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A vitória polêmica da Beija-Flor no Carnaval-2015 é assunto muito comentado nas redes sociais, até por quem não participa do carnaval. Mas pouco se fala sobre outro problema: as visões distorcidas e estereotipadas da África que as escolas de samba desenvolvem em seus enredos. E assim, voltamos para a Beija-Flor, que fez uma contundente demostração de como o continente africano é geralmente visto na Sapucaí.

Enaltecer a Guiné Equatorial foi a contrapartida ao patrocínio de dez milhões. Mas será que a escola trouxe alguma informação nova e relevante deste país para os brasileiros? O enredo começa com uma África ancestral, desvelada por um griot que vem acompanhado de árvores gigantescas. Nesse primeiro setor nada é histórico.

A comissão de frente, mestre sala e porta bandeira, abre-alas e as doze primeiras alas fazem referência a uma África mística, sem tempo, espaço ou tipo de sociedade que a definam. A descrição da ultima ala deste setor, encontrada no roteiro dos desfiles distribuído ao público da Sapucaí, é uma pérola de imprecisão histórica:

“O cortejo real da Majestade Negra salienta a importância de se reverenciar os costumes, a força e a imponência do continente e a sua herança cultural, deixada pelos negros ancestrais”. Ou seja, saímos da avenida sem saber de qual reino ou majestade a escola falava, assim como fica difícil distinguir quais seriam seus nobres atributos.

No momento seguinte, os mitos dão lugar, finalmente, à história…. da Ásia e da Europa! Sim, na sequência do enredo surgem alas que representam as especiarias da Índia (pimentas, canela, cravo) e em seguida surgem as nações europeias com suas respectivas insígnias, bandeiras, cores, trajes que a identificam facilmente na modernidade ocidental. Nesse ponto o enredo nomeia franceses, ingleses, espanhóis, portugueses e holandeses.

O que resta à Guiné, neste momento? A escravidão e uma total invisibilidade sobre seus processos históricos. A passividade de um povo invadido e saqueado e que nem traz nenhuma forma de resistência. Esquece-se o colonialismo europeu do seculo XIX, muito mais nefasto para as terras africanas, já que a diáspora ocorrida entre os séculos XVI e XIX não ocorreu em todos os lugares, ao contrário do colonialismo. A luta pela independência durante o seculo XX? Nem pensar.

A azul e branco de Nilópolis faz uma ponte direta entre a Africa ancestral e a contemporânea, exaltando em suas ultimas alas as commodities e o petróleo, finalizando com uma ala que mesmo com o título “riqueza cultural”, só faz referências aos “tons de verde da floresta, o brilho e as cores da natureza que fazem do local uma paraíso abençoado “.

No fim, o que houve de África no desfile? Nada! Nem a história da Guiné equatorial entrou no enredo, a não ser como local de passagem de especiarias asiáticas e de tráfico de escravos realizado por europeus.

Dessa forma, o enredo da escola campeã de 2015 é um desserviço a divulgação da história e da cultura africana, por lançar mão de uma série de estereótipos que endossam uma postura política colonizada, visível na afirmação eurocêntrica de Hegel: ” A África não tem História “.

Pois o que vimos de História no desfile da Beija Flor foi a interferência e ingerência europeia no continente africano. É preciso mais cuidado e pesquisa na construção dos enredos das escolas de samba, principalmente sobre os chamados “enredos afros”, que somente neste ano surgiram em outras quatro escolas: Imperatriz, Viradouro, Império da Tijuca e Cubango.

Ainda não foi desta vez que a tal “alma africana” deu as caras na Sapucaí, pois não existe alma sem conteúdo.

Foto: G1

2 Replies to “Alma africana anda longe da Sapucaí”

  1. Boa tarde!

    Discordo.
    Fico com o ponto de vista de Leonardo Dahi.
    Enredo é uma visão sobre um assunto.

    A Beija-Flor apresentou a sua.
    Cabe ser avaliado se o apresentado condiz com o pretendido.
    …e ficou tudo bem neste aspecto!

    Assim sendo, o enredo da Portela também seria um grande desserviço, pois, mesmo dando uma visão surreal da cidade do Rio de Janeiro, poderia (Entre tantas outras coisas) mostrar que o custo de vida do carioca é surreal para os problemas que enfrenta no seu dia-a-dia.

    Como já mencionado, a Escola de Madureira fez uma abordagem sobre um assunto.
    …e também a fez de forma gloriosa neste aspecto!

    Atenciosamente
    Fellipe Barroso

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