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O Canal de tv a cabo Viva vem reprisando nas últimas segundas feiras – com nova exibição aos sábados subsequentes – um programa que embalou minha infância e pré adolescência e que nos traz algumas reflexões: o “Cassino do Chacrinha”.

Exibido originalmente entre 1982 e 1988, quando da morte do apresentador devido às complicações de um câncer, o programa ocupava as tardes de sábado da Rede Globo, no horário que é hoje ocupado pelo apresentador Luciano Huck. Era um típico programa de auditório, com apresentações musicais, concursos, shows de calouros e entrevistas. Também era notório pelas chacretes, mulheres bonitas que dançavam no cenário e auxiliavam o apresentador na apresentação.

Assisti aos programas das últimas duas segundas feiras: o primeiro provavelmente de março de 1988 e outro da primeira semana de junho do mesmo ano, quando João Kleber (este mesmo que hoje está na Rede TV) estreou como co-apresentador devido à fragilidade física de Chacrinha.

ADTV - Audiencia de Tv 2011Vendo os programas, se percebe como a televisão e o mundo eram diferentes. A começar pelos cortes de cabelo: cabelos grandes, “black powers”, “mullets” e muitas mulheres de cabelos curtos. A moda também era mais chamativa, com cores fortes e cortes mais extravagantes nas roupas.

Outra grande diferença é que Chacrinha fazia no programa propaganda institucional do Governo Federal, então o governo José Sarney. Programas como o do leite, iniciativas institucionais e a então “Sena” – sem o “Mega” que a antecede hoje – eram divulgados pelo comunicador. Alguém consegue imaginar nos dias de hoje o “Deus Coxinha” Luciano Huck, filiado ao PSDB como é, fazendo propaganda institucional do Governo Dilma, ainda que paga? Eu não consigo.

Era um tempo menos politicamente correto, também. O segundo programa a que assisti traz a eleição do “Negro mais bonito do Brasil”, que aliás desconfio que tenha ficado sem resultado devido à morte do apresentador. Jece Valadão, um dos jurados, em seu voto diz “que não entende de homem e nem quer entender”. Inimaginável nos tempos de hoje…

chacretes-gPor outro lado, se vivia a grande epidemia de Aids, e Chacrinha havia lançado a sua marchinha “Bota a Camisinha” a fim de conscientizar sobre o uso do preservativo, indicado como prevenção à doença. No próprio júri deste programa havia o dançarino e ator Paulete, outra vítima da doença.

No primeiro a que assisti o jogador Renato Gaúcho, então no Flamengo, era o entrevistado da semana. Ele fala do homossexualismo – na linha “não é a minha, mas respeito” – e nega uma transferência para a Itália, que acabaria ocorrendo. Tim Maia aparece para receber o “Disco de Platina” pela vendagem de seu então LP – e sim, ele apareceu no programa…

Os números musicais, pelo menos em uma primeira análise, eram de dois tipos: aqueles convidados pelo próprio apresentador e os que pareciam ter sido colocados pelas gravadoras. O próprio Chacrinha dava chance para grupos que ele lançava, como o “747” – aliás, que fim deu, como diz o editor adjunto Fred Sabino?

É algo bem diferente hoje: naqueles tempos havia música ruim e apelativa (como a “Tico Mia” apresentada), mas também havia música de boa qualidade. E esta chegava aos grandes veículos. Hoje temos um monopólio de música descartável e de má qualidade dominando os veículos de massa, e isto está extinguindo quase que totalmente a chamada MPB, entre outros gêneros.

rpmChacrinha tinha suas atrações quase que fixas também: uma delas era a cantora Kátia – apelidada nas redes sociais como “Kátia Cega” devido à deficiência visual – que todos os programas cantava a sua “não está sendo fácil”. Outro ponto curioso é que o grupo RPM, grande fenômeno de então, era bem fraquinho – não à toa, sumiu no pó do tempo…

Uma curiosidade é que a escultura do apresentador que compõe o cenário passou no Império Serrano em 1987, ano em que Chacrinha foi um dos homenageados pelo enredo da escola. Nos dias de hoje, provavelmente a escultura teria parado na Tradição ou na Alegria da Zona Sul.

