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Sambódromo em 30 Atos: “2011: Incêndio na Cidade do Samba e título da Beija-Flor”

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A série Sambódromo em Trinta Atos, do jornalista esportivo Fred Sabino, volta nesta terça-feira relembrando o ano de 2011, marcado pelo incêndio na Cidade do Samba, o que fez Grande Rio, União da Ilha e Portela desfilarem como hors concours, sem que houvesse rebaixamento, e mais um título da Beija-Flor na homenagem a Roberto Carlos.

2011: Incêndio na Cidade do Samba e título da Beija-Flor

Tudo caminhava normalmente na preparação das escolas de samba do Grupo Especial. Mas em 7 de fevereiro de 2011, a 27 dias dos desfiles, um fato marcaria irremediavelmente aquele Carnaval: um incêndio atingiu os barracões de Portela, União da Ilha do Governador e Acadêmicos do Grande Rio – além do espaço da Liesa – na Cidade do Samba, Zona Portuária.

Mais de 120 bombeiros de quatro quartéis e 20 veículos antichamas levaram aproximadamente quatro horas para combater o fogo. Ninguém ficou ferido. Segundo os cálculos, prejuízo com o incêndio foi de R$ 8 milhões. A Grande Rio, que homenagearia Florianópolis, foi a mais afetada, mas a Portela, com enredo sobre a relação do homem com o mar, e a Ilha, cujo tema era a evolução das espécies, também tiveram consideráveis problemas.

incendiocidadesambaAinda no dia do incêndio, a Liesa e as demais agremiações se reuniram e acertaram que não haveria rebaixamento. Além disso, as três escolas afetadas pelo incêndio não seriam julgadas em seus desfiles. Começou, então, uma corrida desenfreada para que Grande Rio, Portela e Ilha ao menos colocassem o Carnaval na avenida de forma digna.

Muitas teses foram levantadas para o incêndio: falhas na rede elétrica, acidente e até mesmo sabotagem. Prevaleceu no laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli que a provável causa do fogo foi “ação humana involuntária”. Então, ficaram elas por elas…

Em relação às demais escolas, a campeã Unidos da Tijuca tinha como enredo (ou tema, como diziam os detratores de Paulo Barros), o terror no cinema. Já a Beija-Flor de Nilópolis resolveu homenagear Roberto Carlos e até mesmo o Tremendão Erasmo Carlos participou nas eliminatórias do samba-enredo – veja mais nas Curiosidades. A Unidos de Vila Isabel contaria a história do cabelo, enquanto o Salgueiro levaria para a Sapucaí o Rio de Janeiro retratado no cinema.

A Estação Primeira de Mangueira, a exemplo do que ocorrera em 2010, faria um enredo cultural, na verdade, um enredo com a cara da escola: um tributo a Nelson Cavaquinho no ano do centenário do compositor – diga-se de passagem com o melhor samba-enredo do ano. A Mocidade Independente de Padre Miguel faria um passeio pelas festas ligadas à agricultura e agropecuária.

A Imperatriz teria como tema a medicina, também com um ótimo samba. A Unidos do Porto da Pedra prestaria um tributo à escritora infantil Maria Clara Machado e a São Clemente abriria os desfiles com um enredo que na verdade era uma declaração de amor ao Rio de Janeiro.

OS DESFILES

Sem rebaixamento nos desfiles, a São Clemente entrou bastante solta na avenida e fez um desfile agradável com o enredo “O seu, o meu, o nosso Rio, abençoado por Deus e bonito por natureza”, sobre a revitalização da cidade visando à Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

Mesmo sem luxo, mas com alegorias e fantasias bem coloridas e concebidas pelo jovem carnavalesco Fabio Ricardo sobre os monumentos cariocas, a escola evoluiu com alegria, embalada pelo também jovem intérprete Igor Sorriso e um samba-enredo correto.

imperatriz2011Segunda escola a entrar na avenida, a Imperatriz Leopoldinense alertava no título do enredo que “sambar faz bem à saúde”. E, com um desfile didático e descontraído ao mesmo tempo, a escola de Ramos comemorou seu aniversário de 52 anos com uma exibição alegre no enredo sobre a evolução da saúde.

O enredo, teoricamente difícil de carnavalizar, foi bem desenvolvido pelo carnavalesco Max Lopes, que mostrou em alegorias luxuosas as curas por rituais africanos, o desenvolvimento dos remédios e da ciência, a alquimia. Gostei muito da comissão de frente formada por doutores da alegria.

O samba-enredo era dos melhores do ano e a bateria de Mestre Marcone deu mais um show – leia mais sobre o diretor de bateria gresilense nas Curiosidades. Mas houve problemas em Harmonia e Evolução que custariam pontos preciosos na apuração. De qualquer forma, um bom desfile.

Afestada seriamente pelo incêndio na Cidade do Samba, a Portela levou o enredo “Rio, azul da cor do mar” com garra para a avenida, mesmo com um samba-enredo dos mais fracos de sua história, o que certamente renderia perda de pontos caso a escola fosse julgada.

Apesar de uma interessante águia em azul escuro, de fato as alegorias não puderam ser reconstruídas a contento e plasticamente a escola realmente não mostrou muito, o que era esperado. Num desfile que também não empolgou, o destaque foi a sempre firme bateria do Mestre Nilo Sérgio.

Nunca saberemos o que teria acontecido caso o incêndio não tivesse ocorrido e a Portela tivesse passado com o que estava previsto em alegorias e fantasias. Mas pelo que se dizia na fase pré-carnavalesca, o cenário não era dos melhores – vale lembrar que a escola mudou de enredo no meio da preparação.

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Campeã de 2010, a Unidos da Tijuca fez mais uma ótima apresentação, mesmo com um enredo um tanto criticado chamado “Esta noite levarei sua alma”, sobre o terror nos filmes. Confesso que o estilo deste enredo desenvolvido por Paulo Barros não me agradou, mas sem sombra de dúvidas a escola esteve muito bem na sua proposta e conquistou o público com muitas surpresas. E sustos, claro, pelo que o tema apresentava…

Como no ano anterior, a comissão de frente deu um show de ilusionismo, e os componentes vestidos de caveira tinham a cabeça deslocada do corpo para cima e para baixo, o que chegava a assustar. Uma alegoria que também causava impacto mostrava uma floresta com gorilas que se atiravam em direção às arquibancadas pendurados do alto das árvores.

tijuca2011cO enredo era à feição para Paulo Barros fazer as habituais associações a filmes. Em algum momento do desfile foram citados “Tubarão” (numa alegoria com enorme tanque d’água e um tubarão que devorava um banhista), “Guerra nas Estrelas”, “O Nome da Rosa”, “Os Caça-Fantasmas”, “Harry Potter” e “Indiana Jones”. Um dos elementos alegóricos retratava “Jurassic Park” e os dinossauros tentavam comer suas presas no meio da avenida.

tijuca2011O samba-enredo não era dos mais brilhantes melodicamente, mas era adequado à proposta do desfile. Inegavelmente os componentes passaram com muita animação e o público aplaudiu a escola com vigor, a ponto de recebê-la na Apoteose com gritos de bicampeã.

