[N.do.E.: Bruno Malta, 19, é estudante universitário]

Na semana passada, este blog falou sobre a safra de sambas-enredo do Rio de Janeiro e em São Paulo a situação não está muito diferente. Mas na terra da garoa, há duas grandes obras e no Rio apenas uma. Abaixo o leitor vai poder conferir com detalhes uma avaliação do samba de cada escola no Grupo Especial.

Mancha Verde: O samba da Mancha sobre o Palmeiras ficou bastante emocionante. Apesar de algumas repetições excessivas na letra, o samba composto apenas por palmeirenses, segundo consta, emociona justamente o palmeirense ao falar do orgulho do clube, da casa, das glórias passadas. É uma composição de razoável para boa que deve dar um bom ínicio ao carnaval paulista;

Acadêmicos do Tucuruvi: A escola da Cantareira tem um samba bastante alegre sobre o Carnaval. É um samba com a cara da escola, e que me remete ao grande desfile de excelente samba de 2013. Não sei como está a situação de quem vai puxar o samba após a saída do Wantuir. Dependendo de quem for, pode dar caldo no Anhembi;

Tom Maior: O samba sobre a adrenalina ficou bastante digno. É uma 0bra que conta bem enredo e é muito bem cantada pelo ótimo Renê Sobral. Dada a posição do desfile, fica difícil imaginar uma briga maior do que contra o rebaixamento, mas o samba pode ajudar a escola do Sumaré nessa disputa;

dragoesdareal2015Dragões da Real: Aqui temos duas coisas a serem ditas: uma é que o samba é bastante digno e tem boas sacadas para o enredo “Acredite se puder” -a escola que vem numa excelente crescente e pode brigar de fato pela taça. A outra coisa a ser dita: como canta o Daniel Côllete, que fez mais uma brilhante interpretação com o samba da escola;

Rosas de Ouro: A escola da Vila Brasilândia vem mais uma vez pra tentativa de vencer o campeonato com a fórmula usada de 2008 pra cá: enredos interessantes, sambas funcionais e muito luxo. Sobre o samba em si, é funcional, conta com poucas coisas a se destacar e com uma atuação apenas ok de seu intérprete. É mais um daqueles casos de um samba que se esquece logo após o Carnaval;

Águia de Ouro: Depois do “campeonato” de 2013 e do terceiro lugar de 2014, a escola da Pompéia luta para vencer de verdade em 2015. O samba não tem a qualidade das obras anteriores, mas é bastante correto e conta bem o que é proposto no enredo. Mas vale o que está escrito para a escola anterior;

Nenê de Vila Matilde: Depois de quase ser rebaixada em 2014 com enredo e sambas horrorosos, a escola da Zona Leste voltou às origens com uma temática afro que normalmente rende bons sambas como é o caso para 2015. O samba é bem correto e conta muito bem o enredo, meu único receio é a atuação do intérprete Agnaldo Amaral, que está bem longe de viver um bom momento na carreira;

Unidos de Vila Maria: De volta ao grupo especial, a escola foi buscar um enredo bastante difícil de ser carnavalizado. Muito por isso a escola tem um samba bastante fraco, que fica na parte final do ranking do ano. O intérprete Clóvis Pê, após ser desligado do Império Serrano, fica apenas na escola da Zona Norte nesse ano;

Gaviões da Fiel: Após o pior samba de sua história, a “Torcida que Samba” se recupera em partes nesse ano, o enredo sobre o baralho não ajuda, muito tal como na Grande Rio. Portanto, o samba ficou bastante aquém do esperado, até pela história dos Gaviões. Mas mesmo assim é um samba que tem algumas boas sacadas, que, se ouvido com atenção, tem até uma melodia interessante;

Mocidade Alegre: Para ficar claro ao leitor, torço pra Morada do Samba. Porém o samba de 2015 é fruto de uma escolha terrível de enredo: com todo respeito do mundo à Marília Pêra, a atual tricampeã não podia ter escolhido-a como enredo. Com isso, tivemos uma safra fraca pros padrões da Mocidade entre os concorrentes, e o melhor deles não venceu. Apesar de tudo isso, o samba escolhido é razóavel pra bom, com algumas boas sacadas como o verso: “meu samba chamou você pra sambar, e te consagrar rainha”, e tem interessantes mudanças melódicas. Mas no todo fica a impressão de que poderia ser bem melhor;

Império da Casa Verde: As eliminatórias causaram surpresa no mundo do samba: além de a escola enfim ter samba, esse samba perdeu a disputa para um bem meia-boca. Inclusive a reação da quadra após o anúncio é impagável. Além disso, o enredo do Tigre Guerreiro não empolga, são muitos clichês unidos que formam enredos e sambas fracos. O que salva mais uma vez é a boa e segura atuação do excelente Carlos Júnior.

