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Bodas de Prata – 2005: Império desbanca favoritas e leva primeiro título; Gaviões e Peruche reagem

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Parecia filme repetido. Mais uma vez, o grande assunto dos meses que antecediam os desfiles era o atraso nas verbas oriundas da Prefeitura de São Paulo para o Carnaval de 2005. Até o último mês da gestão Marta Suplicy, que em outubro de 2004 havia sido derrotada por José Serra no segundo turno das eleições municipais, apenas R$ 1 milhão dos R$ 17 milhões que a Prefeitura gastaria com as verbas havia chegado às 16 escolas do Especial.

Os outros R$ 16 milhões só foram liberados no mês de janeiro de 2005, já sob a administração Serra, sendo R$ 5 milhões custeados pela Prefeitura e os outros R$ 10 milhões por empresas privadas, como já havia sido decidido anteriormente. O tucano explorou bastante essa situação durante o Carnaval.

Naquele Carnaval, a Liga decidiu fazer mudanças mais contundentes no regulamento. O número de jurados voltaria a ser de três por quesito, um a menos que em 2004, quando os julgadores passaram a dar notas nas duas noites e não mais em apenas uma delas. Assim, todas as 16 escolas seriam julgadas pelas mesmas pessoas. Outra mudança adotada para 2005 estava no fim dos descartes: todas as 30 notas seriam validadas.

Na pista, a expectativa era de uma grande disputa e de um Carnaval melhor que o de 2004. Sem a restrição do tema único, como em 2004, as escolas apostaram em temas diversos para levar o título. Campeã vigente, a Mocidade Alegre tentaria o primeiro bicampeonato de sua história com um enredo em homenagem à cantora baiana Clara Nunes. Quem também apostou na música foi a X-9 Paulistana, que exaltaria a dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó. Já a ascendente Império de Casa Verde, optou por criticar o chamado primeiro mundo e apresentar uma mensagem de esperança e incentivo ao Brasil.

Nenê de Vila Matilde e Rosas de Ouro escolheram falar sobre seus símbolos – a águia e as rosas -, ao passo que a Vila Maria tentava pela primeira vez chegar ao desfile das campeãs com uma crítica social ao Brasil em um paralelo com o mundo circense. A Tucuruvi optou por exaltar a região da Serra da Cantareira, onde está situada, a Águia de Ouro escolheu falar sobre a fome no Brasil e a Tatuapé fazer uma viagem pelo Pará. Mordidas com os resultados ruins em 2004, as tradicionais Camisa e Vai-Vai escolheram o telefone e o desejo da imortalidade como temas.

A Leandro de Itaquera abordaria a questão da solidariedade através de uma homenagem ao Rotary Club. Os temas sociais também estariam presentes no enredo das mãos da Barroca Zona Sul, enquanto a Imperador do Ipiranga resolveu passear pelo México. Estreando no Grupo Especial, a Mancha Verde escolheu falar sobre o Mato Grosso, enquanto a Tom Maior, voltando à elite, pretendia passar a mensagem da importância de se usar com consciência os recursos naturais.

Estreando no Grupo Especial, a Mancha Verde abriu a festa com o enredo “Da pré-história aos transgênicos: Mato Grosso. Uma Mancha Verde no coração do Brasil”. A escola pretendia fazer uma apresentação de alto impacto em sua estreia e, para isso, trouxe um enorme Manchão (o símbolo da escola) à frente de dois gigantes dinossauros. É que os dois primeiros setores, o que para mim foi até um erro do desenvolvimento do enredo, foram dedicados à pré-história. O primeiro simbolizava a presença de meteoros no que hoje é o Mato Grosso e o segundo os fenômenos naturais ali (e em todo o resto do Planeta) ocorridos, como as glaciações e também o surgimento dos primeiros seres humanos.

Nos demais setores, o sempre competente carnavalesco Eduardo Caetano viajou pela fauna do Mato Grosso e também por sua cultura, além de sua importância na agricultura e na produção de alimentos transgênicos. Claro que a escola olhou o lado positivo dessa questão, mas enfim, essa é outra discussão. Fato é que o conjunto alegórico da Mancha impressionou pela grandiosidade, mas pecou na realização. Os carros de fato estavam bem trabalhados, com muita informação, mas não estavam, no português claro, bonitos. Em uns, faltou cor. Em outros, sobrou. A terceira alegoria, da fauna e flora, por exemplo, tinha um número absurdo de animais e plantas, o que acabou prejudicando o efeito da alegoria.

As fantasias, porém, apresentaram um padrão de qualidade considerável. De fácil leitura, conseguiram bom efeito e permitiam uma evolução tranquila dos componentes. A divisão cromática foi interessantíssima, com escolhas de cores muito pertinentes aos setores. Os relativos à pré-história com mais marrom, vermelho e laranja, os demais com muito verde e etc. A que mais me chamou a atenção foi a da bateria, que veio dividida em três faixas verticais e, assim, em verde, amarelo e azul. A bateria, aliás, teve um bom desempenho na condução do samba, que não era dos melhores e ganhou algo a mais na voz de Vaguinho. As arquibancadas, lotadas de palmeirenses, responderam bem.

O problema é que, lá no início, o terceiro carro empacou na concentração e a escola, que já havia atrasado em mais de 30 minutos o início do desfile, demorou a se acertar. Muito grande, a escola teve que correr no final. Correu, parecia que iria terminar no tempo, mas viu a última alegoria emperrar na linha final do desfile (ver mais em curiosidades) e, com isso, estourou em um minuto o tempo. Até 2004, isso acarretaria perda de um ponto, mas, a partir daquele ano, a agremiação não só perderia um ponto por minuto, como também três por ter estourado o tempo. Com isso, a Mancha sairia com quatro pontos de desvantagem, o que poderia até significar uma volta ao Grupo de Acesso.

A segunda escola da noite foi a Imperador do Ipiranga, que apresentou o enredo “México – Uma Viagem Introdutória ao Paraíso dos deuses!”. O carnavalesco André Machado mais uma vez surpreendeu a todos pelo desenvolvimento irrepreensível do enredo e pelo incrível bom gosto na concepção e acabamento dos carros alegóricos. Sem contar com um samba espetacular como em 2004 – embora este também não fosse dos piores -, a escola fez uma apresentação muito interessante.

O início do desfile foi dedicado aos deuses mexicanos, alguns deles com nomes diferentes para tribos diferentes. O abre-alas impressionou pelo acabamento primoroso, com enormes serpentes douradas que se movimentavam à frente de uma coroa, símbolo da escola, que girava e exibia figuras típicas de diferentes tribos mexicanas. O segundo setor falou sobre essas tribos e, dada a diversidade mexicana nesse sentido, foi preenchido com folga por olmecas, astecas e outros “ecas” com boas e criativas fantasias. O carnavalesco soube exploras as peculiaridades de cada uma dessas tribos, evitando assim uma repetição.

A Imperador evidentemente tinha uma deficiência econômica em relação às concorrentes, mas conseguiu, dentro das suas limitações, fazer um bom desfile. Particularmente, acho que nas demais alegorias o carnavalesco pecou pelo excesso de esculturas – principalmente na terceira, a da Invasão Espanhola. Foi, contudo, um desfile de momentos interessantíssimos. A bateria veio vestida de mariachis e chamou a atenção do público, assim, como o último carro, que relembrou o tricampeonato brasileiro na Copa do Mundo de 1970, disputado no México.

