O Carnaval de 2011 manteve a divisão entre Liga e Superliga. Durante o ano, o racha chegou a ponto de se cogitar, para anos futuros, dois desfiles diferentes. Em 2010, tanto Liga quanto Superliga haviam fornecido uma rebaixada, mas as duas escolas que subiram do Acesso eram filiadas à Liga. Com isso, a matriz aumentou para nove o número de filiadas na elite contra cinco da dissidência – nos dois anos anteriores fora oito a seis.

O Carnaval começou com um episódio muito desagradável. A Acadêmicos do Tucuruvi escolheu fazer uma homenagem aos nordestinos em seu desfile. A escolha do tema, porém, fez a escola ser alvo de ataques preconceituosos e de ameaças por email. Vândalos virtuais ofenderam a escola e a região-tema de maneira que nem vale a pena ser mencionada aqui.

Na pista, a promessa era de um grande desfile após o 2010 de altíssimo nível. A campeã Rosas de Ouro tentaria o bi com um enredo sobre a sorte, enquanto a vice Mocidade Alegre escolheu falar sobre as ilusões. A Vai-Vai apostou em muita emoção ao homenagear o Maestro João Carlos Martins com um lindo samba, ao passo que Mancha Verde e Gaviões da Fiel escolheram falar sobre gênios e sobre a Cidade de Dubai, respectivamente.

Dois Teatros que fariam 100 anos naquele 2011 receberiam homenagens: o de São Paulo pela Unidos do Peruche, que voltava ao Especial, e o de Manaus pela Vila Maria. Foi um ano de explosão de enredos patrocinados, como o da Águia de Ouro sobre o fogo e o da Império de Casa Verde sobre a cerveja.

Já a X-9 Paulistana apostou na leveza de um enredo sobre Renato Aragão, o Didi, enquanto a Tom Maior levaria para o Anhembi a cidade de São Bernardo do Campo. A Pérola Negra surpreendeu ao escolher a vida do Profeta Abraão, enquanto a Nenê de Vila Matilde contaria a história do sal.

A chuva que caía com intensidade nas semanas anteriores ao desfile e também na sexta de Carnaval deu uma trégua – definitiva – minutos antes da Unidos do Peruche abrir o Carnaval de 2011 com o enredo “Abram as cortinas, o espetáculo vai começar! 100 Anos do Teatro Municipal de São Paulo, Peruche vai apresentar. Bravo! Bravíssimo!”. Na chamada geral antes do desfile, o Presidente Rodolfo Pricolli Filho já avisava: esta seria apenas a primeira homenagem que a Cidade de São Paulo faria a um de seus cartões postais.

O esquenta da escola também foi de arrepiar. O intérprete Toninho Penteado colocou a bateria para chorar ao cantar “Rua Zilda” e deixou a escola no clima para o desfile. O samba também prometia, ainda mais pela presença do carioca Tinga no carro de som. Mas o que se viu na sequência foi um verdadeiro desastre. Dá pra dizer, sem medo de errar, que foi um dos mais infelizes desfiles da história do Anhembi.

O carnavalesco Amarildo de Mello dividiu a homenagem em cinco atos. O primeiro começava na comissão de frente, que foi até a Grécia Antiga relembrar Apolo, o deus das artes em uma coreografia bem executada. Já o abre-alas, relembrou a inauguração do Teatro Municipal e teve uma concepção inteligentíssima. Ao longo das escadarias do teatro, destaques faziam coreografias que remetiam aos mais diversos tipos de espetáculo que por ali passavam. Só que o carro deu o tom das dificuldades financeiras da escola e se apresentou completamente pobre e com falhas de acabamento.

Para piorar, uma das rodas quebrou ainda na concentração e o carro evoluiu com dificuldade, tornando mais lenta a evolução da Filial do Samba. O segundo ato lembrou a Semana de Arte Moderna de 1922. A Peruche apresentou fantasias criativas, mas em um padrão muito abaixo do Grupo Especial. A divisão cromática se destacou pela diversidade, mas não havia nenhum luxo e a escola veio pobre. O segundo carro foi mais um com boa concepção, mas cujo acabamento jogou tudo por água abaixo.

Do terceiro setor em diante, tudo foi de vez para o espaço. O terceiro carro também teve muitos problemas e evoluiu com dificuldade, chegando inclusive a emperrar, abrindo assim um buraco na evolução. Para sanar o problema, duas alas “ultrapassaram” a alegoria. A complicação em termos de tempo de desfile era tanta, que a Peruche simplesmente desistiu de levar seus dois últimos carros para a pista, mesmo eles não apresentando nenhum problema. Ainda assim, a Peruche fechou seu desfile em 68 pontos, três a mais que o permitido. Além dos dois pontos perdidos por desfilar com uma alegoria a menos que o mínimo exigido, a escola ainda perdeu mais três pelo tempo. Com fantasias e alegorias (as que entraram) pobres, uma evolução péssima e um enredo que foi todo picotado, a volta da escola ao Acesso era mais que certa.

A segunda escola da noite foi a Tom Maior, que ainda tentou ajudar a Peruche a solucionar os seus problemas. Sem sucesso, restou comemorar o fato de não ter sido atrapalhada já que as duas alegorias da Peruche entraram na Avenida após o fechamento dos portões. Por outro lado, a vermelho-e-amarelo acabou não tendo a honra de contar com o já ex-Presidente Lula, que não havia confirmado presença no desfile “Salve salve São Bernardo, pedaço do meu Brasil – terra mãe dos paulistas”.

A escola contava com o experiente carnavalesco Chico Spinosa, que havia deixado a Vai-Vai e apresentou um Carnaval plasticamente superior ao de 2010. A Tom Maior não estava entre as mais endinheiradas do grupo, de modo que não pôde fazer uma apresentação luxuosa. Ainda assim, desfilou com alegorias e fantasias de bom gosto e com um samba animado, levado com muita competência por René Sobral.

O desfile começou, como em quase interior ou, nesse caso, do ABC, falando sobre os índios, em uma ótima comissão de frente, e sobre a diversidade natural do município. É que o primeiro setor falava sobre a trilha da Serra do Mar, percorrida pelos primeiros colonizadores. Um abre-alas modesto, mas de muito bom gosto, chamou a atenção pelas belas esculturas de araras e pela representação de uma floresta. Catequizadores e índios também compuseram a alegoria, lembrando da fundação do município.

O segundo setor tratou da chegada dos colonizadores do lugar-comum nas fantasias e na própria alegoria que, aliás, teve problemas para entrar no Anhembi. O terceiro setor foi o ponto alto do desfile, ao homenagear a Represa Billings e fazer um alerta sobre a preservação dos mananciais. Chico Spinosa trabalhou com materiais de baixo custo na confecção de fantasias e alegorias, conseguindo assim um ótimo resultado em um trabalho muito bem feito. Pneus e garrafas PET apareceram com destaque no terceiro carro.

Os dois setores finais passearam pela São Bernardo do Século XX e também pela riqueza econômica da região. Polo de empresas automobilísticas, foi também berço dos metalúrgicos e de greves que entraram para a história. O último carro lembrou a força dos trabalhadores e da indústria automobilística, contando com nomes como o então Prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, e seu vice, Frank Aguiar. Foi um desfile agradável, que provavelmente ficaria ali pelo meio da tabela.

Alegoria apresentada pela Acadêmicos do TucuruviDepois do belo desfile de 2010, a Tucuruvi mais uma vez encantou o Sambódromo com um grande desfile. A apresentação do enredo “Oxente! O que seria da gente sem essa gente. São Paulo, capital do Nordeste!” ficou marcada como o melhor desfile da história da escola. A Chamada Geral foi feita por Mestre Adamastor que, competente com as palavras, lembrou dos ataques virtuais e deu forças aos componentes. Naquela que seria sua despedida da escola, Freddy Vianna viveu noite inspirada e conduziu de maneira irrepreensível o lindo samba do Zaca. A bateria também deu um show e a deliciosa sanfona colocada no carro de som abrilhantou ainda mais a obra.

A comissão de frente foi, talvez, a melhor do ano. A representação de um ônibus de barro trazia componentes que representavam nordestinos – também feitos em barro – que deixavam sua terra em busca de um futuro melhor. Em dado momento, o ônibus se dividia ao meio e os componentes desciam para fazer uma belíssima coreografia. O carro abre-alas estava exuberante e grandioso. O capricho de Wagner Santos mais uma vez falou alto e a alegoria retratava o cenário vivido pelos imigrantes antes da partida. Em meio à miséria e o clima árido, instrumentos musicais e outras representações lembravam aquilo que vinha para São Paulo junto com cada nordestino. Um Luiz Gonzaga de sete metros de altura também deu as caras.
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As fantasias foram um verdadeiro espetáculo. O carnavalesco Wagner Santos preencheu as alas com vestimentas coloridas, cheias de detalhes e com um acabamento de cair o queixo. Com uma divisão cromática bastante variada, o segundo setor lembrou a fé do nordestino e suas festas populares. O segundo carro também veio muito caprichado e bem acabado, mas estava relativamente pequeno. No terceiro setor, a agremiação da Cantareira continuou viajando pelo “jeito nordestino de ser” e chegou à culinária. O tempero forte e os pratos típicos foram lembrados no terceiro carro, que ficou no meio termo entre o abre-alas e o segundo carro.