Acadêmicos do Tatuapé: Logo quando teve o inicio das eliminatórias, o colunista Leonardo Dahi e eu conversávamos sobre as inacreditáveis exigências da escola para a disputa. Ele, inclusive muito inteligente, fez uma paródia sobre o que podia ser do samba para 2015 e, podem acreditar, não ficou muito diferente do que aconteceu realmente. Ao tentar fazer um samba semelhante à excelente obra de 2014  a escola do Tatuapé se deu mal e fez um samba bem meia boca que só leva de destaque o refrão de meio.

vaivai2015Vai-Vai: O leitor deve estar se perguntando: cadê as grandes obras que havia citado no começo? Pois elas ficaram justamente para o fim. A Vai-Vai tem um samba brilhante sobre uma das maiores cantoras do Brasil, Elis Regina. O enredo é muito bem contado, mas, além disso, tem um algo a mais proporcionado pelos compositores: até a sacada do Quaraqua da primeira parte que era mal-vista no começo por mim ganhou crédito após mais audições. O samba da escola do Bixiga é simplesmente brilhante e deve ganhar um molho a mais com a bateria de Mestre Tadeu e o adendo da bela voz do intérprete Gilsinho.

X-9 Paulistana: O melhor samba do ano no carnaval paulista. Simples assim. O samba da escola da Zona Norte é brilhante, sobre a chuva (enredo interessante dado o momento atual em São Paulo). O enredo tem um samba que retrata com perfeição o que é pedido na sinopse, além disso tem dois refrões simplesmente irresistíveis. Pra se ter uma ideia, uma amiga que não é muito ligada a Carnaval cantarola os refrões diversas vezes durante o dia após ter ouvido o samba. Além de o samba ser muito bom, o intérprete Royce do Cavaco tem mais uma apresentação brilhante. Esse samba tem tudo para encerrar os desfiles de maneira empolgante e alegre.

No meu ranking pessoal de sambas de São Paulo para 2015 ficou assim:

1°  X-9 Paulistana
2° Vai-Vai
3° Dragões da Real
4° Nenê de Vila Matilde
5° Acadêmicos do Tucuruvi
6° Mancha Verde
7° Tom Maior
8° Mocidade Alegre
9° Gaviões da Fiel
10° Rosas de Ouro
11° Águia de Ouro
12° Acadêmicos do Tatuapé
13° Império de Casa Verde
14° Unidos de Vila Maria

8 Replies to “Vai-Vai e X9 brilham nas escolhas de samba para 2015”

  1. Que a minha Vila Maria faça um desfile maravilhoso pra compensar esse enredo meia boca. Gaviões tem bom samba, mas não gostei de algumas partes.Mesmo sendo bom, gostei mais do samba da parceria Arlindo Cruz! X-9 e Vai-Vai arrebentaram. A Mocidade foi a maior decepção! Dudu Nobre tinha que ter ganhado a final!

    1. A Mocidade tinha dois sambas melhores na final (Dudu e o samba 7 que não lembro de quem era), e nenhum dos dois levou, incrível.

      Gaviões não ouvi todos, mas acho esse agradável

      A Vila Maria precisa escolher enredos e sambas melhores pra ontem, saudades do samba de 2007 pra ficar num exemplo.

      Valeu pela leitura e pelo comentário, abs.

      1. O samba 7 é da parceria do Dadá, que era bem melhor que esse escolhido. Sobre a Vila Maria, sempre a escola tem uma reformulação. Sinto falta do Chico Spinosa, que saiu qnd a escola saiu, mas já faz muita falta. Os sambas de 2005 e 2007 foram inesquecíveis!Abs.

  2. Belo texto, Bruno. Ainda não ouvi todos os sambas de SP, mas dos que ouvi concordo com o a sua análise. Gostei bastante do samba da Nenê, e o da X-9 realmente se destaca muito, daqueles que gruda na mente! Torço pelo retorno da Leandro, escola que tenho simpatia e que costuma fazer sambas muito bons.

    1. Obrigado pelo comentário, Sérgio. Mais pra frente analisarei os sambas do Acesso ainda não ouvi nada lá a exceção do samba da Pérola.

      Sobre a safra do Especial, pra mim X-9 e Vai-Vai sobram muito, são nota 10, o restante é de 9.8 pra baixo. O samba da Nenê é muito bom também, mas vejo um degrau abaixo dos dois primeiros e um pouco pior em relação ao bom samba da Dragões.

      Sobre a Leandro fazer grandes sambas, o samba do Babalotim é um dos meus preferidos na história do carnaval paulista.

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