Vendo em 2014 um programa de 1988, se percebe que, apesar do maior esmero técnico e do uso de tecnologia – coisas como os câmeras passando à frente do apresentador hoje não acontecem mais – os programas tem menor qualidade, por um lado, e estão em um formato “engessado”, por outro. Quando se vê que o horário é ocupado hoje por um assistencialismo barato e hipócrita comandado por um apresentador filiado a um partido que defende aumento de desemprego e diminuição de salário, notadamente é uma queda de qualidade no entretenimento oferecido. Hoje, tudo é esteticamente impecável, mas a serviço de interesses nem sempre confessáveis – e, pior, sem alma.

Hoje seria impensável o apresentador jogar farinha ou feijão na plateia, como Chacrinha e João Kleber faziam. Óbvio que eram tempos de maior carestia e isso deve ser levado em consideração, mas não cabe no atual padrão asséptico da emissora.

O programa desta última segunda feira deixa claro a limitação de saúde de que o apresentador desfrutava naquele que seria seu último mês de vida. João Kleber – apontado como sucessor por Chacrinha – comanda a maior parte do programa, enquanto este, nas poucas intervenções, tinha grande dificuldade até para emitir a voz. O último programa do “Cassino do Chacrinha” foi ao ar em 02 de julho daquele ano, após a morte.

O “Cassino do Chacrinha” foi apresentado entre 1982 e 1988, mas no site do Canal Viva há insistentes reclamações que só estão sendo reprisados os programas de 1987 e 1988 – não se sabe se a Globo tem os anteriores. Seria interessante que os anteriores também entrassem na grade, mas quando se vê simultaneamente a emissora retirando do Youtube todos os vídeos de desfiles de carnaval (e sem oferecer uma alternativa de exibição), é uma iniciativa salutar.

Abaixo, disponibilizo aos leitores o programa do sábado de carnaval de 1988, com direito a apresentações, entre outras, da Unidos do Cabuçu e a Portela do coração de Chacrinha encerrando o programa.

Viva Chacrinha!

https://www.youtube.com/watch?v=iBzsbbiPFGg

6 Replies to “Ó Terezinha, ó Terezinha…”

  1. Gostei, mas tenho dois comentários: o merchandising era bem menos escancarado naquela época e, certamente, tinha um impacto infinitamente menor no faturamento e no modelo do programa. Não sou purista a ponto de pensar que pode-se viver sem merchandising hoje em programas de auditório, mas há um exagero. Segundo: Huck faria merchandising institucional do governo sim, desde que levasse algum. Ele pode ter lá suas convicções políticas, mas pagando-se bem, é o tipo de cara que muda de lado fácil. Difícil é imaginar isso na Globo.

  2. Tim Maia aparecia no Cassino do Chacrinha porque d. Maria Imaculada, mãe do artista, era procurada pelo Velho Guerreiro, que adorava Tim e sempre queria tê-lo nos seus programas. E pedido de mãe o “Síndico” era incapaz de recusar.

  3. Num dos programas aparece um jurado fumando, só isso sintetiza a distinta época em que vivíamos. E confesso que pra mim é difícil ver esses últimos com o auxílio do João Kléber. É nítida a dificuldade do Chacrinha em se expressar e comovente o esforço gigantesco do Velho Guerreiro, fazendo jus ao sobrenome da alcunha.

  4. MARAVILHOSO,SENSACIONAL CHACRINHA ,QUE CARA FANTÁSTICO,SUA LINHGUAGEM SIMPLES,DO POVÃO,COM TIRADAS SENSACIONAIS ,SEM DÚVIDAS O MELHOR COMUNICADOR QUE JÁ TIVEMOS,ELE ERA ÚNICO

  5. MARAVILHOSO,SENSACIONAL CHACRINHA ,QUE CARA FANTÁSTICO,SUA LINGUAGEM SIMPLES,COM TIRADAS SENSACIONAIS ,SEM DÚVIDAS O MELHOR COMUNICADOR QUE JÁ TIVEMOS,ELE ERA ÚNICO

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