No quarto setor, a Tucuruvi mostrou a importância dessa gente para São Paulo. Em uma grande sacada que impressionou o público, Wagner Santos trouxe na quarta alegoria símbolos paulistanos como o MASP feitos como uma nordestina colcha de retalhos. Foi assim que ele mostrou, com competência ímpar, a mistura entre São Paulo e Nordeste. Sem dúvida, um dos grandes momentos do desfile.

No último setor, foram exaltadas a bravura, a garra e a vontade do povo nordestino. Fantasias coloridas usaram do verde-e-amarelo para lembrar que o Nordeste também é Brasil e, em algumas alas, para mostrar que o nordestino tem orgulho de ser como é. Foi essa a mensagem do último carro, que estava muito bonito e fechou brilhantemente o desfile. A Tucuruvi praticamente se garantiu no desfile das campeãs e, a despeito de não vir muito luxuosa, podia pelo menos sonhar com algo a mais.

Quem também botou um Carnaval digno de título na Avenida foi a Rosas de Ouro, que partiu em busca do bi com o enredo “Abra-te Sésamo, a senha da sorte”. Embora bem menos luxuosa que em 2010, a escola voltou a encantar o Anhembi com uma apresentação grandiosa e que cresceu muito com o animado, embora não tão competente samba-enredo que levantou o público no meio da primeira noite de apresentações. Também foi bem recebida pelo público a distribuição de biscoitos da sorte nas arquibancadas.

A Roseira buscou fazer uma apresentação alegre, irreverente e de boa comunicação com o público. O resultado foi um enredo relativamente desconexo, com uma mistura desagradável de assuntos e relações um pouco forçadas, mas que refletiram em um desfile muito agradável do ponto de vista estético. Dessa vez, a comissão de frente fez “apenas” uma boa coreografia, sem grandes surpresas, limitando-se a apresentar o enredo. O abre-alas se destacou. Chamado “Maktub”, ele foi desenvolvido de maneira muito criativa, trazendo vários elementos que, segundo dizem, trazem sorte. Também era uma apresentação básica do enredo.

A partir do segundo setor, a escola entrou na lenda de Ali Babá. Diz a história que 40 ladrões guardavam os frutos de seus roubos em uma caverna com uma senha. Um dia, o responsável por abri-la esqueceu a senha e Ali Babá, que não era ladrão, conseguiu abrir a caverna dizendo “abra-te, Sésamo!”. Essa história foi contada em um carro bonito, com um Ali Babá gigante logo atrás da tal caverna com as riquezas. O carro também era grandioso e também estava muito bem adereçado.

No terceiro setor, a Roseira viajou pela sorte no mundo oriental. Em meio a alas que remetiam a toda a mística envolvendo japoneses e chineses, apareceram outros elementos relacionados a sorte. O carro alegórico que representou o setor, e que trazia um templo japonês, não apresentava falhas de acabamento, mas não estava lá muito exuberante. No penúltimo setor, foi a vez da Roseira lembrar das previsões para o futuro em uma alegoria muito, mas muito modesta para uma atual campeã. O Carro tinha uma bela e enorme cigana, mas parava por aí.

Em minha visão, o melhor setor do desfile foi o último, que trouxe para a Avenida o Ali Babá dos tempos modernos. O “abra-te sésamo” dos dias de hoje é a loteria e todo mundo quer “abrir essa caverna” arriscando em seis números. As alas vieram com lindas e criativas fantasias e com componentes muito animados. O último carro, se não era dos mais luxuosos, estava bonito e criativo, com alguns globos representando os sorteios das loterias. Era difícil saber se um desfile bem mais modesto em termos de luxo teria condições de brigar pelo título, mas a Rosas perdeu de vez as chances por conta do tempo: a evolução foi muito lenta e os componentes tiveram que correr e muito para fechar no tempo. O bicampeonato estava, assim, praticamente descartado.

mancha2011Quem, por outro lado, passou a nutrir esperanças reais pela primeira vez em sua história foi a Mancha Verde, que conseguiu uma apresentação espetacular, talvez a melhor já feita pela escola, na apresentação do enredo “Uma idéia de gênio!”. O estreante carnavalesco Fernando Dias desenvolveu um enredo que era interessante na teoria de maneira brilhante e o samba rendeu demais em uma atuação inspiradíssima do intérprete Vaguinho.

A comissão de frente seguiu a linha da Rosas de Ouro de apresentar o enredo. Muitos dos gênios que desfilariam no decorrer das alas apareceram na comissão para saudar o público e colocá-lo no clima do enredo. O abre-alas trouxe o primeiro gênio da humanidade: Deus, o nosso Criador. O Deus da Mancha veio segurando uma bola de barro, de onde sairia a primeira invenção: o homem. O caro estava muito bem iluminado e grandioso, com boas esculturas, além de ser de fácil leitura.

O segundo setor passeou por gênios da ciência. A teoria de que o Sol estava no centro do Universo foi lembrada na exaltação a Copérnico; Albert Einstein foi lembrado pela teoria da relatividade; Arquimedes e Galileu Galilei foram outros que passaram pelo Anhembi com fantasias de fácil leitura e de muito bom gosto. Falando em Sol, destaque para a Ala das Baianas, que misturava uma fantasia lembrando o Sol com outra representando a Lua. O segundo carro prestou uma homenagem ao inventor Leonardo da Vinci. Trouxe a Mona Lisa, o Homem Vitruviano e muitas das invenções que Da Vinci criou. Com tons que pendiam para o marrom, o carro estava muito bonito e também tinha boa comunicação com o público.

Na sequência, a Mancha falou sobre as grandes invenções. A lâmpada de Thomas Edison, o para-raio de Benjamin Franklin e o avião de Santos Dumont foram alguns dos destaques. O carro alegórico destacou justamente a criação da lâmpada e foi prejudicado pela concepção um pouco complicada. Não estava feio, mas ficou bem abaixo dos dois primeiros. O quarto setor falou de gênios da música, como Beethoven, e da literatura, como Shakeaspere. O quarto carro lembrou Júlio Vergne e livros como “A Volta ao Mundo em 80 Dias”. O carro tinha ótima concepção, mas ficou devendo em luxo.

Mas afinal de contas, qual era a ideia de gênio do título? Pergunta respondida no último setor. A ideia de gênio da Mancha era um mundo sem fome, sem desavenças, com respeito mutuo entre todas as crenças. À parte não apresentarem tanta clareza quanto as do resto do desfile, as fantasias estavam muito bonitas e o carro foi um show. O Manchão, símbolo da escola, virou gênio da lâmpada e realizaria três desejos. Um a escola já fez por conta própria: ser campeã do Carnaval. Embora não tenha sido um desfile arrebatador e exuberante, não havia motivos para não crer na realização desse desejo. Embora faltassem nove desfiles, a verde-e-branca havia feito o melhor desfile da noite até então.

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Já no amanhecer, a Vai-Vai foi a penúltima escola a iniciar seu desfile na primeira noite de apresentações. Dona do melhor samba do ano e de um dos mais bonitos dos últimos tempos em todo o país, a Escola do Povo conseguiu uma apresentação inesquecível no enredo “A música venceu”, do carnavalesco Alexandre Louzada. Estreando no Carnaval de São Paulo, Wander Pires conduziu o samba de maneira brilhante, valorizando ainda mais a melodia e, com a sempre perfeita bateria de Mestre Tadeu, a Saracura entrou pisando forte.

A comissão de frente relembrou a infância do Maestro João Carlos Martins, que era o homenageado do enredo. Uma criança corria atrás de uma bola, lembrando o seu amor pelo futebol. Sete mulheres vieram com fantasias que lembravam as sete notas musicais, para destacar a outra paixão do menino: a música. Mais adiante, a coreografia trazia Salvador Dalí, que um dia disse a João Carlos, agora já um respeitado maestro, que ele era o melhor músico a interpretar uma sinfonia de Johann Sebastian Bach.
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O desfile propriamente dito começava com deuses da inspiração lançando talento a João Carlos Martins. Apolo, deus das artes que havia aparecido na Peruche, voltou a dar as caras, mas agora como um dos destaques do mais belo carro alegórico a desfilar pelo Anhembi em 2011. Três carros acoplados e gigantescos impressionaram a todos pelo luxo. Todo em dourado e branco, sintetizava a inspiração divina recebida pelo maestro para que este brilhasse pelo Mundo. O carro tinha uma riqueza de detalhes impressionante e um acabamento invejável. Mas o gigantismo atrapalhou. A largura absurda do carro, que era dos mesmos 14m da “parte útil” da pista, fez com que ele raspasse nas laterais da pista por muitos metros, danificando assim alguns detalhes das laterais.