De fato, sem sobressaltos de Evolução e Harmonia, e pelas surpreendentes alegorias e fantasias, a Tijuca entrava com força na briga por mais um título, mesmo não tendo sido tão arrebatadora como no ano anterior. De qualquer forma, um desfile muito agradável e competente.

vilaisabel2011Na estreia de Rosa Magalhães, a Unidos de Vila Isabel também fez um desfile que agradou a público e crítica. O enredo “Mitos e histórias entrelaçados pelos fios de cabelo” havia recebido críticas na fase pré-carnavalesca, mas foi desenvolvido com correção e a Vila foi uma das melhores escolas do ano.

A comissão de frente representava o mito da medusa e foi de extrema criatividade, com os componentes levando serpentes saídas de uma cabeça (tripé). Falando em mitos, as alegorias mostravam a importância dos cabelos em civilizações antigas como as da Grécia, Índia (esta numa extraordinária alegoria sobre Sheeva com elefantes de incríveis realização e movimentos) e China.

vilaisabel2011bMas uma das alegorias que mais agradaram foi a que lembrava o conto de Rapunzel. Também chamou a atenção o elemento que lembrava a lenda de Lady Godiva, que cavalgou nua pelas ruas de Coventry (Inglaterra) exibindo as longas madeixas, e o corpo. Evidentemente, a exuberante modelo que a representou estava com os seios de fora. Gostei também das alas que homenageavam Lamartine Babo, e os cabelos de palhaços.

A maior estrela do desfile foi a modelo Gisele Bündchen, cuja chegada à concentração causou confusão entre jornalistas e seguranças. Gisele desfilou na última alegoria como Vênus de Milo e, se não demonstrou samba no pé, mostrou a simpatia de costume.

O samba-enredo, que também fora criticado antes do desfile, cresceu muito e foi bem cantado pelos desfilantes. Já a bateria de Mestre Átila mais uma vez não esteve perfeita, com um andamento exageradamente veloz e problemas – até hoje dizem que o diretor de bateria nunca foi benquisto na escola por ser oriundo de outra agremiação, no caso o Império Serrano.

mangueira2011Um atraso considerável antecedeu a entrada da última escola a desfilar na primeira noite, a Estação Primeira de Mangueira. Não se sabe porquê a escola não estava totalmente armada no horário previsto – a Verde e Rosa acabaria multada em R$ 45 mil mas não perderia pontos.

Depois de problemas no ajuste do som, o ator Milton Gonçalves leu emocionante discurso em que exaltava o homenageado Nelson Cavaquinho e convocava os componentes, lembrando que a agremiação não tinha patrocinadores para o enredo “O filho fiel, sempre Mangueira”.

No fim das contas, foi uma apresentação absolutamente emocionante, com um samba-enredo de grande qualidade (diga-se de passagem uma aposta que não agradara 100% à escola inicialmente, mas que se mostrou corretíssima) e uma bateria arrebatadora.

Depois de assumir a direção, Mestre Ailton resolveu ousar e, além de adotar diversas paradinhas e bossas arriscadas, apresentou ao público o “paradão”, quando todos os ritmistas paravam de tocar e apenas batiam palmas enquanto o competente trio de cantores Luizito/Zé Paulo/Ciganerey cantava – à frente dos ritmistas, a rainha Renata Santos brilhou mais uma vez. Isso estimulou o público a cantar com a escola e incendiou os componentes.

mangueira2011bO enredo foi bem desenvolvido pelos carnavalescos Mauro Quintaes e Wagner Gonçalves. A comissão de frente tinha um enorme elemento alegórico que simbolizava a favela e trazia Nelson Cavaquinho caracterizado ao lado de outros componentes, cuja coreografia tinha movimentos do le parkour.

Diversos sucessos do compositor foram exaltados, como “Folhas secas”, “Primeiro de abril” e “Degraus da vida”. Beth Carvalho desfilou ao lado de Sérgio Cabral na alegoria “Zicartola”, que lembrava o bar no qual Nelson se apresentou muitas vezes, com belas esculturas de Cartola e Zica. Em outro elemento interessante, foi mostrado o medo que Nelson tinha de morrer às três da madrugada e o hábito que ele tinha de sempre atrasar o relógio antes que tal horário chegasse.

Apesar de as alegorias e fantasias não terem sido impecáveis em termos de acabamento (a chuva também atrapalhou nisso e o destaque Serginho do Pandeiro arrancou parte da placa que cobria o surdo no qual dançava por estar escorregando), a leitura do enredo foi muito fácil, como por exemplo nos figurinos dos ritmistas, que estavam vestidos de soldados, já que Nelson serviu o Exército.

No fim, a escola apertou um pouco o passo, já que o atraso de alguns minutos devido ao longo discurso no começo fez a escola demorar a evoluir. Mas não houve buracos na evolução mangueirense e, sob aplausos do público, a Verde e Rosa deixou a pista certa de uma boa colocação.

ilha2011A União da Ilha começou os desfiles de segunda-feira e brindou o público com uma exibição memorável. O carnavalesco Alex de Souza mostrou competência na apresentação do enredo “O Mistério da Vida” e os componentes mostraram muita garra para superar os problemas do incêndio – a escola perdeu uma alegoria e a maior parte das fantasias.

O que teoricamente seria um enredo difícil de carnavalizar (as teorias evolutivas das espécies, de Darwin) acabou sendo passado com muita clareza. O abre-alas simbolizava “A Memória da Vida” tinha enormes esqueletos de animais que ficavam iluminados. Um dos destaques era o que representava o Jardim Botânico do Rio, visitado por Darwin no século XIX, com plantas carnívoras “devorando” os destaques.

O carro dos insetos, afetado pelo incêndio, perdeu os mecanismos elétricos das articulações dos animais e teve de ser reconstruído, mas mesmo assim passou bem pela avenida, com movimentos mecânicos manuais. Já as fantasias foram reconstruídas com materiais mais simples, mas tiveram bom efeito.

O samba-enredo cresceu na voz de Ito Melodia e a bateria de Mestre Riquinho esteve numa ótima noite. Com o apoio do público, a Ilha deixou a pista certa de que teria brigado facilmente pelas primeiras colocações caso tivesse sido julgada, mesmo com os problemas decorrentes do incêndio. Um presente aos torcedores insulanos no dia em que a escola completava 58 anos.

salgueiro2011Com um enredo de fácil leitura chamado “Salgueiro apresenta: o Rio no Cinema”, a Vermelho e Branco da Tijuca fez uma excelente apresentação, com alegorias e fantasias de brilhante concepção e acabamento. Mas, se nunca é demais exaltar o trabalho dos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lávia, infelizmente os problemas da própria escola colocaram tudo a perder.