Dois problemas, no entanto, fizeram um desfile que podia até render uma boa colocação passar a ser seriamente ameaçado de rebaixamento. O primeiro foi a noite trágica da harmonia da escola. Alas passaram mudas e o canto não foi bom, talvez por conta do desempenho aquém do esperado do intérprete Moisés Santiago, que terminou o desfile rouco. O principal deles, porém, foi o terceiro carro, que ficou parado na concentração e não entrou. Com isso, a agremiação da Vila Carioca desfilou com apenas quatro alegorias, um a menos que o mínimo exigido, e deveria perder dois pontos.

vaivai2005Depois dos problemas nas duas primeiras escolas, a Vai-Vai entrou na Avenida para apresentar o enredo “Eu Também Sou Imortal”. Realizando o sonho de desenvolver um Carnaval pela Saracura, o carnavalesco Raúl Diniz fez sua especialidade: no bom sentido, “viajou” através da imortalidade. A promessa era a de fazer um desfile à lá Vai-Vai: com muito preto e branco. A escola veio amparada por um bom samba, embora não muito característico da agremiação, e que foi acompanhado com a maestria de sempre pela bateria de Mestre Tadeu.

O público se animou e a Vai-Vai, que pouco havia brilhado após o tetracampeonato, enfim voltou a pisar forte. A comissão de frente veio representando a fênix e sua capacidade de ressurgir das cinzas e tinha uma das melhores coreografias do ano. Os componentes imitavam pássaros e interagiam com a coroa, símbolo da escola que, quando aberta, apresentava imagens de pássaros. Gostei muito da ideia do contraste entre a comissão de frente, toda em preto, com o abre-alas, todo em branco. O carro, apesar de não ser dos mais grandiosos, tinha excelente acabamento e ótimo efeito.

Raúl Diniz, dessa vez, foi impecável no desenvolvimento do enredo. Ao não desenvolver o tema de maneira cronológica, apresentou uma escola bem setorizada. Primeiro veio a imortalidade da natureza, depois a dos egípcios, na sequência a das religiões e assim foi. A Vai-Vai estava longe de apresentar a força apresentada no tetracampeonato e, por isso, optou por alegorias mais humildes. A Escola do Povo também tratou de não errar na evolução e, assim, apesar de não ter cara de campeã, voltou a desfilar bem. Destaque para o último carro, que trouxe a imortalidade do samba e da Vai-Vai. Foi um belo encerramento.

Quarta escola da noite, a Acadêmicos do Tatuapé mais uma vez fez uma boa apresentação, agora na defesa do enredo “Pará, a Heróica História de Nossa história, Berço Cultural do Nosso Povo”. Apesar do desfile de bom nível técnico, a escola não empolgou a plateia, até por conta do samba mediano. A exceção foi o momento da entrada da bateria no recuo. Para evitar os tradicionais “buracos” nesse momento do desfile, a escola, de surpresa, estendeu duas enormes bandeiras logo atrás dos ritmistas quando estes se posicionaram em direção ao box. Uma, era a do Estado do Pará. A outra, a da própria Tatuapé.

O desfile, em si, não começou bem. O abre-alas, todo em verde, tinha um efeito muito ruim, não apresentou bom acabamento e foi a alegoria mais fraca do desfile. Na sequência, a coisa melhorou. Com um padrão simples, mas bem realizado, o carnavalesco Hernani Siqueira viajou pela história do Pará e pela beleza do Estado em um desfile quase auto-explicativo. O ponto alto foram as fantasias, especialmente pela espetacular divisão cromática, que privilegiou as tonalidades mais fortes. Faço apenas uma ressalva quanto ao desenvolvimento do enredo, um tanto confuso. Ainda assim, foi um bom desfile.

mocidadealegre2005Quinta escola da noite, a Mocidade Alegre partiu em busca do bicampeonato com o enredo “Clara, Claridade… O Canto de Luz no Ylê da Mocidade”. A Morada fez mais um desfile emocionante e conquistou o público por conta de um grande conjunto visual, um excelente samba e um desempenho fantástico da Bateria Ritmo Puro. Mestre Sombra comandou um show de paradinhas e bossas que valorizaram o samba-enredo, mais uma vez comandado com maestria pelo intérprete Daniel Collête.

O desfile começou caracterizando Clara Nunes como um ser de luz escolhido pelos orixás. A comissão de frente retratou esses orixás, todos em branco, como guardiões que adornavam e protegiam um pássaro, que estava ao centro de uma pequena alegoria, que era Clara Nunes. O carro abre-alas deu continuidade a essa representação, mas, todo em branco, não apresentou um acabamento dos mais brilhantes. Talvez fosse mais interessante usar algumas outras cores.

A partir do segundo setor, porém, o desfile beirou o impecável. A ideia da escola nos dois setores subsequentes era retratar o Brasil através das músicas de Clara Nunes. Talvez fosse mais interessante reservas para isso os setores 3 e 4, não os setores 2 e 3, mas, ainda assim, dentro dessa setorização, o desenvolvimento do enredo por parte do carnavalesco Zilkson Reis foi brilhante. O segundo setor falou sobre a diversidade religiosa do brasileiro e ganhou boas fantasias. Claro que as crenças afro-brasileiras ganharam destaque, apresentando a carioquíssima sambista baiana como uma grande divulgadora dessas crenças. O segundo carro apresentava o respeito entre as diferentes religiões e estava muito bonito.

O terceiro setor apresentou as mazelas do brasileiro. Chamado de “Brasileiro: Profissão Esperança”, trouxe fantasias com muita clareza para falar sobre o Brasil cantado por Clara Nunes. Nesse setor, o desfile apresentou o seu grande momento. Na entrada do recuo da bateria, a Ritmo Puro, que vinha trajada de maneira bem semelhante à da Mancha Verde, em verde, amarelo e azul, formava a bandeira do Brasil. Ao centro, representando as estrelas da bandeira, a rainha de bateria Nani Moreira veio com seu tamborim e uma fantasia com efeitos pirotécnicos. Uma ousadia com excelente resultado.

O quarto setor foi o único que tratou propriamente da carreira de Clara Nunes (por isso creio que seria mais interessante este ser o segundo setor). Sua chegada ao Rio de Janeiro, seu encontro com os bambas cariocas e, claro, seu amor pela Portela. O quarto carro trouxe uma verdadeira roda de samba para o Anhembi e conseguiu ótimo efeito. O último setor falava novamente sobre Clara Nunes como um ser de luz. O último carro também provocou uma excelente reação do público ao mostrar Clara saindo de uma espécie de bolha adornada pelos orixás. Com folgas, a Morada havia feito o melhor desfile de 2005 dentre as cinco escolas que haviam passado e, embora fosse cedo para arriscar um palpite, estava firme na briga pelo bi.

Tentando mais uma vez conquistar o público e, dessa vez, também um grande resultado, a Acadêmicos do Tucuruvi apresentou o enredo “Samba, Sombra e Água Fresca – Cantareira, o Pulmão Verde de São Paulo”. A ideia da escola era apresentar um pouco sobre a região da Serra da Cantareira que, além de abrigar a Tucuruvi, tem uma enorme floresta e o principal sistema de fornecimento de água para a Capital Paulista e a Grande São Paulo, o hoje famigerado Sistema Cantareira.