O segundo setor passeou pela carreira internacional de sucesso do artista. Ao lembrar nas fantasias os países pelo qual Martins passou, Louzada conseguiu algo muito difícil: sair do lugar comum. Inglaterra, Holanda, Alemanha, Espanha, Portugal, Estados Unidos, dentre outros, foram lembrados em fantasias luxuosas, bem desenvolvidas e que não pareciam cópias de outras que remetiam às mesmas nações. Por outro lado, o carnavalesco não foi muito feliz na concepção do segundo carro, que trazia uma escultura do Maestro regendo um globo terrestre encoberto por notas musicais. O carro estava luxuoso e bem acabado, mas não tão bonito quanto os outros.

vaivai2011cUm dos momentos de grande emoção foi na entrada da bateria no recuo. O Maestro, que havia dito antes do desfile que estava mais nervoso do que quando se apresentou no Carnegie Hall, em Nova Iorque, estava visivelmente emocionado e regeu simbolicamente a bateria ao lado de Mestre Tadeu. Uma das cenas mais emocionantes daquele Carnaval. O terceiro setor começou a destacar os problemas que ele enfrentou durante a vida. O primeiro acidente, justamente em uma partida de futebol em Nova Iorque, poderia ter acabado com a sua carreira, mas o quarto setor vinha dando a resposta.

Esse setor foi dedicado a superação, à garra, à força de vontade do Maestro. Lindas fantasias em tom dourado lembraram personagens mitológicos que se destacaram justamente pela capacidade de superarem limites, O destaque foi a fênix, ave que ressurge das cinzas. O carro também veio predominantemente dourado e manteve o padrão de luxo e de ótimo acabamento. O último setor falou sobre a “nova vida” do Maestro. Sua atuação na política, como secretário de cultura e seu posterior desligamento após ser acusado – e posteriormente absolvido – de estar envolvido em um esquema de corrupção, foi lembrada ao lado de novos acidentes que não lhe abalaram. João Carlos Martins apareceu novamente em pessoa no último carro, ao lado de membros da Orquestra Sinfônica e de amigos. A linda alegoria fechou de maneira brilhante aquele que já despontava como grande desfile do ano. Embora muita coisa ainda fosse passar, já dava para ter a impressão de que seria difícil segurar a Vai-Vai.

Ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, e do que aconteceria em anos seguintes, o fato de uma escola relativamente pequena encerrar a primeira noite de desfiles não esvaziou o Anhembi. As arquibancadas continuaram lotadas para aguardar a Pérola Negra e o enredo “Abraão, o patriarca da Fé”. Se em 2010 o fogo quase destruiu o Carnaval da agremiação da Vila Madalena, em 2011 foram as fortes e intensas chuvas que desabaram sobre a Capital Paulista que fizeram a escola perder muitas fantasias e algumas esculturas.

A Pérola sempre foi uma escola humilde, sem barracão, que preparava o seu Carnaval em viadutos improvisados e sem muita segurança. Até por conta disso, mais uma vez chamou a atenção o luxo e o bom gosto da escola. O carnavalesco André Machado foi mais uma vez muito feliz no desenvolvimento do enredo e fez com que a Jóia Rara do Samba se tornasse, mais uma vez, uma das mais gratas surpresas do Carnaval.

O lindo samba foi muito bem acompanhado pela bateria do estreante Mestre Bola e rendeu bem. O enredo chamou a atenção desde a escolha, pois a cultura judaica não é dos temas mais frequentes. A homenagem refletiu em fantasias mais comportadas e em pouca nudez. o destaque ficou mesmo na fé e no Velho Testamento. A comissão de frente retratava a conversa entre Abraão e Deus, onde o primeiro teria iniciado sua jornada rumo a Terra Prometida. Com vestimentas todas em branco, os componentes fizeram uma boa coreografia com lenços que formavam a Estrela de Davi.

O carro abre-alas representava justamente a Terra Prometida. Ele pode não ter sido gigante como o da Vai-Vai, mas foi um dos mais belos do ano. A Canaã de André Machado surpreendeu pela escolha perfeita das cores e pelo cuidado com cada detalhe. O carro ganhou muito com a luminosidade natural, já passávamos das sete da manhã, e foi um belo início. Do segundo setor em diante, a escola passou a visitar obras do Velho Testamento. As fantasias mostravam o grau de dificuldade da preparação do Carnaval, algumas até com algumas falhas de acabamento, mas estavam bonitas. O segundo carro, “Fausto do Egito”, embora modesto, também chamou a atenção pela beleza e pelo bom acabamento.

A destruição das cidades de Sodoma e Gomorra foram lembradas no terceiro setor, que trouxe um carro alegórico mais impactante, com monstros em vermelho e amarelo. Sem condições financeiras para muito luxo, o carro ficou melhor em concepção do que na prática, mas também passou bem. O grande momento do desfile foi no quarto setor, que lembrou a passagem onde Abraão tenta sacrificar seu filho como uma prova de fé e é impedido por Deus, que constatou assim que a fé de Abraão era mesmo inabalável. A alegoria já seria linda por si só, com uma bela escultura de Abraão levantando um facão em direção ao filho, que dormia sorrindo. À frente, crianças vestidas como cordeirinhos. Atrás, um anjo em direção as mãos do patriarca da fé para evitar o sacrifício. Mas a emoção foi ainda maior porque aquela escultura de Abraão foi vista, semanas antes, boiando nas enchentes em São Paulo.

O último setor foi dedicado ao legado de Abraão. O último carro, todo em branco, falou sobre os irmãos na fé, ou seja, os judeus. O carro trazia inscritos sagrados, com passagens bíblicas, mas apresentou algumas falhas de acabamento. Em todo caso, foi um encerramento emocionante. Brigar por uma das primeiras posições seria difícil, dadas as circunstâncias, mas, aproveitando a letra do samba, a Pérola Negra encerrou seu desfile com a certeza de que cumpriu sua missão.

Na abertura da segunda noite, Sodoma e Gomorra voltaram a aparecer, agora em “Salis Sapientiae – uma história do mundo”, o desfile que marcou a volta da Nenê de Vila Matilde ao Grupo Especial. A Águia da Zona Leste sacudiu o Anhembi com um samba animado e uma excelente atuação do carro de som puxado por Royce do Cavaco. Sodoma e Gomorra vieram retratadas na comissão de frente que começou a viajar pela história do sal. A mais brilhante comissão de frente do ano, diga-se de passagem, lembrou a história da destruição das duas cidades, quando Deus teria dito aos habitantes que os salvaria, mas que os mesmos não poderiam olhar para trás. Uma mulher olhou e se transformou em estátua de sal. Uma das integrantes da coreografia entrava em uma caverna como mulher e saía como estátua. Um ótimo truque!

A Nenê de Vila Matilde fez, mais uma vez, um desfile calcado em seu chão de respeito. O carnavalesco Delmo Moraes fez um bom trabalho, tanto no desenvolvimento do enredo, quanto na criação das fantasias e alegorias, mas a Águia da Zona Leste tinha suas deficiências financeiras bastante claras. O carro abre-alas, por exemplo, tinha tudo para ser dos mais belos do ano, retratando o sal como ingrediente de luxo através de seus cristais, mas estava bastante mal acabado e relativamente pobre. Esse seria um problema que perseguiria a Nenê por quase todo o seu desfile: carros muito melhores na teoria que na prática.

As fantasias, por outro lado, foram de ótimo nível. A divisão cromática valorizou as cores da escola e valorizou as fantasias, que apresentaram muita clareza. A escola viajou através da descoberta do sal na China e pela origem do termo salário no segundo setor. O segundo carro, “A César o que é de César”, foi o melhor do desfile. Mesclando elementos da cultura romana com a de outros povos, ele sintetizou a presença do sal nos tempos mais antigos e estava bonito. Nada espetacular, mas muito bonito. A Nenê fez um passeio muito criativo por outros momentos da história que envolveram o sal, como a morte de Tiradentes. É que os seus assassinos jogaram sal em sua residência para que ali nunca mais crescesse nada.

O ponto alto do desfile foi, sem dúvida, a animação dos componentes, que cantaram forte do início ao fim e fizeram o desfile ser marcante. Na parte plástica, há de se destacar o quarto setor com muitas fantasias escuras, remetendo ao excesso de sal que pode ser prejudicial. Essas fantasias estavam muito bonitas. O quarto carro, porém, embora não chegasse a estar mal acabado, sofreu alguns problemas pela Avenida. A alegoria trazia um alquimista cozinhando em um caldeirão, que era um jeito de representar o sal na culinária. Em volta dele, apareciam alguns galos e estes galos perderam suas cristas ao longo do Anhembi.

A propósito, esse foi outro grande problema. Os carros sofreram alguns danos ao longo da pista, o que certamente causaria prejuízos em alegoria. No último setor, a escola resolveu falar dela mesma. Do sangue, suor e lágrimas, todos tendo sais entre seus componentes, derramados pela escola para que ela voltasse ao Especial. E um dos casais de mestre-sala e porta-bandeira ainda veio representando um banho de sal grosso para espantar o mal olhado! A escola encerrou seu desfile com uma enorme escultura de Seu Nenê, no último carro. Apesar da emoção e do chão forte, as chances de rebaixamento existiam.