Antes de entrar nisso, vale exaltar a beleza e correção das alegorias. O abre-alas, por exemplo, reproduzia uma sala de cinemas, com cadeiras e um grande telão, e tinha muito neon e luzes, além de homenagear antigos estabelecimentos como o Cine Odeon. Já o lindo segundo carro, chamado “Tesouro perdido da Atlântida”, teve problemas para entrar na pista, o que empacou a evolução. Pena, porque o elemento mostrava a cidade perdida e as chanchadas dos anos 1940 e 1950.

Desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, na Marquês de Sapucaí (Sambódromo), no centro da cidade.O quarto carro, que homenageava o desenho animado “Rio”, teve um princípio de incêndio, o que atrapalhou ainda mais a escola. Mas o carro que chamou mais a atenção foi justamente o que causou os maiores problemas à já difícil evolução salgueirense: o elemento “Hollywood é aqui”, que mostrava a Central do Brasil sendo escalada por um King Kong, foi manobrada com extrema dificuldade e um grande buraco foi aberto até a ala seguinte.

Assim como as alegorias, todas as fantasias eram de muita criatividade e transmitiam com extrema correção a ideia do enredo. Isso porque os carnavalescos optaram por bastante colorido e, ao mesmo tempo, leveza nos figurinos, o que facilitou a dança dos componentes sem que a qualidade visual fosse comprometida.

O samba-enredo, como vinha sendo praxe no Salgueiro, era mais alegre do que poético, mas contava muito bem o enredo e tinha uma levada “pra cima” que embalou componentes e público – desta vez, como a Mangueira, a escola tinha um trio com Quinho, Serginho do Porto e Leonardo Bessa na condução. A bateria de Mestre Marcão, como já vinha sendo costume também, impôs um firme andamento.

Mas os problemas de evolução já citados comprometeram irremediavelmente o desfile salgueirense e a escola estourou em longos dez minutos os 82 regulamentares. Com um ponto de déficit, fora as prováveis pontuações em Evolução, a briga por um título que parecia certo estava perdida. Pena, pena…

Já a Mocidade Independente de Padre Miguel fez um desfile muito alegre, apesar de uma temática não tão clara. O enredo “Parábola dos Divinos Semeadores”, do carnavalesco Cid Carvalho, foi apresentado com muitas cores e buscou misturar agricultura com Carnaval. De que forma? Mostrando as festas que cultuavam a terra e seus proventos no Brasil e no mundo, e o Carnaval do Rio como ponto culminante disso.

O abre-alas era interessante e mostrou a era glacial e como os habitantes da Terra na época se congraçavam. Gostei do carro do Egito Antigo, já que os locais exaltavam o Boi Ápis, o  deus da fertilidade da terra. Havia também as alegorias sobre a Grécia e Roma, que cultuavam os deuses Baco e Saturno, mas havia alguns problemas de acabamento. As fantasias também estavam descontraídas e multicoloridas, com melhor nível de concepção e acabamento.

A exemplo do que ocorrera em 2010, a Mocidade apostou num samba mais popular e obteve sucesso – a dupla de cantores era de primeiríssima linha, com Nêgo e Rixxa. Já a bateria não esteve numa noite tão perfeita e estava mais acelerada do que o de costume para os padrões da Mocidade. A escola fez aquele típico desfile de meio de tabela.

Escola mais prejudicada pelo incêndio na Cidade do Samba, a Acadêmicos do Grande Rio lavou a alma com uma apresentação de muita garra debaixo de um temporal. É claro que visualmente não dava para cobrar nada da escola, mesmo com o enorme esforço do carnavalesco Cahê Rodrigues e equipe para reconstruir o que dava depois do ocorrido – a escola desfilou com elementos pequenos e menos destaques do que o normal.

De qualquer forma deu para perceber uma divisão de enredo (“Y-Jurerê Mirim – A Encantadora Ilha das Bruxas, Um conto de Cascaes”) bastante coerente, começando pela apresentação de lendas e mitos da região de Florianópolis, passando pelas belezas naturais e os pontos turísticos.

O samba-enredo era muito bom e a bateria de Mestre Ciça garantiu a empolgação dos componentes, que evoluíram de forma esplêndida pela molhada avenida. Cotada como uma das favoritas na fase pré-carnavalesca, a Tricolor de Caxias tinha tudo realmente para brigar pelo campeonato, a julgar pela divisão do enredo e pelos quesitos de pista. Mas a escola cumpriu seu papel.

A Unidos do Porto da Pedra fez uma agradável apresentação na defesa do enredo “O Sonho sempre vem pra quem Sonhar…”, uma homenagem a Maria Clara Machado. O carnavalesco Paulo Menezes acertou a mão na divisão do tema, mas alegorias e fantasias foram prejudicadas pelo temporal quando a escola se concentrava.

Apesar desse contratempo, escola fez uma evolução tão leve como o próprio conteúdo do enredo, que tinha no abre-alas uma homenagem ao teatro de bonecos, num elemento muito criativo. Outra alegoria mostrava a Arca de Noé e jorrava água para os setores de arquibancada. Gostei também da alegoria que representava “a bruxinha boa”.

Mesmo sem empolgar o público, o samba-enredo funcionou para os componentes e a bateria de Mestre Thiago Diogo esteve firme – aliás, uma bailarina “voava” por cima da bateria suspensa por um balão de gás representando a o personagem “Pluft, o fantasminha”. Sem riscos de rebaixamento, claro, a Porto da Pedra terminou seu desfile com muita alegria e samba no pé.

beijaflor2011cÚltima escola a desfilar, a Beija-Flor de Nilópolis fez uma apresentação de altos e baixos. Para começar, o enredo “A simplicidade de um Rei”, em tributo a Roberto Carlos, teve algumas passagens inusitadas, como por exemplo citações a Iemanjá associadas a um homenageado cuja religião é católica – apesar de o mesmo ter aprovado isso na reta final da preparação.

Além disso, o belo samba-enredo (que tinha como um dos compositores JR, filho de Neguinho) não rendeu tanto como se esperava e o canto dos componentes foi mais tímido do que o habitual. A evolução da escola teve problemas, agravados pelo óleo que caiu de carros da Porto da Pedra – quando a Beija-Flor entrava na pista, funcionários da Comlurb jogaram serragem no asfalto para torná-lo menos escorregadio, o que atrasou a entrada da Deusa da Passarela.

Aliás, diga-se de passagem, o excepcional casal formado pela porta-bandeira Selminha Sorriso e o mestre-sala Claudinho teve muitas dificuldades por causa da pista escorregadia e havia temor de perda de pontos na apuração.

