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Foi-me dada a atribuição de escrever para o blog como foi a cultura em 2014. Posso dizer: foi igual a 2013, 2012, 2011… Coisas boas foram produzidas, mas poucas pessoas tiveram acesso. Coisas ruins foram produzidas e graças ao “conhecimento” que move tudo nessa vida tiveram mídia e repercussão.

Fim de coluna?

Não. O ano de 2014 teve uma particularidade. Morreu gente ‘pra cacete’.

Era o momento de soltar a piada “morreu gente que nunca tinha morrido antes”, mas a verdade é que em poucos anos morreu tanta gente ligada à cultura como em 2014. Mortes inesperadas. Pessoas que nós nunca imaginaríamos que poderiam morrer um dia, mesmo sabendo que todos nós iremos.

Não percam as contas. Nelson Ned, Ariano Suassuna, João Ubaldo Ribeiro, Max Nunes, Marlene, Mickey Rooney, Gabriel Garcia Márquez, Paulo Goulart, José Wilker, Jair Rodrigues, Hugo Carvana, Robbin Williams, Roberto Gomes Bolaños, Joe Cocker (esse depois que eu já tinha enviado a coluna) Botafogo… Ah não, Botafogo não é de cultura. Ufa… Tanta gente que partiu…

…. E com essas partidas de 2014 a gente vê como é fraca a renovação, já que deixaram lacunas que estão longe de preenchimento.

O ano começou como todos começam. Carnaval.

Ao contrário de anos anteriores, não tivemos um grande samba-enredo em 2014. Esse fato fez com que os desfiles ficassem mais burocráticos e sendo decididos no visual, como foi na maior parte dos anos 90 e primeira década desse século. Ganhou a Tijuca com um samba que ninguém lembra, mas com o fator Paulo Barros.

Apesar disso posso dizer de novo que samba-enredo é a melhor música produzida no Brasil atualmente porque nenhum gênero produziu músicas como os sambas de Salgueiro, Imperatriz, Portela e União da Ilha em 2014. Não por coincidência, foram quatro das cinco primeiras colocadas do carnaval mostrando sim que qualidade sonora pode e deve fazer diferença.

Na Bahia fizeram os mesmos axés de sempre só mudando a ordem da pronúncia das vogais nos refrãos, alguns eram “ae ae ae” outros “eo eo eo” e alguma música com nome “dança de alguma coisa” foi lançada de forma descartável já que eu e boa parte da população nem lembramos mais.

O fato é que a música brasileira vive um processo de “axenização” que não sei se há reversão. O sertanejo universitário com seus “balabarês” e o funk que é o axé que não se leva a sério se juntam a pagodes de grupos com “jeito maroto” ou “sorriso moleque” que cantam que a carne é fraca, a tentação é grande e vão trair as namoradas entrando em um grande liquidificador de mesmice e falta de criatividade que assola a arte nacional.

Para ver na grande mídia algo diferente disso tem que ligar em reality show como “The Voice”. O problema que os candidatos, mesmo tendo talento, acham todos que tem que gritar e cantar em inglês. Não seguem o velho e imortal Tom Jobim que mostrou que dá para ganhar o mundo cantando baixinho e fazendo uma sonoridade nacional.

Mas pra não dizerem que só reclamo acho muito bom o surgimento da banda Malta e me apaixonei pela versão que Justin Timberlake fez de um antigo sucesso de Michael Jackson “love never felt so good”. Pra mim a música do ano.

Tem coisas boas surgindo, mas temos que ter paciência pra achar e fugir do show de mesmice.

11nov2014---cena-do-espetaculo-chacrinhaShow de mesmice que invadiu palcos e telas. Teatro agora tem que ser musical. Temos musicais de todos os tipos surgindo. Os saltimbancos trapalhões, Tim Maia, Elis Regina, Chacrinha, ópera do malandro, os da Broadway que sempre são produzidos por aqui e está para estrear sobre a vida de Wilson Simonal.

Acho que todos merecem serem produzidos, mas a questão é que quando quem produz cisma com alguma coisa aqui ele faz até a exaustão.

