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O samba é África. O mais brasileiro dos ritmos musicais e que leva o nome do nosso país pelo mundo tem raiz africana. Foi com os negros que ele nasceu. O samba tem tambor, tem batuque porque esse é o ritmo da África, ritmo esse que é levado também para as religiões africanas. Ignorar a raiz africana do samba é negar a história e a luta de milhares de pessoas que brigaram para que ele fosse reconhecido e admirado. O samba-enredo muitas vezes traz um pouco, ou muito, dos dois. Os tambores e a religiosidade africana. É certo que muitos enredos não cabe a parte africana, mas o samba nunca pode esquecer sua origem que é na África, é no tambor, é nos terreiros.

A escola de samba é do povo. São nos morros, nas ruas, no meio do povo que as escolas de samba nasceram, cresceram e fazem parte da nossa cultura. Por levar o samba, a escola tem passado, tem origem, tem cor, tem religião. A escola de samba tem chão e esse chão tem que ser respeitado.

A Viradouro respeitou a história do samba e o chão da escola para a disputa do carnaval 2016. Com um enredo de grupo especial, a escola de Niterói vai para a avenida contar a história de Alabê de Jerusalém, que já falei aqui na última semana. A escola não vai trazer apenas um enredo africano e sim contar essa história que é uma das belas de fé e que está presente na umbanda, mas que poucos conhecem.

A escolha do samba da escola aconteceu no último sábado e fez história. A escola ouviu a escola. Os dirigentes não levaram em conta as torcidas contratadas pelas parcerias e resolveu ouvir o chão da escola. Ouviu aqueles que no carnaval irão levar o samba para a avenida e que vão cantar como o hino em busca do acesso para 2017.

O anúncio do samba feito já na madrugada de domingo mostrou isso, o presidente Gustavo Clarão deixou que o chão da escola cantasse o samba ao invés de anunciar a parceria de Felipe Filósofo campeã. Uma das coisas mais emocionantes já para o carnaval 2016.

A escola que caiu para o acesso em 2015 após um desfile com uma chuva que não se via há muito tempo na Sapucaí e cheio de 9,7 na apuração quer voltar para a elite e, pelo samba, promete não brincar para isso. A Viradouro não esquece a origem do samba. A Viradouro ouviu o chão da escola e isso já um grande passo para o objetivo a ser conquistado em fevereiro de 2016.

 

Viradouro no couro do tambor
Pediu a Oxum e Xangô (ora yê, yê, kawô)
E a Olodumaré, no ifé
Que o africano caminheiro
Desça em solo brasileiro
Pra falar da luz de Nazaré
O porta-voz da harmonia e da paz
O mensageiro dos orixás
Enfim, já baixou na aldeia
Que Aparecida clareia
Com a benção do Cristo Redentor
E a Sapucaí incendeia na chama da sua candeia… Incorporou

MEU NOME É ALABÊ DE JERUSALÉM
VOLTEI A TERRA PRA MATAR SAUDADE
VIM FALAR DE AMOR, DE TOLERÂNCIA E IGUALDADE

Cruzei Egito, Roma e Judeia
Amei Judith, a flor de Cesareia
O rei dos reis que conheci se espanta e chora
Com essa guerra santa
Que sangra esse planeta azul
Ó meu Brasil, cuidado com a intolerância
Tu és a pátria da esperança
À luz do Cruzeiro do Sul
Um país que tem coroa assim tão forte
Não pode abusar da sorte
Que lhe dedicou Olorum

KAWÓ KABIESILÉ XANGÔ
ORA YÊ YÊ, MAMÃE OXUM DO OURO
SÃO JOÃO BATISTA QUE ME BATIZOU
É O PROTETOR DA MINHA VIRADOURO

– Paulo César Feital, Zé Gloria, Felipe Filósofo, Maria Preta, Fabio Borges e William

Notas do autor:

1) Dudu Nobre inscreveu um samba na escola de Niterói e assinou um outro com Gustavo Clarão na Tijuca. Houve até comentários de falta de ética, mas isso é um absurdo grande. Apenas uma polêmica desnecessária e Dudu não precisava competir na Viradouro já que assinaria com o presidente da escola para a escola do Borel.

2) O samba de traz uma mensagem para o Brasil e que pode ser copiada e levada para muitos cantos em um momento como esse que vivemos no país: “Oh meu Brasil cuidado com a intolerância / Tu és a pátria da esperança”.

6 Replies to “Falar de amor, de tolerância e igualdade”

  1. Difícil afirmar porque o samba todo é fantástico, mas eu acho que o trecho que mais me agrada é: “O Rei dos Reis que conheci se espanta e chora com essa guerra santa que sangra esse Planeta Azul”. Fantástico.

      1. Acho o refrão de meio simplesmente espetacular, é o ponto alto do samba na minha opinião, mas o verso que o Dahi cita é de fato algo fora do comum.

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