Dessa vez, porém, a Tucuruvi fez um desfile apenas mediano, com alguns erros que prejudicaram bastante o conjunto visual. Primeiramente, os dois setores pecaram pelo excesso de verde, tanto nas duas alegorias, quanto nas fantasias. É claro que o ponto de partida deveria ser as florestas da Serra da Cantareira, mas houve uma sensação de repetição. O enredo, por sinal, foi desenvolvido com enorme competência. Começou com o homem que desmatou, passou para os animas, as plantas, etc. As belezas naturais da região foram exaltadas em alegorias de acabamento simples.

Particularmente, não gostei do último carro, que trazia o Sistema Cantareira, suas tubulações e torneiras, além de passar uma mensagem sobre a importância de se preservar a água. Achei bastante decepcionante tanto em concepção, quanto em acabamento.

Na sequência, o Anhembi viveu um dos mais emocionantes momentos daquele Carnaval. A Rosas de Ouro, pelo bom samba e o enredo, a cara da escola, já prometia emocionar no desfile “Mar de Rosas”, mas, logo que a apresentação da Roseira começou, até a turma lá do Céu resolver dar uma forcinha. A Cidade de São Paulo amanheceu naquele 5 de fevereiro de 2005 em azul e rosa. O céu, vejam, estava azul e rosa para a Roseira desfilar.

Na Avenida, a escola fez sua parte. O enredo, sonho antigo do carnavalesco Fábio Borges, foi desenvolvido com correção e rendeu ótimas alegorias. A comissão de frente e o abre-alas apresentaram a lenda do surgimento das rosas. Segundo consta, a deusa Afrodite, ao chorar pela perda de um grande amor, derrubou rosas brancas. O abre-alas estava impecavelmente acabado e, todo em tonalidades mais claras, conseguiu ótimo efeito no horário em que a escola desfilava.

Os componentes cantaram bem o samba e o desfile foi fluindo de maneira excelente. Algumas alegorias, ao meu ver, não tiveram uma concepção muito interessante e, no conjunto, a Roseira apresentou pequenas falhas. Ainda assim, foi uma apresentação de grandes momentos que poderia, sim, dar o título à escola. Dois momentos mereceram destaque: um foi o quarto carro, o das tragédias que carregavam o nome da flor – a “Guerra das Rosas” e a “Rosa de Hiroshima”. Vários japoneses distribuíram rosas ao público. O gran finale foi a última ala, atrás do carro das rosas nas músicas e poemas, que trouxe um enorme lençol cobrindo todos os desfilantes sob uma enorme escultura de Iemanjá. A Roseira foi, em suma, a primeira a de fato ameaçar o bi da Mocidade.

imperiocasaverde2005bPara encerrar o primeiro dia de desfiles, apesar das brilhantes apresentações em 2003 e, sobretudo, 2004, a Império de Casa Verde não encontrou um Sambódromo dos mais cheios para apresentar o genial enredo “Brasil: Se Deus é por nós, quem será contra nós?”. A azul-e-branca manteve a evolução e fez o mais brilhante desfile de sua história. Apesar do conjunto alegórico ligeiramente mais humilde, a Caçula do Samba esbanjou irreverência, crítica (e alguma polêmica) e foi praticamente perfeita.

O enredo, em suma, apresentava o Brasil como o país do futuro, o que era representado na comissão de frente por 13 índios futuristas que, com grandiosas e belas fantasias, faziam uma boa coreografia. Mas o Brasil não conseguia essa alcunha do nada, não. O enredo tinha uma história muito bem contada. O abre-alas trazia uma gigantesca nave especial de 43 metros de comprimento (o maior carro da história do Carnaval Brasileiro na ocasião) que, toda em azul, viajaria pelos céus da Terra. O carro podia não ter a concepção mais bela do Universo, mas estava brilhantemente acabado e, acompanhado por dois grandes tigres brancos, teve um ótimo efeito.

A nave espacial em questão queria logo se dirigir ao primeiro mundo, de quem ouvia maravilhas, mas, lá chegando, se decepcionou. Viu fome, destruição e guerras por, como dizia o samba, “pedacinhos assim de chão”. O samba, aliás, é o meu preferido em toda a história da escola. Irreverente (característica pouco comum na escola), era evidentemente estruturado em versos, mas parecia escrito em prosa. Com melodia envolvente, tinha grandes sacadas e era simples de cantar.
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Enfim, voltando ao desfile, os Carnavalescos Victor Santos e Paulo Führo foram, repito, brilhantes nas críticas ao primeiro mundo. O segundo carro trazia uma infinidade de críticas bem humoradas aos países desenvolvidos. Vamos à algumas delas: ratos de laboratório dirigindo carros importados, vacas representando a “doença da vaca louca” e, a mais sensacional, super-heróis obesos. Führo costumava questionar: “onde estava o Super Homem no 11 de setembro?”. E ele mesmo respondia: “em algum fast-food aproveitando uma promoção”. Símbolos do imperialismo americano foram satirizados com brilhantismo, representando a decepção da nave especial.

Mas a nave seguiu viagem e acabou sobrevoando o Brasil e, aí, se encantou. Desceu ali mesmo e descobriu um povo com uma enorme diversidade religiosa, uma gente trabalhadora, que sofre, mas sempre acredita. Gente com sonhos e esperança e gente que samba. O último carro trazia uma grande homenagem ao eterno patrono da escola, Chico Ronda, assassinado no final de 2003.

Chamada “Saudades de Chico Ronda”, a alegoria trazia tigres, coroas e demais símbolos da escola atrás de um enorme boneco que simbolizava Ronda. Apesar da chuva de críticas pela exaltação a um bicheiro, a escola fechou o desfile de maneira emocionante e se colocava, mais uma vez, como a favorita. Foi o melhor desfile da noite, superando Mocidade Alegre e Rosas de Ouro, e as oito escolas do sábado teriam trabalho para superar a Casa Verde.

Para abrir a segunda noite de desfiles em uma pista ainda molhada – e em um Sambódromo ainda longe de estar lotado -, a Tom Maior voltou para o Grupo Especial com o enredo “Sabendo Usar… Não Vai Faltar!”. O competente carnavalesco Augusto Oliveira pretendia mais uma vez se firmar como especialista em trabalhar com materiais mais simples e também fazer um enredo diferente. A ideia era apostar em um visual leve e em um alerta bem humorado para os problemas do meio ambiente.

De fato, o trabalho de Augusto foi bastante competente e ele tirou leite de pedra, mas o destaque do desfile mesmo foi a brilhante apresentação do intérprete René Sobral, que conseguiu se destacar cantando um samba excessivamente cadenciado. Graças a René, a obra não “morreu”, embora a harmonia não tenha vivido uma noite tão brilhante. Voltando ao trabalho de Augusto, o desfile começou com a criação do Universo com base nos quatro elementos e assim seria até o fim do segundo setor.

A Tom Maior apostou em uma comissão de frente simples, mas de fácil leitura e em um abre-alas sem muitas esculturas. O acabamento estava bom, mas era visível a deficiência econômica da agremiação do Sumaré. O conjunto alegórico foi talvez o mais simples daquele Carnaval, com materiais de baixo custo e tamanho reduzido. Nas fantasias, o talento de Augusto sobressaiu. Com uma divisão cromática que valorizou todas as tonalidades, mas que privilegiou o vermelho e amarelo do pavilhão da escola, ele conseguiu ótimo efeito mesmo abdicando completamente do luxo.