Por quê essa febre de musicais? Maior facilidade de angariar fundos de leis de incentivo? Possibilidade de cobrar ingressos mais caros? Simplesmente falta de criatividade? Já ouvi de uma amiga que trabalha no meio que a grana que pode ser alcançada através das leis de incentivos é preta e mesmo assim os ingressos são caríssimos.

A arte é feita pra ganhar dinheiro em primeiro lugar. Então pegue um artista popular, transforme a vida dele em um musical e bote grana no bolso. Daqui a pouco teremos a vida de Tiririca ganhando os palcos.

Mesmo processo passa o cinema.

Tivemos uma grave crise no cinema nacional que começou a ser revertida nos anos 90 com “Carlota Joaquina”. O auge foi entre a segunda metade dos anos 90 até o fim da década passada quando tivemos pérolas como “O quatrilho”, “Central do Brasil”, “Cidade de Deus”, os dois “Tropa de Elite”, entre outros.

Mas por incrível que pareça a coisa começou a degringolar naquilo que eu achava que seria a salvação do cinema nacional. A entrada da Globo.

Pensei que a Globo fosse alavancar a qualidade do filmes como faz com suas produções na tv, mas ocorreu o contrário. Assim como os produtores de teatro a Globo Filmes foi pelo caminho mais fácil. Da comédia.

Esse ano tivemos “S.O.S mulheres ao mar”, “Copa de elite”, filme da Regina Casé com Xande de Pilares, uns 85 filmes do Leandro Hassum que sobe pra 86 com a estreia de “Os caras de pau” agora no Natal e dois filmes com o Rodrigo Santana, ator do zorra total. Isso é ruim? Claro que não. Sou muito fã do Hassum assim como adoro ver filme de comédia e musicais no teatro, mas podemos ser muito mais que isso.

Não sou burro. Sei que peças e filmes de qualidade são produzidos no Brasil, mas eu falo do produto que chega na grande mídia, ao público em geral. Tudo isso ocorre por preguiça, já que a classe C conseguiu atingir um patamar maior e em vez de mostrar que ela pode conhecer a diversidade as artes tentam se adequar a ela.

É mais fácil, mais cômodo, dá mais dinheiro.

Amor-à-VidaProcesso que já vem ocorrendo com as novelas. Novela que, assim como o restante da cultura, não teve um grande ano. O horário nobre da Globo começou com “Amor a vida”, novela fraquinha, feita para consumo do espectador mediano e que teve seu momento de redenção com o beijo gay do último capítulo.

Destaque para a excelente atuação de Mateus Solano.

A seguinte foi a confusa e sonolenta “Viver a vida” de Manoel Carlos (até nos títulos de novela falta criatividade) e agora esta no ar “Império” de Aguinaldo Silva que, se não é uma obra prima, salva o horário.

Ano de redenção de Aguinaldo e de Gloria Perez com sua série policial “Dupla identidade”. Aliás, algum tempo o “biscoito fino” da Globo vem sendo suas séries e as novelas das 18 horas como a linda “Meu pedacinho de chão” e “Joia Rara” que ganhou o prêmio Emmy repetindo feito de outra novela das 18, “Lado a lado”. Vale citar também na Record a série “Conselho Tutelar”, que recebeu muitos elogios.

Mas quer qualidade de verdade? Bote na tv a cabo. Os seriados americanos vivem o grande momento de sua história e séries como “Breaking Dead” viraram febre no Brasil.

Semana passada escrevi sobre entressafra do futebol brasileiro e posso dizer que ela é do Brasil em geral. A cultura não está longe disso e se formos ver outros caminhos como a política é a mesma coisa.

Por isso é de se lamentar as mortes de tanta gente talentosa e que sem dúvidas fará falta como comecei a coluna.

Mas 2015 está aí e quem sabe escreve uma nova página cultural em nossa história.

Feliz ano novo.

2 Replies to “Retrospectiva Ouro de Tolo: A cultura em 2014”

  1. Belo texto Aloisio. É uma verdade que estamos com uma má qualidade nas artes em geral. A entrada da Globo no cinema não foi das melhores: filmes esquecíveis depois de sair da sala do cinema. Há filmes que tem uns 5 minutos só com os patrocinadores do filme.
    O único adendo que faço pra coluna é que a novela do Manoel Carlos desse ano foi “Em Família” (“Viver a Vida” foi lá de 2009).

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