Quem surpreendeu e muito pelo lado positivo foi a Águia de Ouro. Mesmo tendo o que talvez fosse o pior samba do ano, a escola da Pompéia conseguiu uma brilhante apresentação no enredo “Com todo gás, a Águia de Ouro é fogo”. A comissão de frente passou muito bem pelo Anhembi ao retratar um ritual de adoração ao fogo, mas o desfie, com o perdão do trocadilho, esquentou mesmo foi no abre-alas, que foi o mais impactante do ano. Enormes mamutes perfeitamente acabados, bem como um gigantesco tiranossauro rex vinham à frente de um vulcão de 12 metros de altura. Labaredas de fogo eram retratadas por toda a alegoria com uma riqueza de detalhes impressionante. O carro ainda tinha efeitos sonoros e painéis de LED com imagens de labaredas.

As fantasias ficaram em um patamar ligeiramente inferior aos carros alegóricos, mas estiveram longe de fazer feio. O vermelho e o amarelo, claro, apareceram com destaque, mas a escola usou muitas outras cores ao longo do desfile. Nas fantasias, destaque para a lembrança do Imperador Nero que botou fogo em Roma e para bateria, que veio fantasiada de bombeiro. A despeito de não serem de fácil entendimento, as fantasias estavam bonitas. Nada demais, mas estavam bonitos. O segundo setor falou de lendas envolvendo o fogo e trouxe um carro mais simples em concepção, mas igualmente competente em acabamento, com destaque para o Curupira que apareceu na parte dianteira.

O impacto voltou a ser grande na terceira alegoria. O terceiro setor falava sobre a inquisição da Igreja Católica, que jogava os hereges na fogueira. A terceira alegoria trouxe Joana D’Arc sendo queimada e se transformando em Santa. O quarto setor, que era, digamos, o mais comercial do desfile, foi também o menos empolgante. A nova era, como dizia o enredo, vinha através do gás. Gás que se usa para cozinhar, para tomar banho (com os chuveiros a gás), etc. A quarta alegoria tinha uma concepção complicada e não estava muito bonita, passando sem chamar muita atenção.

No setor final, a escola voltou a impressionar. Na última alegoria, um lagarto de 18 metros se transformava em um pajé que protege a natureza em outro truque brilhante. A escola fez um desfile para brigar pelo título, embora o samba fraco e o chão consequentemente discreto colocassem a azul-e-branca como zebra.

Na sequência, começou o desfile que desde o início despontava como forte concorrente ao título. Apresentando o enredo “Carrossel das Ilusões”. A Mocidade deu um show em todos os nove quesitos de julgamento desde o primeiro minuto de desfile. O samba, apesar de bom, não era nada de espetacular, mas rendeu e rendeu muito. A bateria de Mestre Sombra foi um verdadeiro espetáculo. As bossas e paradinhas da Ritmo Puro levantaram um Anhembi que já não estava tão empolgado e fizeram crescer muito o samba. As paradinhas vinham no refrão do meio. Público e escola cantaram forte e provocaram um momento de catarse no Sambódromo.

No visual, o espetáculo de sempre. A comissão de frente embaralhava letras e depois fazia o convite com essas mesmas letras: iluda-se! Um fantástico carro abre-alas convidava você a entrar nessa ilusão da Morada do Samba. Na parte dianteira, vinham aquelas rodas preto-e-brancas representando a hipnose. A escola lembrou os cinco sentidos e a ilusão provocada pelo cérebro. Quem aceitou o convite entrou em um verdadeiro carrossel de ilusões! Esse carrossel vinha na parte traseira, com uma linda roda gigante. Um carro colorido, lindo, perfeitamente acabado.

O segundo setor viajou pelas ilusões no mundo infantil. As brincadeiras lúdicas cheias de faz-de-conta e as personagens infantis que iludiram outras personagens em fantasias maravilhosas, coloridas, de muito bom gosto e com muita clareza. O segundo carro trazia a busca infantil pela terra do nunca. O carro também foi muito bem trabalhado, com sereias encantadas, índios apaches, caveiras, caramujos e outros elementos presentes em “Peter Pan”. Afinal, poucas histórias foram mais recheadas de ilusões quanto essa do garoto que não queria crescer. Aos poucos, ia se desenhando uma briga histórica entre Vai-Vai e Mocidade pelo título.

O terceiro setor saiu do Mundo infantil e falou sobre ilusões, digamos, mais adultas. Os mágicos, por exemplo, são mestres na arte de iludir. E o futuro, não é, afinal de contas, uma grande ilusão? A divisão cromática escureceu um pouco, pendendo para o momento em questão do enredo, e seguiram luxuosas, imponentes e com leitura simples. O terceiro carro tinha truques de ilusionismo, com o tradicional truque da moça serrada ao meio, que contou com os trabalhos do mágico brasileiro Issao Yamamoto. O carro em questão manteve o padrão de luxo e acabamento de quem foi para a Avenida brigar pelo título.

Mas quando esse carro se aproximava do meio da pista, veio a notícia que acabou de vez com as esperanças da Morada do Samba. A quarta alegoria, que era muito bem trabalhada e representava o cinema em 3D, quebrou ainda na concentração e não teve como entrar na pista. A escola tinha outros quatro carros e não perderia pontos, mas certamente seria penalizada no quesito enredo. Esses descontos tornavam impossível o título da Morada. Uma pena, porque tanto o que veio antes, quanto o que viria depois foram dignos de ao menos brigar pela taça.

O quarto setor falou sobre as artes. A música ilude, o ator ilude, a TV ilude… Tudo no bom sentido, claro! As fantasias tinham ótimo entrosamento com o carro que não entrou, o que foi realmente uma pena. O quinto setor falou sobre lendas que iludiram exploradores durante a história da humanidade. Exploradores que sonharam com eldorados, com riquezas e partiram em busca das mesmas. O quinto e último carro foi o mais modesto, mas passou bem. Foi uma apresentação que beirou a perfeição. É claro que problemas no Carnaval sempre são lamentados, mas em um desfile como assim, são muito mais.

vilamaria2011Quarta escola da segunda noite de desfiles, a Unidos de Vila Maria entrou na Avenida para apresentar o enredo “Teatro Amazonas: Manaus em cena”, do carnavalesco Fábio Borges. A exaltação ao centenário de um dos cartões postais do Norte do Brasil rendeu à escola um desfile bastante superior aos dois anteriores, mas que ainda parecia longe de poder brigar pela taça.

A comissão de frente relembrou o dramaturgo francês Moliére. Componentes fizeram uma coreografia que serviu para saudar o público e abrir o grande espetáculo da escola do Jardim Japão. A Vila Mais Famosa caprichou em um belíssimo abre-alas que representava o próprio Teatro. Grandiosa e bem acabada, a alegoria representava com fidelidade o local e passou muito bem pela Avenida. No segundo setor, chamaram a atenção as belas fantasias que retrataram a riqueza vinda da borracha que ajudaram a erguer o Teatro. A Manaus do início do Século XX foi lembrada por sua importência econômica e pelas influências internacionais que recebeu. Apesar da divisão cromática um pouco escura para o meu gosto, Fábio Borges conseguiu boas fantasias.

As demais alegorias da Vila Maria, porém, não conseguiram se destacar. Longe da grandiosidade dos carros das escolas que mais se destacaram, as alegorias eram de fácil leitura e representavam bem os pontos do enredo, mas não tinham muito luxo. A segunda lembrou grandes óperas que passaram pelo Teatro, mas, a despeito da concepção interessante, não se destacou. O ponto alto do desfile foi o quarto setor, que passeou pela decadência vivida pelo Teatro, quando a grana da borracha já não pingava mais e os grandes espetáculos não vinham até o Amazonas. A saída, assim, foram os bailes carnavalescos e alguns espetáculos nacionais. Fantasias luxuosas e de ótimo gosto precederam um carro que lembrou os grandes artistas que pisaram naquele palco. O carro não estava feio, nem tinha falhas de acabamento, mas também não brilhou.

O último setor falava mais sobre a cidade de Manaus que propriamente sobre o Teatro. A escola previa anos prósperos para a Capital Amazonense com muito dinheiro vindo do turismo. Até a Copa do Mundo de 2014 seria lembrada – Manaus, àquela altura, já havia sido escolhida como sede. O último carro retomou a grandiosidade do abre-alas e passou muito bonito e muito bem iluminado. Sem grandes erros na evolução, a Vila Maria fez um bom desfile, mas podia sonhar apenas com uma vaga no desfile das campeãs. E, nesta briga, nem era uma das favoritas.