A Tom Maior fez um desfile bastante simpático. Os componentes estavam animados, evoluíram bem, foi um desfile colorido, algumas alegorias, como a segunda e sua bela bromélia em vermelho e amarelo ou quarta e a “usina de reciclagem da alegria”, chamaram a atenção, mas em um Carnaval bastante equilibrado, as chances de rebaixamento existiam. Particularmente, senti falta do bom humor prometido por Augusto, mas gostei de ver a mensagem sobre a preservação do meio ambiente não ser passada da maneira sisuda habitual. O enredo saiu do lugar-comum, ao menos.

Depois de se salvar do rebaixamento nos dois anos anteriores na base do acaso, a Barroca Zona Sul pretendia fazer um desfile de muito “chão”, com a comunidade da Zona Sul presente, para conseguir uma posição melhor. Contando novamente com o carnavalesco Babú Energia, a Barroca cantou o enredo “Participei da Criação, Colaborei para o Progresso, às Vezes me utilizam para a destruição. Quando me Uno a Outra, Selo a Paz e a União! Mãos!”.

Babú Energia fez o que pôde para mascaras as deficiências econômicas da escola. O abre-alas, por exemplo, mostrou o talento do carnavalesco. Com garrafas plásticas criando uma floresta, ele simbolizou a criação do Mundo pelas mãos de Deus com boas esculturas de animais e plantas. Foi um carro bem bonito. Babú, tal como no desfile anterior, aproveitou materiais de mais baixo custo e apostou em um desfile leve, de fantasias quase auto-explicativas. O enredo foi bem setorizado, apostando mesmo nessa questão das diferentes funções das mãos.

Além das mais óbvias, a criação, a guerra, a paz, o enredo apresentou outras participações negativas das mãos. A corrupção, por exemplo, das mãos sujas dos políticos. Ou as mãos dos estranguladores e demais psicopatas, da vida real e da ficção, que vieram no quarto carro. Até Chico Picadinho deu as caras. Teve também as mãos dos médicos, dos professores, dos escravos… Foi uma apresentação bem leve, com um samba agradável a acelerado na medida certa pela bateria e um enredo de fácil comunicação com o público. Com folga, foi o melhor desfile da escola desde a volta ao Especial.

No entanto, o tempo ficou curto e a escola acelerou no final. E não foi pouco não. Alguns componentes literalmente correram na parte final do desfile, o que abriu uma verdadeira cratera que ocupou quase dois setores mais a região do recuo da bateria. Desesperado, o carnavalesco Babú Energia, que veio à frente do abre-alas, voltou lá para o meio da Avenida e pagou geral com meio mundo.

A evolução foi pro espaço, ninguém mais cantava o samba, mas, sabe lá Deus como, depois de um 100m rasos coletivo que durou quase 20 minutos (praticamente metade da escola teve que correr), a Barroca fechou no tempo. As chances de ficar no Especial, porém, haviam diminuído. A escola, que ao meu ver não teria muitas dificuldades para superar duas agremiações, perderia muitos pontos em evolução e harmonia e poderia se complicar. Ainda assim, estava no páreo.

x92005A terceira escola da noite foi a X-9 Paulistana, que homenageou a dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó no enredo “Nascidos para Cantar e Também, Sambar”. O carnavalesco Lucas Pinto mergulhou de cabeça no enredo e explorou tudo o que a carreira de uma das mais famosas duplas do Brasil poderia oferecer. Contando com um bom samba, apesar de um refrão principal pouquíssimo inspirado, a escola da Parada Inglesa levantou o público no Sambódromo e fez uma grande apresentação.

Os primeiros setores do enredo foram dedicados à infância da dupla. O carro abre-alas não estava entre os mais luxuosos do Carnaval, mas chamou a atenção pela boa concepção. Um sabiá anunciava a chegada dos dois irmãos ao mundo. Os dois, aliás, vieram como destaques no carro e, visivelmente emocionados, cantavam com empolgação o samba. Chitãozinho e Xororó, aliás, participaram ativamente do processo de desenvolvimento do desfile, com direito a visitas ao barracão e à quadra, onde chegaram a, em um ensaio, cantar o samba-enredo ao lado de Royce do Cavaco.

Voltando ao desfile, Lucas Pinto apostou, de maneira muito acertada, em um enredo que lembrasse histórias pouco conhecidas da história de Chitãozinho e Xororó, criando assim um enredo que vai além do lugar comum de uma ala por música. O segundo setor lembrou histórias do início da carreira, como a primeira vez que o talento dos dois irmão despontou: quando a irmã mais nova rasgou um caderno cheio de letras das músicas preferidas do pai e os dois, então, cantaram todas de cor. Os perrengues da carreira também foram abordados, mas, no segundo carro, Lucas escolheu lembrar o Show de Calouros de Silvio Santos, ainda na TV Globo, onde os dois se apresentaram pela primeira vez. Venceram e ganharam um faqueiro, guardado até hoje pela família.
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O enredo ainda abordou importantes momentos da vida dos cantores, como o fusca azul onde ouviram a música “Tente outra vez”, de Raúl Seixas, e abortaram a ideia de desistir da carreira, ou ainda o momento em que abriram mão da agenda de shows para cuidar dos casamentos com suas respectivas mulheres. Os filhos de Xororó, Sandy e Júnior, vieram no carro “Grease” e alguns dos amigos da dupla, vieram no último.

Embora os três últimos carros apresentassem problemas de acabamento, a escola trouxe um bom conjunto visual com excelentes fantasias e não cometeu grandes erros. Embora inferior às três melhores escolas da primeira noite, a X-9 não estava fora da briga pelo título, mas a taça havia ficado mais longe por conta de dois contratempos: o primeiro foi com a troca do casal principal de mestre-sala e porta-bandeira, decidida já ali na concentração. O outro, a fantasia da comissão de frente, que foi desmanchando ao longo da Avenida.

Na sequência, a Nenê de Vila Matilde decepcionou no desfile “Um Vôo da Águia Entre Dois Mundos”. Depois de muitos anos fazendo bons desfiles e se colocando na briga pelo título, a Águia da Zona Leste apresentou um conjunto visual simples e um enredo que se perdeu. A ideia do carnavalesco Chico Spinosa de falar sobre a águia rendeu excelentes três setores que falavam sobre a mitologia, mas se perdeu completamente nos últimos dois com ligações forçadas e sem sentido – exceção, claro, às alusões às escolas de samba que carregam águias como símbolos.

A impressão que tenho é que a falta de verba que prejudicou muitas escolas fez um estrago razoável na Nenê. Os carros estavam bastante modestos, com acabamento deficiente e muito abaixo do nível das principais escolas. Não era um desastre a ponto de ameaçar a escola de rebaixamento, mas era o suficiente para acabar até com as chances de ir ao desfile das campeãs. Para piorar, a escola teve problemas com a harmonia e também com a evolução, que se complicou por conta do terceiro carro, que demorou para entrar a abriu um buraco nos primeiros setores. Dessa vez, os torcedores matildenses sequer poderiam nutrir esperanças.

Quem também decepcionou bastante – mais ainda que a Nenê – foi o Camisa Verde e Branco, que cantou o enredo “Alô, Disque Camisa”. As notícias no pré-Carnaval não eram nada animadoras e, a poucas semanas do desfile, quase nada estava pronto. E, apesar do bom samba, do excelente desempenho da Bateria Furiosa e do belo encontro entre o grande intérprete Juscelino e o estreante Celsinho no comando do carro de som, a verde-e-branco fez um desfile muito abaixo de suas tradições. Apesar do chão pesadíssimo, a escola falhou demais nos quesitos visuais e também no desenvolvimento do enredo.