Já a comissão de frente agradou muito ao mostrar a infância do Rei em Cachoeiro do Itapemirim, com um menino representando Roberto perseguindo notas musicais – depois, o menino entrava num tripé em forma de rádio antigo (que se abria) e saía com Cláudia Raia, que simbolizava as musas inspiradoras do cantor – na verdade, para arrebatar o público desde início o próprio Roberto sairia deste rádio, para depois ser levado sem que se percebesse até um carro alegórico, de onde surgiria novamente para surpreender o público no fim do desfile.

beijaflor2011dA divisão cromática também agradou bastante, com tons claros e muito azul, cor da escola e também a preferida de Roberto Carlos.  Gostei também do carro da Jovem Guarda, que tinha lambretas, carros antigos e enormes discos para simbolizar os anos 60, além de nomes como Miéle, Wanderléa e Erasmo Carlos.

Mas a maioria dos demais elementos, que retrataram sucessos da vida do Rei, como “Taxista” e “Caminhoneiro” não tinham concepção das mais felizes – depois, o carnavalesco Alexandre Louzada, ao deixar a comissão de Carnaval da Beija-Flor, criticou duramente o diretor de Carnaval Laíla, o acusando de não permitir sua intervenção direta nos trabalhos.

O público assistia ao desfile de forma até fria, mas passou a aplaudir calorosamente a escola quando a (esta sim) maravilhosa alegoria que levava Roberto Carlos entrou na pista – havia uma enorme escultura representando Jesus Cristo abençoando o Rei. Esbanjando simpatia, Roberto retribuiu o carinho do público e a escola cresceu no desfile.

Agradou também o andamento da bateria, cujos componentes estavam fantasiados de comandantes de navio do cruzeiro “Emoções em Alto-Mar”, que tinha Roberto como atração. Com o dia claro, a Beija-Flor encerrou com muita alegria um desfile que poderia ter sido melhor e deixou a sensação de que seria difícil conquistar o título num ano equilibrado em virtudes e problemas das escolas.

REPERCUSSÃO E APURAÇÃO

Na opinião do público e especialistas, o Salgueiro fez o melhor desfile do ano no conjunto da obra, mas a perda de pontos decorrente do estouro na cronometragem (e, consequentemente, em Evolução) certamente tiraria a escola da briga pelo título. Diante disso, a Unidos da Tijuca acabou apontada com ligeiro favoritismo ao campeonato pela bela apresentação e porque escolas como Vila Isabel, Mangueira e Beija-Flor não foram perfeitas nos quesitos.

A apuração começou com a liderança da Mangueira, com pontuação máxima nos quesitos Harmonia e Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Mas em Conjunto a Verde e Rosa foi ultrapassada pela Beija-Flor de Nilópolis, que não mais saiu da primeira posição e até o fim da apuração perdeu apenas 0,1 em sua pontuação válida, e só no último quesito (Samba-Enredo, injustamente).

Foi uma surpresa, para dizer o mínimo, já que a escola de Nilópolis teve problemas em Harmonia, Alegorias e (principalmente) Evolução. A Unidos da Tijuca, a despeito de não ter repetido a primorosa exibição de 2010 e ter dado uma “viajada” no enredo, ficou a uma ainda mais surpreendente distância de 1,4 ponto, o que não traduz o que se viu na pista nos demais quesitos.

A Mangueira, mesmo com uma surpreendente nota 9 em Bateria (descartada), terminou em terceiro lugar, seguida pela Vila Isabel, enquanto o Salgueiro acabou em quinto e a Imperatriz Leopoldinense, em sexto. Completaram as nove julgadas Mocidade, Porto da Pedra (injustiçada) e São Clemente.

RESULTADO FINAL

POS. ESCOLA PONTOS
Beija-Flor de Nilópolis 299,8
Unidos da Tijuca 298,4
Estação Primeira de Mangueira 297,2
Unidos de Vila Isabel 297
Acadêmicos do Salgueiro 296,2
Imperatriz Leopoldinense 295,5
Mocidade Independente de Padre Miguel 295,5
Unidos do Porto da Pedra 293,4
São Clemente 290,9
Acadêmicos do Grande Rio hors concours
Portela hors concours
União da Ilha do Governador hors concours

No Acesso A, em resultado sobre o qual uma vez mais pesaram denúncias de irregularidades, a Renascer de Jacarepaguá conquistou seu primeiro título e a vaga no Grupo Especial, derrotando as favoritas Unidos do Viradouro, Estácio de Sá e Acadêmicos do Cubango. O enredo era sobre as águas, e a escola contava com Paulo Barros entre seus carnavalescos, ao lado de Edson Pereira.

CURIOSIDADES

– A jornalista Ana Paula Araújo passou a comandar um estúdio montado na entrada da Sapucaí, no qual ela fazia o giro de comentários com Chico Pinheiro, Haroldo Costa, Fernanda Abreu e Helio de La Peña. Luís Roberto e Glenda Kozlowsky continuavam na narração.

– Erasmo Carlos entrou na disputa de samba-enredo da Beija-Flor com o maestro Eduardo Lages e o compositor Paulo Sérgio Valle. A descompromissada e (até que) agradável obra foi interpretada pelo veterano Gera e chegou a avançar de fase nas eliminatórias, mas acabou cortada antes da final. Depois da eliminação, o Tremendão declarou. “Foi tudo uma brincadeira. Jamais tive intenção de entrar na disputa. Meu negócio é rock. Essa coisa toda cresceu muito e eu quero seguir em paz fazendo as minhas coisas. Carnaval para mim é ver mulatas gostosas na televisão”. Ouça o samba abaixo:

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– Neguinho da Beija-Flor participou do Especial Roberto Carlos na TV Globo no fim de 2010 e cantou o samba-enredo que seria levado para a avenida meses depois. O show na Praia de Copacabana foi transmitido com alguns minutos de delay na programação da emissora e a participação de Neguinho foi grande – durou quase dez minutos.

– O cantor Dominguinhos do Estácio passou mal no fim da apresentação da Imperatriz Leopoldinense com um princípio de infarto. O intérprete, que já havia tido problemas cardíacos anteriormente, ficou internado por mais de um mês num hospital de São Gonçalo e, naturalmente, não participou do Desfile das Campeãs – um dos autores do belo samba gresilense, Alexandre D’Mendes foi o cantor principal no sábado.

– As famosas junções de sambas-enredo numa obra só sempre causaram polêmica por incharem o número de compositores. Mas no caso da São Clemente em 2011, o samba teve nada mais nada menos do que QUATORZE, isso mesmo, QUATORZE compositores. São eles: Armandinho do Cavaco, Claudio Filé, Fabio Portuga, Flavinho Segal, FM, Grey, Helinho 107, J.J.Santos, Nelson Amatuzzi, Ricardo Góes, Ronaldo Soares, Rodrigo Maia, Serginho Machado e Xandrão. Ufa!