Fazendo um dos mais leves desfiles de sua história, a X-9 Paulistana alternou bons e maus momentos na exibição do enredo “Da eterna criança ao embaixador da esperança… Renato Aragão, Didi Trapalhão!”. O samba, apesar de não ser dos melhores, era animado e ganhou um bom acompanhamento da bateria de Mestre Augusto, que o fez render bem. O início do desfile foi dos mais promissores do ano. Coreografada pela sempre competente Chris Rabello, a comissão de frente fez uma linda exibição. A coreografia trazia retirantes vestidos de palhaços com malas nas mãos. As malas tinham letras que formavam o nome “Renato Aragão” e outras palavras que trouxeram o público para o espírito do enredo.

Um belíssimo abre-alas também mereceu destaque. O Ceará, terra natal do humorista Renato Aragão, o homenageado do enredo, foi representado como uma terra encantada. O universo infantil foi muito bem representado com carrosséis e rodas gigantes. Com ótimo acabamento, a alegoria chamou a atenção pela leveza e pelo bom gosto. Na sequência, porém, o desfile caiu um pouco em termos plásticos. O segundo setor lembrou do direito que todas as crianças tem de brincar. As fantasias até estavam bonitas, mas o carro, apesar da concepção interessante, apresentou algumas falhas de acabamento.

O terceiro setor foi o único a percorrer especificamente a carreira de Renato Aragão como humorista. “Os Trapalhões” foi o projeto mais lembrado, contando inclusive com a presença do outro trapalhão vivo, Dedé Santana, na terceira alegoria. Outros amigos do ator, a maioria que à época trabalhava com ele na “Turma do Didi”, também marcaram presença na alegoria que lembrou os filmes feitos por Renato. O carro não foi pensado de maneira muito criativa e não estava muito adereçado. Apenas passou pela Avenida, chamando a atenção pela presença das figuras conhecidas.

O quarto setor lembrou o trabalho de Renato Aragão como embaixador da Unesco. Sua luta, sempre relacionada às crianças, foi lembrada em fantasias de concepção mais escura, chamando a atenção para os problemas contra os quais o comediante lutou. Mais uma vez, o bom gosto das fantasias foi superior ao da alegoria, que não passou bem. O último setor também lembrou o lado social de Renato Aragão, com feitos como o destacado no último carro: o momento em que ele subiu nos braços do Cristo Redentor para cumprir o desafio do projeto Criança Esperança. Com uma linda concepção, o carro passou pobre e modesto, destacando-se apenas pela emoção do homenageado, que superou o medo de altura e entrou no clima de um desfile alegre e regular, que deveria dar à X-9 uma colocação ali no meio da tabela.

gavioes2011Penúltima escola a se apresentar, a Gaviões da Fiel conseguiu uma boa apresentação com o enredo “Do mar das pérolas e das areias do deserto à cidade do futuro – Dubai, o sonho do rei Maktoum”, mas tropeçou em alguns momentos, saindo assim da briga pelo título. Antes de mais nada, é preciso dizer que foi uma apresentação bastante atípica em se tratando da Gaviões da Fiel. Com um samba que não era dos mais animados, a escola não conseguiu conquistar a arquibancada e se destacou mais pelo luxo que pelo chão. Convenhamos que Dubai não era um enredo muito alinhado às tradições da escola.

À parte isso, o tema foi muito bem desenvolvido pelo carnavalesco Zilkson Reis, que mais uma vez mostrou a capacidade de ir além do que os temas lhe oferecem por si só. No caso de Dubai, o início foi até um pouco óbvio, mas bastante competente. A Gaviões lembrou o surgimento da cidade. Os primeiros habitantes árabes vieram na comissão de frente. “As lágrimas da Lua”, que teriam feito nascer um dos sete Emirados Árabes Unidos vieram em um luxuoso e imponente abre-alas. Com grande riqueza de detalhes e vários efeitos visuais e sonoros, o carro trouxe o tradicional Gavião em dourado, mas trouxe uma concepção predominantemente em azul claro, conseguindo ótimo efeito.

O segundo setor chegou ao tal sonho do Rei Maktoum. Esse Rei foi o primeiro a pensar que daquelas areias poderia sair uma cidade do futuro. As alas vieram com fantasias luxuosas que representavam os primeiros anos de Dubai, com muitos mercadores árabes. Os personagens que ajudaram a construir a cidade vieram em fantasias com tonalidade mais escuras, mas que esbanjavam bom gosto, a despeito da divisão cromática carregada. Predominantemente marrom, o segundo carro também foi um show. Palácios e mercadores vinham à frente do próprio Rei Maktoum em um carro muito bem adereçado e acabado.

O terceiro setor era a transição entre o sonho e a realidade. A escola contou como foi que Dubai se tornou o que se tornou. O dinheiro vindo do petróleo foi lembrado na fantasia da ala das baianas, toda em preto, que não foi muito feliz. Aliás, foi a partir desse setor que a plástica do desfile caiu consideravelmente. Com tons mais prateados, as fantasias passaram a ter difícil leitura. Já o terceiro carro, que destacou o aspecto futurista da cidade e sua transformação, tinha uma concepção complicada e não era dos mais bonitos. No penúltimo setor, a Fiel Torcida passeou pela Dubai dos dias atuais, com prédios modernos e tecnologia por toda a parte. As fantasias passaram a ter melhor leitura, mas não estavam muito bonitas. O quarto carro tinha uma concepção interessante, com rodas gigantes e tobogãs representando os parques temáticos de Dubai, mas se perdeu pela presença de um Faraó. Zilkson tentava assim comparar a construção de Dubai à das Pirâmides do Egito.

Por fim, foi a vez de lembrar o emirado como um pólo de turismo. Das Ilhas Paradisíacas às corridas de camelo, dos hotéis de luxo aos shopping centers, a cidade recebe turistas do mundo todo. Apesar de luxuosas, as fantasias não se destacaram. Já o último carro, com um bebê robotizado à frente de São Jorge, mostrava o futuro de Dubai. Prateado e luxuoso, ele encerrou, já no amanhecer, muito bem um desfile irregular, mas que rendia à Torcida Que Samba algumas chances de voltar na Sexta das Campeãs.

Encerrando o Carnaval de 2011 no Grupo Especial paulistano, a Império de Casa Verde decepcionou na apresentação do enredo “Samba sabor cerveja. Admirada a milênios, a mais nova sensação nacional”. Com um samba cheio de referências à Nova Schin, patrocinadora do enredo, a azul-e-branca apresentou uma plástica muito aquém de suas tradições e não conseguiu fazer um bom desfile.

Dentre os destaques esteve a ótima comissão de frente chamada “Porre dos deuses”, que mostrava o apreço de deuses egípcios pela cerveja. O abre-alas tentou, em sua concepção, trazer a grandiosidade dos carros da Império, mas o tiro saiu pela culatra. Faraós e elementos da cultura egípica estiveram presentes em um carro muito mal acabado e com cores muito escuras. Não foi um início dos mais promissores. O segundo setor, ainda dedicado ao Egito e sua relação com a cerveja, ficou marcado pela absoluta falta de criatividade das fantasias. Os faraós voltaram a aparecer a rodo e sem muita explicação. O sempre competente Marco Aurélio Ruffim dessa vez não foi bem e errou a mão nos carros. No segundo, dos vikings que também gostavam de cerveja, o acabamento voltou a ser deficiente e longe do padrão da escola.

O terceiro setor destacou toda a alquimia envolvendo a cerveja. As fantasias melhoraram e o terceiro carro, o do “caldeirão da burxa”, passou bem, apesar de não ser dos maiores. No quarto setor, a cerveja no Brasil teve sua história contada desde o hábito de D. João VI de apreciar um suco de cevada. O nível das fantasias passou a ser bastante satisfatório, com destaque para a dos Imigrantes Alemães e o quarto carro, tal como o terceiro, estava modesto, mas bonito. Por fim, a Império homenageou sua madrinha, o Camisa Verde e Branco. É que em 1991 o Trevo da Barra Funda foi campeão ao lado da Rosas de Ouro com o enredo “Combustível da Ilusão”, também sobre a cerveja.

Foi, sem dúvida, o ponto alto do desfile. A ala das baianas trouxe o símbolo do Camisa e as alas, além de destacar a relação do brasileiro com a bebida, prestaram homenagens a figuras conhecidas do Camisa como Talismã, o carnavalesco que tinha como hábito comer um peixe frito e beber cerveja nas rodas de pagode da escola. O último carro, apesar de não ter nenhum luxo, foi um ótimo encerramento. Um tigre relativamente modesto, mas também muito mais “alegre” que de costume, trazia um copo de cerveja nas mãos e um chapéu verde. Ao lado, símbolos do Camisa. À frente, uma loira, lembrando o “apelido” pelo qual é chamada a cerveja. No fim das contas, os últimos setores, apesar de não terem evitado a decepção que foi o desfile, diminuíram um pouco o mesmo e salvaram a escola do risco de rebaixamento. Com os problemas da Mocidade Alegre, a Vai-Vai despontava como grande favorita, enquanto, com erros e acertos distintos, Tucuruvi, Rosas, Mancha e Águia de Ouro tentariam surpreender.