A transição entre a parte do desfile que falou sobre o surgimento do telefone e a parte que apontou os diferentes usos do dito cujo no nosso dia-a-dia foi muito brusca. Desnecessariamente brusca, por sinal. Gostei das homenagens à Graham Bell, inventor do telefone, e a D. Pedro II, que o trouxe para o Brasil, e também da lembrança do abre-alas de quando os índios foram obrigados a desmatar a floresta para que as primeiras linhas dos primeiros telégrafos fossem puxadas. O abre-alas em questão, por sinal, foi o único carro bem concebido e também o único com um acabamento razoável.

Dali para frente, a coisa pioraria bastante. Era óbvio que preencher quatro setores com os diferentes tipos de uso para o telefone seria impossível. Por isso, depois de apresentados os chats online, os disks namoro, os motoboys e os disk pizza, não tinha mais o que fazer. Aí vieram alas forçadas como o “disk rodeio” (ligue para saber onde terá um rodeio), ou a ala dos esportistas, que eu não entendi até hoje. O segundo, o terceiro e o quarto carros não tinham uma concepção das piores, mas estavam visivelmente mal acabados. As fantasias também estavam simples, apesar de apresentarem fácil leitura. O último carro foi um triste encerramento. Pobre, simples e totalmente inacabado, representando a Era da Internet. Apesar do Camisa ter sido Camisa nos quesitos de chão, foi um desfile para se esquecer e que poderia, sim, levar a escola ao Grupo de Acesso.

Já na reta final das apresentações, a Águia de Ouro levou para a Avenida o enredo “O Pão Nosso de Cada Dia nos Dai Hoje” e fez um dos mais empolgantes desfiles da segunda noite. Para passar a mensagem da necessidade de se olhar com carinho para os famintos e os necessitados do Brasil, o carnavalesco Cláudio Cavalcanti prometia chocar o público. O abre-alas trazia o apocalipse que representaria o início de uma nova era. As mulheres nuas e as representações de sexo que vinham no carro serviam para mostrar como a sociedade se choca com mulheres nuas, mas fecha os olhos para problemas como a fome de muitas crianças.

O desfile clamava por uma virada nessa situação. A terceira alegoria trazia a mãe natureza amamentando um bebê negro e também causou um impacto altamente positivo. A escola não tinha carros luxuosos ou fantasias exuberantes, mas fez uma grande apresentação. O intérprete Paulinho Mocidade levantou o público, mas o show ficou mesmo por conta da Batucada da Pompéia de Mestre Juca. O ápice foi a entrada no recuo da bateria.

Os ritmistas entraram no box e saíram. Quando saíram, fizeram uma espetacular paradinha no refrão do meio e foram ovacionados pela plateia, que pulou como poucas vezes se vê em um desfile de uma escola sem muita tradição. Apesar da evolução não ter sido das melhores, a azul-e-branco pouco errou e ainda provocou outro momento de grande emoção no último carro, que passava uma mensagem de esperança. A escola, que por vezes sofreu interferências da Igreja Católica, trouxe em seu último carro o Bispo Dom Paulo Morelli.

Ele, que já havia distribuído pão na concentração no desfile de 2004, estava muito animado e acenou para o público. A presença de um líder religioso católico em uma festa dita profana foi um grande marco daquele Carnaval. É dele, aliás, a frase que norteava o enredo e que estava no samba: “quando uma criança passa fome, Deus chora”. Pelas condições econômicas reduzidas e o acabamento mais pobre, a escola tinha poucas chances de voltar entre as campeãs, mas fez, sem dúvida, uma grande apresentação.

Penúltima escola do Carnaval de 2005, a Unidos de Vila Maria prometia uma crítica muito inteligente ao Brasil no enredo “Sonho e Realidade no Mundo do Circo”. De fato, a ideia do carnavalesco Wagner Santos foi muito inteligente e também muito bem executada e a Vila Maria pela primeira vez se mostrou uma escola em condições de voar alto. No entanto, algumas falhas acabariam comprometendo um pouco um dos mais surpreendentes desfiles daquele Carnaval.

Gostei muito da comissão de frente que representava o brasileiro em três momentos: o da dura realidade atual, com palhaços mendigos, o do sonho, com a esperança de um futuro melhor, e o da realização, com o sonho se tornando realidade. Os componentes fizeram uma ótima coreografia. O carro abre-alas, particularmente, não me agradou muito pois, ao meu ver, estava escuro demais. A escultura do palhaço sorrindo, por exemplo, acabou ficando escondida e isso atrapalhou um carro de concepção brilhante e ótimo acabamento.

O intérprete Gilsinho mais uma vez exagerou nos gritos e prejudicou um pouco o rendimento do bom samba da escola do Jardim Japão que, por outro lado, fez um grande desfile. É bem verdade que, em alguns momentos, o enredo se perdeu, mas Wagner Santos, de um modo geral, desenvolveu um enredo com muita coerência. Caprichosos como sempre, investiu em uma divisão cromática diversificada, bastante alegre, com características circenses, apostando assim na leveza na hora de criticar. Destaque para a ala das filas com cinco serpentes que zigue-zagueavam pela Avenida com componentes enfileirados.

Para o meu gosto, o conjunto alegórico poderia ter sido mais feliz. O segundo carro, do “circo aquático”, que chamava atenção para a necessidade de se preservar as águas, apresentou algumas falhas de acabamento. A leveza, porém, se fez presente nas três últimas alegorias, ainda que em uma delas, a quarta, houvesse uma pegada mais contundente nas críticas, já que se tratava do “circo dos horrores”. O melhor carro, para mim, foi o do “circo dos animais”, com leões gigantes que representavam o imposto de renda. A Vila Maria, em suma, desfilou bem. Dado o equilíbrio e o alto número de boas apresentações, uma vaga no Desfile das Campeãs seria um pouco complicado, mas as chances existiam.

Para encerrar, a Leandro de Itaquera abriu o seu desfile no amanhecer do domingo de Carnaval em São Paulo. O enredo em homenagem aos 100 anos do Rotary Club, na verdade, era uma exaltação aos que fazem o bem. O carnavalesco Anderson Paulino conseguiu desenvolver com muita competência o enredo “Rotary – Dar de si antes de pensar em si, o Carnaval das emoções”, mas se atrapalhou por conta de algumas fixações que o acompanham por toda a carreira.

Uma delas, que o tornou conhecido no Mundo do Samba, é essa mania de querer encaixar sensualidade e gente nua em tudo quanto é enredo. A comissão de frente de um enredo sobre o Rotary e a solidariedade tinha uma coreografia que culminava, pasmem, nos componentes mostrando a bunda. Sem nenhum contexto mais explícito, nada. Forçou a barra. Gostei muito do abre-alas e do ponto de partida do enredo, apontando as dádivas que Deus deu ao homem: os quatro elementos.