– Recém-contratado pelo Flamengo, Ronaldinho Gaúcho foi uma das estrelas daquele Carnaval ao desfilar em três escolas: Grande Rio, Mangueira e Portela. Na ocasião, o camisa 10 da Gávea não chegou atrasado em nenhum treino nas manhãs pós-desfiles e participou das atividades em boas condições. Já no ano seguinte…

– Desfilei com a minha então futura esposa nos ensaios técnicos do Salgueiro em 2011. Apesar de os componentes cantarem o samba a plenos pulmões, houve lentidão na evolução durante o ensaio, a ponto de estressar diversos diretores de harmonia. Lembro que comentei com ela que o Salgueiro precisaria se acertar senão teria dificuldades. Dito e feito, apesar dos problemas com as alegorias, claro.

– Foi o último desfile de Marcone como mestre de bateria da Imperatriz. Em novembro de 2011, ele teve desavenças com o presidente Luizinho Drummond (Marcone o acusou de agressão, mas o caso não foi adiante na esfera policial) e seu lugar passou a ser ocupado por Mestre Noca. Em dezembro, ele escapou de um atentado, quando homens encapuzados num veículo atiraram na direção de integrantes da bateria da Gresil – Marcone entre eles – resultando numa morte e três feridos. O ex-diretor de bateria da Imperatriz evitava ir à casa dos pais em Ramos e se mudou. Mas Marcone resolveu passar o Dia das Mães com os pais e na madrugada de segunda-feira, 14 de maio de 2012, foi executado nas proximidades da quadra do Cacique de Ramos – seu carro foi alvejado com 20 tiros. Ele deixou duas filhas, de dez e doze anos. Ninguém foi preso pelo crime e o assassinato segue um mistério. Com Marcone como diretor em quatro anos, a bateria da Imperatriz obteve apenas três notas diferentes de dez em 18 possíveis.

– Ito Melodia ganhou seu segundo Estandarte de Ouro consecutivo de melhor intérprete e ultrapassou o pai, o lendário Aroldo Melodia, premiado em 1986. A curiosidade é que Ito até hoje é o primeiro e único filho de alguém já premiado pelo júri do Estandarte numa mesma categoria a repetir a façanha. Filho da porta-bandeira Maria Helena, o mestre-sala Chiquinho foi o outro filho de premiado a levar o prêmio, mas evidentemente noutra categoria.

– Como curiosidade na gravação do CD de sambas-enredo, a abertura foi feita pelo apresentador de TV, diretor social da Liesa e responsável por ler as notas na apuração Jorge Perlingeiro. E, depois de cada passada, o intérprete de cada escola anunciava o cantor seguinte. Por exemplo, o cantor Tinga (Vila Isabel) dizia “Arrepia, Quinho!”, chamando a voz do Salgueiro, ou Luizito (Mangueira) falava “Nêgo, agora é contigo! Segura!”, convocando o intérprete da Mocidade.

– Falando em Nêgo, ao defender a Mocidade, o cantor chegou à sexta escola diferente no Grupo Especial do Rio como cantor principal – em 2010, ele foi apoio da Verde e Branco. Nêgo começou na Unidos da Tijuca e depois passou por Acadêmicos do Grande Rio, Acadêmicos do Salgueiro, Império Serrano e Unidos do Viradouro. Isso sem contar Arranco do Engenho de Dentro, Unidos de Villa Rica no Acesso do Rio, Ilha do Marduque, Bambas da Alegria e Acadêmicos do São Miguel em Uruguaiana-RS, Ilha da Magia em Florianópolis, Inocentes de Maricá-RJ, Unidos de Vila Maria em São Paulo e Vilage do Samba em Friburgo-RJ. Um dos grandes cantores do Carnaval, Nêgo tem cinco prêmios do Estandarte de Ouro (1991, 1994, 1999, 2004 e 2006) e está empatado com o irmão Neguinho e Jamelão como maiores vencedores na categoria intérprete – o mangueirense ainda tem um prêmio como Destaque Masculino.

CANTINHO DO EDITOR – por Pedro Migão

O pré carnaval de 2011 portelense foi complicado desde o início. O então presidente Nilo Figueiredo anunciou antes das eleições enredo sobre a história da escola, mas após sua aclamação para mais um mandato em maio começou a dar declarações que poderia trocar o enredo. Dito e feito, na data limite.

A disputa de samba foi amplamente dominada pela parceria de Diogo Nogueira, mas pelo quarto ano consecutivo a parceria de Júnior Scafura se sagrou a vencedora, em resultado que antecipei aqui mesmo no Ouro de Tolo antes da final. Digo sem medo de errar que foi o pior samba para se cantar na avenida entre os que desfilei, com um tom muito alto. Luiz Carlos Máximo, um dos autores, não gosta do samba.

De certa forma o incêndio acabou mascarando muitos dos problemas da preparação do desfile daquele ano. Além da crônica falta de dinheiro, o crônico atraso do carnavalesco Roberto Szaniecki piorou ainda mais a questão. Após o incêndio, não houve dinheiro para mais nada, e, à exceção da digna Águia, as outras alegorias estavam bem aquém do nível do Grupo Especial.

Considero este episódio e este Carnaval o pior momento da história da Portela, mas, a partir de então, começava a se formar o movimento que levaria a vitória nas últimas eleições. Desfilei em ala, uma vez mais. Na concentração o clima era de velório até chegar a informação de que o então presidente teria dado uma entrevista à rádio renunciando ao cargo (que não se confirmou), o que melhorou o astral.

Também desfilei – em momento de grande emoção – na ala de compositores da União da Ilha, na campeã Renascer de Jacarepaguá e na rebaixada Caprichosos. Tinha roupa de diretoria na União de Jacarepaguá, mas minhas condições físicas não me permitiram desfilar.

concentração da IlhaAssisti aos dois grupos de Acesso nas frisas do Setor 3 e os dois dias do Especial nas frisas do antigo Setor 6, hoje 12.

O título da Renascer no Acesso foi bem insólito, para se dizer o menos. Durante o desfile do Acesso B, na terça feira, já se falava abertamente que a escola era a vencedora, e já havia fortes boatos desde antes do desfile. Posteriormente, em investigação solicitada pela Acadêmicos do Cubango provou-se que 14 mapas de jurados deste grupo foram preenchidos exatamente com a mesma letra, em indício forte de manipulação de resultado. Mas não deu em nada…

Aliás, as más línguas dizem que esta reclamação da escola Verde e Branco era uma espécie de Procon de resultado…

O desfile deste grupo foi muito prejudicado pela chuva, que não parou de cair um só momento durante a noite toda. Cubango e Estácio pegaram uma garoa, mas não houve escola com pista seca naquele carnaval. Aliás, nas quatro noites de desfile a chuva deu o ar da graça, com a curiosidade de, na segunda feira, ter caído só sobre a Grande Rio já arrasada pelo incêndio…

Na rebaixada Caprichosos, que fechou o Acesso A já na manhã de domingo, o então presidente Paulo de Almeida anunciou no “grito de guerra” que estava deixando a escola. A comemoração dos segmentos da escola foi comovente. Iria desfilar com camisa de Diretoria, chegou uma de Apoio – e assim mesmo molhada – e já na concentração. Mas desfilei assim mesmo.

