apuração apertadíssima. E não foi… Aí não dá pra falar mais nada…

    Quanto a polêmica do áudio, melhor escrever no comentário seguinte…

  7. Continuando o comentário, a polêmica do aúdio: acho muito estranho, pra dizer o mínimo, o fato do Laíla só fazer a denúncia após o Carnaval. Afinal, se recebeu antes, se tinha tanta certeza que o resultado final seria manipulado pela Tijuca, por que não foi a público antes, ao invés de só entregar o áudio para o presidente da Liesa? Sem contar que não consigo compreender como o Carnaval decidido por um júri manipulado para favorecer a Tijuca não terminaria com esta campeã? Se já estava acertado, então a escola seria campeã doa a quem doer, e não a Mangueira…

    Acho que tudo não passa de disputa de influência política nos bastidores da Liesa mesmo. Tanto que o Laíla trocou o nome da Tijuca, que no áudio também seria descontada, pelo da Imperatriz. Quero deixar bem claro que não acredito em manipulação de resultados, comparo a situação do carnaval como um jogo de futebol entre Brasil x Jamaica, por exemplo. Na grande maioria dos casos, um juiz mais preocupado com os rumos da sua carreira do que com o esporte em si, vai ter muito mais tendência a marcar um pênalti a favor do Brasil, seleção mais famosa, pentacampeã, forte nos bastidores (pelo menos na era Havelange/Teixeira) do que para a Jamaica, humilde e seleção do Caribe, periferia do futebol mundial… Isso não quer dizer que o árbitro em questão é desonesto, só acaba ficando condicionado a um aspecto de fora do jogo que acaba influindo, mesmo que inconscientemente, no seu julgamento. Por isso acredito que a Beija-Flor, por sua inegável força política, e podendo reagir mal a uma nota mais rigorosa, sempre foi julgada com menos rigor do que as outras, e quando isso acontece, a escola realmente reage mal, e escancara mesmo, tal como após o 7º lugar de 2014.
    Novamente, não estou querendo dizer que a escola manipula o júri, claro que não, o problema é, tirando 2005, todos os seus títulos virem com uma margem de pontos monstruosa, o que a meu ver só foi compreensível em 2007 e 2008. Outros títulos, como 2011 e 2015, até considero justos, mas sem a vantagem citada. 2003 e 2004 então…

    Não dá pra negar que, de 2012 a 2014, talvez a Tijuca tenha conseguido equilibrar esse jogo de bastidores, tendo como consequência algumas “aliviadas” de alguns jurados com a escola tijucana, e um julgamento da Beija-Flor mais condizente com o que se via na pista (Salete Lisboa não conta). Logo, essas duas estão em briga de foice nos bastidores, e esse áudio, acredito, é só o início… Uma pena, pois esse tipo de coisa acaba despertando uma desnecessária e completamente fora de hora desconfiança quanto a lisura do Carnaval (o que deixo claro novamente que não acredito que aconteça), e pode ter como consequência o afastamento de patrocinadores e, pior, do público em geral.

    Acho que, apesar de desnecessária, essa polêmica pode servir para a imprensa especializada, juntamente com o poder público, exigir providências que garantam a lisura do Carnaval, com uma maior transparência da Liesa quanto a escolha do júri e os métodos utilizados para o treinamento destes, afinal, “à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

    Sim, sei que grande parte da imprensa carnavalesca pode ser classificada como “chapa-branca”, salvo nomes como os que idealizaram essa série e outros como Fábio Fabato, Eugênio Leal, Anderson Baltar. Frederico Soares, e sei também que infelizmente o poder público evita interferir nos bastidores do Carnaval, mas, como dizia o maravilhoso samba da Mocidade em 1992, “sonhar não custa nada”…

    1. O problema é que ficou subentendido que o Laíla não levaria nada a público se a Beija-Flor fosse campeã e que, para as más línguas, sua escola está metida em algum esquema.

      Mais uma vez colocaram em xeque a lisura do Carnaval. Mas provavelmente esquecerão tudo isso em alguns meses. Quase sempre é assim.

