[N.do.E.: Bruno Malta, 19, é estudante universitário]

Mais uma vez como convidado escrevo aqui neste blog, quero deixar claro que agradeço ao editor chefe do blog por mais essa oportunidade, além disso agradeço a uma amiga que pode revisar todo o texto para mim e isso foi de grande ajuda. Também analisei esta semana a safra de sambas paulista.

Após o fim de todas as disputas de samba-enredo nos grupos especiais de Rio e São Paulo, resolvi me concentrar em decorá-los para poder avaliá-los de maneira mais completa, com isso e após a divulgação das versões oficiais dos sambas cariocas, posso enfim fazer uma análise completa da safra tanto no Rio, quanto em São Paulo.

No geral, os cariocas tiveram uma safra de razoável para boa com uma obra-prima, e em São Paulo onde poderíamos ter uma grande safra, temos apenas obras boas ou corretas salvo duas ótimas exceções, abaixo o amigo leitor terá uma análise individual de cada samba começando pelo Rio de Janeiro.

Viradouro:  É grande incógnita do CD para mim, não posso chamar o que foi feito de samba-enredo na acepção da palavra, porém é um bom samba, mas me passa a impressão de que será um samba daqueles bons para ouvir num CD no carro e não para avenida, ainda mais abrindo os desfiles. O Intérprete Zé Paulo não foi mais uma vez bem, apesar de tudo, a gravação ficou melhor que a versão divulgada pela própria escola;

mangueira2015Mangueira: É um samba que foge um pouco do padrão da escola nos últimos anos pois tem uma letra mais poética dos que nos anos anteriores. Mas tem dois explosivos refrões como os dos anos anteirores, principalmente o refrão final que exalta o enredo e a própria escola de forma muito bonita. É um samba muito bom de ouvir, se não fosse a posição de desfile poderia pegar de forma bastante contundente na Sapucaí. O Alusivo do CD é simplesmente emocionante, e o Luizito deu seu tradicional update ao samba;

Mocidade: Samba com jeito e cara de Paulo Barros, conta bem o enredo e simplifica o que devemos ver na avenida. Além disso tem um refrão explosivo e que deve grudar na cabeça dos foliões que forem a Sapucaí, com a pista mais quente após o desfile da popular Mangueira, deve pegar e ser um bom sacode. Bruno Ribas, apesar de limitações, foi muito bem na gravação do CD;

Vila Isabel: Adianto ao leitor que nada me fará mudar a opinião de que esse samba não era o melhor para a Vila levar à avenida. Havia pelo menos três obras superiores a esta ainda nas eliminatórias. Além disso, o samba que não era uma obra-prima foi bastante prejudicado pelas mudanças do intérprete Gilsinho, pra mim fica no bolo de trás do meu ranking pro ano. Cantando, Gilsinho foi muito bem na gravação e deu um tom razoável ao péssimo refrão de meio;

Salgueiro: É um samba pobre na questão da letra e já foi pior nessa mesma questão nas eliminatórias. A melodia é bastante interessante e ele tem uma boa sacada no refrão final  que diz “É o meu Salgueiro com gosto de quero mais” que faz referencia a tentativa de título após o segundo vice-campeonato em três anos. Sem a irreverência do intérprete Quinho a gravação ficou mais emocionante, mas mesmo assim não há um bom entrosamento entre a dupla;

Grande Rio: Pra mim é o pior samba da safra, há se destacar apenas os bons versos finais  da segunda parte que chamam o componente caxiense,  o tratando como um coringa, o resultado ficou bastante decente. Émerson Dias, “estandarte de ouro” em 2014, mais uma vez não foi nada bem, não deu um tom melhor ao samba e ainda piorou alguns versos com o tom dado. Aliás, ficou bem estranha a gravação.

São Clemente: De longe a melhor gravação do Especial, o samba que era bom ficou ótimo na voz do excepcional Igor Sorriso, há muitos versos a se destacar, gosto muito do verso que diz “Hoje sua herança desfila aqui”, além disso o samba tem grandes sacadas melódicas o que facilita o canto do componente, e possui três refrões como nas quatros últimas grandes obras da Portela, o que mostra que isso está virando uma saída interessantes dos compositores. Igor Sorriso mais uma vez foi espetacular na gravação e melhorou muito um bom samba, anotem esse nome, logo estará numa grande do carnaval carioca;

Portela: A grande polêmica das eliminatórias foi na Portela, que teve até grandes compositores se desligando da ala. Porém, apesar de tudo isso o samba é um sacode que deverá ser bastante cantado na Sapucaí. Apesar de uma letra ”pobre”, o samba tem boas saídas e é de fácil comunicação e leitura para o público. A gravação ficou bastante abrilhantada pelo excelente alusivo. Apesar disso me incomoda um pouco o tom dado a algumas palavras pelo cantor Wantuir, fora isso é uma das melhores faixas do CD;

beijaflor2015Beija-Flor: Outra polêmica, mas essa logo após a divulgação da letra oficial: por uma recomendação do patrocinador do desfile (o Governo da Guiné Equatorial ), houve uma mudança em dois versos do samba, o que tirou um pouco do brilho da espetacular obra, mesmo assim ainda é um grande samba com cara da escola e do jeito que os componentes gostam. Na gravação do CD temi pelo tom que seria dado pelo grande Neguinho e meu receio se confirmou. Apesar de ele estar melhor do que eu imaginava, ainda está bem longe da espetacular interpretação de seu irmão nas eliminatórias;