Acesso B 2011 122Caetano Veloso, homenageado pela campeã Paraíso do Tuiuti no Acesso B, fez questão de desfilar mesmo com a escola encerrando o desfile às seis da matina da quarta feira de Cinzas. A Tradição, que homenageava o município cearense de Juazeiro do Norte, distribuiu chapéus de palha nas frisas (foto, com o colunista Aloisio Villar).

Meio mundo do samba jura que o samba assinado por Erasmo Carlos e Paulo Sérgio Valle na disputa da Beija Flor era de autoria do próprio Roberto Carlos, homenageado no enredo. O que se sabe é que o próprio tentou reverter a queda deste samba antes da final.

Antes do desfile da Beija Flor o locutor oficial do Sambódromo foi ao microfone pedir aos jurados “que pegassem leve” nas avaliações da comissão de frente e do casal de mestre sala e porta bandeira da escola. O motivo seria óleo deixado pela Porto da Pedra.

Continuo querendo entender até hoje o que era o enredo da Unidos da Tijuca, aliás.

Um dos momentos mais emocionantes do pré-carnaval foi o ensaio técnico da Portela, com o encontro de bandeiras da escola de Madureira e da União da Ilha. Aquele carnaval só serviu mesmo para reabilitar o samba de 1991, que virou uma espécie de samba-exaltação portelense.

Vale destacar a “paradona” da bateria da Mangueira, coroando o belo samba verde e rosa. Tivesse alegorias melhores e a escola poderia, ao menos na pista, ter brigado pelo título.

Em um grupo de acesso de belos sambas, destaque absoluto para a Viradouro recém-rebaixada, que tinha duas sequências de versos sensacionais: “Quando a solidão me abraçou/Pediu por favor, me deixa ficar” e “Se até a dor precisa de alguém/eu sem você sem ninguém.”

Mas o grande samba deste ano estava fora do Sambódromo: era “Orixás”, da Unidos da Ponte (abaixo). O detalhe é que na verdade era uma composição derrotada na disputa de 1984 da escola de São João de Meriti. Isso gerou um grande debate sobre os rumos do samba-enredo.

Tanto Mangueira como Beija Flor, que encerraram os desfiles, tiveram concentrações bem mais longas que as outras escolas.

Links

O desfile campeão da Beija-Flor em 2011

A apresentação cheia de surpresas da Tijuca

A emocionante homenagem da Mangueira a Nelson Cavaquinho

O show do Salgueiro que não deu em nada

A excelente passagem da União da Ilha

Fotos: O Globo, Liesa e Arquivo Pessoal Pedro Migão

43 Respostas para “Sambódromo em 30 Atos: “2011: Incêndio na Cidade do Samba e título da Beija-Flor””

  1. Como disse nos comentários de outra coluna, achei que o título ficou em boas mãos.

    Mas, aos poréns:

    1- Nunca que a Beija-Flor poderia ter a enxurrada de notas 10 que teve. Aliás, 2011 foi um ano bem fraco de desfiles. Todas as escolas vieram com problemas de alegorias (Imperatriz e Mangueira) ou mau-gosto no visual (Mocidade e Beija-Flor). Um ano para esquecer;

    2- Só o Salgueiro se salvou dessa fiasqueira, e levaria fácil, mas o Salgueiro sempre perde pra ele mesmo;

    3- A Grande Rio tinha um projeto bacana de desfile (colegas meus me mostravam fotos das fantasias e alegorias) até acontecer o incêndio;

    4- Esqueçam a União da Ilha. Mesmo com a alegoria mais linda da avenida (a aranha), se valesse mesmo, duvido que os jurados dariam boas notas a ela. E sou mais um que tentou entender o enredo da Unidos da Tijuca e desisti, antes que o cérebro desse nó;

    5- Sacanearam a Porto da Pedra de todas as formas. Mas o Roberto Horcades protagonizou a maior vergonha, ao meter uma nota abaixo de 9 para a Mocidade e tira-la do Desfile das Campeãs (seria outra injustiça). Aliás, este cidadão só deu nota fracionada de 0,5 em 0,5 ponto. Teve um outro jurado (igualmente um fiodumaegua) que deu notas abaixo de 9 para todas e só 10 para a Beija-Flor (engraçado que agora não aparece nenhum nilopolitano reclamando dos jurados, né?);

    6- Gostando ou não, a escolha do Roberto Carlos como enredo foi bem aceita (eu adorei). Já o Boni… aprende, Laíla, e vê se acerta a mão em 2015;

    7- Tem gente que diz que, se valesse, a Portela lutaria contra o rebaixamento com a São Clemente;

    8- Acho que sou o único que coloca o samba da Imperatriz entre os 100 maiores da história!

    Abraço, Fred e Pedro!!

    • Pedro Migão disse:

      Rodrigo, obviamente a Portela não passaria daquele jeito se não houvesse o incêndio. Pior que quem escreveu sobre o carnaval deste ano para o PortelaWeb fui eu e foi um desespero escrever sem poder “sentar o dedo” no Nilo, como havia feito aqui mesmo logo após o incêndio – em artigo que gerou grande repercussão e alguns recadinhos mal criados, por assim dizer.

      • Ah, certeza, Pedro. E eu imagino o quanto vocês, portelenses, estão ainda em estado de graça com a saída do Nilo da presidência!!

      • Aliás, cabe aqui uma correção minha. Duas, aliás:

        1- o Roberto Horcades não julgou em 2011, engano meu.

        2- O nome do fiodumaegua é Carlos Alberto de Araújo Marques (Alegorias e Adereços). Foi ele que desandou a dar nota baixa pra todo mundo. Só Deu 10 para a Beija-Flor.

  2. Leonardo Dahi disse:

    Salvo engano, essa abertura com o Jorge Perlingeiro foi só no CD de 2012. Ao menos nos vídeos que estão no YouTube, a faixa já entra direto com o intérprete. Quanto ao samba da São Clemente ter 14 compositores, lembro que, para 2010, a Leandro de Itaquera juntou três sambas (ruins, diga-se) resultando em um horroroso assinado por DEZENOVE compositores. E ainda teve Sandra de Sá berrando no Sambódromo.

  3. Leonardo Dahi disse:

    Aliás, um samba cujo refrão era “Beija Beija Beija Beija (394x Beija) Flor” não poderia nem se apresentar pela segunda vez, ainda que composto pelo Roberto Carlos.

  4. Carlos Alberto disse:

    O Incêndio na Cidade do Samba foi uma das PIORES TRAGÉDIAS que presenciei pela TV, foi muito triste (principalmente a Grande Rio, que perdeu o carnaval inteiro)

    Sobre os desfiles… posso dizer que em 2011 literalmente A MÚSICA VENCEU já que em São Paulo a Vai-Vai foi campeã com enredo sobre o maestro João Carlos Martins.