A apuração começou com a confirmação dos cinco pontos perdidos pela Unidos do Peruche. Ao final do primeiro quesito, enredo, Mancha Verde, Vai-Vai, Águia de Ouro, Vila Maria, X-9 e Gaviões somaram 30 pontos, sendo que só as duas últimas conseguiram as cinco notas 10. A Tucuruvi vinha atrás com 29,75 ao lado da Rosas de Ouro. A Mocidade perdeu 1,5 ponto por causa do problema com o quarto carro e ficou de vez fora da briga. Em harmonia, apenas Mancha, Vai-Vai e Vila Maria seguiram invictas com 60 pontos. A Rosas subiu para terceiro com 59,75, mesma pontuação da Águia, que caiu para quarto junto da Gaviões. X-9, Império e Tucuruvi tinham 59,5. No quesito mestre-sala e porta-bandeira, as únicas mudanças mais significativas foram a perda de mais 0,25 por parte da Tucuruvi e o fim do sonho de X-9 e Império, que perderam 0,5 e 1 ponto respectivamente.

Em samba-enredo, a Mancha Verde perdeu 0,25 e deixou Vai-Vai e Vila Maria na liderança com 120 pontos. A Rosas se isolou em terceiro com 119,75, já que a Águia de Ouro perdeu 0,5 e foi ultrapassada por Gaviões (119,5) e Tucuruvi (119,25). A Vai-Vai assumiu a liderança isolada no quinto quesito, bateria, quando somou 30 pontos e foi a 150, ao passo que a Vila Maria perdeu 0,25 e caiu para segundo. A queda só não foi maior porque Mancha e Rosas perderam meio ponto cada. Assim, o terceiro lugar passou a ser da Tucuruvi, com 159,25. Com meio ponto perdido cada, Gaviões e Águia de Ouro se afastaram da briga. O quesito fantasia foi bom mesmo para a Vai-Vai, que abriu meio ponto de vantagem para a Vila Maria, que perdeu mais 0,25 e foi a 179,5. Com 30 pontos no quesito, Tucuruvi e Mancha vinham na sequência com 179,25. Também com nota máxima, a Rosas aparecia em quinto com 179.

Quando a vitória da Vai-Vai parecia mais certa que nunca, veio o quesito alegoria. As três primeiras notas da Escola do Povo foram 9,75, 9,75 e 9,5. A liderança chegou a ser perdida para a Vila Maria, mas os dois 10 que vieram na sequência, somados a mais um 9,75 da Vila Mais Famosa, devolveram a ponta à Escola do Povo, mas agora com 0,25 de frente para a nova vice-líder, a Tucuruvi, que aparecia com os mesmos 209,25 da Vila Maria. A Rosas subiu para quarto com 209 com o meio ponto perdido pela Mancha. O quesito evolução, o penúltimo, teve aproveitamento máximo das três líderes, enquanto a Rosas perdeu 0,25 e foi novamente ultrapassada pela Mancha, que subiu para quarto.

O último quesito, comissão de frente, seria, claro, decisivo. Se tirasse ao menos quatro notas 10, a Vai-Vai seria campeã, mas duas notas diferentes da máxima certamente custariam o título, já que duas escolas estavam 0,25 abaixo da Saracura: a Tucuruvi e a Vila Maria. Mas, ao contrário do que aconteceu nos três anos anteriores, dessa vez não teve mudança na última nota. A Vai-Vai, assim como suas duas concorrentes, tirou cinco notas 10 e conquistou sua taça de número 14 ao somar 269,5. Depois de um pré-Carnaval marcado pelo preconceito, a Tucuruvi conquistou um inédito vice-campeonato com os mesmos 269,25 da Vila Maria. A Mancha Verde terminou em quarto, seguida da Gaviões. Depois de desperdiçar 0,75 no último quesito, a Rosas foi ultrapassada não só pela Fiel Torcida, que fechou o grupo das que avançaram ao desfile das campeãs, como também pela Águia de Ouro, que acabou em sexto. A Mocidade Alegre, por todos os problemas, terminou só em oitavo.

Na sequência, vieram Tom Maior, X-9, Pérola Negra e Império de Casa Verde, que somou 265,75 pontos. Nenê de Vila Matilde, com 262,5, e Unidos do Peruche, com 247,25 (portanto, a 15,25 pontos da penúltima colocada e a 18,5 da última não rebaixada), foram rebaixadas. Depois de bater na trave nos dois anos anteriores, a Dragões da Real enfim foi campeã do Grupo de Acesso e subiu ao Grupo Especial ao lado do Camisa Verde e Branco que, com ótimo samba sobre a Avenida Paulista, superou no critério de desempate o Morro da Casa Verde. Com o acesso da Dragões, o Grupo Especial teria, em 2012, o número histórico de três escolas de samba oriundas de torcidas organizadas. Assim, pela primeira vez na história, duas delas desfilariam em um mesmo dia pelo grupo de elite.

Curiosidades

– A TV Globo optou por voltar ao estúdio aéreo localizado no centro da pista de desfiles. Cleber Machado e Mariana Godoy comandaram de lá os desfiles, enquanto Chico Pinheiro foi o chefe do Estúdio Globeleza, localizado no chão no final da Avenida. Ali estiveram os comentaristas Leandro Lehart,  Aílton Graça, Celso Viáfora e Negra Li.

– Foi a última vez que o regulamento do ano anterior foi mantido no tocante ao sistema de concessão de notas e de descartes. Nos três desfiles seguintes seriam usados três regulamentos diferentes. Até o momento em que escrevo, o regulamento de 2015 não foi oficializado.

– Mais uma vez, Liga e Superliga produziram DVDs com os sambas de suas escolas. Mas, a Superliga – onde mais uma vez participou o pagodeiro Belo – optou por não fazer gravações em estúdio. Os intérpretes cantavam ao vivo o samba em um palco, como em um show. Antes do samba, cada escola pôde fazer um alusivo ou cantar um samba exaltação.

– A faixa da Vai-Vai foi inicialmente gravada pelo cantor Agnaldo Amaral. Posteriormente, ele seria substituído por Wander Pires, que fez sua estreia no Anhembi.

– Foi, diga-se de passagem, o último ano dessa separação. Em 2012, todas as agremiações passaram a pertencer à Liga. Em três anos, a Liga faturou dois títulos e sua dissidência um – o de 2011. Entre as rebaixadas, quatro foram da Liga e duas da Superliga. Do Acesso, subiram uma de cada por ano e caíram cinco da Liga e uma da Superliga.

– O samba do Camisa Verde e Branco sobre a Avenida Paulista, que levou a escola de volta ao Especial, foi, até aqui, o último vencido pelo grande Ideval na escola. Foi também a última vez até o momento que o cantor Celsinho comandou o carro de som da escola.

– A Torcida Jovem do Santos, contando com Pedrinho Pinotti como carnavalesco, caiu para o Grupo I em último lugar. O curioso é que o enredo da escola era o Rei Pelé, que foi tema da Barroca Zona Sul no Especial em 2003. Naquela oportunidade, a verde-e-rosa ficou em último e não caiu por uma virada de mesa. Em 2014, a Leandro também citou o Rei e também ficou em último, mas não escapou de ir para o Acesso.

– Depois de mais um rebaixamento, Peruche e Nenê seguiram caminhos bem diferentes. A Filial do Samba esteve perto do rebaixamento para o Grupo I nos três anos seguintes, ao passo que a Águia voltou logo no ano seguinte para, por ora, não sair mais. Foi a primeira vez desde 1994 em que as duas escolas que subiram, caíram.

– Primeira e até aqui única exibição do cantor Zé Paulo Sierra em São Paulo. Ele cantou o samba da X-9 Paulistana.  O mesmo vale para o intérprete Tinga, que não gravou o samba, mas esteve no carro de som da Unidos do Peruche.

– Foi o fim de eras importantes nos carros de som. Freddy Vianna deixou a Tucuruvi após 11 anos, Royce do Cavaco encerrou sua passagem de seis anos pela Nenê e Vaguinho saiu da Mancha Verde após 10 Carnavais. Eles iriam, respetivamente, para Mancha, X-9 e Tatuapé (este último após ser contratado pela Tucuruvi).

– Outros intérpretes tiveram pela última vez a oportunidade de assumirem o posto de intérpretes oficiais. É o caso da dupla Baby e Pepê Niterói, que cantaram ao lado de Fernandinho SP na Vila Maria, e, no Acesso, de Betto Muniz, que cantou ao lado de Juninho Branco na Leandro. Todos estes ainda seguem na ativa, mas como apoio.

– Revoltada com algumas notas baixas para a Gaviões, a torcida da escola atirou alguns objetos que atingiram torcedores da Pérola Negra, que assistiam à leitura das notas, que foi paralisada, no setor inferior.

– Foi o último Carnaval do saudoso Marko Antônio da Silva, o Markinho, fundador e Presidente da Tom Maior desde 1984. Ele, aos 44 anos, seria vencido por uma leucemia ainda em 2011. Além dos anos à frente da escola, ele ficou marcado pela frase “Quem corre atrás do que gosta, não cansa”, que sempre repetia.