Era um enredo muito coerente. Passado o bonito abre-alas, vinham os indícios de que o homem não soube aproveitar as tais dádivas. Com boas fantasias e um relativo luxo, a Leandro apostou em uma divisão cromática pendendo mais para tons dourados e conseguiu bom efeito já com o dia claro. Esse mau uso do homem por parte dos quatro elementos levou ao segundo carro, o do apocalipse, onde os guardiões do centenário do Rotary apareciam para ensinar algo aos seres humanos. Os dois setores seguintes narraram pequenas e grandes ações do nosso dia-a-dia com boas fantasias, com destaque para a Ala das Baianas que veio metade com uma fantasia luxuosa, simbolizando os ricos, e metade com uma bem pobre, simbolizando os necessitados.

Desfilando para um Sambódromo relativamente cheio, o Leão Guerreiro de Itaquera, sem um grande samba, apresentou uma bateria, comandada novamente por Mestre Dinei, que não apostou em muitas ousadias e fez o simples com bastante competência. O último carro, o do Rotary, não foi dos mais bonitos, mas a Leandro fez, no todo, um bom desfile. Mais uma vez, deveria ficar ali pelo meio da tabela.

Ao final da maratona de desfiles, a Império de Casa Verde mais uma vez despontava como maior favorita com Mocidade e Rosas de Ouro coladas na briga e a X-9 Paulistana correndo por fora. A Mancha Verde de fato começou com quatro pontos a menos por estourar em um minuto o tempo e a Imperador do Ipiranga foi penalizada em dois pontos por desfilar com um carro a menos que o mínimo exigido.

Ao final da leitura do primeiro quesito, apenas duas escolas, Tucuruvi e Vila Maria, somaram 30 pontos. As duas perderam meio ponto no segundo, enredo, e ficaram empatadas com 59,5, atrás de Mocidade, Império de Casa Verde e X-9, todas também com 59,5, nos critérios de desempate. A Tucuruvi saiu da briga ao levar três 9,5 no terceiro quesito, alegoria, gabaritado por Mocidade, Império e Vila Maria, que foram para 89,5 e abriram um ponto de frente para a X-9, que levou dois 10 e um 9 e foi ultrapassada pela Vai-Vai.

No quarto quesito, comissão de frente, a Império de Casa Verde levou três 10, foi para 119,5 e se isolou na liderança, já que Vila Maria e Mocidade perderam meio ponto cada. A escola da Casa Verde desperdiçou meio ponto em mestre-sala e porta-bandeira, mas a Morada do Samba também levou um 9,5, enquanto o casal da Vila Mais Famosa deixou 1,5 ponto pela pista, tirando assim a escola da briga. A vantagem de meio ponto da Império para a Mocidade se manteve no sexto quesito, letra do samba, quando ambas levaram dois 10 e um 9, mas aumentou para 1,5 em melodia, quando só a Mocidade perdeu ponto (um). Só que aí as duas já tinham sido ultrapassadas pela Vai-Vai, que estava com 208,5.

Daí em diante, a Império de Casa Verde foi 10 em tudo e faturou o seu primeiro campeonato com 298 pontos de 300 possíveis já que a Vai-Vai perdeu 2,5 pontos em harmonia e evolução. A X-9 ainda beliscou seu segundo vice-campeonato consecutivo ao somar 296,5. Mocidade Alegre, terceira, Vila Maria, quarta, e Vai-Vai, quinta, somaram 296 e fecharam o desfile das campeãs. A Acadêmicos do Tucuruvi veio logo atrás, uma posição à frente da Rosas de Ouro, que terminou em um inacreditável sétimo lugar. Na sequência, vieram Leandro de Itaquera, Nenê, Águia de Ouro e Camisa. A Mancha Verde terminou em 12º com 286 pontos e teria ganho duas posições se não perdesse quatro pontos.

Acadêmicos do Tatuapé, também com 286, e Tom Maior, com 279,5, se salvaram do descenso. Tal como em 1996, a vermelho-e-amarelo foi salva pela punição a uma concorrente. Com 278,5, a Imperador do Ipiranga foi rebaixada, o que não aconteceria se não tivesse perdido dois pontos. Julgada com certo rigor, a Barroca levou 272,5 e caiu em último lugar.

Ao final da apuração, o Presidente da Vai-Vai, Solón Tadeu, se dirigiu à grade onde ficavam representantes da Liga. Exasperado, ele, ao lado do filho, disse palavras duras aos dirigentes. De repente, um enorme quebra-pau se instalou. Sobrou porrada para tudo quanto é lado. Gente de tudo quanto é escola entrou no meio e, por pouco, nada mais grave ocorreu. Agora as duas versões: uma diz que o filho de Solón empurrou um segurança e ali se deu toda a confusão. A outra, diz que o segurança agrediu o filho de Solón e dali surgiu o quebra-pau.

Horas depois, na apuração do Grupo de Acesso, a Gaviões se sagrou campeã com 298,5 pontos, 4,5 a mais que a vice-campeã, Unidos do Peruche, que superou Pérola Negra e Camisa 12, que foi julgada de maneira bastante rigorosa. Gaviões e Peruche, assim, voltavam ao Especial um ano após a queda. A Gaviões tinha como enredo “Renasce, Sacode a Poeira e dá a Volta por Cima” e de fato isso ocorreu.

Só que tem um porém: quando a escola se preparava para abrir o seu desfile, o carro abre-alas emperrou na concentração. A fênix, ave que renasce das cinzas, não ia nem para frente nem para trás e o desespero era geral. Parecia um remake da tragédia de 2004. A Liga, então, resolveu dar uma tolerância de 15 minutos para que o problema fosse resolvido antes do cronômetro ser disparado.

Por falar em poréns… Os resultados, o acesso da Gaviões e o 12º lugar da Mancha, criavam um problema. Em 2006, pela primeira vez na história, duas escolas de samba ligadas a torcidas organizadas estariam no Grupo Especial. Por conta de uma ação do promotor de Justiça Fernando Capez, isso era proibido no regulamento desde 2002. O dito cujo dizia que deveria ser criado, nesse caso, um grupo à parte, o grupo das escolas de samba desportivas. O próprio Capez, porém, já dizia, no dia da apuração, que não haveria grande problema nas duas competirem, desde que desfilassem em dias separados. No entanto, as coisas não seriam tão simples assim, como veremos semana que vem.

Curiosidades

– A Globo manteve a equipe de transmissão para o Carnaval de 2005: Chico Pinheiro e Renata Ceribelli na narração, Maurício Kubrusly e Leci Brandão nos comentários.

– Último desfile do intérprete Royce do Cavaco em sua primeira passagem pela X-9 Paulistana. Ele ainda passaria por Tom Maior e Nenê de Vila Matilde antes de retornar para a Parada Inglesa no Carnaval de 2012.

– Estreia do interprete Celson Mody, o Celsinho, no Grupo Especial. Então com 17 anos, ele puxou ao lado do experiente Juscelino o samba do Camisa Verde. Intérprete principal desde os 11 anos, quando cantou pela Prova de Fogo em grupos menores, ele se tornou o mais jovem cantor a comandar um carro de som no Sambódromo no eixo Rio-SP. Nos anos seguintes, Celsinho se firmaria como um dos principais nomes da nova geração e, no ano seguinte, substituiria Nilson Valentim na Tatuapé.

– Foi o último desfile de Nilson no Especial. Atualmente, ele se dedica a projetos pessoais como ator, mas pretende voltar ao Carnaval. Deve, inclusive, estar no carro de som da Peruche, onde começou a carreira, em 2015.