      Tijuca, apesar dos pesares, tem seus méritos pelo que conquistou. Agora o pessoal de Nilópolis deveria por a mão na consciência e fazer uma autocrítica. Ver em que erraram, reconhecer seus erros e seguir em frente buscando não cometê-los de novo.

  8. Primeiramente otimas postagens estou lendo todas uma a uma! Maravilhoso relembrar os carnavais e você escreve muito bem!
    Agora comentando o carnaval desse ano achei muito injusto o rebaixamento da estacio a sao clemente vez um desfile chato e sem emoção nenhuma

  9. Eu ia colar aqui a minha coluna que faço sempre após os desfiles. Mas já enrolei demais.

    Cravei quase todos os resultados do ano: Unidos dos Morros em Santos, Império de Casa Verde em São Paulo e Mangueira no Rio estavam entre minhas favoritas após os desfiles.

    Pela primeira vez (creio eu) tivemos quatro desfiles merecedores de campeonato. Excluindo-se os problemas técnicos, as escolas levantaram o público e disputaram cada décimo no tapa.

    Mangueira, Unidos da Tijuca, Portela e Salgueiro. Qualquer uma das quatro que levasse o campeonato seria justo. O que derrubou o Salgueiro foi a alegoria apagada; não foi um erro ou uma má concepção. Foi um azar.

    Má concepção foi o que o Paulo Barros fez com a Comissão de Frente. Colocar o casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira logo após já tinha dado errado na Beija-Flor em 2014 e com ele mesmo, na Mocidade, em 2015. Pra que insistir? Pior ainda foi ter “liberado” seu repertório de arrogância e má educação, o que era motivo mais que suficiente pra direção da Portela dar uma reprimenda nele. Mas a atitude mesquinha e estúpida dos mesmos na Apuração mostra que eles se merecem.

    São Clemente voltaria nas campeãs caso o terceiro carro não emperrasse na avenida, Grande Rio saiu no lucro com o sétimo lugar e a Estácio deveria ter se mantido – mas bem feito, pelo que fizeram com Dominguinhos e Leandro Santos.

    Sobre a Mocidade… vou falar o quê? Uma nota 10 dentre 36 possíveis foi a gota d’água. O fundo do poço da história da pentacampeã, mais vexatório até do que em 2009. Porque lá a escola não tinha dinheiro nem comando, mas tinha chão, que foi o que a salvou do rebaixamento por 0,8 pontos. Agora a diretoria está mais preocupada com o marketing. Em tempo: detestei trazer Wander Pires de volta, só se envolve em encrenca, não canta em alto nível desde 2011, já passou da hora de esquecer o passado e pensar no novo, em dar chance à pessoas novas. Por que não dar uma chance ao Diego Nicolau?? No dia que a LIESA cismar que a escola virou um peso morto no Especial, cai e não volta mais!

    O resto postarei em tópicos.

    Série A: título da Paraíso do Tuiuti no limite do tolerável, mas não houve julgamento. A Caprichosos fez um desfile desastroso, onde só o Thiago Brito se salvou. Aliás, ele foi confirmado na Estácio. Boa sorte a ele, porque é um cara que merece.

    Série B: a vergonha do ano, com sobras. A Tradição não subiu por ser “aliada” à Samba é Nosso. Do mesmo jeito que as quatro rebaixadas, entre elas a inacreditável União de Jacarepaguá, que fez desfile pra subir e caiu. Uma vergonha completa.

    Outros grupos: Vizinha Faladeira, que bom vê-la voltando ao topo aos poucos. Nação Insulana, ótima e grata surpresa, em breve estarão lá em cima. Tupy de Brás de Pina, excelente, saiu da avaliação e voltou, de fato, a ser escola de samba. “Gato de Bonsucesso… nove ponto cesso”, a melhor do Carnaval, junto com “a Laila intérprete da Beija-Flor”!

    Áudio vazado: pode ser o estopim para uma limpa no Carnaval, mas por enquanto é tratado como chororô de Nilópolis. Toda vez que eles não ganham, saem falando em armação, cartas marcadas… engraçado que sobre 2011 e 2015 nada é falado. Em tempo: a escola ameaça sair do Carnaval carioca? Se é por falta de adeus, tchau! Vão sumir do mapa e pedir pra voltar com as orelhas arriadas.