– Gilberto Kassab, o Prefeito, e Geraldo Alckmin, o Governador, estiveram presentes no Anhembi. José Serra, recém-derrotado nas Eleições Presidenciais, não foi por estar gripado. Também passaram por lá o então ministro da saúde Alexandre Padilha e o primeiro-ministro do Timor Leste, Kay Rala Xannana Gusmão.

Vídeos

O começo do desfile da Tucuruvi
https://www.youtube.com/watch?v=qw_djjM9dE0

O começo da Mancha Verde
https://www.youtube.com/watch?v=UM1ucweR4Ao

Um pedaço do desfile da Rosas de Ouro
https://www.youtube.com/watch?v=ue_A7bN1ndQ

O histórico desfile da Vai-Vai
https://www.youtube.com/watch?v=vXdIOfQILyc

O bom desfile da Pérola Negra
https://www.youtube.com/watch?v=Cds47A_Z9AU

O fogo da Águia de Ouro
https://www.youtube.com/watch?v=wCrOuMOjkEo

O início da Mocidade
https://www.youtube.com/watch?v=1Fw3Y_orN5s

A reta final da apuração com a confirmação do título da Vai-Vai
https://www.youtube.com/watch?v=tSMYX_an9yk

42 Replies to “Bodas de Prata – 2011: na vitória da música, Vai-Vai é campeã; Tucuruvi supera preconceito e é vice”

  1. “A música venceu… o dom é a luz que vem de Deus…” Que samba!!! PQP!!! Top-5 da história do Carnaval!!! Título mais que merecido!!

    E olha que eu detesto a escola do Bixiga!

  2. Um ótimo ano em termos de desfiles.
    Não mudaria as 4 primeiras posições, em 5º lugar colocaria a Águia de Ouro, gosto muito desse desfile da Pompéia, mesmo com os seus problemas.
    Vai-Vai sobrou na avenida. Pelos lados do Bexiga, smepre ouvir falar que quando a “Escola do Povo” é para ser campeã, o Vai-Vai acontece. Me lembro, ainda no desfile das campeãs de 2010, quando o Thobias anunciou o enredo de 2011, pessoas comentanto que seria nosso 14º título. O enredo, o samba-enredo e o desfile simplesmente aconteceu.
    Fico sempre pensando na excelente “briga” que teríamos caso a Mocidade Alegre não sofresse a “perda” de sua 4ª alegoria, ainda acredito que o título ficaria no Bexiga, mas a briga seria das melhores, valorizando ainda mais o título da “Escola do Povo.

    Mais uma vez, um excelente texto.

    Abraços

    1. Sou suspeito pra falar, até porque sou torcedor da Morada do Samba, mas pra mim se entra o 4°carro, a Mocidade venceria com quase todas as notas 10, a escola estava impecável.

  3. Sou suspeito pra falar, sou Mocidade Alegre, mas pra mim, caso não houvesse o erro da própria escola no excesso de peso e o eixo ter rompido, a escola jamais teria perdido aquele título.

    Mesmo assim, é justo o título da Vai-Vai que tinha um dos mais belos sambas da história do carnaval paulista.

    Eu vejo esse ano de 2015 com muitas semelhanças com 2011, vamos ver se confirmará.

    No mais, ótimo texto.

    Mais uma vez, parabéns Leo.

    1. 2011 era o ano que não foi pra Morada. O carro era simplesmente ótimo. Se o eixo não tivesse quebrado talvez vocês estariam buscando o penta agora rs

    1. Detalhe, Migão e Leonardo: ao passar o ABRE-ALAS é que já tinha gente cantando isso. Lembro que postei essa paródia no Twitter após ouvir e um ser me disse que eu era preconceituoso com a escola.

      Depois da apuração eu respondi: 15 pontos de desvantagem pra penúltima é suficiente pra você??

      E realmente foi pro fundo, mesmo! Só não caiu em 2014 porque garfaram a Estrela!!

  4. Só uma correção do ótimo texto, a Mocidade ficou em 7°lugar, e até o último quesito tinha conseguido entrar nas campeãs, porém teve 1 nota 9,75 que tirou a escola das campeãs ficando atrás da Gaviões e da Águia.

  5. E uma outra curiosidade: Se não houvesse descartes, a campeã seria a Vila Maria, depois vinha Vai-Vai, Tucuruvi, Gaviões e Mocidade.

  6. No carnaval de 2011, literalmente a música venceu, até porque no Rio a Beija-Flor foi campeã com enredo sobre Roberto Carlos…

  7. Vamos aos pitacos:

    – Me arrependi de perder os desfiles da Mancha e Vai-Vai. Agora posso ver pelo youtube, mas nada se compara ao ver “ao vivo”
    – Eu quebrei a cara com o vice da Zaca. Fui apostar mais no histórico da escola que com o desfile em sí.
    – Até o momento o 8º lugar da Morada é o pior resultado dela desde o título de 2004.
    – Como o nosso amado e respeitável colunista Dahi falou, o Rei Pelé não tem um histórico bom para ser um enredo. Ele se junta ao México na lista de “enredos para rebaixar escolas”.
    – Foi uma desgraça completa o desfile da Peruche. Me recordo das arquibancadas silenciosas enquanto o guincho rebocava as 2 alegorias pela avenida.
    – A Império merecia cair no lugar da Nenê, o desfile foi irregular demais. Ao menos a Águia Guerreira melhorou os enredos e está voltando aos poucos a sua glória
    – E falando em Águia, o carro com chuveiros da Pompéia foi um dos mais bonitos ao mostrar inúmeras mulheres tomando banho rs.
    – E novamente os torcedores da Gaviões descontaram sua raiva das notas na Pérola Negra. Eles iriam pedir música ao fantástico no próximo ano ao incendiar um carro da agremiação depois da confusão generalizada pelo rasgo das notas

    1. Só uma correção, Renato. A Mocidade foi 7°lugar, pior posição desde 2002 quando ficou em 8°, de 2003 em diante foram: 6 títulos, 3 vices, 2 3°lugares e esse 7°lugar.

      1. Eu só errei em um detalhe (que no caso foi o 8º lugar). De fato o pior resultado foi em 2002 porém me referi sobre os resultados DEPOIS da Morada ganhar um título (2004) e se firmar novamente como uma escola que disputa pé a pé o caneco.

      1. Concordo com você Rodrigo. O enredo de 2010 é até justificado, devido ao centenário do clube, mas ela devia se reformular em termos de enredo.

        Lembro que depois do título de 1995 a Gaviões só vinha com bons enredos e sambas melhores ainda, mas de um tempo pra cá engessou.

        E hoje vê a Mancha e principalmente a Dragões, também escolas oriundas de torcidas, se destacarem.

          1. Esse samba do Ronaldo consegue ser pior que o da Tradição! E foi uma esculhambação ter gabaritado o quesito…

  8. Bom dia!

    Prezado:

    Eu insisto em comentar aqui com atraso. As vezes, nem comento por falta de tempo, mas 2011 não posso deixar passar.
    Depois de um jejum que perdurava desde 2005, eu voltaria a assistir aos desfiles do Anhembi ao vivo e nos dois dias! Esta situação é a que prevalece até os dias de hoje. Os ingressos de 2015, bem como passagens, hospedagem e coisas do tipo, já estão garantidos!
    Devo dizer que o texto abaixo parece escrito por alguém que viu outro desfile. Discordo em muitos (Muitos mesmo!) pontos. Opiniões…

    – O desfile
    Os EUA tiveram sua crise financeira, conseqüência da bolha imobiliária, em 2008.
    Na série “Sapucaí em 30 atos” mencionou-se que as Escolas do Rio sofreram seus ventos em 2010.
    Pois eu acredito que o carnaval tenha mesmo sofrido como um todo em 2011!
    Os desfiles do Anhembi foram bem ruins. Quase uma decepção, não fossem algumas coisas que aconteceram, assim como um mau desempenho geral em todos os Grupos também no Rio.
    Batizei este ano de “Bizarro”, tamanha a coleção de falhas e situações inusitadas que aconteceram.

    – Peruche
    Para um enredo que homenageava o teatro municipal de São Paulo e o teatro em si, ficou condizente o desfile ter sido uma “tragédia” (Que não tinha muita coisa de grega, infelizmente…). Rebaixamento mais evidente que já vi.

    – Tom Maior
    A visão da Comissão de Frente parecia boa. Depois, faltou escola.

    – Tucuruvi
    O fato de usar materiais simples não foi decisivo para que a Escola não estivesse bonita. Definitivamente faltou muita coisa ali. Foi quase um vice de “consolação” pelos problemas enfrentados na fase pré-carnavalesca.

    – Rosas
    A reciclagem do abre-alas não caiu bem, e o último carro trazia um Coringa em posição estranha e Globos de loteria bem mal feitos. Além de não girarem, pareciam que iam desmontar na pista.

