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O que John Holmes, Rod Daily, Cole Tucker, Cameron Bay e Katie Summers tem em comum? Todos são atores e atrizes pornô e contraíram HIV durante as gravações. De fato a lista seria bastante extensa se fosse enumerar todos os casos. Afinal, vale mesmo a pena fazer filmes sem o uso de preservativo em troca de um salário mais alto?

O fato é que boa parte do público desse tipo de filme tem a preferência por assistir os chamados filmes “bareback” ou “sem capa”, como popularmente são chamados. Talvez  pela questão fisiológica de que o preservativo cause menos sensibilidade durante o ato e/ou psicologicamente ficam mais excitados assistindo a um vídeo em que os atores não façam uso de camisinha.

Somente no do mês de junho, os atores Cole Tucker (foto) e Mateo Stanford morreram vítimas de complicações causadas pelo vírus da Aids e ao longo dos anos já se foram diversos artistas pelo mesmo motivo. Tal fato preocupa bastante a indústria mundial de filmes pornô.

Recentemente, a Associação Comercial da Indústria Pornô Americana determinou uma parada nas gravações por tempo indeterminado em toda a indústria de produção de filmes adultos, após um ator confirmar seu teste positivo para HIV.

“Os testes confirmatórios ainda não chegaram, mas estamos tomando todas as precauções para proteger os artistas”, informou Diane Duke, diretora-executiva do grupo de comércio Free Speech Coalition, em um comunicado. “Levamos a saúde dos nossos artistas muito a sério e sentimos que era melhor errar pelo lado da cautela, enquanto nós verificamos se mais alguém mais pode ter sido exposto.”, informou ainda.

A Free Speech Coalition determinava que artistas fizessem testes de DST a cada 28 dias; mas o surto de HIV no ano passado levou a associação a mudar sua política para testar atores uma vez a cada 14 dias.

Em recente comunicado, Michael Weinstein, presidente da AIDS Healthcare Foundation, atacou a indústria pornográfica e a Divisão de Segurança e Saúde Ocupacional da Califórnia, dizendo: “Quantos mais infecções serão necessárias até que a indústria pornô respeite a lei sobre o uso de preservativos nas filmagens?”.

Tal problema ocorre tanto em filmes héteros como em filmes voltados ao público LGBT. Essa resistência se dá pelo medo que os produtores tem de que o público perca o interesse em suas produções. Já os atores ainda se arriscam por medo de perder a vaga em grandes produções, já que a variedade de atores e atrizes é grande. Além disso, os salários para atuar nos chamados filmes bareback (sem uso de camisinha) são altos, principalmente para os passivos em filmes voltados ao público homossexual masculino.

Recentemente mais um projeto a fim de evitar contágios de doenças entrou em pauta. A utilização de óculos ou protetor para os olhos. As produtoras pornográficas, atores e até mesmo alguns defensores da saúde dizem que as novas regras são desnecessárias.

“Estes são os regulamentos concebidos para ambientes médicos, e são impraticáveis em um conjunto de filmes adultos”, disse Diane Duke, CEO da Free Speech Coalition, uma associação comercial para a indústria de entretenimento adulto. Ela disse que as regras iriam estigmatizar artistas, além do risco de “desmontar toda uma indústria.”

As novas regras não só iriam higienizar o pornô. Se forem aprovadas, elas também pretendem proibir muitas práticas comuns em filmes adultos. Segundo as regras, “todos os fluidos corporais devem ser considerados materiais potencialmente infecciosos.”

Vale lembrar que diversas manifestações andam ocorrendo pelos Estados Unidos, organizados por grupos de apoio aos artistas e familiares. Todos pedem consciência por parte das produtoras, que somente visam o lucro.

A decisão é complicada, uma vez que o dinheiro está em jogo; resta saber até quando atores e atrizes precisarão se arriscar para trazer “diversão” para seus fãs. Ou mesmo até quando valerá a pena trocar saúde por alguns milhares de dólares.