    Voltando ao Rio, o título da Beija-Flor foi contestado porque falou de Roberto Carlos, etc e tal. o público tava calado na arquibancada e quando o Roberto passou ficaram histéricos! parecia que o Papa estava ali. pra mim, Tijuca ou Mangueira poderiam levar o caneco.

    A nota 9 dada à bateria da Manga causou muita polêmica na época, o jurado que atribuiu a nota chegou a dizer que “Os jurados só dão 10 porque gostam de escola grande”

    Falando em notas, foi a última vez que vimos notas abaixo de 9 na apuração. ambas em Alegorias e Adereços (Mocidade 8.9 e Porto da Pedra 8.7)

    No A, se o título da Renascer foi contestado, nós nem imaginávamos o que viria a acontecer no ano seguinte.

    E graças ao incêndio a São Clemente está até hoje no Especial porque se não fosse…

    • Fred Sabino disse:

      Boas observações, Carlos. Só lembrando que o 9 da bateria da Manga acabou descartado. ABS!

    • Pedro Migão disse:

      Olhando retrospectivamente acho Renascer tão escandaloso quanto a Inocentes, a diferença é que foi menos explanado

    • Bem lembrado sobre a São Clemente. Já teve engraçadinho que me falou, em tom jocoso, que foram eles que armaram a sabotagem.

      Sacanagem e nível de ridículo ao extremo!!

      • Pedro Migão disse:

        Eles não tem nada a ver com a história, mas é inegável que foram os maiores beneficiários

        • Exatamente, Pedro. Por isso que eu escrevi “nível de ridículo ao extremo”. Quem inventou essa tese tem a mãe na zona – e o pai vende churrasquinho na porta da boate!!

          • Pedro Migão disse:

            Diz a lenda que a historia real é bem diferente da oficial, mas obviamente não dá para escrever aqui

        • Will FS disse:

          E a Porto da Pedra foi a grande prejudicada pelo incêndio, pq:
          Se houvesse rebaixamento em 2011, ela não cairia, e só uma caia
          E em 2012 continuaria só uma caindo, que seria a Renascer
          E aí ela estaria até hj no Especial, mto provavelmente…

  5. O problema da nota 9 da Mangueira foi uma avaliação errada do jurado, o sr. Luiz d’Anunciação, mais conhecido como Maestro Pinduca, que nunca mais foi chamado para dar notas na Sapucaí.

    O referido jurado disse que “faltou identidade” à escola e criticou as notas 10 e 9,9 dadas à bateria da verde-e-rosa. Com 85 anos na época, mandou essa pérola: “Em matéria de percussão estou dentro”.

    Os 22 títulos publicados sobre percussão, pelo visto, não serviram de nada para o Maestro Pinduca.

    • Desculpem minha falha. Ele disse: “Em matéria de percussão eu estou por dentro”.

      • O julgamento de 2011 foi uma calamidade do início ao fim.

        Engraçado que em São Paulo, onde se tem muitas bizarrices em notas, nunca houve um julgamento tão preciso quanto esse, com o título inquestionável para a Vai-Vai, com o lindo samba sobre o João Carlos Martins.

        Foi a prova de que qualquer assunto pode virar enredo!

  6. – Adorava o concorrente do Erasmo Carlos. O samba nilopolitano campeão teve o trecho que citava os Festivais suprimido a pedido do próprio Roberto Carlos, o que tirou um pouco a qualidade da boa obra. A comissão de frente da escola, elogiada na coluna, foi bastante criticada.

    – Alguns elementos citados no samba tijucano não lembro de ter visto no desfile, como a explosão (“é o boom, quem não viu…”). O enredo foi mais uma sucessão dos blockbusters reverenciados pelo Paulo Barros.

    – Eu fui um dos poucos na época a torcer pela vitória do samba campeão na Mangueira. Também corroboro com o relator de que é o melhor samba do ano, não levou o Estandarte dizem que por preconceito do jornal com os compositores, que são paulistas.

    – O conjunto salgueirense estava impecável, o carro do King Kong na Central era antológico, com direito à futura grande pensadora contemporânea Valesca Popozuda como a banana do gorila (nessa vibe de banana e beijinho no ombro, viraria meme nessa semana certo). Seria o melhor desfile do ano, não fosse os contratempos já relatados.

    – Segundo samba portelense seguido com um verso bizarro: “a ambição do europeu se encantou (?)”. Pelo menos o verso “oi leva mar, oi leva” era ótimo.

    – Entre tantos sambas trashs e bisonhos levados pela Porto da Pedra nos últimos anos de Especial, surgiu uma exceção à regra: o hino de 2011 é encantador. Chegou a ser eleito o melhor do ano em um respeitável site de Carnaval. Curioso que, quando as faixas vazaram antes do CD ser lançado, a da Porto tinha falhas nítidas na mixagem, com um tamborim totalmente atravessado na segunda passada.

    – O samba da São Clemente teve o refrão do meio trocado dois dias depois do anúncio da fusão. Saiu o refrão de uma das parcerias e entrou o da outra, já que esta abordava o “império tropical”, um dos setores do enredo.

    – Sobre as chamadas dos intérpretes pros colegas nos fins das faixas do CD, surgiu uma piada referente ao Nêgo. Na época, foi veiculada uma notícia de que o Bruno Ribas e o Wantuir estavam irritados com ele, acusando-o de cavar lugar nas escolas, até as que o microfone já tivesse dono. Se um dos dois gravasse a faixa que antecedesse a da Mocidade, largaria: “agora é contigo Nêgo, seu FDP desgraçado, VTNC…”.

    – A disputa da Viradouro foi interessante. Além do lindíssimo samba vencedor, havia outro formidável também cantado pelo Nêgo na gravação, da parceria do Felipe Filósofo. O Dominguinhos cantava o do Gilberto Gomes, que tinha a cara da escola nos seus melhores anos no Especial.

    – Na final da Santa Cruz, o samba da parceria do Luís Butti era o mais aclamado na quadra. Porém, deu mais uma vez Fernando de Lima, que no anúncio do resultado, vendo a contrariedade de todos, deu uma banana para o público.

    – A primeira parte do samba da Renascer tem requintes de obra-prima, mas o samba aos poucos vai caindo de produção. Na obra da Cubango, as mudanças na letra fizeram o samba despencar em relação à versão dos compositores. O lindo samba imperiano caiu no CD, sendo gravado num tom bem acima do registrado pelo Jorginho do Império na versão concorrente, com muitas subidas de trechos.

    • Um professor de Português veio me perguntar porque todo mundo achava estranho o verso citado da Portela. Segundo ele, seria apenas um erro de grafia, justificando dessa forma: “à ambição do europeu (o mar) se encantou”. A famosa troca de posição entre sujeito e predicado (não lembro o nome disso e não vou lembrar tão cedo).

      Nunca vi explicação dos compositores para isso. Mas que soou estranho, com certeza!