    – Mancha
    Havia carros que pareciam não estar terminados, quase completamente sem decoração, e de estética duvidosa…

    – Vai-Vai
    A música venceu! Foi um conjunto de fatores que empolgou, mas o desfile, assim como os outros tinha muitas deficiências!
    O acabamento da comissão de frente deixou muito a desejar (A referência a Dalí no elemento cenográfico era de um amadorismo grotesco). O mesmo vale para as alegorias (Excetuando-se o mega-gigantesco abre-alas). Faltou até tocha na Estátua da Liberdade…

    – Pérola
    Esta sim foi uma grata surpresa! Podia não ter o gigantismo do Vai-Vai, mas havia grandeza, bom gosto e acabamento! Os três primeiros carros eram ótimos. Os dois últimos… e as fantasias estavam bonitas. Belo desfile de uma primeira noite bem ruim.

    – Nenê
    A Vila Matilde só tinha a Comissão de Frente e a frente do abre-alas. O resto não estava acabado. Ou estava acabado, no outro sentido da palavra…
    Valeu sim pelo melhor samba do ano. A meu ver, melhor até que o do Vai-Vai, pois pegava na veia do torcedor matildense ao final da segunda parte!

    – Mocidade
    A Comissão de frente tinha boa idéia, mas estava mal resolvida e mal acabada. O abre-alas era estonteante…e só! Aquele último carro reproduzindo o Anhembi era de bastante mal gosto, e o samba não funcionou.

    – Vila Maria
    O abre-alas era uma grande ilusão! Tratava-se de um enorme caixote, tipo maquete gigante (O que é pouco criativo) forrado com tecido brilhante. E só!

    – X-9
    Outra grata surpresa, simplesmente porque não esperava nada dela.

    – Gaviões
    Dubai merecia um desfile com mais orçamento…
    Aquele carro com o brinquedo inflável era bizarro!
    A Comissão de Frente merece um destaque que a imprensa não deu. Era linda, bem resolvida, e a transformação dos integrantes em camelos foi genial!

    – Império
    Tragédia (Outra…)! Em nada lembrava aquela escola imponente que eu havia visto em 2005, que faturou o bi em 2006, e saltou em impérios em 2007…
    O carro da fábrica de cerveja, com suas tubulações, foi de bastante mau gosto, sem contar a ausência de brilho em quase toda a Escola. Tudo muito ruim, incluindo a escultura reciclada do ano anterior no último carro…

    – Curiosidades
    Choveu muito antes dos desfiles, mas não durante os mesmos. O locutor oficial do sambódromo mencionou este fato ao final da segunda noite.
    Fiquei na arquibancada monumental, e funcionários retiraram dezenas de baldes de água de 20 litros (Sim, dezenas de baldes de 20 litros!). Se esta água fosse aproveitada para banheiros, haveria uma economia monstruosa nos gastos do carnaval…
    Antes de a Império de Casa Verde entrar, funcionários do patrocinador cobriram TODOS os relógios da pista com sua logomarca. Mais um fato bizarro de um ano cheio de bizarrices…

    – Considerações finais
    Como eu mencionei no início, até parece que vi outro desfile. Não sei se o tempo me tornou muito exigente, mas ressalto que esta visão “pesada” se alastrou na minha volta ao Rio, e o ano “bizarro” se confirmou com as vitórias da Beija-Flor (Com Roberto Carlos) no Especial e Renascer no Acesso A.
    Que fique claro: não questiono a vitória do Vai-Vai, que foi uma luz de muita potência num túnel escuro, mas a festa como um todo foi muito fraca.
    Nada que me impedisse de retornar no ano seguinte, o que vem sendo feito ainda nos dias de hoje.

    Mais uma vez, parabéns pela série! As opiniões podem divergir, mas é um excelente trabalho!
    Que venha 2012!

    Atenciosamente
    Fellipe Barroso

    1. Quando a Peruche começou a desfilar, a chuva havia parado há pouco tempo. O Rodolfo ainda menciona isso na chamada geral.

      Abraços!

  9. Outra curiosidade, ampliada ao que o Leonardo já comentou.

    Em 2009 Nenê e Peruche caíram. As duas pontearam o Acesso em 2010 e caíram de novo em 2011, juntas!! E cada uma seguiu para seu canto.

    Ainda vai chegar 2014. Mas a Peruche só não foi parar na Terceirona (1-UESP) porque operaram sem anestesia a Estrela do Terceiro Milênio.

  10. Assim como o Felipe, tb discordo de mtas coisas, como no desfile da Rosas, que não empolgou em nenhum momento, e akela CF era ridícula com akele pintinho rsrsrs

    Impressionante como os torcedores da Mocidade Alegre insistem em falar que ganhariam sem o problema, ué, pagaram por um erro, na má distribuição de pesos no carro, eles sabiam que podia chover, e esta chuva pesaria, prejudicando o carro… A Mocidade errou e pagou pelo erro… O que pouca gente sabe é que a Alegoria quebrou na manhã de sábado, graças à chuva. A Solange e a diretoria já sabiam do problema, mas fizeram um trato de não contarem a ninguém, para que ninguém desfilasse desanimado…

    1. Sobre a Mocidade, é óbvio que foi um erro dela, errou e pagou o preço. O que falo é, com o carro na pista, era campeão. Infelizmente não é por conta de um erro, apenas isso.

      Sobre o samba, funcionou e funcionou muito.

      1. Como vc sabe que a Mocidade venceria se entrasse o carro? Eu li as justificativas de 2011 e lembro muito bem que alguns jurados descontaram enredo, claro, por causa da falta do carro, mas também por algumas incoerências que não eram diretamente ligadas ao carro em si.

        Logo, mesmo que o carro entrasse, a Mocidade poderia ser vice e não campeã;

        1. Gente, é um show de arrogância e má-educação da parte de todo mundo nos comentários!! O que mais se vê, nas entrelinhas é “eu avisei”, “eu tinha certeza”, “quando eu falo é verdade”, “quem você é pra dizer isso”, “você não sabe do que está falando”…

          Poxa! Será que não dá pra concordar ou discordar sem partir pra ignorância?

          Eu também penso que a Mocidade viria muito melhor se o carro entrasse. Não pra título, mas pódio, certeza! O carro era lindo demais!! Mas entra no que o Marco falou: o enredo não era tão “amarrado” com o que se viu na avenida.

  11. Vai-Vai emocionou e mereceu o título com um belo desfile! Tb achei exagero o vice da Tucuruvi, preferia a Mancha… Quase dormi nos desfiles em sequência de Vila Maria e X-9… Absurdo esse 3º lugar da Vila, que abusou de materiais duvidosos nas alegorias, e o samba que se arrastou com péssima interpretação do fraco Fernandinho SP e de Baby…

    Achei a Tom Maior pior que a Nenê, ela até repetiu coisas e 2010, xomo akeles dois jet-skys rsrsrs

  12. E menção honrosa ao emocionante desfile da Pérola Negra! Um dos mais emocionantes dos últimos anos! Até fico sem palavras, pq o Dahi foi perfeito no texto sobre ela!

      1. Eu aguardava este desfile da Pérola mais do que qualquer outra Escola.
        O enredo me chamou a atenção desde que havia sido anunciado.
        O samba era muito bom! Valente e sucinto, como deveria ser para quem se apresentaria pela manhã e depois do Vai-Vai.

        Quem foi embora perdeu!
        Aproveitei que a Monumental estava mais vazia para ficar de um lado para o outro, de cima para baixo. Fotografei muito esta escola!

        Houve uma grande injustiça na sua avaliação, denunciada pela Globo, que fez o favor de mostrar os jurados dormindo durante seu desfile.

        Em 2012 a Vila Madalena seria beneficiada por um mea culpa da Liga-SP no que diz respeito ao seu posicionamento na ordem dos desfiles.

  13. Mais uma curiosidade!
    Sobre a Comissão de Frente do Rosas…

    Em 2010, a Unidos do Jacarezinho apresentou no Acesso B um enredo de gosto mais que duvidoso chamado “Jacarezinho.com.br”.
    Nem preciso entrar em detalhes do quanto o desfile foi “lindo” (Com muitas aspas, por favor!)
    Nos fóruns de carnaval, tudo o que era de mau gosto passou a receber simbolicamente o “Troféu Jacarezinho.com.br”.

    Pois bem…
    Em 2011 o Rosas emplacaria o “Troféu Pomba do Rosas”, com a mesma finalidade do Jacarezinho!
    O contraste entre a belíssima fantasia dos Coringas (Até as botas eram ultra-trabalhadas) e aquela pomba era imenso!
    Não deu certo, ficou feio, e ainda foi zoado (Ainda é…).

    Todo ano, desde então, eu fico me perguntado quem terá a (in)felicidade de levar o troféu “Pomba do Rosas” em SP.

      1. Esse enredo do Jacarezinho é daquele ex-Rei Momo que se acha carnavalesco, Alex de Oliveira. Portela 2010 também é dele. Tremendo enganador

  14. Foi o ano em que fui ver os desfiles, adorei o samba da Tucuruvi que era muito bom e as arquibancadas dançou.

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