– Outros jovens intérpretes estrearam naquele 2005: na Leandro de Itaquera, Juninho Branco (atual intérprete da escola) e Beto Muniz cantaram ao lado de André Ricardo. Os dois seriam, mais tarde, intérpretes oficiais de maneira solo e, durante dois anos, em dupla. Na Rosas de Ouro, quem estreou no CD foi Darlan Alves. Darlan está até hoje no comando do carro de som da Roseira, mas não pôde cantar na Avenida. O carro de som foi comandado pelo Polenghe, que cantaria pela última vez no Especial. Darlan adotaria o seu grito de guerra: “Alô, Rosas de Ouro! É hora do show!”.

– Por falar em Roseira, a faixa da escola no CD do Grupo Especial contou com a participação especial da cantora Alcione. Na Mancha Verde, o intérprete Vaguinho dividiu a interpretação com o pagodeiro Belo, que era casado com a rainha de bateria da escola, Viviane Araújo. Ele viria ao lado de Vaguinho no carro de som, mas, naquele Carnaval, estaria preso por ligação com o tráfico de drogas.

– A Mancha Verde, aliás, distribuiu panfletos para os seus torcedores com uma espécie de “Código de Conduta”. Entre outras coisas, a verde-e-branca pedia para que os torcedores não fizessem gritos de guerra que remetessem ao Palmeiras e que respeitassem os torcedores de outras escolas e os que trajassem camisas dos times rivais.

– Três componentes da comissão de frente da Imperador do Ipiranga desmaiaram quase simultaneamente após o fim do desfile da escola. O motivo foi a exaustão.

– Primeiro e até aqui único desfile do consagrado Paulinho Mocidade em São Paulo. O intérprete cantou o samba da Águia de Ouro na única oportunidade, desde 1991 (logo, em toda a história do Sambódromo) que o carro de som da escola não contou com Douglinhas Aguiar ou com Serginho do Porto.

– Início da mais longa passagem da Tom Maior pelo Grupo Especial. Pelo menos por enquanto, a escola não voltou mais para o Grupo de Acesso.

– Apesar de se manter no grupo, a escola teve problemas por conta de um grupo de 17 pessoas que não conseguiram desfilar porque a agremiação perdeu suas fantasias. Por conta de desentendimentos mais sérios com membros da escola, os foliões fizeram Boletim de Ocorrência na delegacia.

– O México parece não ser um tema que traga muita sorte para o Carnaval. A Imperador do Ipiranga foi rebaixada em 2005 em São Paulo, assim como a Viradouro seria no Rio de Janeiro em 2010, ambas adotando o país norte-americano como tema.

– Anos mais tarde, já como carnavalesco, o então assistente de Zilkson Reis, Sidnei França, que assinou os últimos cinco desfiles da escola, apontou uma das razões para que a Morada perdesse o Carnaval de 2005: segundo ele, a Mocidade, de maneira geral, estava mais preocupada com o bicampeonato que com o desfile.

– A Rosas de Ouro distribuiu mais de oito mil rosas pela Avenida em seu desfile. O carnavalesco pensou pela primeira vez nesse enredo em 1993 para o Carnaval de 1994, ainda na Estação Primeira de Mangueira, mas a ideia não foi adiante.

– Os versos do samba da Tucuruvi referentes ao Sistema Cantareira são uma mistura de ironia e profecia dado o momento atual do abastecimento em São Paulo: além de falar em “água fresca para beber”, o samba dizia “quero sempre a sede saciar”, mas já alertava: “mas olha o nível / pra não faltar / é tempo de economizar”. Pena que ninguém tenha ouvido o alerta.

– Foi o último desfile do carnavalesco Marco Aurélio Ruffin na agremiação da Cantareira. A partir de 2006 ele estaria na Tom Maior. Fim também da primeira passagem de Cláudio Cavalcante, o Cebola, pela Águia de Ouro. A partir de 2006 ele estaria na Mancha Verde.

– O título do enredo da Império de Casa Verde é até hoje o lema da escola. A todo momento, os componentes questionam: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”.

– Último desfile da Sociedade Recreativa Cultural Social Esportiva Beneficente Faculdade do Samba Barroca Zona Sul (ufa!) no Grupo Especial. A escola passaria por anos difíceis, chegaria a penúltima divisão do samba paulistano, e agora vem recuperando espaço. Em 2015, voltará ao Anhembi para os desfiles do Grupo I, a terceira divisão.

– Pela primeira vez, a Barroca trouxe o Barroquinha, o bebê negro símbolo da escola, em uma alegoria. Os carnavalescos anteriores, ao contrário de Babú Energia, considerável o boneco feio demais e não gostavam de utilizá-los em alegorias.

– O enredo da Barroca, as mãos, iriam novamente para a Avenida no Grupo Especial, com abordagem bastante semelhante por sinal, na Vila Maria, em 2012.

– Um repórter do Jornal Agora São Paulo foi ameaçado por um homem armado ao tentar documentar os problemas do abre-alas da Gaviões da Fiel. Na Mancha Verde, quem se deu mal foi um técnico do carro de som, que teria sido responsável pelo cabo de som que teria atrapalhado o fechamento do portão e, assim, causado a perda de pontos da Mancha. Para acabar com os “ia”, uma certeza: ele foi agredido com um soco na boca.

– O prefeito José Serra acompanhou quase todos os desfiles do Grupo Especial no Camarote da Prefeitura que já não era tão da Prefeitura assim. Na sexta-feira, por exemplo, ele chegou ao Anhembi pouco antes do desfile da Mancha Verde e só não viu a última escola: a campeã Império de Casa Verde.

– Serra fez questão de mandar cobrir, de maneira improvisada, os cinco bonequinhos que eram símbolo da Gestão Marta dos muros do Sambódromo que traziam as identidades visuais da Prefeitura. Esqueceu, contudo, de fazer o mesmo com os carros e ambulâncias que entravam na pista ao final de cada desfile.

– Em meio ao quebra-pau do pós-apuração, chamaram uma vez mais a atenção as declarações do Presidente da Vai-Vai, Solón Tadeu Pereira. Irritado com a suposta agressão que sofreu do segurança da Liga, ele disse que, graças ao segurança em questão, seria capaz de “explodir o Anhembi”. Ele, aliás, cumpriu a promessa da escola não se apresentar no Desfile das Campeãs por considerar o resultado uma fraude.