      E sobre o Salgueiro, o Cadu Zugliani postou na sua coluna do SRZD que ouviu de amigos salgueirenses: “Se eu fosse da diretoria, já que a vaca já tinha ido pro brejo, deixaria estourar o tempo que fosse possível, pra arquibancada curtir com maestria aqueles momentos primorosos do Renato Lage”.

      Acho que valia a pena, mesmo!!

      E vale o registro: depois dessa safra horrível de 2011 (para mim, uma das top-5 em matéria de ruindade), tivemos três anos seguidos de sambas bons e razoáveis (e alguns antológicos).

      No Acesso, a Viradouro não ter subido foi uma vergonha monstruosa!

      E como o Pedro citou, a Unidos da Ponte reeditou um samba-enredo eliminado. Quem sabe não veremos o Salgueiro falar de Tambor de novo e colocar o samba do Simas…

      • Pedro Migão disse:

        Não dava para a Viradouro. Ali era Imperinho, Estacio ou Cubango – que, dizem as más línguas, foi roubada dentro e fora da pista

    • Pedro Migão disse:

      Putz, você acabou de me lembrar a visão dantesca da imensa bunda da Valesca Popozuda pintada de dourado em um dos carros…

  7. Gustavo Vaz disse:

    Se ninguém tivesse levado o título em 2011, na minha visão, seria o resultado mais justo. Como é impossível não haver uma campeã, fico com a Beija-Flor. Porém, as notas foram extremamente benevolentes. Deveria ter sido uma disputa dura com a Tijuca. Mangueira se apresentando como tal, só que com alegorias bem fracas, o que atualmente é fatal. Salgueiro jogando o título para o alto, com seu irremediável gigantismo. Ilha surpreendente, mas também acredito que não seria bem julgada, e Porto da Pedra injustiçada. Poderia ter levado uma vaga nas Campeãs.

    Sobre a safra: grande obra da Manga, que demorou a me conquistar, confesso. Imperatriz, um pouco abaixo, seguido de Beija-Flor, Porto da Pedra e o agradável samba da Grande Rio.

    • Pedro Migão disse:

      Nos quesitos, a menos ruim foi a Vila. Dei graças a Deus quando o sistema de som parou de tocar o horroroso samba da Tijuca

  8. Carlos Alberto disse:

    Outro detalhe: por falar no desfile da Grande Rio (que desfilou com dignidade debaixo de um temporal depois do incêndio) não tem como esquecer o belo escorregão que a Ana Hickmann levou em plena avenida…

    • Pedro Migão disse:

      Esse tombo foi exatamente à minha frente

      • Fred Sabino disse:

        Tenho a curiosidade de saber como teria sido o desfile da Grande Rio caso não tivesse ocorrido o incêndio, ainda mais com o temporal que desabou. O quão isso prejudicaria a escola na apuração…? Jamais saberemos.

  9. Will FS disse:

    Cheguei tarde devido à falta de tempo durante a semana, então vou ser breve:
    Tb acho que se fosse possível, ninguém deveria ser campeã, pq oh ano fraco, ainda mais com a tragédia na CDS… Mas se fosse pra escolher uma, que fosse a Vila Isabel… Aliás, não sendo a Tijuca tava de bom tamanho… Só os fãs do PB para aceitarem tantas coisas sem noção…
    Tenho dúvidas se o Salgueiro ganharia sem os contra-tempos… A Bateria não estava num bom dia e o casal tb não agradava tanto… Mas que mereceria, mereceria…
    O que era o enredo da Mocidade? Antes de começar seu desfile, falei pra minha Tia, que assistia junto comigo, que eu não sabia lhe explicar rs
    Eu sou um dos poucos que torcia pro samba vencedor da Mangueira e sou um dos poucos que não acho o samba da Imperatriz essa maravilha toda: Tem versos mto inspirados, sim, mas mais de 90% dos versos terminam em “ar”, o que fraga uma falta de criatividade dos compositores…
    E como eu disse em outro post, se a SC foi a grande ajudada pelo incêndio, a Porto da Pedra foi a grande prejudicada…
    Sobre o incêndio: Já ouvi acusarem a Beija-Flor por querer prejudicar uma forte concorrente (GR), mas isso é típico dos anti-Beija, e já vi acusarem a Portela, que sabia que a coisa tava feia, e teve gnt que disse ter visto gnt da Portela na noite do Domingo anterior retirando algumas coisas de seu Barracão às escondidas…
    Tenho ctz que a GR viria mto forte, era a minha grande favorita até o dia 7 de fevereiro…
    E no Acesso, falam tanto da Cubango, mas akela alegoria da Televisão… pelo amor de Deus, não merecia subir…

    • Will, “alegre-se”!! Você e mais um monte de gente odeiam o samba da Imperatriz!! =D

    • E sobre São Clemente x Porto da Pedra, em 2012 foi uma disputa entre ambas.

      Naturalmente, era a escola de Botafogo que deveria ter caído, com o agravante de abrir os desfiles de segunda. Só que a agremiação de São Gonçalo pediu pra cair!! Ou seja, a Porto da Pedra que se auto-prejudicou! =D

      • Pedro Migão disse:

        Como vocês verão no texto de 2012, pra mim caíam a Mangueira e a outra seria Renascer ou Imperatriz

  10. Bruno disse:

    Em 2011,apenas uma escola realmente merecia o título,o Salgueiro que perdeu a taça pra ele mesmo com seu gigantismo absurdo (como já li aqui não são poucos os Carnavais que o Salgueiro perde pra ele mesmo),de resto apresentações com falhas,de todas as outras 8 que disputavam o título,a Mangueira apesar da falha no acabamento das alegorias,na minha opinião deveria ter ganho,foi uma apresentação maravilhosa em termos de emoção,enredo e samba,QUE SAMBA,Tijuca foi muito bem na minha opinião melhor que a Beija-Flor,que ficaria em 3° na minha apuração,Ilha se estivesse na briga poderia brigar lá em cima também,sobre as outras apresentações foram de fato muito fracas

    Observações: o Samba do Salgueiro tinha uma bela letra,o samba da Imperatriz era fraco na minha opinião,e o da Tijuca era muito mas muito ruim.

  11. Daniel Augusto disse:

    2011 foi um ano estranho, quando soube o enredo da bf seria rc, já avisava aos meus amigos que esse seria deles, ao ouvir o cd, o samba da grande rio me arrebatou, mesmo sendo mangueirense, sabendo que minha escola tinha o melhor samba do ano, mas na audição o samba da gr cresceu pra mim, imagina na avenida, porém com o incêndio, tudo mudou, ficou óbvio que beija flor iria ganhar, mesmo com o belo desfile da minha mangueira (que confesso que me surpreendeu), a falta de parcialidade da transmissão da globo foi absurda e déja vu do que iria acontecer na quarta, “AGUARDE A BEIJA FLOR, VEM AÍ A BEIJA FLOR” com uma empolgação que não aconteceu com nenhuma escola, no desfile animação só quando rc apareceu e na quarta já sabemos como terminou

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