    Sambas: a do Especial não é uma safra brilhante, eu mesmo considero pior do que o período 2012-2015. Mas é muito melhor do que 2011 e nivelada com 2010. Mesmo a safra deste ano não tendo nada do nível de “Noel Rosa” e “Mar de Fiéis”. Mas os sambas ruins não são tenebrosos, quanto o “Positivo pra nação” e o “Há muito tempo o homem deu no couro”. É nivelada, com quatro sambas excelentes (na minha ordem: Mangueira, Tijuca, Imperatriz e Portela), dois ótimos (Salgueiro e Vila Isabel), três regulares (Mocidade, Estácio e São Clemente) e três mais abaixo (não péssimos): Beija-Flor, União da Ilha e Grande Rio. Em compensação, no Acesso… Renascer, Viradouro e Alegria da Zona Sul trouxeram sambas que beiram a categoria de antológicos. Sim, eu devo ser o único que gosto mais de “Olha o pique-esconde…” do que “Kaô… kabesile Xangô…”, mas é por pouco. E OS TRÊS CITADOS SÃO BRILHANTES.

    Dá tempo de falar do samba da Tradição? A melodia é um misto de Salgueiro e Tijuca. Horrível. Poderiam ter escolhido o samba que o Celsinho Mody defendeu nas eliminatórias. Diferente, ousado e com muito mais energia.

    E, por hora, chega ao fim mais uma seção. Quando sai o livro? =D

      1. De ignorar repórteres na Praça da Apoteose. Atitude extremamente arrogante e que, mesmo com a derrota, nunca combinou com eles nem com a história da Portela.

        Espero que tenha sido somente algo de cabeça quente. Porque mais uma Beija-Flor ninguém merece!

        1. Bem… é até compreensível esta atitude, visto que os portelenses acreditavam que seria dessa vez o fim do jejum. Ficaram bem mais perto do que da última vez, então deve ter sido bem frustrante.

    1. Rodrigo, confesso que vai ser muito legal voltar a ouvir no cd o “alô meu povão de Padre Miguel vamos lá, a hora é essa!”… Mas concordo com você, o Wander já não ostenta a forma de outrora e se envolve em várias confusões, enquanto que o Diego Nicolau é um dos melhores intérpretes do Carnaval, só ouvir seu trabalho nas eliminatórias em vários sambas, além de ser “independente na identidade”. Depois vai para outra escola do Especial e vão ficar chorando…

      1. “De Padre Miguel para o mundo…”. Era isso que eu queria ouvir em 2017!

        Tomara que, pelo menos, a iniciativa da Mocidade em pedir aos seus seguidores no Facebook idéias para o enredo seja ouvida. Elza Soares, pelamordedeus!!

        1. Acho que Elza Soares na Mocidade pode ter o mesmo efeito de Bethânia na Mangueira. Encher os componentes de otimismo e orgulho, inspirar compositores… Possibilitaria um bom resultado, claro que na mesma proporção da Mangueira só depois de ver como a escola vai resolver seus outros problemas estruturais.

          1. Nós esperamos Elza ou Oxóssi e eles escolhem um enredo “patrocinado” que ñ temos a certeza do patrocínio que fala sobre o Marrocos.

  10. a mocidade tem que tomar cuidado para não ter muito salto alto,com o dinheiro do marrocos,senão pode cair do cavalo.já bola dentro do estácio de homenagear gonzaguinha.mito da música popular brasileira e também o pai.mas cuidado para não repetir a tijuca em 2012.a sossego e atuiutí subiram e devem descer apesar de falar da tropicália a tuiutí.