União da Ilha: Bom, sobre a disputa é melhor não tecer comentários pois foi bastante insólita, no mínimo. Mas sobre o samba em si, a letra é correta e tem dois bons refrões, o do meio bastante polêmico por conta da expressão “fiu-fiu”, mas considero uma boa sacada. Gosto da segunda parte, que fala da beleza moderna e chama para mais um bom refrão. O bom Ito Melodia foi prejudicado pela má atuação da bateria no CD, espero que isso seja acertado até o desfile;

Imperatriz: A OBRA-PRIMA, uma obra-prima em forma de samba, um samba brilhante que tem grandes e maravilhosas sacadas. Desde seu ínicio ele é poético e brilhante, o não refrão de meio é genial e maravilhoso. A segunda parte começa muito boa e chega ao seu ponto alto, do samba e do CD nos quatros versos antes do belo refrão, os versos que dizem: “Vamos louvar o canto da massa, unindo as raças pelo respeito, vamos à luta pelos direitos, uma banana para o preconceito” são simplesmente históricos. A gravação do CD foi excelente, desde o bom desempenho da bateria se recuperando do desfile ruim deste ano até a brilhante interpretação do cantor Nêgo. Aliás, como canta o irmão do Neguinho;

Unidos da Tijuca:  A Tijuca sofre do que se chama no mundo do samba do “estrago de Paulo Barros” após anos e anos de limitações, os compositores não foram felizes mesmo com saída do carnavalesco rumo a Padre Miguel, até por isso houve a junção de dois sambas. Apesar de tudo, o samba não ficou de todo ruim não, tem sacadas interessantes em alguns versos, e uma melodia de razoável para boa. O problema maior é o refrão final, que fala em prêmio Nobel do samba, o que, mesmo com a explicação dada, ainda é bem estranho.  O intérprete Tinga foi muito bem na condução do samba fazendo com que a obra ficasse bastante agradável de se ouvir;

No meu ranking pessoal de sambas do ano no Rio ficou assim:

1° Imperatriz
2° Portela
3° Beija-Flor
4° São Clemente
5° Mangueira
6° Viradouro
7° Salgueiro
8° Tijuca
9° União da Ilha
10° Mocidade
11°  Vila Isabel
12° Grande Rio

8 Replies to “Imperatriz é o destaque da safra de sambas do Rio”

  1. Análise muito boa, Bruno. Concordo em grande parte, especialmente sobre o maravilhoso samba da Imperatriz. No mais, gosto mais do samba da Vila do que você, apesar de concordar sobre o desnecessário (e ruim) refrão de meio que foi enxertado, e gosto menos dos sambas de Tijuca e Ilha do que você rsrs também não acho que essa safra tenha sido desastrosa, como anunciado. Se esse ano não tivemos obras-primas em quantidade, temos vários sambas bons e, sobretudo, animados.

    Meu ranking:

    1 – Imperatriz
    2 – Portela
    3 – Beija-Flor
    4 – Mangueira
    5 – Viradouro
    6 – Vila Isabel
    7 – São Clemente
    8 – Salgueiro
    9 – Mocidade
    10 – Grande Rio
    11 – Ilha
    12 – Tijuca

    1. Antes de qualquer coisa obrigado pelo comentário, Sérgio. Sobre os sambas, eu não gostava nada do samba da Tijuca, mas o Tinga melhorou muito ele e o deixou bastante agradável subindo no meu conceito, o da Ilha, eu acho bacana é tipo um “Bububú no Bobobó” de 2015 é agradável também, eu não gosto de nada do samba da Vila, acho muito pra baixo, assim como o da Grande Rio, de qualquer maneira, te agradeço novamente, obrigado, ABS.

  2. Gosto é gosto, mas sinceramente não sei como você considera o samba do Salgueiro melhor que o da Vila. Podiam colocar mais 3 refrões como aquele pra escola que o samba continuaria sendo infinitamente melhor que o Sinhá que é um sambinha nada animado pra mim.

    1. Tiago, eu botei um pouco do meu gosto pessoal, acho o samba da Vila muito pra baixo e ruim pro componente cantar, até porque ele é muito frio.

  3. O samba da São Clemente ta muito bom !!! Eu escuto samba desde 1997, tenho vários cds de Sao Paulo e Rio de Janeiro !!!

  4. A safra realmente não foi das melhores porem teve algumas obras interessantes.
    Destaco o samba da são Clemente que mais uma vez acertou na escolha com um samba que tem a cara da escola.
    Meu ranking fica:
    1) imperatriz
    2) Portela
    3) são Clemente
    4) mangueira
    5) beija flor
    6) mocidade
    7) viradouro
    8) salgueiro
    9) tijuca
    10) união da ilha
    11) grande rio
    12) vila Isabel

Comments are closed.