Vídeos

 

A estreia da Mancha Verde

O grande desfile da Imperador e seus problemas

Vai-Vai imortal

Mocidade e Clara Nunes

O Mar de Rosas

A campeã Império de Casa Verde

X-9 sertaneja

A mensagem da Águia de Ouro

O circo da Vila Maria

9 Respostas para “Bodas de Prata – 2005: Império desbanca favoritas e leva primeiro título; Gaviões e Peruche reagem”

  1. Will FS disse:

    Ano de excelente nível! Acho que a Mocidade merecia o título, pelo desfile impecável, já ouvi falar em salto alto msm, mas não vi isso no desfile… Foi emocionante, acho até que vou rever esses desfile hj rs… Mas não acho errado o título da Império, que deu um show msm, com momentos muito inteligentes. A X-9 tb emocionou, a CF foi prejudicada pela chuva, mas vice foi exagero, achei a empolgante Vai-Vai melhor, e Vila Maria tb, com um enredo brilhante! Todos falam em injustiça na Rosas de Ouro, que tinha de fato um maravilhoso samba, mas achei que seu desfile teve muitos erros, como o conjunto visual e a Evolução… Concordo com td o que vc disse sobre a Tucuruvi, o início mto verde e a última Alegoria de muito mal gosto… Gostava muito da Tucuruvi do Ruffin, pena que foi o último, mas a Tucuruvi evoluiu anos depois! Leandro técnica, desfile chato… Tem gente que gosta do desfile da Nenê, que bom que vc não é desses, achei o enredo mto confuso. De fato a Águia surpreendeu e deu show com a Bateria entrando e saindo do recuo (o que voltaria a acontecer nos dois anos seguintes). Camisa aos poucos mostrava que a situação financeira beirava o insustentável, mas de fato no chão deu um show, porém o enredo e o samba eram trágicos. Mancha chegou mostrando que vinha pra ficar, embora quase voltou ao Acesso… Tatuapé nada a destacar e Tom Maior bem animada. Achei justo os rebaixados, a Barroca, além dos problemas no final, teve um desenvolvimento de enredo que não me agradava, e a Imperador, apesar do bom gosto do André Machado, estava fria e teve problemas… Que bom que vc explicou o que aconteceu na Gaviões, me poupou palavras, a Gaviões teve um privilégio que ninguém tem, mas td bem, no ano seguinte isso seria descontado rs

  2. Will FS disse:

    Duas coisas a destacar tb:
    Vc comentou sobre o tal lema “Se Deus é por nós, quem será contra nós” da Império, mas se vc prestar bem atenção na gravação do samba de 2004 no CD, perceberá que o Carlos Jr solta um caco dizendo a mesma coisa… Acho isso mto curioso! rs

    E uma história que nunca me canso de contar, de tão hilariante que é: O samba da Rosas de Ouro dizia “Iemanjá, abra os caminhos minha Escola vai passar”. Imaginemos que é pra Iemanjá abrir os caminhos da Escola para ela desfilar bem e ser campeã! Só que a Iemanjá veio no final, e até hj não entendo pq… E curioso que quem desfilou depois foi a Império de Casa Verde, que seria a Campeã, ou seja, de fato Iemanjá abriu os caminhos da campeã! HAHAHAHAHAHA

    • Leonardo Dahi disse:

      Hahahahagahahahahahaha é verdade…
      Engraçado, ouvi esses dias Império 2004 e não reparei nisso. Vou ouvir mais tarde de novo.

  3. anderson maurici imhof disse:

    2005 eu perdi os dois ultimos desfiles. Imperio e Leandro. Só lamento ter perdido o primeiro.

    Sobre a Vila Maria e a perda de 1,5 pontos no casal, A Porta Bandeira Cynthia desfilou sem chapéu para 2 dos 3 jurados. Achei um desfile muito competente.

    Curioso, sobre o abre-alas da Barroca, percebam que é a mesma estrutura do abre alas da Tatuapé do ano anterior, do mesmo Babu Energia, claro adereçado e etc.

    Todos os componentes da Mancha Verde tinha um tecido verde na mão caracterizando uma mancha verde, rs.

  4. Fellipe Barroso disse:

    Bom dia!

    2005:

    Após 2 anos assistindo a apenas um dia dos desfiles no Anhembi, em 2005 eu assistira às duas noites.
    Do que me lembro, seguem algumas considerações. Muitas delas divergentes do texto desta matéria.

    – Sexta e Sábado
    Pareciam grupos diferentes se apresentando! A sexta, apesar dos problemas em muitas escolas, foi bem superior tanto em plástica quanto em empolgação. Sábado mais parecia o Acesso.

    – Mancha Verde
    Apesar dos erros de concepção, a escola veio muito impactante, e a torcida parecia confiar até num título! Infelizmente ocorreu o problema do tempo, e as outras apresentações mostraram que este sonho estava longe. E não! Falar da pré-história não foi um erro! Foi uma tentativa de sair do lugar-comum dos enredos CEP (Índios inocentes, brancos maldosos, negros trabalhadores e com gingado, guerras, conflitos, paz e paraíso na Terra…). A Tom Maior adotaria linhagem semelhante para falar do Piauí.

    – Imperador do Ipiranga
    Dizer que Moisés Santiago ficou rouco no final do desfile é um elogio! Ele estava rouco desde o início! O samba se arrastou, e foi um contraste monstruoso quando as caixas de som do sambódromo começaram a reverberar a voz potente de Nilson Valentim.

    – Tucuruvi
    Bem fraquinha mesmo. Não gostei. Hoje a mensagem serve de “Eu avisei”, mas só isso.

    – Vai-Vai
    De fato, não era a melhor plástica, mas o enredo era muito interessante, e ficou claro na pista. O samba dava uma “engatada” no trecho “Tá nos corações nas Religiões”, em que os intérpretes enfiavam um “VAI-VAI-VAI-VAI” para continuar a letra. Empolgava legal!

    – Mocidade Alegre
    Meu caro, Clara Nunes é MINEIRA! Sim, da cidade de Paraopeba. O próprio samba diz no refrão “Oô, MINEIRA! Clara Guerreira!”. Desfile muito bonito, típico de uma atual campeã.

    – Rosas de Ouro
    Emocionante! Emocionante do início ao fim. Desde a escolha do enredo, passando pelo belo samba, a participação de Alcione no álbum, e o início poderoso. Faltou o título…

    – Império de Casa Verde
    A frase “Se Deus é por nós, quem será contra nós” já era dita por Chico Ronda como um lema a ser seguido. Baseados nesta frase do saudoso patrono, o enredo foi desenvolvido. Bem interessante a crítica, principalmente na crítica aos super heróis obesos do primeiro mundo, e os nossos heróis capitaneados pela Turma da Mônica. O abre-alas ainda é o maior já visto por se tratar de um “monobloco”. Alegorias maiores passariam pelo Anhembi e pela Sapucaí, mas acopladas.

    – Tom Maior
    O samba era bom. René melhorou. E só.

    – Barroca
    Samba muito bom! E só. [2]

    – Camisa
    Só salvou a bateria

    – X-9
    O enredo era popular, mas a concepção das alegorias, mais uma vez, deixou muito a desejar. A que remetia ao sucesso “Fio de cabelo” me dá pesadelos até hoje!

    – Águia de Ouro
    Dizer que este desfile levantou é quase forçar a barra! Se não fosse o show da bateria no recuo, nem sei o que seria. Cebola mostrava bem o seu estilo: idéias delirantes muito mal concebidas e acabadas. Este enredo da Águia faz parte de uma trilogia, continuada na Mancha Verde nos 2 anos seguintes.

    – Vila Maria
    Único bom desfile da noite, apesar dos problemas. A crítica era mais bem humorada do que a do Império.

    – Leandro
    Não acredito que este belíssimo samba, de melodia ímpar, foi criticado! O fato de ele não empolgar na avenida não o qualifica como ruim. O desfilem não foi lá essas coisas.

    Infelizmente, eu entraria num jejum paulistano que duraria até 2011. Neste intervalo, contentaria-me em assistir novamente pela TV, doido para voltar, e perdendo momentos épicos. Enfim! Que venha 2006!

    Atenciosamente
    Fellipe Barroso

  5. Deixa eu entender: a revolta de todos contra a Gaviões é por causa dos 15 minutos de tolerância??

    Em 2011 a Beija-Flor teve tolerância de tempo e jurados “pegando leve” por causa do óleo e não vi essa revolta toda!!

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