  11. 2016 foi disparado o melhor ano da atual década. Desfiles maravilhosos e uma segunda feira épica que teria sido ainda melhor se a Portela fosse a quinta a desfilar. Pois ela e Mangueira teriam desfilado em sequência. As duas primeiras posições eram pra ser de Portela e Mangueira. Nem Salgueiro com seu Abre Alas apagado, nem Tijuca com sua plástica básica e simples demais, e nem Beija-Flor com seu confuso Enredo poderiam ser primeiras ou segundas colocadas. Não achei justo o Vice da Tijuca. Não gostei da Portela ter ficado em terceiro. E acho que Alegorias e Adereços devia ter sido o primeiro quesito a ser lido pra dá um choque de realidade no Salgueiro, e fazer com que a briga 32 anos depois fosse acirrada ponto a ponto entre Portela e Mangueira. Reconheço os méritos da Mangueira, mas o júri da Liesa insiste em despontuar a Portela até onde ela acerta. Já esperava e achei merecido os pontos perdidos em Comissão de Frente e Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Mas não foi merecido o ponto perdido em Enredo. Já são 3 anos que a Portela é uma das protagonistas na Sapucaí e sempre uma coadjuvante na apuração. Nessa boa fase Portelense de 2014 pra cá, nem em segundo lugar estivemos em algum momento das últimas 3 apurações. A Portela merece mais do que vem conseguindo. Chega de alegria no dia do desfile e decepção no dia da apuração. O Portelense não aguenta mais. Queremos alegria após o desfile e após a apuração. Que o Carnaval 2017 seja tão bom como foi o Carnaval 2016. E que o dia 1 de Março de 2017 seja o dia da libertação da Águia.

  12. Vocês falaram de tudo o que aconteceram nos desfiles, mas fiquei decepcionada porque não lembraram de destacar um fato que a nível de Série A foi marcante, ainda mais para um intérprete de samba-enredo. Lembraram da garra do Thiago Brito em uma Caprichosos completamente desorganizada em seu desfile (ele foi bem, mas a escola estava mal) e até de um Tiganá (ex-Alegria da Zona Sul) querendo ameaçar o autor desse texto por ser chamado de limitado. E o que falar do Leandro Santos, que acabou como apoio de luxo na Mangueira e segundo cantor oficial na Tuiuti? Nenhum deles foi necessariamente lembrado pelo lado positivo. Fico triste por terem lembrado daquele que deveria também ter sido citado pelo lado positivo apenas por ter sido prejudicado pelo som da avenida.

    Que o intérprete da Viradouro, Zé Paulo Sierra, foi prejudicado por isso, é fato. Mas ele está sendo responsável por um momento histórico para o carnaval neste segmento marcado pela tradição de se exaltar antigas vozes como a do mestre Jamelão e atualmente a do Neguinho da Beija-Flor, que completou este ano 40 anos de carreira. E acredito que o cantor da vermelho-e-branca de Niterói não deva ter agora o reconhecimento talvez por ele não acontecer em uma escola do Grupo Especial, mas não custava nada terem lembrado dele pelo inusitado que vem proporcionando desde que se juntou à Viradouro, sendo que pela primeira vez de uns dois anos para cá um cantor percebeu a necessidade de não apenas trabalhar sua equipe de carro de som e auxiliar na harmonia, mas também levar ao público presente na Sapucaí a mensagem de sua escola, nem que para isso ele tenha que cometer “loucuras típicas de um moleque” como atravessar a pista e cantar entre as alas, subir nas grades que separam os desfilantes das frisas, ou até entrar no espaço delas para incentivar o pessoal a cantar o samba junto com ele (se bem que o belo samba da escola facilitou em parte a tarefa).

    Fico ainda mais triste porque alguns cantores estão começando a seguir o exemplo dele, inclusive no Especial, e a mídia segmentada também vem registrando e reconhecendo essa iniciativa inédita e que vem somar aos esforços que os intérpretes vêm fazendo para conduzir um samba-enredo na avenida. Por isso, vale a dica: fiquem de olho no Zé Paulo, cedo ou tarde ele acabará consagrado por isso.

  13. Ah! Tem outra coisa que eu queria comentar há algum tempo.

    Migão, discordo de você quando diz que a Mocidade colocou os funcionários da Petrobras como corruptos. Na minha opinião, os “funcionários” atrás das grades retrataram justamente o contrário: os políticos roubam e os trabalhadores pagam o pato e levam a má-fama, que é o que acontece até hoje.

    O que é lamentável, diga-se.

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